Livros sobre ser único em seu 30s

o. Em segundo lugar, essa passagem se refere à ordem em que os livros bíblicos aparecem, e cita os Doze coletivamente, como um único livro, não doze livros individuais. · Na literatura cristã, a mais antiga lista de livros das Escrituras hebraicas que sobreviveram preservadas por Eusébio de Cesaréia, e a de Melito de Sardes (morto em ... Compra Desumidificador Trotec TTK 30 S - Branco e Cinza, Climatização e ventilação. As últimas novidades em Eletrodomésticos e acessórios para casa na Fnac.pt Quanto mais conheço candidatos aprovados em bons concursos, mais tenho a certeza de que não existe um livro, resumo único ou mais apropriado para cada disciplina. Cada um tem a sua preferência, e o seu “histórico jurídico” (o que leu antes, o que prefere). 8 livros para quem quer ser escritor. ... Fórmula E promove 30s de silêncio pré-corridas, mas decisão de ajoelhar é individual ... sobre os pilotos ajoelharem em conjunto. Na F1, um grupo ... Confira alguns exemplos de exercícios resolvidos sobre o movimento uniforme. Saiba como usar as fórmulas e aprenda a resolver algumas situações-problema. Vida. É. Curto. E em torno de 30 é quando essa percepção vai bater em casa como uma tonelada de tijolos em sua cabeça pobre. Eu me lembro quando a princesa Diana morreu: eu tinha cerca de 12 anos depois e um pouco (ok muito) crua e essa conversa teve lugar entre minha irmã (que tem 10 anos de mim) e I. 30s, literal and autobiographical ways of writing, as a reflexion, pointing out the text ... é certo sentimento íntimo, que o torne homem do seu tempo e do seu país, ainda quando trate de assuntos, no seu tempo e no espaço. Machado de Assis Longe de pretender ser uma cópia da realidade, a literatura de Graciliano Ramos é uma busca de ... Sua mãe não vai estar sempre por perto para consertar os buracos no seu blusão. Aliás, se aquele blusão continuar furando, esse pode ser o momento de ir comprar um blusão novo. 21. E infinitamente melhor. Único no mundo. Um visionário. O Descobridor dos 7 mares um dos melhores exemplos da orquestra que é cada música deste génio inigualável. Já o 56 Rational Culture. é um orgasmo sonoro. Inigualável e inimitável. Dedico-lhe uma cena no próximo livro. Acompanhou-me e muito nos finais dos 30s início dos 40s. Esse último vai desenvolver nosso vocabulário médico e nos ensinar quais são as questões sociais em matéria de saúde em uma cidade como Seattle. Para os estudantes de medicina, essa série é um complemento ideal para suas aulas de inglês e para melhorar seu inglês profissional (e preparar o seu TOEIC). That 70's show, uma série kitsch

Tendências Suicidas

2020.09.19 00:43 altovaliriano Tendências Suicidas

Texto original: https://cantuse.wordpress.com/2014/09/30/suicidal-tendencies/
Autor: Cantuse
Partes traduzidas: 1) A Estrada Para Vila Acidentada, 2) Uma Aliança de Gigantes e Reis, 3) Despindo o Homem Encapuzado, 4) Confronto nas Criptas
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MANIFESTO: VOLUME II, CAPÍTULO V

Embora Stannis possa ser vitorioso em sua batalha na Vila dos Arrendatários, ele ainda enfrentará uma tarefa impossível: tirar Winterfell dos Boltons.
Parece ridículo pensar que Stannis, um veterano de vários cercos, marcharia de bom grado, com um menor número de homens, assolado por tempestades e sem provisões, em direção a um castelo. Sugerir que ele fez isso apenas com base na é inverossímil.
Stannis tem uma crença muito estrita a respeito do uso do acaso ou do destino para orientar estratégias:
– Se é uma palavra para tolos.
(ADWD, Jon IV)
Mesmo com Mance causando estragos dentro das paredes de Winterfell, Stannis precisa especificamente de uma maneira de tornar a tomada de Winterfell plausível - uma maneira que não envolva destruir seu próprio exército no processo.
Lembre-se de que Stannis também deseja que o norte se una à sua causa. Isso significa que ele também deseja derrotar os Boltons de uma maneira que não prejudique sua capacidade de negociar com os vassalos do norte. Ele não quer matar os nortenhos se isso puder ser evitado.
Agora, antes de continuar e revelar os planos de Stannis, devo parar e perceber uma falsa premissa que muitos leitores assumiram:
Isso é uma falsidade .
Para tomar o castelo, Stannis só precisa que não haja resistência em Winterfell. Na verdade, a remoção dessa resistência pode ser realizada com combate (coreente com a falsa suposição). Mas existem outras maneiras: astúcia, manobras estratégicas e assim por diante.
Há evidências sutis, mas convincentes, de que Stannis está realmente envolvido em tais truques inteligentes. Em particular:
A teoria da Lamparina da Noite mostra que Stannis desenvolveu uma tática brilhante para lidar com os Freys que se aproximam. Mesmo se for verdade e Stannis aniquilar completamente os Frey, ficamos com um dilema.
O que acontece depois?
Como Stannis planeja realmente tomar a inexpugnável Winterfell?
Tomar Winterfell é um esforço multifatorial. O que precisamos saber agora é qual papel Stannis deverá desempenhar após sua vitória [sobre os Frey].
Felizmente, temos evidências e implicações suficientes nos livros para identificar seus planos, com grande certeza. Especificamente, parece que Stannis planeja fazer o seguinte:

UM DESEJO DE MORRER

Por que Stannis iria querer fingir sua própria morte?
Que evidência há de seu desejo de fazer isso?
Para responder a essas perguntas, precisamos discutir a aparente insanidade de Stannis em A Dança dos Dragões e, em particular, o desejo de morte que ele parece ter. Ele parece obcecado em pegar Winterfell (ou Forte do Pavor), a ponto de parecer um tolo.

Morte certa

Ao longo de A Dança dos Dragões , Stannis declara que 'morrerá tentando' tomar Winterfell ou derrotar os Boltons:
Jon percebeu que suas palavras tinham sido desperdiçadas. Stannis tomaria o Forte do Pavor. Ou morreria tentando.
(ADWD, Jon IV)
...
– Mas nós marcharemos e libertaremos Winterfell ... ou morreremos na tentativa."
(ADWD, O prêmio do rei)
...
– Pode ser que percamos esta batalha, – disse o rei sombriamente. – Em Braavos você pode ouvir que morri. Pode até ser verdade. Não obstante, você deve encontrar meus mercenários.
(TWOW, Theon – tradução de Gelo & Fogo .com)
A terceira passagem em particular sugere que Stannis poderia muito bem terminar em uma posição em que ele aparentasse estar morto, mas na verdade não está.
Por que Stannis diria que 'pode até ser verdade' senão para indicar que pode muito bem ser falso?
O subtexto aqui implica ainda que qualquer boato de sua morte é, de fato, mais provável de ser falso.

Benefícios por morte

Qual é o benefício de fingir sua morte?
Existe um motivo importante para fingir sua própria morte. A aritmética simples mostra que Stannis não tem nenhuma maldita chance de derrotar as forças de Bolton enquanto eles ocupam Winterfell.
O que Stannis precisa é de uma maneira de tornar Winterfell "madura para ser tomada". E dada sua insuficiência militar, Stannis tem apenas um recurso:
Um dos benefícios mais óbvios de parecer estar morto é que os Boltons baixarão a guarda. Eles não serão necessariamente tolos, mas no mínimo isso reduz suas preocupações com uma ameaça iminente e permite que os Boltons e seus aliados se concentrem em outras demandas.
Agora, se você se lembra, o casamento de Ramsay com Arya ocorreu algum tempo antes dos eventos dos dois últimos capítulos de Theon em A Dança dos Dragões (Um fantasma em Winterfell e Theon). Esta foi a principal razão pela qual os senhores do norte foram convocados para Winterfell.
Existem duas razões principais que mantiveram a maioria dos lordes em Winterfell:
Esses mesmos senhores, de lealdade variada, também têm seus próprios problemas: em particular, cuidar de suas propriedades e pessoas agora que o inverno chegou. Com Stannis fora do caminho, os vassalos ficam muito mais empoderados. Alguns podem pedir licença para voltar para casa.
Claro, existem vários fatores desconhecidos que podem afetar este resultado, a nevasca e / ou fatores políticos imprevistos podem manter alguns lordes em Winterfell.
No entanto, podemos ver um benefício claro para Stannis se ele fingir sua morte:
Ao convencer o mundo de que ele está morto, podemos ver a possibilidade emergente:
Se Stannis fingir sua morte, ele poderá conseguir *obrigar os aliados de Bolton a deixarem Winterfell.
Esta é uma observação interessante. Obrigar os Boltons ou seus aliados a deixar Winterfell certamente reduziria o contingente do castelo e o tornaria mais fácil de tomar. Está ainda de acordo com minha observação de que tomar o castelo não requer necessariamente a derrota de Roose Bolton.
Mas como Stannis obrigaria os Boltons e / ou seus aliados a partir de Winterfell?
A resposta é simples:
Simplificando, ele precisa enviar homens para atacar ou capturar alvos de grande valor para os Boltons e seus aliados.
Se Stannis estivesse vivo, qualquer truque que ele fizesse para atrair aliados de Winterfell iria falhar: Bolton é muito esperto para cair neles (exceto quando mandou embora os briguentos Freys e Manderlys). No mínimo, Bolton não sacrificaria sua posição vantajosa em prol do que ele sabe que são prováveis fintas.
Mas se Stannis estiver morto, o jogo mudou. Essas tentativas de atrair aliados de Winterfell não podem mais ser percebidas como fintas, porque Stannis não existe mais. Assim, se os Boltons não conseguirem lidar com esses atentados, eles minarão sua própria autoridade porque isso será visto como uma negligência das preocupações de seus vassalos.
Qualquer sussurro sobre uma reminiscente tropa de Stannis arruinaria o efeito.
* * *
Como você pode ver, fingir-se de morto permite que Stannis bagunce completamente os Boltons. Ao enviar 'tropas substitutas' para atrair aliados de Winterfell, ele lucra diretamente reduzindo o contingente no castelo.
Além disso, fingindo-se de morto, Stannis é capaz de marchar sob a cobertura da nevasca para uma posição virtualmente à sombra das grandes muralhas de Winterfell.
Ele está perfeitamente posicionado para tomar o castelo no momento oportuno.

FIGINDO-SE DE MORTO

Então, como Stannis realmente implementa o fingimento de sua morte?
É difícil avaliar como a farsa de Stannis seria realizada, mas é certo sua falsa morte é de fato prenunciada.
Dito isso, acredito que haja uma hipótese que emerge como sendo a mais técnica e tematicamente apropriada do que qualquer alternativa.

Notificação

Como “Ramsay” fica sabendo de sua aparente vitória na Vila?
Esse é um bom começo.
A resposta mais simplista seria que alguém informou Ramsay pessoalmente.
No entanto, não gosto dessa possibilidade, pelos seguintes motivos:
Os Karstarks estavam secretamente a serviço de Roose Bolton e enviando-lhe mensagens sobre a situação de Stannis. Os Karstarks também tinham dois corvos restantes para contatar Winterfell. Se Stannis fosse realmente derrotado, os Karstarks quase certamente enviariam um desses corvos a Winterfell anunciando uma vitória gloriosa. Pelo menos essa parece uma expectativa bastante razoável.
Assim, se Roose Bolton não recebesse tal carta, isso poderia deixá-lo desconfiado. Ele poderia suspeitar que a traição de Karstark foi revelada, e que ele também não pode confiar nos corvos de Karstark.
Se houvesse alguma implicação de que o plano dos Karstark foi revelado, isso prejudicaria a confiança de Bolton em qualquer coisa que supostamente viesse dos Karstark.
Portanto:
Talvez seja esta a razão pela qual ele não sentenciou o meistre dos Karstark à morte, mas sim a uma 'cela' para aguardar o julgamento de Stannis. Compare isso com a maneira com a qual ele lidou com os Karstarks, onde imediatamente os sentenciou à morte.
– Vocês são homens mortos, entendam isso,– o rei prosseguiu. – Apenas a maneira de sua execução ainda está para ser determinada. Eu os aconselharia a não desperdiçar meu tempo com negativas. Confessem, e terão o mesmo fim rápido que o Jovem Lobo deu a Lorde Rickard. Mintam, e queimarão. Escolham.
(TWOW, Theon – Tradução de Gelo & Fogo .com)
Observe que Stannis também mantém os corvos com ele .
O rei se inclinou para trás na cadeira.
– Tirem-no daqui, – ordenou. – Deixem os corvos. – Uma veia latejava em seu pescoço. – Confinem esse desgraçado cinza em uma das cabanas até que eu decida o que deve ser feito com ele.
(TWOW, Theon – Tradução de Gelo & Fogo .com)

Retorno a Winterfell

Se Stannis simular sua morte, quem retornará a Winterfell?
Supondo que Stannis tenha fingido sua morte e pretenda selar a ilusão, os aliados de Bolton devem retornar a Winterfell, vivos e bem.
Agora, se você presumir, como eu, que faz mais sentido se Stannis enviar uma carta se passando por Karstarks, há uma resposta óbvia:
Os Karstarks tem que estar entre aqueles que retornam.
Mas se todos os nobres dos Karstark (Arnolf e seus parentes) são traidores e Stannis os condenou à morte, como isso aconteceria?
Só existe uma possibilidade, me parece:
NOTA: Explicar este argumento é uma tarefa bastante substancial. Não é que seja complexo, ou que eu ache muito forçado para ser verdade. Na verdade, é que a evidência sugerindo o envolvimento de Arthor Karstark é substancial e representa um desvio do verdadeiro ponto deste ensaio.
Você encontrará os argumentos e evidências que sugerem o envolvimento de Arthor no ensaio O Sol Nascente do Inverno, localizado nos apêndices.
Eu acredito que Arthor e os Karstarks são a única peça verdadeiramente crucial, o único aliado de Bolton que deve retornar para que a ilusão funcione. A composição do resto das forças é altamente variável e imprevisível.
Algumas observações devem ser feitas neste ponto:
Para recapitular esta seção, apenas os Karstarks são realmente necessários em Winterfell:

Prova da morte

Supondo que homens retornassem a Winterfell alegando que Stannis estava morto, eles quase certamente precisariam demonstrar uma prova disso.
Luminífera seria um grande sinal para os Boltons e seus aliados de que Stannis estava morto. Parece razoável acreditar que Stannis nunca cederia voluntariamente a lâmina, apenas com sua morte ela seria tirada de suas mãos.
Assim como argumentei que a persona pública de Stannis mascara um engano, o mesmo acontece com a espada: o “poder” que as pessoas projetam em uma suposta espada mágica os cega para a falsidade que ela esconde.
Isso também corroboraria a Carta Rosa, uma vez que “Ramsay” declarou que tinha Luminífera.

De todo modo

Deixando de lado as especulações, há um tema comum, um resultado final unificador que parece inteiramente provável:
Stannis teria escrito a Winterfell para informá-los de sua “morte” e da gloriosa vitória dos Karstarks, Freys e Manderlys.
Enquanto isso, Stannis terá avançado com a maioria de suas forças para Winterfell, fingindo estar morto. Alguma parte do exército de Stannis entrará em Winterfell para atestar sua derrota, fornecendo as evidências necessárias.

JOGO JUSTO

Como mencionei acima, se Stannis fingir sua própria morte, ele será capaz de manipular os assuntos no norte. Ao atacar as propriedades de vários senhores, ele pode tirar aliados Bolton de Winterfell e, assim, enfraquecer o castelo.

Seleção de Alvo

Mas precisamos lembrar, Stannis não quer destruir os contingentes militares dos senhores do norte. Muito pelo contrário, ele deseja recrutar essas capacidades militares para sua própria campanha. Ele deseja sua lealdade e força, não desconfiança e fraqueza.
Afinal, de que adianta a lealdade deles se não podem ajudá-lo a garantir sua coroa? De que adianta a força deles se eles são desconfiados?
Isso nos leva a uma grande questão:
Se Stannis pretende ameaçar as propriedades dos vassalos (para tirá-los de Winterfell), em que vassalos ele vai mirar?
Stannis precisa ser cuidadoso na escolha de alvos, para não arriscar sua habilidade de forjar alianças depois de derrotar os Boltons.
Isso significa que ele deve ter cuidado ao escolher quais senhores do norte ele almeja para uma ação militar. Com isso, quero dizer que Stannis deve restringir suas metas àqueles que atendam a um dos seguintes requisitos:
Também deve ser notado que Stannis gostaria de minimizar os danos aos soldados comuns e aos plebeus, para torná-los menos propensos a odiar seu governo.
Isso obviamente nos leva a uma outra questão, e ao ponto principal desta seção:
Qual dos senhores do norte Stannis pode “atacar” com relativa impunidade?
NOTA: Por “ataque” quero dizer ameaçar (para incluir uma ação militar contra seus exércitos) e invadir suas terras e castelos.
Responder a essa pergunta é surpreendentemente fácil quando você pensa a respeito.

Lealdades irrevogáveis e recuperáveis

Stannis sabe que todos os senhores do Norte têm motivos para odiar Bolton secretamente, exceto dois: Dustin e Ryswell.
– Os Ryswell e os Dustin são ligados à Casa Bolton pelo casamento – Jon informou. – Os
outros perderam seus senhores em batalha.
(ADWD, Jon IV)
Se algum dos senhores do Norte fosse impossível de dominar, seria Dustin e Ryswell: vinculado aos Boltons por sangue. Isso é relevante porque dá a Stannis um aliado Bolton que ele pode atacar com relativa impunidade.
Além disso, os Frey também jogaram sua sorte com os Boltons.
Isso significa que Stannis tem várias casas que ele pode atacar sem se importar muito:
NOTA: Este é um ponto não relacionado, mas observe que todos os assassinatos de Winterfell em A Dança dos Dragões envolvem vítimas de cada uma dessas casas.
* * \*
Como vê, Stannis tem uma boa lista de alvos, pontos fracos que pode explorar para atrair pessoas de Winterfell.
A única coisa que precisamos fazer agora é provar que ele tem os meios e a oportunidade de explorar esses vassalos, um assunto explorado ao longo do restante do Manifesto.

CONCLUSÕES

Não vou insistir no assunto. Os pontos principais deste ensaio:
Eu gostaria de dar um passo para trás e trazer novamente à tona Nicolau Maquiavel, sobre quem discuti em Gênio Maquiavélico. Se você se lembra, estabeleci a noção de que Stannis e o famoso pensador italiano compartilham muitos dos mesmos princípios políticos e militares.
O que eu acho incrivelmente incrível sobre essa conexão anterior é o seguinte:
Maquiavel é apocrifamente famoso por propor a ideia de falsificar a própria morte para fins políticos.
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2020.09.08 03:55 LAGOOLIVEIRA A Consumação da Obra Únicana restauração do Senhor - a Nova Jerusalém

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A Consumação da Obra Únicana restauração do Senhor - a Nova Jerusalém

📷
Página 1O TRABALHO ÚNICO NA RECUPERAÇÃO DO SENHOR (Sábado - Sessão da Tarde) Mensagem Nove A Consumação da Obra Únicana restauração do Senhor - a Nova Jerusalém Leitura da Escritura: Apocalipse 3:12; 21: 2, 9-23 I. A única obra na restauração do Senhor é elaborar a Nova Jerusa-lem - o objetivo final da economia de Deus - Apoc. 21: 10-11: A. A degradação da igreja é principalmente devido ao fato de que quase todos os cristãosostrabalhadores americanos estão distraídos para tomar algo diferente de Nova Jerusalémcomo seu objetivo.B. Devemos fazer apenas uma obra, que é tornar o povo escolhido de Deus seres ema Nova Jerusalém - 3: 12.II. A Nova Jerusalém é a consumação final da construção deos crentes, que foram feitos Deus em vida, na natureza, na constituição, e em expressão, mas não na Divindade; assim, há uma relação intrínsecarelação entre os crentes tornarem-se Deus em vida e na natureza e oprodução de Nova Jerusalém - 21: 2; 3: 12: A. A Nova Jerusalém envolve Deus se tornando homem, e o homem se transformando Deus emvida e na natureza, mas não na divindade, e Deus e o homem sendo mesclados para-juntos como uma entidade - João 1: 12-14; 14:20; 15: 5a; Rev. 21: 3, 10-11.B. Em Cristo, Deus se tornou o homem para fazer o homem Deus em sua vida e em sua naturezazapara que o Deus redentor e o homem redimido podem ser mesclados, constituídos, juntos para serem uma entidade - a Nova Jerusalém - vv. 3, 22.C. A Nova Jerusalém é uma composição dos escolhidos, redimidos, regenerados de Deus, santificado, renovado, transformado, conformado e glorificado pessoas que têmfoi deificado - João 3: 6; Heb. 2:11; ROM. 12: 2; 8: 29-30: 1. Para nós, sermos deificados significa que estamos sendo constituídos com ou processado e consumando o Deus Triúno para que possamos ser feitos Deus em vida e emnatureza para sua expressão corporativa para a eternidade - Ap. 21: 11.2. A deificação dos crentes é um processo na salvação orgânica de Deus queserá consumada em Nova Jerusalém; esta é a verdade mais elevada e oevangelho mais elevado - Rom. 5:10; Rev. 3:12; 21: 10-11.D. No início da Bíblia, há o único Deus, e no final há umgrande Deus corporativo, a Nova Jerusalém, um Deus-homem corporativo - o ampliado, incorporação universal divino-humana do processado e consumadoDeus Triúno com os crentes regenerados, transformados e glorificados - Gên.1: 1; Rev. 21: 3, 22; 22: 17a.III. Hoje nossa obra para o Senhor com sua questão deve ser governada edirigido pela visão da Nova Jerusalém; o que é revelado noa descrição desta cidade única deve ser o modelo do que somos ecomo trabalhamos - 3:12; 21: 2, 9-23: 63Página 2A. A Nova Jerusalém é uma consumação da construção orgânica doCorpo de Cristo nas igrejas locais; as igrejas locais são o procedimento paraDeus realizará a edificação do Corpo de Cristo para a edificação doNova Jerusalém - 1 Coríntios. 1: 2; 12: 12-13,27; Rev. 21: 2: 1. O Corpo de Cristo precisa das igrejas locais para sua existência e funcionamento - Atos 8: 1; 13: 1.2. As igrejas locais são as muitas expressões em muitas localidades de umCorpo de Cristo - Apoc. 1: 4, 11,3. No primeiro capítulo do Apocalipse vemos as igrejas locais, mas nos últimosimodois capítulos, vemos apenas uma cidade - v. 11; 21: 2.4. O desejo do Senhor é ganhar uma Nova Jerusalém por meio do precursor doCorpo orgânico de Cristo edificado nas igrejas locais - Ef. 4:16; Rev. 21: 2.B. A Nova Jerusalém é o candelabro universal de ouro - vv. 18b, 23: 1. A Nova Jerusalém é a consumação final dos candeeiros noEscrituras - Exo. 25: 31-37; 1 Reis 7:49; Zech. 4: 2; Rev. 1:20; 21: 18b, 23,2. As igrejas como candeeiros de ouro serão consumadas em Nova Jerusalémsalem, o agregado de todos os candeeiros - 1:20; 21: 18b, 23: uma. No livro do Apocalipse, há dois grandes sinais - o sinal do ourocandeeiros e o sinal da Nova Jerusalém - 1: 1, 12, 20; 21: 2, 10-11.b. A revelação começa com os candeeiros e termina com o candelabro -1: 20; 21: 18b, 23.c. Os candeeiros são sinais das igrejas, enquanto a Nova Jerusalémé um sinal da morada eterna de Deus - vv. 2-3, 22,3. A Nova Jerusalém, uma montanha de ouro, é o candelabro universal de ourosegurando o Cordeiro como a lâmpada que resplandece Deus como a luz - vv. 18b, 23; 22: 1, 5.C. A Nova Jerusalém é a eterna Betel - Gên. 28: 10-22; Rev. 21: 3, 22: 1. O sonho de Jacó era um sonho da meta de Deus, um sonho de Betel, um sonho docasa de Deus (Gen. 28: 10-22), que é a igreja hoje (1 Tim. 3:15) eque se consumará na Nova Jerusalém como a morada eternalugar de Deus e Seus eleitos redimidos (Ap 21: 3, 22): uma. Deus teve um sonho, e esse sonho era ter a Nova Jerusalém, umcidade construída, como a consumação de Sua economia - v. 2b. Nosso sonho é nos tornar a Nova Jerusalém como a consumação deA economia de Deus - vv. 9-10,2. Cristo, sendo a escada celestial em Betel, fala-nos como Deusdeseja ter uma casa na terra localizada com Seus remidos eeleitos transformados, para que ele possa trazer o céu à terra e unir a terra paracéu, para tornar os dois um por toda a eternidade - Jo 1:51; Gênesis 28: 10-22.3. A construção de Deus, a casa de Deus, é a morada mútua de Deus e do homem; A casa de Deus é o homem, e a casa do homem é Deus - Isa. 66: 1-2; 1 Cor. 3:16; Psa.90: 1; João 15: 5a; 14: 23,4. Sem futuro da eternidade, a Nova Jerusalém estará em toda a unidadeverso como algo elevado em direção aos céus sobre o qual o anjofamília vai subir e descer para trazer o céu para a terra e unir a terra para64Página 3céu para o tráfego divino, uma comunhão divina, entre Deus e o homem -2 Cor. 13: 14.D. A Nova Jerusalém é o eterno Monte Sião, o Santo dos Santos, o lugaronde Deus está - Apoc. 14: 1-5; 21: 1-3, 16; Heb. 12h22: 1. Na era da igreja, os homens-Deus que foram aperfeiçoados e amadurecidos sãoSião, os vencedores - Rev. 14: 1: uma. A igreja é a Jerusalém celestial, e os vencedores de são Sião comoo pico alto e o destaque - Heb. 12:22; Rev. 14: 1.b. Os vencedores são para a edificação do Corpo de Cristo para consumiracasalar a Nova Jerusalém - Rom. 12: 4-5; Eph. 4:16; Rev. 3: 12.2. No novo céu e nova terra, toda a Nova Jerusalém se tornaráSião; a Nova Jerusalém, a eterna Sião, será o Santo dos Santos, olugar onde Deus está - 21: 1-3, 16, 22.E. A Nova Jerusalém é a Sulamita real e consumada - uma corporaçãoSulamita, incluindo todo o povo escolhido e redimido de Deus - SS 6:13; Rev.21: 2, 9-10; 22: 17: 1. A maravilhosa Sulamita, a duplicação de Salomão, é a maior efigura final de Nova Jerusalém - SS 6:13; Rev. 21: 2.2. Como contrapartida de Salomão, a Sulamita se tornou a mesma que Salomão emvida, natureza e imagem, como Eva era para Adão - Gên. 2: 20-23: uma. Isso significa que o amante de Cristo se torna o mesmo que em vida, natureza e imagem para combinar com Ele em seu casamento - 2Co 3:18; ROM 8: 29; Rev. 19: 7; 21: 2.b. Os muitos amantes de Cristo eventualmente se tornarão duplicações de Deus emvida e na natureza, mas não na divindade; este é o cumprimento de Deustornar-se homem para que o homem se torne Deus, que é o ponto alto daa revelação divina.IV. “O Deus Triúno processado e consumado, de acordo com o bemprazer de Seu desejo e pela intenção mais elevada em Sua economia, é construir a Si mesmo em Seu povo escolhido e Seu povo escolhido emEle mesmo, para que tenha uma constituição em Cristo como uma mistura de divindadecom a humanidade de ser Seu organismo e Corpo de Cristo, como Seuexpressão eterna e a morada mútua para o Deus redentor e ohomem redimido. Uma consumação final desta estrutura milagrosade tesouro será a Nova Jerusalém para a eternidade ”- inscrever-se emTumba de Witness Lee.Trechos do Ministério: DEIFICAÇÃO - TORNANDO-SE DEUSNA VIDA E NA NATUREZA, MAS NÃO NA TRINDADEIsso nos leva à questão da deificação - a intenção de Deus de tornar os crentes Deus emvida e na natureza, mas não na divindade. Atanásio referiu-se à deificação quando noConselho de Nicea em A. D. 325, ele disse: "Ele [Cristo] foi feito homem para que pudéssemos ser feitos Deus." Embora o termodeificação seja familiar a muitos teólogos e professores cristãos, durantenos últimos dezesseis séculos, apenas um pequeno número ousou usar sobre a deificaçãodos crentes em Cristo.65Página 4Não fui influenciado por nenhum ensino sobre deificação, mas aprendi com meuestudo da Bíblia que Deus pretende tornar os crentes Deus na vida e na natureza, mas nãona Divindade. Por exemplo, 1 João 3: 2 diz: “Amados, agora somos filhos de Deus eainda não foi manifestado o que seremos. Sabemos que se Ele se manifestar, seremoscomo Ele porque nós O veremos assim como Ele é. ”Este versículo revelador claramente que seremos comoDeus.Deus nos torna semelhantes a Ele ao transmitir Sua vida e natureza a nós. 2 Pedro 1: 4 dizque nos tornamos "participantes da natureza divina". João 1: 12-13 diz que nascemos, regenerado, por Deus com Sua vida. Como filhos de Deus, somos "deuses bebês", tendo a vida de Deus enatureza, mas não Sua Divindade. A Divindade é única; Ele é o único que deveria estar trabalhandoenviado.Nós nascemos de Deus e hoje, tendo a vida e a natureza de Deus, somos parcialmente comoEle. Um dia, quando Ele vier, seremos total e inteiramente como Ele.Foi maravilhoso para Davi ser um homem segundo o coração de Deus, mas não foi o suficiente.Deus quer aqueles que podem dizer: “Não sou apenas uma pessoa segundo o coração de Deus. Eu sou deus emvida e na natureza, mas não em Sua Divindade. ”Por um lado, o Novo Testamento revela quea Divindade é única e que somente Deus, o único que possui uma Divindade, deve ser adorado.Por outro lado, o Novo Testamento revela que nós, os crentes em Cristo, temosvida e natureza e que estamos nos tornando Deus em vida e na natureza, mas nunca teremos SuaDivindade. ( Foi maravilhoso para Davi ser um homem segundo o coração de Deus, mas não foi o suficiente.Deus quer aqueles que podem dizer: “Não sou apenas uma pessoa segundo o coração de Deus. Eu sou deus emvida e na natureza, mas não em Sua Divindade. ”Por um lado, o Novo Testamento revela quea Divindade é única e que somente Deus, o único que possui uma Divindade, deve ser adorado.Por outro lado, o Novo Testamento revela que nós, os crentes em Cristo, temosvida e natureza e que estamos nos tornando Deus em vida e na natureza, mas nunca teremos SuaDivindade. ( Foi maravilhoso para Davi ser um homem segundo o coração de Deus, mas não foi o suficiente.Deus quer aqueles que podem dizer: “Não sou apenas uma pessoa segundo o coração de Deus. Eu sou deus emvida e na natureza, mas não em Sua Divindade. ”Por um lado, o Novo Testamento revela quea Divindade é única e que somente Deus, o único que possui uma Divindade, deve ser adorado.Por outro lado, o Novo Testamento revela que nós, os crentes em Cristo, temosvida e natureza e que estamos nos tornando Deus em vida e na natureza, mas nunca teremos SuaDivindade. ( deve ser adorado.Por outro lado, o Novo Testamento revela que nós, os crentes em Cristo, temosvida e natureza e que estamos nos tornando Deus em vida e na natureza, mas nunca teremos SuaDivindade. ( deve ser adorado.Por outro lado, o Novo Testamento revela que nós, os crentes em Cristo, temosvida e natureza e que estamos nos tornando Deus em vida e na natureza, mas nunca teremos SuaDivindade. (Estudo-vida de 1 e 2 Samuel, pp. 166-167) A NOVA JERUSALÉM - UMA COMPOSIÇÃO DE DIVINDADE E HUMANIDADEMISTURADO E MISTURADO JUNTOS COMO UMA ENTIDADEA conclusão da revelação divina na Bíblia é um edifício, a Nova Jerusalém.Este edifício é uma fusão e mesclagem da divindade com a humanidade. Isso é provado pelodescrição da Nova Jerusalém em Apocalipse 21. O versículo 3 refer-se à Nova Jerusalém como “O tabernáculo de Deus” e o versículo 22 diz: “Não vi templo nele, pois o Senhor Deus, o Todo-Poderosoe o Cordeiro é o seu templo. ”A Nova Jerusalém como tabernáculo de Deus é para Deus habitarem, e Deus e o Cordeiro como o templo são para os santos redimidos habitarem. Isso indicaque a Nova Jerusalém será uma morada mútua para Deus e o homem. Além disso, esteedifício é uma composição de seres humanos. Os portões são pérolas inscritas com os nomes deas doze tribos dos filhos de Israel (v. 12), e nas doze fundações estão como dozenomes dos doze apóstolos do Cordeiro (v. 14). Isso indica claramente que a Nova Jerusalémé uma composição do Deus Triúno, que é a essência, centro e universalidade, e Deuspessoas redimidas.A Nova Jerusalém é uma composição da divindade e humanidade mescladas e mescladasjuntos como uma entidade. Todos os componentes têm a mesma vida, natureza e constituição eportanto, são uma pessoa corporativa. É uma questão de Deus se tornar o homem e o homem se tornar Deus emvida e na natureza, mas não na divindade. Esses dois, Deus e homem, homem e Deus, são construídosjuntos sendo misturados e mesclados. Esta é uma conclusão, uma consumação, do edifício de Deus. Todos nós precisamos ter essa visão. ( A Nova Jerusalém é uma composição de divindade e humanidade mescladas e mescladasjuntos como uma entidade. Todos os componentes têm a mesma vida, natureza e constituição eportanto, são uma pessoa corporativa. É uma questão de Deus se tornar o homem e o homem se tornar Deus emvida e na natureza, mas não na divindade. Esses dois, Deus e homem, homem e Deus, são construídosjuntos sendo misturados e mesclados. Esta é uma conclusão, uma consumação, do edifício de Deus. Todos nós precisamos ter essa visão. ( A Nova Jerusalém é uma composição de divindade e humanidade mescladas e mescladasjuntos como uma entidade. Todos os componentes têm a mesma vida, natureza e constituição eportanto, são uma pessoa corporativa. É uma questão de Deus se tornar o homem e o homem se tornar Deus emvida e na natureza, mas não na divindade. Esses dois, Deus e homem, homem e Deus, são construídosjuntos sendo misturados e mesclados. Esta é uma conclusão, uma consumação, do edifício de Deus. Todos nós precisamos ter essa visão. ( do edifício de Deus. Todos nós precisamos ter essa visão. ( do edifício de Deus. Todos nós precisamos ter essa visão. (Estudo-vida de 1 e 2 Samuel, pp. 198-199) O diamante na caixa Se lermos a Bíblia sem prestar atenção a este ponto crucial, então, de uma forma muito realsentido, a Bíblia é para nós um livro vazio. Isso significa que embora a Bíblia seja real em si mesma, emnosso entendimento dela é a Bíblia vazia. Como ilustração, vamos supor que um certoA caixa, bastante atraente, contém um grande diamante. Uma criança pode estar interessada na caixamas não no diamante. Um adulto, no entanto, focaria sua atenção no diamante contidona caixa. Hoje, muitos cristãos estão preocupados com a Bíblia como a "caixa", mas eles não viram e66 Página 5não apreciam o “diamante” que é o conteúdo desta caixa, e podem até condenaraqueles que têm uma apreciação adequada do "diamante" na "caixa". O “diamante” no “Caixa” da Bíblia é a revelação de que em Cristo Deus fez o homem para que o homempode se tornasse Deus em vida e na natureza, mas não na Divindade.A grande maioria dos cristãos de hoje negligencia o ponto crucial na Bíblia que emCristo Deus tornou-se homem para fazer do homem Deus na vida e na natureza, mas não naGodhead e que Deus deseja se mesclar com o homem para ser uma entidade. Alguns não sónegligencie isso; eles acusam falsamente como heréticos que o ensinam. Hoje muitos acreditam em umaspecto deste ponto crucial - que Deus se tornou um homem chamado Jesus - mas eles não acreditamo outro aspecto - que o homem está se tornando Deus em vida e na natureza,Estudo-vida de 1 e 2 Samuel, p. 204) A LUZ EA LÂMPADAA cidade que não tem necessidade do sol nem da lua Apocalipse 21:23 diz: “A cidade não precisa do sol nem da lua parabrilhe nele, pois a glória de Deus o iluminou, e sua lâmpada é o Cordeiro” . No milênio oa luz do sol e da lua será intensificada (Is 30:26). Mas na Nova Jerusalémno novo céu e nova terra, não haverá necessidade do sol nem da lua. O único a lua estará no novo céu e nova terra, mas não estará disponível noNova Jerusalém; pois ali Deus, a luz divina, brilhará com muito mais intensidade. Não Havendo NoiteNa Nova Jerusalém não haverá noite, pois “não haverá mais noite” (Ap 22: 5a). “Não haverá noite” (21: 25b). No novo céu e nova terra, ainda haverá odistinção entre dia e noite, mas na Nova Jerusalém não haverá tal distinçãoção. Fora da cidade haverá noite, mas dentro da cidade não haverá noite porque oa cidade terá uma luz eterna e divina, o próprio Deus. A Glória de Deus iluminando a cidade como a luz da vida divina, e o Cordeiro sendo a lâmpada que irradia a luz divinapela Cidade Transparente como a GlóriaApocalipse 21:11 e 23 nos dizem que a Nova Jerusalém tem a glória de Deus e que elaa luz é como uma pedra preciosíssima, como uma pedra de jaspe, clara como o cristal. Na nova JerusalémCristo, como a lâmpada da cidade sagrada, brilhará com Deus como a luz para iluminar a cidadecom a glória de Deus, uma expressão da luz divina. “A cidade não precisa de sol nem dea lua para que nela brilhassem, pois a glória de Deus a iluminou, e sua lâmpada é aCordeiro” (v. 23). A glória de Deus, que é Deus expresso, ilumina a Nova Jerusalém.Portanto, a glória de Deus, com Deus como sua substância, essência e elemento, é a luz doNova Jerusalém que brilha no Cordeiro como sua lâmpada. A glória expressa de Deus, ou o Deusda glória expressa, é a luz brilhando em Cristo como a lâmpada através da parede de jaspe deA Nova Jerusalém como o jaspe mais precioso, que traz a aparência de Deus rica em vida (v. 11) .A aparência de Deus rico em vida acompanhada o brilho para uma expressão de Deus em Sua emanifestação final consumada.Em 21:23, vemos que Deus é a luz e Cristo é uma lâmpada. Isso indica que Deus e o Cordeiro é uma luz. Deus é o conteúdo, e o Cordeiro, Cristo, é o portador da luz, oexpressão. Isso significa que Deus, que é a luz, brilhará em Cristo como a lâmpada em toda a cidade. Esta é uma questão de dispensar divino, pois o brilho da luz divina é realmenteo dispensar de Deus Triúno processado aos crentes.67 é o portador da luz, oexpressão. Isso significa que Deus, que é a luz, brilhará em Cristo como a lâmpada em toda a cidade. Esta é uma questão de dispensar divino, pois o brilho da luz divina é realmenteo dispensar de Deus Triúno processado aos crentes.67 é o portador da luz, oexpressão. Isso significa que Deus, que é a luz, brilhará em Cristo como a lâmpada em toda a cidade. Esta é uma questão de dispensar divino, pois o brilho da luz divina é realmenteo dispensar de Deus Triúno processado aos crentes.67Página 6 Deus, a luz divina, precisa de uma lâmpada. Sem o Cordeiro sendo a lâmpada, o brilho de Deusiria nos matar. No entanto, com o Cristo redentor como lâmpada, a luz divina não matanós, mas em vez disso nos ilumina. Primeira Timóteo 6:16 diz que Deus habita em luz inacessível.Em Cristo, porém, Deus se torna acessível. Separado de Cristo, o brilho de Deus seria ummatando, mas em Cristo o brilho de Deus é uma iluminação. Porque a luz divina brilha atravéso Cordeiro, o Redentor, tornou-se amável e palpável. Através do Cordeiro como olamp A luz de Deus se torna um brilho agradável para o dispensar de Deus. ( A Conclusão doNovo Testamento, pp. 2731-2733) A ESPOSA DO CRISTO REDENTORA Nova Jerusalém não é apenas o tabernáculo de Deus, mas também a esposa dos redentoresCristo. Tanto no Antigo como no Novo Testamento, Deus compara Seu povo escolhido a uma esposa porSua satisfação no amor (Isaías 54: 6; Jeremias 3: 1; Ezequiel 16: 8; Oséias 2:19; 2 Coríntios 11: 2; Efésios 5: 31-32) .Na Nova Jerusalém como a esposa do Cristo redentor, Deus terá a mais plena satisfaçãoção no amor.Apocalipse 21: 9b e 10 dizem: “Vem esposa, eu te mostrarei a noiva, a do Cordeiro.E ele me levou em espírito para uma grande e alta montanha e me mostrou a cidade sagrada, Jerusalém, descendo do céu da parte de Deus. ”Pensar que uma noiva é principalmente para o casamento, a esposa é para o resto da vida. A Nova Jerusalém será uma noiva no milênio paramil anos como um dia (2 Pedro 3: 8) e então a esposa no novo céu e nova terrapara a eternidade. A noiva no milênio incluirá apenas os santos vencedores, mas a esposano novo céu e nova terra incluirá todos os filhos redimidos e regenerados de Deus (Rev. 21: 7) .A Nova Jerusalém será uma com o Cristo redentor, como Eva se tornado uma comAdão. Eva foi construída a partir de uma costela que foi tirada do lado de Adão, e então ela foi trazida volta a ele para ser uma carne com ele - ser um com ele na natureza e na vida (Gênesis 2: 21-24; Ef. 5: 25-27, 29-32). O princípio é o mesmo com a Nova Jerusalém como a esposa doredimindo Cristo. Ela será uma com o seu Redentor na natureza e na vida. Mais uma vez vemosque a Nova Jerusalém não pode ser uma cidade material, pois uma cidade física não pode ser uma comCristo na natureza e na vida. A Nova Jerusalém não terá apenas o elemento divino adicionado a ele e a natureza santa de Deus trabalhada nele,Ter a Igreja como miniatura A Nova Jerusalém como esposa do Cristo redentor tem uma igreja como sua miniatura.Isso é revelado pela palavra de Paulo em Efésios 5: 22-32, onde ele fala da igreja como ocontraparte de Cristo. A igreja é na verdade uma parte de Cristo, pois a igreja vem deCristo é para Cristo, assim como Eva saiu de Adão e foi para Adão.Em Efésios 5:32, Paulo diz: “Grande é o mistério, mas falo a respeito de Cristoe a igreja. ”O fato de que Cristo e a igreja são um só espírito (1 Cor. 6:17), conforme tipificadopelo fato de o marido e a esposa serem uma só carne, é o grande mistério. Certamente é um grande mistérioque a igreja como a contraparte de Cristo vem de Cristo, tem a mesma vida e natureza queCristo, e é um com Cristo. Tendo sido a Noiva de Cristo no MilênioNo novo céu e nova terra, Cristo terá uma esposa, mas no milênio Ele teráter uma noiva (Ap. 19: 7-8; 21: 2), consistindo nos crentes vencedores. Em sua voltaCristo se casará com os vencedores. Esse casamento é descrito em Apocalipse 19: 7-9.68 Página 7 Apocalipse 19: 7 diz: “Alegremo-nos e exultemos, e demos glória a Ele, peloo casamento do Cordeiro chegou, e Sua esposa se aprontou. ”O casamento doCordeiro é o resultado da conclusão da economia neotestamentária de Deus. Economia de Deus emo Novo Testamento é obter para Cristo uma noiva, uma igreja, por meio de Sua redenção evida divina. Pela operação contínua do Espírito Santo ao longo de todos os séculos, esse objetivoserá concluído no final desta idade. Em seguida, uma noiva, que consistirá na superaçãocrentes, prontos prontos.As palavras Sua esposaem Apocalipse 19: 7 especial-se à igreja (Ef 5: 24-25, 31-32), a noivade Cristo (João 3:29). No entanto, de acordo com Apocalipse 19: 8 e 9, a esposa, a noiva de Cristo, consiste apenas nos crentes vencedores durante o milênio, enquanto a noiva, a esposa, em Apocalipse 21: 2 é composta por todos os santos salvos após o milênio para semprenidade.Apocalipse 19: 7b nos diz que a esposa “se aprontou”. A prontidão donoiva depende tanto da maturidade dos vencedores em vida quanto de serem construídos juntos comouma entidade corporativa. Portanto, osedores não são apenas maduros em vida, mas também construídosjuntos como uma noiva.Apocalipse 19: 8 diz: “Foi-lhe permitido que se vestisse de linho fino, resplandecentee puro; porque o linho fino são as justiças dos santos ”. Aqui puro se refere aonatureza ebrilhante , para a expressão. Como virtudes, ou atos justos, não se refere aa justiça (que é Cristo) que Recebemos para nossa salvação, uma justiça que é objetivo e que nos qualifica para atender às exigências de Deus justo. As justiçasdos crentes vencedores em Apocalipse 19: 8 são subjetivos para que possam encontrar oexigência da vitória de Cristo. O linho fino, portanto, indica nossa superaçãovida. Na verdade, é o Cristo que vivemos de nosso ser. Constituído por todos os santos aperfeiçoadosEm última análise, no novo céu e nova terra, a Nova Jerusalém como a esposa do Cristo redentor será constituída de todos os santos perfeitos. Depois do milênio tudoos santos foi aperfeiçoados e constituídos juntos para ser a entidade maravilhosa daNova Jerusalém.A consumação da igreja como a contraparte de Cristo será a Nova Jerusalémno novo céu e nova terra para a eternidade. Apocalipse 21: 2 diz: “Eu vi a cidade santa, NovaJerusalém, descendo do céu de Deus, preparada como uma noiva adornada para seu maridobanda.” A Nova Jerusalém é uma composição viva de todos os santos redimidos e aperfeiçoados porDeus por todas as gerações . Esta é uma noiva, uma esposa de Cristo como Sua contraparte. Comoa esposa de Cristo, a Nova Jerusalém sai de Cristo e se torna Sua contraparte. Elaé preparado pela participação nas riquezas da vida e natureza de Cristo.Apocalipse 22:17 indica que Cristo e a Nova Jerusalém como Sua esposa serão umcasal universal para a eternidade. O Espírito, que é a totalidade do Deus Triúno processado, torna-se um com os crentes, que agora estão totalmente maduros para serem celebrados a noiva. Portanto, um consomatório do Deus Triúno processado e a consumação dos escolhidos, redimidos de Deus, como pessoas regeneradas e transformadas serão uma e serão um casal universal expressando o Deus Triúno para a eternidade. ( a consomatório do Deus Triúno processado e a consumação dos escolhidos, redimidos de Deus, como pessoas regeneradas e transformadas serão uma e serão um casal universal expressando oDeus Triúno para a eternidade. ( a consomatório do Deus Triúno processado e a consumação dos escolhidos, redimidos de Deus, como pessoas regeneradas e transformadas serão uma e serão um casal universal expressando oDeus Triúno para a eternidade. (A Conclusão do Novo Testamento, pp. 2700-2703) 69📷
Texto original
O TRABALHO ÚNICO NA RECUPERAÇÃO DO SENHORugerir uma tradução melhor
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2020.09.05 04:27 frdnt Despindo o Homem Encapuzado

A teoria abaixo é parte de uma serie de textos escritos por Cantuse em seu blog. Link: https://cantuse.wordpress.com/2014/09/30/the-hooded-man-uncloaked/
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O MANIFESTO : VOLUME II, CAPÍTULO III

Provavelmente, um dos maiores mistérios de A Dança dos Dragões é a identidade do homem encapuzado. Muitas pessoas foram propostas, de Robett Glover a Harwin e ao próprio Theon em algum estado dissociativo.
No entanto, acredito que posso fazer uma conclusão mais convincente de que o homem encapuzado não é nenhuma dessas opções mais conhecidas. Este ensaio explica minha teoria sobre o homem encapuzado e seu propósito em Winterfell.
Colocando minhas cartas na mesa, aqui estão as principais afirmações que faço:
NOTA: Este ensaio pode ser controverso em sua construção e conclusões. Deve-se notar que a identidade do homem encapuzado não é verdadeiramente crítica para que o restante do Manifesto valha a pena. Este ensaio é bastante independente, não afetando mais nada no Manifesto.
Em outras palavras, se você não gosta deste ensaio, pode simplesmente ignorá-lo e continuar.
[...]

PRIMEIROS SINAIS DO GIGANTE

Eu gostaria de um breve momento para destacar algo importante.
– Para lutar com Lorde Stannis, temos que encontrá-lo primeiro – Roose Ryswell observou. – Nossos batedores saíram pelo Portão do Caçador, mas até agora nenhum deles retornou.
(ADWD, Um Fantasma em Winterfell)
Batedores estão desaparecendo do lado de fora do Portão do Caçador. Este é o mesmo portão onde Mors Crowfood parece chegar um ou dois dias depois:
O rufar parecia estar vindo da Matadelobos, além do Portão do Caçador. Estão do lado de fora das muralhas.
(ADWD, Um Fantasma em Winterfell)
O desaparecimento dos batedores parece algo pelo qual Mors seria responsável. É consistente com o que encontramos no capítulo liberado de Theon de Os Ventos do Inverno: construir obstáculos e impedir ou matar aqueles que saem dos portões. No mínimo, Mors não quer que nenhum batedor encontre seu bando de garotos e informe a Roose Bolton.
Mais importante, os batedores ausentes indicam que Mors estava realmente fora de Winterfell há pelo menos um dia (talvez mais) antes de tocar seus berrantes de guerra.
Mas por que ele ficaria lá aguardando em segredo?
Para responder a essa pergunta, temos que mergulhar no mistério do homem encapuzado.

O IDIOTA DOS RYSWELL

É difícil imaginar o tipo de mente obtusa que é necessária para ser Roger Ryswell. Há algo de suspeito sobre a magnitude e a natureza de sua idiotice.
O Idiota dos Ryswell
Eu gostaria de um momento para mostrar algumas passagens:
– Um bêbado – Ryswell declarou. – Mijando da muralha, aposto. Escorregou e caiu.
(ADWD, Um Fantasma em Winterfell)
:::
– Esses mortos eram todos homens fortes – disse Roger Ryswell –, e nenhum deles foi apunhalado. O Vira-Casaca não é nosso assassino.
(ADWD, Um Fantasma em Winterfell)
:::
Roger Ryswell grunhiu.
– Se não é ele, quem é? Stannis tem algum homem dentro do castelo, isso está claro.
(ADWD, Um Fantasma em Winterfell)
:::
Ryswell não estava convencido.
– Ele, no entanto, ama seus bifes, costelas e tortas de carne. Rondar o castelo na escuridão exigiria que deixasse a mesa. O único momento em que faz isso é quando procura a latrina para uma de suas longas horas agachado.
(ADWD, Um Fantasma em Winterfell)
Vejam, pode ser apenas eu, mas não parece que ele está quase deliberadamente negando qualquer explicação possível para os assassinatos?
Da perspectiva de um leitor, não é também uma estranha coincidência que Roger faz afirmações que contradizem vários truques que nós realmente vimos em A Dança dos Dragões:
Roger nega que as três diferentes conspirações que descobrimos sejam verdadeiras ou se tornarão verdadeiras posteriormente no livro e rapidamente descarta o restante.
Como uma pessoa consegue ser tão boa em acidentalmente impedir uma investigação de assassinato?
Falta de contato visual
Quando você pensa no Homem Encapuzado e na descrição que temos dele, existem apenas dois detalhes que vêm à mente: sua capa e seus olhos.
Mais adiante, cruzou com um homem que vinha na direção oposta, uma capa com capuz agitando-se atrás dele. Quando se encontraram frente a frente, seus olhos se encontraram brevemente. O homem colocou a mão na adaga.
– Theon Vira-Casaca. Theon assassino de parentes.
(ADWD, Um Fantasma em Winterfell)
Assim, vemos que Theon dá uma rápida olhada na capa do homem. Vemos também que Theon evita contato visual com o homem.
Essa falta de contato visual pode ser importante para determinar a identidade do homem encapuzado. Não há dúvida de que Theon evita o contato visual em geral, podemos supor que isso aconteça de vez em quando.
No entanto, gostaria de apontar outro exemplo muito interessante que mostra Theon evitando deliberadamente o contato visual ou olhar para o rosto de uma pessoa:
Pernas de Aço o levou pelo Grande Salão, até o solar que certa vez fora de Eddard Stark. Lorde Bolton não estava sozinho. A Senhora Dustin estava sentada com ele, o rosto pálido e severo; um broche de ferro com o formato de uma cabeça de cavalo prendia a capa de Roger Ryswell; Aenys Frey estava em pé perto do fogo, as bochechas vermelhas com o frio.
– Me contaram que você anda vagando pelo castelo – Lorde Bolton começou. – Homens reportaram terem visto você nos estábulos, nas cozinhas, nos barracões, nas ameias. Foi observado perto das ruínas das torres caídas, do lado de fora do velho septo da Senhora Catelyn, indo e vindo do bosque sagrado. Nega isso?
– Não, ‘nhor. – Theon fez questão de falar mal a palavra. Sabia que aquilo agradava Lorde Bolton. – Não consigo dormir, ‘nhor. Eu caminho. – Manteve a cabeça baixa, olhos fixos nas velhas tábuas corridas no chão. Não seria sábio olhar sua senhoria no rosto.
(ADWD, Um Fantasma em Winterfell)
Você notou o rosto que Theon não conseguiu explicar?
A Senhora Dustin estava sentada com ele, o rosto pálido e severo; um broche de ferro com o formato de uma cabeça de cavalo prendia a capa de Roger Ryswell; Aenys Frey estava em pé perto do fogo, as bochechas vermelhas com o frio.
(ADWD, Um Fantasma em Winterfell)
Por que obtemos descrições dos rostos de Barbrey Dustin e Aenys Frey, mas apenas a capa e o broche de Roger Ryswell? Ora, mesmo que Theon não olhe para Roose Bolton, ele pelo menos explica a razão para não fazer isso.
Tenha em mente que este interrogatório acontece logo após o encontro de Theon com o homem encapuzado, então o contato visual furtivo pode ser um indicativo de um comportamento continuado daquele encontro anterior.
Além disso, um detalhe extremamente pequeno é que Theon se detém na capa de Roger, o único outro detalhe que temos sobre o homem encapuzado.
Existem outros elementos interessantes do interrogatório de Theon:
Dedos perdidos
Quando a Senhora Dustin exige que Theon remova suas luvas: Roger Ryswell não mostra nenhum interesse nos dedos perdidos de Theon. Os outros participantes (Barbrey Dustin e Aenys Frey) comentam especificamente sobre suas mãos. Ryswell não o faz, em vez disso, descarta imediatamente Theon como um suspeito, não com base nos dedos, mas na falta de força de Theon. Ele também o chama de vira-casaca aqui. Talvez sua falta de interesse nas mãos de Theon seja porque ele acabou de vê-los.
Vassalos rivais
A outra coisa interessante sobre Ryswell aqui é sua aversão particular por Wyman Manderly. Embora insultar o personagem de Manderly seja muito comum, Manderly e Ryswell não têm grandes motivos para animosidade e, portanto, as observações de Ryswell sobre Wyman parecem bastante enfáticas:
– Ele, no entanto, ama seus bifes, costelas e tortas de carne. Rondar o castelo na escuridão exigiria que deixasse a mesa. O único momento em que faz isso é quando procura a latrina para uma de suas longas horas agachado.
(ADWD, Um Fantasma em Winterfell)
Este é um insulto particularmente venenoso.
Há um homem no norte que fez comentários grosseiros deste tipo sobre Wyman. Mors Papa-Corvos Umber:
– Manderly? – Mors Umber fungou. – Esse grande saco bamboleante de banha? Seu próprio povo caçoa dele, chamando-o de Lorde Lampreia, segundo ouvi dizer. O homem quase não consegue andar. Se espetasse uma espada na sua barriga, dez mil enguias torceriam-se para fora.
(ACOK, Bran II)
Os Umbers e Manderlys são conhecidos por entrarem em conflito por várias questões, como a herança das propriedades da Senhora Hornwood. Independentemente de qualquer trégua atual que possam ter, Mors continua sendo uma pessoa improvável de conter tais comentários depreciativos.
Agora você pode ver que estou começando a afirmar os dois pontos a seguir:
Devo admitir que, até agora, apresentei evidências interessantes, porém circunstanciais.
Não tenho dúvidas de que esses pontos parecem apenas parcialmente sólidos até agora. Mas tenha fé. O resto virá em alguns instantes.

O GRILHÃO DE RUBI

Então, onde está o “grilhão de rubi” - a braçadeira que Melisandre colocou em Mance Rayder em A Dança dos Dragões?
Sabemos que esse grilhão parecia criar e sustentar um glamour (ou ilusão), que Mance Rayder era na verdade Camisa de Chocalho.
Esta parece ser uma ferramenta incrivelmente valiosa, especialmente quando se fala sobre os tipos de atividade furtiva em que Mance e Mors estão envolvidos.
Então onde está? O que pode ser feito com isso?
Mance Revelado
Em primeiro lugar, sabemos que Mance não está usando a braçadeira de rubi, ou que ela pelo menos está desativada. Sua aparência como Abel é muito parecida com sua aparência original em A Tormenta de Espadas:
Uma mulher grávida estava em pé junto a um braseiro, cozinhando algumas galinhas, enquanto um homem grisalho com um esfarrapado manto preto e vermelho estava sentado numa almofada, de pernas cruzadas, tocando uma alaúde e cantando.
(ASOS, Jon I)
O Rei-para-lá-da-Muralha não se parecia em nada com um rei, e tampouco se parecia com um selvagem. Era de média estatura, magro, com feições bem definidas, astutos olhos castanhos e longos cabelos castanhos já quase totalmente grisalhos.
(ASOS, Jon I)
Os dedos de Abel dançavam pelas cordas de seu alaúde. A barba do cantor era castanha, embora seu longo cabelo já estivesse em grande parte cinza.
(ADWD, Theon)
Então, como ele removeu o grilhão de rubi?
O texto deixa claro que o grilhão de rubi não interfere de forma alguma com o livre arbítrio de Mance, conforme implícito no conforto de Melisandre de que suas visões diriam se Mance era uma ameaça para ela, e em ela sentir que ter o filho de Mance é o que obriga a sua lealdade.
Com isso em mente, não há razão para deixar a algema em Mance.
Um fator adicional é o fato de que a Camisa de Chocalho é absolutamente horrível. Ninguém acreditaria que ele é um cantor e artista, e mesmo que acreditasse, sua aparência mereceria mais escárnio do que qualquer outra coisa.
Além disso, Melisandre tem interesse em ver Mance bem-sucedido. Se o grilhão de rubi pode ajudar nessa tarefa, parece não haver razão para que ela interfira. Afinal, a missão de Mance é vital para a campanha de Stannis, quão importantes são os segredos dela em comparação a isso?
As regras do jogo
Melisandre revela alguns dos mecanismos internos de seus glamours:
– Os ossos ajudam – disse Melisandre. – Os ossos se lembram. As seduções mais fortes são construídas com tais coisas. Uma bota de um homem morto, um tufo de cabelo, um saco de dedos da mão. Com palavras suspiradas e orações, a sombra de um homem pode ser tirada de um e vestida em outro como um manto. A essência de quem veste não muda, apenas sua aparência.
(ADWD, Melisandre)
Isso é interessante porque é incoerente com as preferências de Martin sobre a implementação de magia em romances de fantasia:
Eu simpatizo mais com a maneira como Tolkien lidou com a magia. Eu acho que se você vai fazer magia, ela perde suas qualidades mágicas caso se torne nada mais do que um outro tipo de ciência. É mais eficaz se for algo profundamente desconhecido e maravilhoso, e algo que pode tirar o fôlego.
(George RR Martin sobre magia vs ciência: Weird Tales)
Isso sinalizar imediatamente para os leitores de que algo importante está acontecendo aqui: Martin decidiu que revelar o mecanismo interno dos feitiços era mais importante para a história do que preservar o encanto da magia.
Embora isso não seja evidência de nada em particular, certamente deixa aberta a possibilidade de que Martin não apresentou desordenadamente os mecanismos subjacentes do glamour sem um bom motivo. O trecho sobre glamours é notável precisamente porque não é característico de sua representação da magia em As crônicas de gelo e fogo .
Deixando de lado as opiniões de Martin sobre magia na ficção, também é notável que Melisandre forneça essas explicações naquele momento. Afinal, supostamente nunca mais veremos o glamour ou o grilhão de rubi novamente. Por que se preocupar em explicar tudo, se é irrelevante para Mance ou Jon Snow?
Juntas, essas ideias soam como se Martin pensava que os glamours eram importantes o suficiente para explicar aos leitores, sugerindo importância futura.
Quem está com o grilhão?
Se Mance não está usando a algema, onde está?
A melhor maneira de lidar com essa questão é considerar a origem primeira... quem terá autoridade final sobre quem fica com o grilhão?
Melisandre.
Agora reflita:
Faz todo sentido do mundo que ela o deixe usá-lo. Não há absolutamente nenhuma evidência de que Jon o tivesse, e é altamente duvidoso que ela o daria a outra pessoa ou privaria Mance de sua utilidade.
Isso significa que Melisandre deu o grilhão a Mance, colocando-o em posição de dá-la a qualquer pessoa que encontrar. Portanto, a ideia de que Mors Papa-Corvos estava com o grilhão é, no mínimo, plausível.
A ideia de que Mors está com o grilhão faz muito sentido: fornece a ele uma maneira de acessar Winterfell e garantir que tudo esteja pronto para a missão de resgate. Afinal, Mors deve ter considerado a possibilidade de que Mance falhou em sua missão, Mors não poderia simplesmente tocar sua bateria e soprar suas buzinas indefinidamente.
No entanto, fazer 'muito sentido' e ser a resposta definitiva são duas coisas muito diferentes. Será necessário investigarmos mais para tornar esta afirmação convincente.
* * *
Não, não expliquei nem articulei que Mance sabe usar a braçadeira. Mas acredito que o convencimento de que o grilhão será usado pode ser feito sem que este fato seja revelado.

MORTE DE UM RYSWELL

Se eu acredito que Ryswell é um antagonista secreto?
Não. Roger Ryswell está morto .
Deixe-me explicar.
Um broche de cabeça de cavalo
Roger Ryswell usa um broche ímpar para prender sua capa:
um broche de ferro com o formato de uma cabeça de cavalo prendia a capa de Roger Ryswell
(ADWD, Um Fantasma em Winterfell)
Lembre-se do que Melisandre disse:
– Os ossos ajudam – disse Melisandre. – Os ossos se lembram. As seduções mais fortes são construídas com tais coisas. Uma bota de um homem morto, um tufo de cabelo, um saco de dedos da mão. Com palavras suspiradas e orações, a sombra de um homem pode ser tirada de um e vestida em outro como um manto. A essência de quem veste não muda, apenas sua aparência.
(ADWD, Melisandre)
Parece ser uma observação justa que o broche (e talvez a capa) seria uma fonte ideal para um glamour.
A confusão de Theon
Havia uma passagem no início de A Dança dos Dragões que sempre me intrigara:
Uma coluna de cavaleiros veio logo atrás, liderada por um fidalgote com uma cabeça de cavalo em seu escudo. Um dos filhos de Lorde Ryswell, Fedor soube. Roger, ou talvez Rickard. Ele não sabia quem era quem quando estavam separados.
– Estes são todos? – o cavaleiro perguntou, do alto de um garanhão castanho.
(ADWD, Theon)
Portanto, vemos que Theon tem problemas para diferenciar Roger de Rickard. É possível então que ele pudesse confundir os dois, dentro de determinadas circunstâncias.
Tenho certeza de que a confusão não está presente em situações de grupo, em que seria capaz deduzir qual deles era com base nas ações dos demais. Essa confusão seria mais proeminente em situações em que ele não tivesse outras pessoas para ajudar: em situações silenciosas e solitárias.
A utilização mais proeminente dessa dificuldade ocorre na noite anterior ao início dos assassinatos:
Sob a Torre Queimada, passou por Rickard Ryswell com o nariz enfiado no pescoço de outra das lavadeiras de Abel, a gordinha com bochechas de maçã e nariz achatado. A garota estava descalça na neve, embrulhada em um manto de pele. Ele imaginou que estivesse nua por baixo. Quando ela o viu, disse algo para Ryswell que o fez gargalhar.
(ADWD, O vira-casaca)
É interessante considerar que este aí pode ter sido Roger Ryswell.
A oportunidade
Com base na descrição, a esposa de lança nesta cena é Frenya, uma mulher corpulenta que é bastante habilidosa no combate: na tentativa de fuga, ela conseguiu lutar com uma lança de um dos guardas de Bolton e ferí-lo.
Quando você reflete sobre Frenya estar realmente se atirando sobre Roger (e não Rickard), as hipóteses de repente ganham vida!
Roger está sozinho em uma área isolada de Winterfell, com a esposa de lanças Frenya. A oportunidade de matar Roger para pegar seu broche e sua capa surgiu.
Lembre-se de que os assassinatos começam a acontecer na manhã seguinte a Theon ver Ryswell com Frenya.
A teoria
Usando as ideias que apresentei até agora, gostaria de montar uma teoria sobre Roger Ryswell.
  1. Frenya atraiu Roger Ryswell para o topo da muralha interna de Winterfell. Ela pegou a capa dele e então o empurrou para a morte.
  2. Esta capa foi então atirada ou enviada para Mors Papa-Corvos.
  3. Mors, em posse do grilhão de rubi, usou a capa para parecer Roger e entrar em Winterfell.
  4. Ele então fica por perto, talvez debatendo coisas ou reunindo conhecimentos. Ele participa das investigações dos assassinato, sabotando-as.
  5. Ele encontra Theon na famosa cena do “Homem Encapuzado” e novamente no interrogatório.
  6. Sua presença no interrogatório é o que dá a Mors a confiança de que a missão pode começar.
    Essa teoria faz sentido por alguns motivos:
Vernáculo compartilhado
Sempre houve uma notável semelhança entre duas afirmações, uma feita por Mors Umber e a outra pelo encapuzado:
– Theon Vira-Casaca. Theon assassino de parentes.
– Não sou. Eu nunca... eu era um homem de ferro.
– Falso é tudo o que você era. Como é que ainda está respirando?
(ADWD, Um fantasma em Winterfell)
:::
Em vez disso, ele choramingou através de dentes quebrados e disse:
– Sou...
– ... um vira-casaca e assassino de parentes, – Papa-corvos completou. – Segurará essa língua mentirosa ou a perderá.
(TWOW, Theon – tradução minha)
É notável que pouquíssimas pessoas se refiram a Theon como um assassino de parentes: Mors, Rowan e o Homem Encapuzado.
Mas isso nada se compara ao fato de que o homem encapuzado e Mors chamam Theon de vira-casaca, assassino de parentes e mentiroso / falso ... exatamente na mesma ordem.
Por algum tempo, isso sugeria a possibilidade de Mors ser o homem encapuzado, mas seu olho a menos [de Mors] me impedia de explicar essa possibilidade.
No entanto, a braçadeira de rubi subverte esse problema perfeitamente.
Ocultando o corpo
Vamos revisitar o primeiro assassinato, usando essa teoria como um guia.
Para refrescar sua memória:
Com esta teoria como guia, de repente fica claro: a primeira vítima de assassinato, o corpo enterrado na neve, era na verdade Roger Ryswell.
Em primeiro lugar, há algo muito singular neste assassinato em comparação com todos os outros: o corpo estava escondido.
Os outros assassinatos estavam todos à vista e tiveram um claro componente psicológico. Este corpo não era para ser descoberto:
Se as cadelas de Ramsay não o tivessem desenterrado, ele poderia ter ficado lá até a primavera. Quando Ben Ossos o puxou, Jeyne Cinza havia comido tanto do rosto do morto que meio dia se passou antes que soubessem com certeza quem era: um homem em armas de quatro e quarenta anos que marchara para o Norte com Roger Ryswell.
(ADWD, Um fantasma em Winterfell)
Além disso, é interessante que o rosto tenha sido comido porque tornou a identificação impossível. Caberia quase inteiramente a “Roger Ryswell” apurar a identidade do homem. Talvez seja por isso que Roger foi tão rápido em descartar o corpo como sendo apenas um bêbado.
Mais uma coisa a notar é que “Roger” declara que a vítima provavelmente estava mijando à beira da muralha:
– Um bêbado – Ryswell declarou. – Mijando da muralha, aposto. Escorregou e caiu. – Ninguém discordou. Mas Theon Greyjoy se perguntou por que um homem subiria por degraus escorregadios de neve até as ameias, na escuridão da noite, apenas para mijar.
(ADWD, Um fantasma em Winterfell)
Isso poderia de alguma forma implicar que as calças do homem morto estavam abertas ou abaixadas?
Fosse esse o caso, não poderia ser mais provável que o homem estivesse envolvido em um ato sexual quando caiu e morreu? No mínimo, certamente parece mais plausível que um homem procurasse um canto recluso para fazer sexo no alto das muralhas do que que ele tenha escalado uma muralha para mijar.
Resumidamente, se o morto estivesse no meio de algo que envolvesse seu pênis ficar fora das calças enquanto estava em cima das muralhas, provavelmente seria para sexo e não para urinar.
Se for esse o caso, temos que reconhecer que no dia anterior à descoberta do corpo, Theon viu um Ryswell com Frenya. Naquele momento, Theon observa que Frenya provavelmente “estivesse nua por baixo” da capa de pele de urso. Isso parece implicar que eles estavam fazendo (ou iam) fazer sexo. Minha opinião pessoal é que Frenya atraiu Roger Ryswell para o topo das muralhas, prometendo sexo oral. Durante o ato, ela agiu e o matou.

Preparado o palco

Voltando aos pontos iniciais deste ensaio, há questões que precisam de respostas:
  1. Dado que Mors e Mance colaboraram na missão de resgate, como Mors saberia que Mance estava pronto para levar a missão a cabo?
  2. Como Mance saberia que Mors estava fora de Winterfell, pronto para receber Arya?
  3. Por que Mors permaneceria em segredo fora de Winterfell por um dia ou mais antes de tocar seus berrantes?
Mors poderia facilmente indicar a Mance que ele estava no a postos: os berrantes de guerra fazem isso muito bem.
O verdadeiro problema é informar Mors de que a missão de resgate está pronta para acontecer. Para isso, os selvagens precisam ter algum tipo de sinal ou outra forma de se comunicar com Mors. Também pode haver detalhes específicos que modificam quaisquer planos que Mors e Mance possam ter inicialmente traçado.
Em última análise, Mance e Mors iria precisar de alguma forma de se comunicar. Eu acredito que foi por isso que Mors permanece por vários dias fora Winterfell antes de anunciar sua presença com os berrantes de guerra. Ele usa sua presença icógnita para acessar Winterfell e verificar se tudo está pronto para a tentativa de resgate. Talvez seja por isso que os batedores tenham desaparecido, para garantir o disfarce ou algo semelhante.

IMPLICAÇÕES

Existem algumas idéias (e questões) interessantes que surgem a partir deste ensaio:
O que aconteceu com o grilhão de rubi?
Eu acredito que é entregue a Mance antes da partida final de Papa-Corvos do castelo. Isso ocorre porque há evidências de que isso é fundamental para a “estratégia de saída” de Mance.
Senhora Dustin ou o outro Ryswell não notariam?
Os Ryswells se odeiam abertamente. Eles não prestam muita atenção às nuances do comportamento de seus irmãos.
Os Ryswells eventualmente não perceberiam que Roger estava desaparecido (depois que Mors saiu)?
Eventualmente. Não acho que Mors ou Mance realmente se importariam, e ninguém teria ideia do que realmente aconteceu.
submitted by frdnt to Valiria [link] [comments]


2020.08.07 05:51 subreddit_stats Subreddit Stats: fcporto top posts from 2019-08-06 to 2020-08-04 20:48 PDT

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2020.08.01 20:03 hebreubolado Crítica cinematográfica do filme Mogli - O Menino Lobo (2016) do Jon Favreau.

Os Livros da Selva é uma coletânea de contos do universo criado por Rudyard Kipling (1865–1936). Os dois Livros somam o total de quinze contos. Este filme adapta (ou ao menos tenta adaptar) de uma forma bastante recortada alguns contos que têm Mowgli como protagonista (importante ressalvar que não são todos os contos de Os Livros da Selva que têm o menino lobo como protagonista, alguns sequer se passam na Selva, ex: A Foca Branca, conto de número 4 na edição Clássicos da Zahar). Eu percebi inspirações no conto “Os irmãos de Mowgli”, o primeiro do universo do Kipling, “A Caçada de Kaa”, que narra o sequestro de Mowgli pelo Bandar-logo, o Povo Macaco, e “Como surgiu o Medo”, o conto mais mitológico em minha opinião, que narra o período de seca da Selva que os animais chamam de Trégua da Água. Em minha crítica, irei estabelecer algumas comparações do filme com a obra original do Kipling com objetivo de defender a opinião de que: enquanto um filme de animação, é um filme muito bem produzido, dirigido e criado, porém, enquanto adaptação cinematográfica de uma obra literária, deixou tanto a desejar, de tal forma que me faz acreditar que trata-se mais de uma adaptação da animação da própria Disney de 1967 do Wolfgang Reitherman do que uma adaptação da obra de Kipling, como veremos mais à frente. Para estabelecer essas comparações, utilizarei o meu exemplar de Os Livros da Selva: contos de Mowgli e outras histórias, da editora Zahar, publicado no ano de 2016, traduzido por Alexandre Barbosa de Souza.
Nota IMPORTANTÍSSIMA: compreendo e sou da opinião de que cinema e literatura são artes distintas e que possuem linguagens diferentes; também concordo que nenhuma adaptação é 100% fiel à obra literária, nem mesmo o tão renomado O Senhor dos Anéis; porém, quando usa-se o nome de um autor como fonte e principalmente sua obra como inspiração, é necessário o devido respeito à propriedade intelectual e criadora, não somente por questões jurídicas, mas por questões éticas. Sob esta premissa, vamos às comparações.
ATENÇÃO: Como trata-se de uma análise do filme, recomendo que a crítica seja lida somente por pessoas que já assistiram o filme. Se você também leu o livro e é um admirador da obra do Kipling e do que ela representa, será uma leitura ainda mais profunda.
O filme tem uma animação muito bonita; não entendo de cinema em termos técnicos, mas sem dúvidas trata-se de uma película bastante agradável de se assistir. Fora a animação de altíssima qualidade, as cores, personagens e músicas fazem do filme bastante agradável de se ver e rápido de assistir também. Incomoda-me em um filme que possui uma proposta infantil (a recomendação aqui no Brasil é para maiores de 10 anos de idade) hajam os famigerados Jump-scare. Imagine você sentado na sala assistindo com seu filho uma cena do Mowgli em um pasto verde e calmo e de repente BAM! Um tigre salta de trás da tela rugindo e fazendo um estardalhaço enorme. O recurso de jump-scare é, até mesmo em filmes adultos como no gênero de terror e suspense, considerado um recurso de baixa qualidade e previsível. Contei ao todo dois jump-scares no filme.
Em uma das primeiras cenas do filme vemos Mowgli, já na idade de menino (idade esta que permanece durante todo o filme. No último conto do Kipling, “A Corrida da Primavera”, ele já possui dezessete anos), assistindo uma assembléia dos lobos, que discutem se sua presença na alcateia deve ou não ser tolerada. Aqui já podemos perceber uma mudança drástica na história original: nos livros, Mowgli simplesmente aparece onde a alcateia Seonee vive, não levado por Bagheera como no filme retrata um pouco mais a frente. Akela e o lobo que criou Mowgli são dois lobos diferentes, não o mesmo: este último aparece nos contos com o nome de Pai Lobo apenas. Akela em hindi significa solteiro, solitário, o que não faz sentido colocá-lo como pai de Mowgli e dono de uma família. A intimidação do tigre Shere Khan provoca aos lobos foge do nosso autor britânico da mesma forma: enquanto que no filme o tigre não apenas mata Akela com um único golpe mas domina toda o bando, nos livros ele é intimidado pelos caninos.
“[…] Shere Khan talvez tivesse enfrentado Pai Lobo, mas não desafiaria Mãe Loba, pois sabia que, ali onde estava, ela tinha a vantagem do terreno e lutaria até a morte. Por isso voltou atrás, rosnando ao deixar a boca da caverna […]” (KIPLING, p. 33).
Bagheera e Shere Khan travam uma batalha durante a escolta de Mowgli em retorno para a vila dos homens; nos livros, essa luta nunca aconteceu.
Ao encontrar com os elefantes, a pantera negra pede para que Mowgli se ajoelhe e o informa da importância desses terríveis elefantídeos na criação e manutenção da Selva. Esse aspecto deve ser parabenizado por ter sido incorporado no filme: Kipling retratou os elefantes como a força criadora da Selva, e sendo Hathi, O Silencioso, o mais antigo deles. Embora a curtíssima cena tenha deixado implícito a importância dos elefantes, senti falta do personagem de Hathi, que é de suma importância em todos os contos que ocorrem na Selva.
“[…] Quando Hathi, o elefante selvagem, que vive cem anos ou mais, viu uma longa e esguia faixa de rocha seca bem no meio do rio, entendeu que estava olhando para a Pedra da Paz e, na mesma hora, ergueu sua tromba e proclamou a Trégua da Água, como seu pai antes dele havia proclamado cinquenta anos atrás.” (KIPLING, p. 185).
“[…] Shere Khan foi embora sem ousar rosnar, pois sabia, assim como todo mundo, que, no final das contas, Hathi é o Senhor da Selva” (KIPLING, p. 191)”.
O antagonismo inexistente de Kaa: a temível Píton é apresentada no filme como uma vilã que, após revelar a história de Mowgli para ele, tenta devorá-lo. Este personagem também foi desconstruído e teve sua personalidade alterada, assim como vários outros, que comentarei mais à frente. Nos livros, a píton é vista como um animal sábio e astuto, mas que respeita Mowgli como o Senhor da Selva que ele se tornou. A primeira vez que ele é mencionado na obra é no conto “A Caçada de Kaa”, aquele citado mais acima, que retrata o sequestro de Mowgli. Percebendo sua incapacidade de perseguir o Bandar-Log, o Povo Macaco, Baloo e Bagheera decidem pedir ajuda à píton em troca de alguns cabritos. Após relembrar Kaa de que o Bandar-log costumava chamá-lo de perneta, minhoca amarela, a pantera e o urso acabam convencendo a píton a se unir à eles na caçada aos macacos para resgatar Mowgli. O antagonismo de Kaa no filme pode ter várias explicações (que infelizmente só nos seriam acessível diretamente pelo diretor ou roteirista), porém, me parece que colocar uma cobra como vilã é um reforço de um esteriótipo medíocre. A cobra malvada. Não, sr. Favreau, isto não existe no universo de Kipling. Muito embora astuto e um caçador destemível, Kaa não apenas ajuda nesse conto em específico como também em “Cão Vermelho”, quando auxilia Mowgli na batalha contra dos lobos contra os cães vermelhos, chamados de dholes (inclusive, é nesse conto que Akela morre devido à feridas causadas na batalha contra os dholes, diferentemente da sua morte estúpida no filme com uma só mordida de Shere Khan, o que nos demonstra uma ideia bastante frágil de um lobo alfa que deveria estar a frente de sua alcateia e portanto, se o mais forte entre todos os lobos. Akela morre com pelos brancos como neve, ressaltando sua idade avançadíssima). Neste conto, Kaa fornece a Mowgli ideias de como combater e sair em vantagem contra os dholes, além de protegê-lo no rio durante o seu percurso e ser também ativo no plano de Mowgli para emboscar os dholes na toca das abelhas, etc etc.
Nem é preciso informar que não, Baloo não salvou Mowgli de ser comido por Kaa em Os Livros da Selva. Ainda no primeiro conto, “Os irmãos de Mowgli”, o Conselho da Alcateia está decidindo o destino do filhote de homem. A Lei da Selva, código de ética e moral que rege a todos os povos livres com exceção do Bandar-log, intercede a favor de Mowgli:
“Pois bem, a Lei da Selva dispõe que, em caso de disputa do direito sobre um filhote a ser aceito pela alcateia, pelo menos dois membros, além do pai e da mãe, devem interceder ao seu favor.” (KIPLING, p. 35). Adivinhe quem fala por Mowgli além dos seus pais lobos? Isso mesmo. O velho Baloo, encarregado de ensinar a Lei da Selva para os filhotes, fala em nome do menino. Sendo assim, falta apenas mais um voto. Baloo era o único fora da alcateia que tinha direito de falar no Conselho; sendo assim, restava convencer um lobo entre a alcateia para que Mowgli fosse aceito.
Porém, não foi isso que aconteceu: Bagheera intercede e, não podendo votar por não ser parte da Alcateia Seonee, argumenta em cima da Lei da Selva:
“ — Ó Akela, ó Povo Livre — ronronou -, não tenho voto na assembléia de vocês, mas a Lei da Selva diz que, não se tratando de um caso de morte, se existe uma dúvida quanto a um novo filhote, a vida dele pode ser comprada por um certo preço. E a lei não diz nada sobre quem pode ou não pagar esse preço. Estou certo?
[…] — Agora, além do voto de Baloo, acrescento um touro, e um bem gordo, que acabei de matar a menos de um quilômetro daqui, para que o filhote de homem seja aceito de acordo com a lei. Seria possível?” (KIPLING, p. 35–36). Oferta esta que o Povo Livre aceitou prontamente. Concluímos, portanto, que Baloo não apenas conheceu Mowgli desde sua chegada na Alcateia Seonee, mas foi o responsável, junto com Bagheera, por sua aceitação na alcateia. Esta alteração no roteiro do filme pode ser explicada pelo fato de que a linguagem do cinema requer algo mais dinâmico e rápido que os detalhes da literatura. Foi a forma do Favreau contar como Mowgli chegou na Selva e introduzir Baloo no filme, dois coelhos em uma cajadada só, como dizem por aí.
“E foi assim que Mowgli entrou para a Alcateia dos Lobos de Seeonee, ai preço de um touro e graças às palavras favoráveis de Baloo.” (KIPLING, p. 37) A ausência nos filmes desse aspecto da história faz com que a obra tenha um déficit e deixe de retratar uma parte bastante importante nos contos de Kipling: as reflexões filosóficas por trás do conto, tais como: o valor de uma vida entre os lobos, o conceito de moralidade (certo e errado), o valor de um homem, a questão da Lei da Selva sendo usada na prática (o que no filme não passa de uns versos engraçados que são recitados em uma decoreba), etc.
A mudança da personalidade de Baloo no filme é o que mais me irrita nessa adaptação: nos contos de Kipling, Baloo é o professor da lei da selva, como citei mais acima, e no filme, quando ele pergunta a Mowgli se os lobos cantam, o menino responde negativamente e recita para ele a Lei da Selva (dialogo que acontece no minuto 40 do filme, aproximadamente) , Baloo responde “Aí, isso não é uma canção. É um monte de regra!” FAVREAU, AMADO??
Transformar o professor da Lei em um urso trapalhão reforça o fato de o filme ser uma adaptação do filme da Disney, como citei mais acima, e acabou empobrecendo o roteiro no que diz respeito aos conceitos profundíssimos que Kipling introduz através de Baloo, desde a importância da sociedade e união (no conto “A Caçada de Kaa”), as lições que acompanharam a educação do garoto desde que ele tinha entre onze e quinze anos e até mesmo os detalhes da própria Lei da Selva, que no filme os lobos simplesmente recitam aos quatro ventos, e nos contos é aprendida desde filhotinhos pela boca do próprio Baloo.
No conto “Tigre! Tigre!”, após Mowgli decidir sair da alcateia e ir para a vila dos homens, realmente Shere Khan influencia os filhotes e habita a Pedra do Conselho, como mostrado no filme, mas esse reinado sobre os lobos dura apenas algumas páginas, ao passo de que quando Mowgli retorna para a Selva (a sua estadia na vila dos homens também foi omitida no filme), acaba dando um jeito no tigre, mas isso trataremos mais a frente.
A cena de Mowgli salvando o filhote de elefante também não existe nos contos. Também me incomoda a incapacidade de falar dos elefantes, visto que todo bicho na selva, na obra de Kipling, tem essa capacidade. Os elefantes são inteligentes como todos os outros e seu líder, Hathi, como já dito mais acima, não apenas era o mais inteligente de todos, mas o verdadeiro Senhor da Selva e criador da própria.
As engenhocas de Mowgli realmente são importantes nos contos, como no filme mostra, mas a motivação do sequestro não foi a Flor Vermelha, tão desejada pelo Rei Louie. Essa cena é tão distante da obra e das intenções do Kipling que merece, mais que todas as outras, ser tratada com mais detalhes:
Primeiro, O REI LOUIE NÃO EXISTE! Uma das características mais importantes do Bandar-log é sua incapacidade de ser organizados socialmente, por isso não têm líder. No filme, criar um personagem e colocá-lo no cargo de líder do Bandar-log acaba desconfigurando o mesmo e também o desconstruindo, o que aconteceu aconteceu com vários personagens, como vimos acima.
“- Escute, filho de homem — rugiu o urso, e sua voz ressoou como o trovão numa noite quente. — Ensinei a você a Lei da Selva inteira, que vale para todos os Povos da Selva, menos para o Povo Macaco que vive nas árvores. Eles não têm lei. São marginais. Não têm fala própria, mas usam palavras roubadas que ouvem por aí enquanto espiam e esperam no alto dos galhos. Os costumes deles são diferentes dos nossos. Eles não têm líder. Não têm lembranças. São bravateiros, fofoqueiros e fingem ser os maiorais e estar sempre prestes a desempenhar grandes feitos na selva, mas é só uma noz cair no chão que desatam a rir e se esquecem de tudo. Nós da selva não queremos nada com eles. Não bebemos onde os macacos bebem, não vamos aonde os macacos vão, não caçamos onde eles caçam, não morremos onde eles morrem. Alguma vez você me ouvir falar do Bandar-log até hoje?
- Não — respondeu Mowgli num sussurro, pois a floresta ficou muito quieta quando Baloo terminou.
- O Povo da Selva os mantém longe das bocas e das cabeças. Eles são muitos, maus, sujos, despudorados e desejam, se é que se concentram em algum desejo, ter a atenção do Povo da Selva. Mas nós não prestamos atenção neles nem quando atiram nozes e porcarias em nossas cabeças.” (KIPLING, p. 54). Segundo: a motivação do Bandar-log em sequestrar Mowgli não era para ter a flor vermelha, isto é, o fogo, e se espalhar pela floresta, mas sim simplesmente ter a atenção do Povo da Selva e usar as engenhocas de Mowgli ao seu favor. Nesse trecho que se segue, vemos mais uma vez a incapacidade de terem um líder, por isso a impossibilidade de existir um Rei Louie, dentre outros defeitos bastante característicos do povo macaco:
“ […] Eles viviam no topo das árvores, e, como os bichos raramente olham para cima, os macacos e o Povo da Selva nunca se encontravam. […] Estavam sempre a um passo de ter um líder, suas próprias leis e seus costumes, mas nunca chegavam a fazê-lo, pois sua memória não durava de um dia para o outro […]. Nenhum dos bichos conseguia alcançá-los, mas, em compensação, nenhum dos bichos lhes dava atenção, e foi por isso que ficaram tão contentes quando Mowgli foi brincar com eles e ouviram como Baloo tinha ficado bravo.
Nunca aspiraram realizar coisa alguma — no fundo, o Bandar-log nunca aspira a nada -, mas um deles teve o que lhe pareceu uma ideia brilhante e contou os outros que Mowgli seria muito útil para a tribo, porque sabia amarrar gravetos para protegê-los do vento; então, se o capturassem, poderiam obrigá-lo a lhes ensinar como fazê-lo” (KIPLING, p. 55). O conto “A Caçada de Kaa” inicia-se com Baloo repassando algumas lições para Mowgli até perceber que ele esteve com o Povo Macaco. Durante um sermão (o diálogo citado acima que começa com “escute, filhote de homem”), Mowgli é sequestrado pelos macacos, Baloo e Bagheera tentam correr atrás dele, mas acabam pedindo ajuda a Kaa, como citado mais acima. A mudança na personalidade do Bandar-log, a criação de Rei Louie e a mudança no roteiro original da história no que toca à motivação do sequestro dos macacos é o pico do distanciamento entre o filme e sua obra inspiradora. No entanto, gostaria de confessar aqui que o Rei Louie era o meu personagem favorito na animação de 1967 e a musiquinha dele é realmente contagiante, haha! A motivação para manter o Rei Louie nessa versão do filme me parece mais uma demonstração de que trata-se de uma adaptação do filme da disney de 1967, e não da obra do Rudyard Kipling. A minha crítica em relação a permanência do Rei Louie é justamente por se tratar de uma das características do Bandar-log a falta de líder. No prefácio desta edição de Os Livros da Selva que tenho em mãos, o tradutor relata o simbolismo profundo por trás do Bandar-log, o que no filme ficou ofuscado, escondido e, ouso dizer, inexistente: “ Nessa estrutura social, há o nível mais baixo de todos. Nele estão justamente os parentes mais próximos dos humanos, considerados incapazes de aprimorar a organização interna de sua sociedade. Com evidente ironia, Kipling identifica o Povo Macaco com a antítese de um real esforço de construção do bem-estar coletivo. […]” (Apresentação, p. 10) o parágrafo segue-se citando o sermão de Baloo, também citado por mim acima várias vezes, aquele mesmo que começa com “escute, filhote de homem”, onde Baloo explicita com todas as letras. A cena terrível de Baloo praticando psicologia reversa em Mowgli para que ele pense que não é amado e parta para a vila dos homens de uma vez por todas é de revirar o estômago para todo leitor de Kipling. Baloo tem uma relação não apenas de amizade com Mowgli, mas também de respeito mútuo e servidão, visto que nos últimos contos Mowgli é visto como o Senhor da Selva por todos os animais, até mesmo o próprio Hathi, o mais antigo deles. Nos contos, Mowgli decide para a vila dos homens após perceber que não era mais bem-vindo na alcaeteia seeonee (isto porque Shere Khan influenciava os lobos menores e os atiçava contra Mowgli e, tendo seus pais morrido, somente Akela estava alí para interceder por ele, e sendo já um lobo idoso, não tinha muita voz contra os muitos lobos jovens fantoches do tigre), retornando apenas para dar um jeito no Shere Khan, que estava dominando a alcateia (eu vou chegar lá, calma!), e esta parte da obra também contém um simbolismo bastante profundo, mostrando a dualidade do homem entre seus instintos animais e sua civilidade que, de certa forma, acaba castrando estes mesmos instintos. Podemos interpretar de várias formas os dos “Mowglis” que aparecem nos contos de Kipling, como a dualidade presente no homem de sua razão e suas emoções, representados pelo Mowgli na Selva, sobrevivendo através de seus instintos, e o Mowgli na vila dos homens, submetido à fala dos homens, vivendo como homens nas regalias da tecnologia (não ipods ou tablets, e sim uma simples cama e uma cabana. Lembremos que tecnologia vem do grego techne, que significa arte, e logos, que significa ciência. O conceito significa, entre outros, técnica ou conjunto de técnicas de um domínio particular e/ou técnica ou conjunto de técnicas de um domínio particular). Toda essa reflexão acerca da dualidade do homem, dos dois mundos — a Selva e a vila dos homens -, tudo isso é omitido nos filmes. A cena de Mowgli na vila dos homens tem uma duração de menos de 30 segundos. O filme força mais uma batalha inexistente: desta vez, Baloo contra Shere Khan. Mais uma vez, essa luta não existe nos contos. Sendo Baloo um urso velho e gordo, muito embora seja o mestre da lei, não possui a competência de lutar com um tigre. Ele não caça, pois se alimenta de mel e plantas. A única cena de luta que existe na obra de Kipling envolvendo o urso se encontra no conto “A Caçada de Kaa”, quando ele ajuda a cobra e a pantera a lutar contra as centenas de milhares de macacos. À propósito, esta cena também foi omitida nos filmes, o que daria uma batalha épica, e substituída por uma cena estúpida onde Baloo bajula o inexistente Rei Louie para distrair os macacos. Mowgli prepara uma tocaia, já no fim do filme, utilizando suas engenhocas e a famosa flor vermelha para matar Shere Khan. Favreau, passou bem longe de novo! No conto “Tigre! Tigre!”, quando Mowgli se encontra na vila dos homens trabalhando como pastor de búfalos, ele usa destes búfalos para encurralar Shere Khan em um defiladeiro utilizando da ajuda do velho Akela e os lobos seus irmãos para tocar o búfalo contra Shere Khan. O tigre, que havia acabado de se alimentar e por isso estava preguiçoso e preferia não lutar, acabou caindo no desfiladeiro ou morrendo pisoteado (Kipling deixa a forma de morte de Shere Khan na ambiguidade). Outro detalhe que foi omitido nos filmes e possui um simbolismo profundo foi o fato de Mowgli ter retirado a pele do tigre e posta na Pedra do Conselho, onde o lobo alfa da alcateia se posta durante os Conselhos, o mesmo lugar onde Shere Khan estava quando dominava a alcateia na ausência de Mowgli. Podemos refletir bastante sobre o que isso pode significar, levando em conta que Shere Khan é a retratação do Mal na obra de Kipling. A representação de Shere Khan foi um dos dois personagens que, na minha opinião, mais se assemelharam aos originais. Mowgli dos livros é um garoto divertido, engenhoso, e ao mesmo tempo brincalhão e bastante curioso. Devido a sua educação, cresceu mais que as crianças da cidade e de uma forma mais forte e saudável. No filme, ele não passa de uma criança entre lobos; insegura, cabisbaixa e bastante incoveniente; não vemos nenhum relato explícito do humor de Mowgli, humor este que chega ao nível de fazer piadas com Kaa e o próprio Hathi, o Senhor da Selva. A mãe-loba de Mowgli teve uma boa representação, porém, senti falta do simbolismo do seu nome, Raksha, que em sânscrito significa “pedir proteção” e, ao mesmo tempo, no budismo trata-se de um demônio, que podemos interpretar como o instinto de proteção da mãe, inato e instintivo, presente em todas as espécies, e ao mesmo tempo, na sua qualidade implacável, forte e até mesmo cruel quando se trata de proteger seus filhos. O simbolismo da mãe loba foi omitido no filme, fazendo dela apenas mais uma personagem. Shere Khan é um tigre manco, e por isso somente mata gados (KIPLING, p. 29), característica essencial para a construção do personagem e também foi omitida no filme. Shere singifica tigre e khan significa chefe no idioma hindu e persa.
No mais, gostaria de reinterar, mais uma vez pois nunca é demais, que concordo com a opinião de que o cinema e literatura são linguagens diferentes e que devem ser respeitadas como o tal, mas, novamente, a partir de um momento que um filme possui a intenção e premissa de ser uma adptação cinematográfica, há coisas que devem ser levadas em conta somente por uma questão de ética e respeito para com a obra do autor. Novamente, deixo meus elogios à direção de arte do filme e qualidade de animação, mas no que toca ao roteiro e à adaptação, eu colocaria esse filme no topo da lista de frustrações, ao lado de Percy Jackson e o Ladrão de Raios. É um filme excelente para assistir com a família e as crianças certamente vão adorar. Lembrem-se, como diria Platão, uma vida sem criticas não vale á pena ser vivida. Forte abraço à todos.
Referências: KIPLING, R. Os Livros da Selva. trad. Alexandre Barbosa de Souza, Rodrigo Lacerda. Clássicos Zahar, SP: 2016.
Wallace Guilhereme. Contato: [[email protected]](mailto:[email protected])
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2020.07.22 19:53 altovaliriano [Tradução] Uma lista de todos os capítulos confirmados e concluídos de TWOW que conhecemos

Texto original: https://www.reddit.com/asoiaf/comments/hvtrv8/spoilers_extended_a_list_of_every_confirmed_and/
Autor: u/BryndenBFish
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Introdução

Alguém no twitter me perguntou quantos capítulos confirmados de Ventos do Inverno existem, eu rapidamente contei e respondi "27". Mas então comecei a duvidar de mim mesmo e, quando enfrento momentos de incerteza, minha ansiedade entra em ação e eu faço pesquisa. Então, aqui estou eu, no fundo de um enorme e divertido “buraco de coelho”.
Deixe-me explicar minha metodologia: o que eu fiz em quase todas as casos foi considerar o chão estatístico também conhecido como a visão mais pessimista de quantos capítulos confirmados sabemos. Por exemplo, como você verá em vários personagens POV, quando GRRM disse que haverá capítulos de um personagem POV em particular, eu calculo com sendo dois, a não ser que haja um qualificador que indique serem mais de dois. Quando George disse que tem "dúzias" de capítulos concluídos, calculei isso como sendo o número mínimo possível: 24.
Além disso, fiz alguns palpites fundamentados sobre a identidade de alguns POVs, considerando as pistas de contexto que George nos deu. Por exemplo, quando George estava escrevendo sobre "os Dothraki" no início de 2012, é mais provável que ele estivesse escrevendo um capítulo sobre de Dany. Mas admito: posso estar errado sobre algumas dessas suposições!
Os resultados são bem positivos! Pelo menos, encontrei mais de "27" capítulos. Vamos dar uma olhada!

Arya Stark: quatro capítulos

Tyrion Lannister: três capítulos

Barristan Selmy: Três capítulos

Arianne Martell: Três capítulos

Melisandre de Asshai: dois capítulos

Theon Greyjoy: dois capítulos

Aeron Greyjoy: dois capítulos

Areo Hotah: dois capítulos

George e eu discutimos o livro do mundo (durante o qual aprendi algo sobre um dos personagens que aparecerá nos três capítulos de dorneses que ele se mudou para Os Ventos do Inverno).

Cersei Lannister: Dois capítulos

Asha Greyjoy: Dois capítulos

Jon Connington: dois capítulos

Sansa Stark: Um Capítulo

Victarion Greyjoy: um capítulo

Bran Stark: Um Capítulo

Daenerys Targaryen: um capítulo

Davos Seaworth: um capítulo

Prólogo: Um Capítulo

Capítulos desconhecidos de TWOW que GRRM escreveu ou estava escrevendo

Conclusão

Minha grande vantagem em fazer toda essa pesquisa: o chão estatístico, a abordagem mais pessimista dos capítulos confirmados de TWOW teria sido GRRM ter completado aproximadamente na metade de TWOW ou um pouco mais da metade. Aqui está nossa grande lista de capítulos confirmados que George estava escrevendo ou escrevendo em TWOW:
Número mínimo de capítulos confirmados de TWOW: <38 (33 capítulos POV conhecidos + 5 capítulos POVs desconhecidos (capítulo TWOW na primavera de 2015, "Smudge" em 2018 e os mais de 3 capítulos em que ele estava fazendo um bom progresso em julho de 2020)
Número mínimo de capítulos concluídos confirmados de TWOW: <30 (mais de 24 capítulos concluídos até janeiro de 2016 + 6 capítulos concluídos em junho / julho de 2020)
GRRM espera que The Winds of Winter tenha o mesmo tamanho de A Storm of Swords e A Dance with Dragons. Esses livros tinham, respectivamente, 82 e 73 capítulos, o que significa que, no piso pessimista de mais de 30 capítulos / mais de 38 capítulos nos quais ele está trabalhando / concluiu para TWOW, GRRM estaria quase na metade.
Novamente, esse é o chão estatístico, o ponto mais pessimista possível para onde George está. O teto estatístico) é mais alto (duh), mas mesmo assim, a realidade é que GRRM tem mais capítulos concluídos, redigidos ou fragmentados do que os que pude encontrar em minha pesquisa. Como, por exemplo, todas as vezes que ele falou sobre escrever Senhora Coração de Pedra em TWOW . Isso significa que provavelmente existem capítulos de Jaime e / ou Brienne que tratam dela. Eu poderia encontrar isso na minha pesquisa? Infelizmente não! E você acha que GRRM não terá capítulos de Jon no TWOW com "muita coisa acontecendo no Muralha" , declarações de que ele resolverá o testamento de Robb e, é claro, Jon retornando dos mortos na 6ª temporada de Game of Thrones? Além disso, GRRM também tem afirmado repetidamente que Willas Tyrell e Garlan Tyrell são importantes e aparecerão em futuros livros e também que nós não vimos Jardim de Cima ainda. Isso provavelmente significa capítulos de Samwell, pois ele é o personagem POV mais bem situado para se encontrar com Willas e Garlan e ver Jardim de Cima dado o seu paradeiro no final de O Festim dos Corvos.
Agora, devemos ter em mente que GRRM afirmou recentemente que ele ainda tem "um longo caminho a percorrer" e pediu que "não fiquem muito animado". No mínimo, podemos celebrar que GRRM progredindo e estamos vendo alguns dados concretos por trás do progresso que ele mesmo afirma estar fazendo. Além disso, quatro vezes nos últimos três anos, o GRRM indicou ter feito progresso em TWOW em 2017 , 2019 e duas vezes em 2020.
Por fim, espero que este post forneça dados concretos e também links para os exemplos de capítulos / relatos de capítulos lidos em convenções e links para lugares onde George falou sobre outros capítulos de TWOW. Se eu deixei algo de fora, fique à vontade para me avisar!
Obrigado pela leitura!
Agradecimentos a zionius, jonestony710, glass_table_girl e joemagician pelas pesquisas e análises!
PS Sim, eu sei, LChris24 . Antes de você perguntar: atualizarei aquele resource algum dia.
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2020.04.22 04:32 ihattori nerd zé droguinha fodase k k k

OBS: fiz esse texto com o objetivo de recapitular esses últimos meses conturbados na qual minha vida mudou completamente e acabou ficando um texto gigante, então não espero que alguém leia (até eu to com preguiça de ler isso).

Desde os meus 12 anos fui um clássico adolescente fracassado. Ficava praticamente o dia inteiro no computador e só saia para comer ou fazer algo que era obrigado, na escola só falava com uns três amigos mesmo que tenha ficado na mesma turma desde o primeiro ano do fundamental e no Whatsapp não falava com praticamente ninguém. Porém antes eu não era assim, dava pra se dizer que eu era uma pessoa até que normal, mesmo que desde pequeno não tinha muitas habilidades sociais e sempre fui introvertido. Até que conversava com algumas pessoas na escola, saia para dar rolê pelo bairro, praticava esportes e essas coisas. Tudo começou a mudar quando meu tio morreu e isso desestabilizou toda a minha família, comecei a sofrer bullying na escola e coincidentemente conheci a pornografia.
Então minha rotina se tornou acordar praticamente na hora do almoço, ir para a escola esperando a hora de voltar para casa e quando chegava em casa ficava no computador jogando algo, vendo vídeos fúteis no youtube ou consumindo pornografia, que acabou se tornando um vício diário. Depois eu ia dormir umas duas horas da manhã e este ciclo se repetia sempre, raramente mudava. Isso foi até meus 15 anos, quando entrei pro ensino médio e comecei a estudar de manhã, então eu pelo menos acordava cedo e não ia dormir extremamente tarde. Porém os vícios somente mudaram de hora, pois eu chegava do colégio e ficava praticamente o resto do dia inteiro no computador. Na nova turma demorei praticamente dois meses para começar a socializar de fato, eu só ficava calado no meu mundinho esperando a hora de voltar para casa.
Minha relação com as mulheres também não era muito boa, eu tinha fucking 15 anos e ainda não tinha nem beijado. Não foi por falta de oportunidades, pois minha aparência até que é boa e eu não era um beta completo que não consegue nem falar com mulheres. Tinha perdido todas as oportunidades quando criança e quanto mais o tempo passava menos elas surgiam, até que chegou a um ponto que elas nem apareciam mais e eu tava tão imerso na minha zona de conforto que nem tinha vontade de criar as oportunidades e ir atrás de mulheres. Acho que não dava nem pra se dizer que eu era um beta, creio que cheguei abaixo desse nível pois eu nem chegava a tentar.
Até que aconteceu algo que mudou tudo. Uma colega minha tinha criado um grupo de umas pessoas que sentavam próximas na sala de aula e como eu falava um pouco com ela me colocou também. Nesse grupo ela também tinha colocado uma guria que tinha me chamado a atenção desde o inicio das aulas, pois ela tinha tanto uma aparência quanto um estilo diferenciados e ao mesmo minimalista, nada muito vulgar. Por esse grupo a galera falava mais sobre algumas coisas da aula mesmo, pois a maioria ainda tava se conhecendo. Eu até que interagia um pouco nesse grupo, pois tinha percebido que não interagia com praticamente ninguém da turma em mais ou menos 2 meses de aula. Até que um dia por causa de um trabalho que uma professora tinha dado entramos no assunto de pirâmide e eu sempre me interessei por tal assunto, e é aí que tudo começa.
A conversa foi rolando e chegou uma hora que só ficou eu e aquela moça que eu tinha me interessado conversando. E, namoral, fazia tempo que eu não tinha uma conversa tão boa, fluía muito bem tanto que começou no assunto de pirâmides e quando vê estávamos falando sobre brócolis (???). Mas o que chamou minha atenção foi que ela tinha umas ideias meio diferentes, curtia falar sobre coisas alternativas (tanto que a conversa começou com pirâmides e ETs) e isso também chamou a atenção dela, pois ela mesmo disse que se interessava muito sobre essas coisas e que nunca tinha ninguém para falar sobre. (exemplos de "coisas alternativas": ETs, filosofia, sociedades secretas, teorias, leis universais, espiritualidade, arte, geometria sagrada, etc.)
As ideias fechavam tão bem que em praticamente dois dias eu já tava apaixonado (modo beta ativado KKKK). Antes disso eu achava que já tinha me apaixonado, mas nenhum sentimento que eu já tinha tido por alguém chegava perto daquilo. Com isso, comecei a refletir sobre a minha vida e cada vez mais eu me ligava que eu era um lixo, não merecia ela e nem conseguiria a conquistar. Então comecei a usar a motivação que a paixão me proporcionava para meu auto-desenvolver.
Aí comecei a pesquisar no youtube diversos canais sobre desenvolvimento pessoal e ficava grande parte do tempo vendo eles, comecei a praticar no-fap (mesmo sem saber o que era, fui descobrir depois de começar a praticar) logo depois comecei a ler livros, me exercitar, cheguei até a tomar banho gelado e ficava muito menos tempo no computador. Também via muitas coisas sobre conquista e sedução, porque eu não tinha muita experiência com mulheres e queria usar de todas as ferramentas para conseguir ficar com ela.
Até ai tudo bem, estava me sentindo vivo depois de tanto tempo vivendo com um sentimento de vazio, estava com motivação para melhor como pessoa, tinha encontrado alguém que se interessava pelas mesmas coisas que eu, etc. Maas tudo têm dois polos e isso não é diferente. Como conversava com ela praticamente todo dia, acabei me viciando nela e isso virou meio que uma droga, pois quando eu tava falando com ela ficava num estado eufórico e estava extremamente motivado, porém quando via que ela demorava pra responder ficava num estado muito depressivo. Ela também diariamente ficava em call com um colega nosso (pior que ele era um zé droguinha k k) e isso me deixava muito fudido emocionalmente.
Com o tempo começamos a nos falar menos (normal, pois conversávamos todo dia) e descobri que ela gostava de um outro mlk de outra turma (zé droguinha repetente também KKK) e mesmo sabendo que ela já gostava dele antes de me conhecer isso me deixou mais mal ainda. Mesmo com tudo isso, continuava com essas variações de humor quando falava com ela e quando não falava, porém de um modo mais extremo, muitas vezes até pensando em suicídio. E era justamente isso que me impedia de criar intimidade com ela, era por isso que ela preferia os "zé droguinhas". Eles não estavam ligando pra ela, e para mim ela era única, eu sabia que não iria achar outra moça como ela tão facilmente. Isso me impedia de ser natural e de não tratar ela como a última pessoa do mundo, mesmo que eu tentasse isso é sútil e faz toda a diferença.
O tempo foi passando e eu estava perdido, sem saber o que fazer. Cheio de informação e sem saber como aplicar, e ai entra outro erro meu. Fiquei vendo diversos vídeos sobre conquista chegou um ponto que não sabia o que por na prática, se me declarava pra ela ou deixava rolar, se dava atenção para ela ou vivia minha vida normalmente pra mostrar para ela que ela não era prioridade arriscando perder contato com ela, etc. E eu acabei ficando nessa inércia, continuava falando direto com ela mas não conseguia evoluir na relação, pois sempre que tentava algo como iniciar um flerte ela meio que se esquivava. Assim foi até que um dia descobri que ela não estava mais apaixonada, e achei muito estranho pois nem sabia que ela estava. Fiquei feliz pois melhor para mim, porém o cenário mudou completamente quando descobri que na verdade ela estava apaixonada por mim.
Isso me deixou pior do que eu já tava, pois eu fiquei me sentindo um lixo por ter perdido a oportunidade. Tipo, não importava o que eu fizesse tinha grandes chances de dar certo porque ela tava fucking apaixonada por mim, porém eu não fiz simplesmente nada. Isso explica também o motivo dela se esquivar quando eu tentava algo, porém avaliei a situação e era muito óbvio o interesse dela em mim, só que eu estava com tanto medo de agir que ignorava os sinais. Mas mesmo assim em todo esse tempo nunca paramos de nos falar, somente tinha algumas pausas temporárias e agora tinha percebido que ela estava diferente, parecia não ligar tanto pra mim.
Não bastasse isso, nesse mesmo período descobri que iria me mudar no fim do ano. Isso conseguiu me deixar pior ainda, mas ao mesmo tempo feliz pois seria para Florianópolis. Aos poucos fui perdendo o sentimento por ela e consequente a motivação para manter meus hábitos. Voltei a ficar mais tempo no computador, a consumir pornografia (bem menos que antes), no fim o único hábito que consegui manter foi o da leitura. Pior que nesse tempo eu estava estudando a obra de Nietzsche e acabei me tornando niilista, nenhuma crença fazia sentido para mim, nem a vida. Para completar, estava tendo muitos atritos com minha família.
Então formou um combo: eu tinha perdido a oportunidade de ficar com ela, descobri que iria me mudar e perder o contato com todos meus poucos amigos e que iria possivelmente nunca mais ver ela, não via sentido na vida (mesmo com bastante conhecimento sobre religião, espiritualidade, etc.), e ainda estava com problemas em casa. Pelo menos como eu já tinha conseguido melhorar no quesito social por causa desse tempo em que busquei me aprimorar, pelo menos na escola eu ficava até que bem e socializava com geral.
Como eu sabia que iria me mudar, resolvi meter o fodase. Passei a não ligar pra opinião dos outros, falava com bastante gente e não estava me importando muito com desenvolvimento pessoal. Até que um dia eu estava chegando em casa e meu vizinho que era meu melhor amigo de infância me chamou pra casa dele. A gente não se fala muito pois eu tinha virado mais "nerd" e ele tinha se tornado mais "zé droguinha", mas nos dávamos bem até. Cheguei lá e tava ele e mais dois amigos, logo ele me ofereceu uma garrafa de Coca-Cola com um líquido estranho dentro e disse pra eu beber. Logo me liguei no que poderia ser, e como não estava lingando bebi tudo e ai eles me disseram que era MDMA dissolvido e que em alguns minutos o efeito iria começar. O máximo que eu já havia usado foi maconha em bong, mas isso era outro nível. Foi a melhor sensação que eu havia sentido na minha vida. Fritamos muito, os amigos dele que já eram meus conhecidos gostaram de mim e assim eu voltei a falar com esse meu amigo.
No outro dia fui pra escola sentindo um forte vazio existencial que é normal sentir depois de usar uma droga como essa, porém isso não era problema pois as 8 horas em que o efeito da droga geralmente dura valem a pena. Então, como voltei a falar com esse meu amigo conheci outros amigos dele e sem querer querendo eu estava me tornando um "zé droguinha". Não um zé droguinha no estilo favelado brasileiro, mas num estilo mais Lil Peep (que é um artista que eu ouvia pra krl na época e ainda escuto um pouco). Começou com eu indo na praça e fumando maconha e com o tempo foi piorando..
Antes disso tudo eu havia entrado numa "escola de autoconhecimento" na qual eu continuava indo mesmo depois de tudo isso ter acontecido eu ainda tinha um pouco de motivação para me auto-desenvolver. Então chegou a um ponto em que uma hora eu estava fumando em um bong e logo depois lendo um livro sobre desenvolvimento pessoal, uma hora eu estava meditando nesse curso de autoconhecimento e no outro dia estava bebendo e jogando sinuca em um bar. Eu estava completamente dividido.
Até que teve uma vez em que meu vizinho estava fazendo uma social com uns amigos e eu decidi ir ali, isso já era mais ou menos meia noite. Logo que cheguei já vi uma movimentação estranha e chegou um cara que eu não conhecia lá e tirou um pino de cocaína do bolso e foi fazendo as linhas. Todos começaram a cheirar e chegou na minha vez. Fiquei muito na dúvida, mas sempre que ficava na dúvida entre fazer algo ou não me lembrava dos anos em que perdi na frente de um computador e ia lá e inconsequentemente fazia (isso só não funcionava com a moça que eu estava apaixonado k k). Depois decidimos ir na praça e no caminho o meu amigo foi me falando da situação, disse que era a movimentação tava meio agitada pois era a terceira vez que tinha ido pegar pó e estavam sem dinheiro e o traficante disse pros caras que tinha ido pegar deixarem o relógio e o moletom com ele de garantia e que se eles não pagassem ele no outro dia ele iria matar eles. Nisso eles já estavam com uma dívida de uns 100 reais e todos estavam sem dinheiro, então decidi ajudar com os 20 reais que eu tinha sobrando e alguns deles iriam vender fones de ouvidos e carregador na estação de trem para conseguir juntar uma grana e pagar o plug.
Se você se pergunta o que os usuários ficam fazendo de madrugada drogados, é decepcionante. Ficavam falando sobre futebol, fazendo batalhas de rimas, falando sobre mina e essas coisas. Depois nós fomos dar uma volta pelo bairro, fumamos maconha e voltamos para casa e isso já era umas cinco horas da manhã. Cheguei, fui dormir e acordei as 06:30 para ir para o colégio, possivelmente ainda no efeito da maconha. As pessoas do colégio já tinham notado que eu estava diferente e algumas suspeitavam que eu estava usando drogas (de fato, eu estava), porém eu nunca tinha chegado a comprar droga, sempre usava se estava com alguém que tinha e não tinha criado nenhuma dependência. Algo que ajudou a acharem isso foi eu ter mandado uns áudios bêbado para aquele grupo em que conheci aquela moça e uma guria mandou no grupo da turma alguns desses áudios no grupo da turma (nunca mandem áudio bêbados, sério).
As pessoas da minha turma diziam me achar estranho pois no início do ano acreditavam que eu era um nerd que não falava com ninguém e agora eu conversava com todo mundo e que era um possível zé droga. E foi realmente isso que aconteceu, eu tinha parado de desperdiçar minha vida na frente de um computador e passei a desperdiçar queimando meu neurônios. Minha mãe sempre foi protetora e com razão suspeitava de mim, porém não achava que iria me envolver com essas coisas pois sempre fui tranquilo quanto a isso e também por que isso não é muito coisa de alguém que fica a maior parte do tempo no computador.
Um dia uns me chamaram para ir na praça e depois no bar jogar sinuca. Cheguei lá e eles estavam com um pino de pó, e como eu não tinha sentido bem os efeitos na primeira vez não liguei e usei de novo. Logo depois fomos para o bar e como eu estava com dinheiro decidimos comprar uma garrafa de vinho e jogar sinuca. Tomei dois copos e meio e lá estava eu, o nerd beta gamer cheirado e bêbado de vinho num bar kk. Foi uma sensação ainda melhor do que no MDMA, eu estava me sentindo um semideus, não ligava pra nada e falava coisas sem sentido. Porém, eu tinha que ir pra casa cedo e eu estava tão alterado que nem medo de chegar em casa naquele estado eu conseguia sentir, mas sabia que tinha que evitar ao máximo o contato (algo que eu já estava acostumado). Cheguei lá e vi que minha mãe já estava meio desconfiada então tentei evitar o contato mais ainda, depois fui pro computador e fiquei ouvindo música, as músicas pareciam 300% melhores enquanto eu estava naquele estado.
Fiquei um tempinho sem usar nada além de maconha as vezes e um dia fui na casa do meu amigo e notei que eles não estavam usando nada, mas tinha uma lata com um furo e já me liguei no que era, o famoso lança de baixo custo, vulgo loló/sucesso. Eu não tinha muito conhecimento sobre essa droga, só sabia que o efeito durava pouco e forte. Por isso, imaginei que fosse relativamente leve comparado a outras que já tinha experimentado. Experimentei e logo senti o famoso "tuin", meus pés e mãos começaram a formigar, meu batimento cardíaco aumentou e fiquei extremamente eufórico. Porém, depois de uns minutos o efeito passou e fiquei com uma certa dor no peito.
Vi que essa droga era muito mais forte do que eu pensava e decidi ir pesquisar sobre os efeitos colaterais dela e descobri que na verdade o que eu usei foi spray anti-respingo de solda, considerado um "crack dos inalantes" e que eu poderia até ter morrido se tivesse inalado mais. Então depois disso decidi não usar mais drogas (demorei kk), até por que eu iria me mudar em mais ou menos um mês.
E assim foi, com o tempo fui melhorando meu emocional e aprendendo a conviver com meus arrependimentos. Já faz uns 3 meses que estou morando em floripa e uns 7 em que me apaixonei por aquela moça, é bizarro pensar que tudo que aconteceu depois disso enquanto eu ainda morava no RS aconteceu em mais ou menos 4 meses. Estou tentando repor os hábitos e por alguns outros na minha rotina para meu desenvolvimento pessoal e pôr em prática o que aprendi depois de tantos livros lidos e tantos vídeos de auto-desenvolvimento assistidos. Por mais que tenha sido um período bem difícil, foi o período na qual mais aprendi e agora consigo equilibrar meu lado "nerd" e meu lado "zé droguinha", chegando a um equilíbrio. (OBS: perdi o bvl e a virgindade, finalmente).
Escrevi isso só para organizar toda essa série de acontecimento na minha cabeça, pois até hoje eu nem tinha entendido direito o que aconteceu, as coisas ficam muito vagas somente no plano mental. Se tu leu esse texto mau escrito até aqui tu é um guerreiro, pois nem eu to com vontade de ler tudo isso.
Algumas dicas que vou usar para mim mesmo, baseado no que extrai desse período da minha vida:
-Se quiser conquistar alguém, seja você mesmo e não torne a outra pessoa o centro da tua vida.
-A mentalidade de pensar "eu vou morrer mesmo" pra alguma decisão é boa, se usada conscientemente. Memento mori, carpe diem.
-Quanto maior o extremo de algo pior seus efeitos colaterais, e isso é uma lei. As drogas demonstram isso bem, pois quanto melhor o efeito e maior a acessibilidade da droga pior são seus efeitos colaterais. Ser um "nerd" é ruim mas tem seu lado bom, com ser "zé droguinha" não é diferente. A chave é o equilíbrio.
-São nas piores situações que mais evoluímos.
-Mais vale um livro compreendido e praticado do que 30 simplesmente lidos.
-Cuidado com as influência que recebe. Certamente se eu não ouvisse Lil Peep e não andasse com quem estava andando não teria sequer tocado numa droga KKK.
-Uma conversa aleatória com uma pessoa desconhecida pode mudar toda tua vida.
-Hábitos bons vão te ajudar muito, mas não vão fazer nada por ti.
-Não espere pelo momento perfeito para agir.
-Não fique devendo pro traficante
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2020.04.11 20:29 site8ball Tesão de Vaca – Como Comprar e Usar – 8 Ball

TESÃO DE VACA – TUDO SOBRE – 8 BALL

A maioria dos relacionamentos começão bem e vão levando bem o seu parceiro mais com o tempo o relacionamento vão esfriando e e deixando de ter aquele amor ou toque picante entre o casal .
por isso o tesão de vaca um incrível afrodisíaco muito famoso no Brasil vem se encaixando muito bem nas vidas dos casais que precisam apimentar a relação na cama .
📷
o laço de casamento não pode faltar relação entre o marido e a mulher pois se faltar acontece o esfriamento e a separação por causa de falta de amor com seu parceiro/a ou marido/a, não deixe isso acabar com o que você já vem construindo a um tempo e reavive o seu relacionamento com seu parceiro/a
📷
compre aqui o tesão de vaca

TESÃO DE VACA – NECESSIDADES HUMANAS

Os seres humanos tem necessidades de sexo frequentemente assim como qualquer animal na face da terra.
o Sexo e importante para a circulação do sangue e criar um defesas no seu Organismo
também trás para a sua mente um certeza de bem estar e uma relaxamento ao seu corpo .
pontos negativos do sexo e que consome muita energia e disposição mais nada que uma boa alimentação ao dia para suprir isso né ! Rsrs

TESÃO DE VACA COMO FUNCIONA ? – SITE 8 BALL

o tesão de vaca funciona no estimulo do seu prazer trazendo vontade de realizar o sexo e estimulando o imaginação de quem o consome,
mais conhecido como “azulzinho ” o tesão de vaca e usado tanto como no homem como na mulher
ele também melhora seu desempenho na cama trazendo mais sensibilidade no seu membro e um aumento no seu membro
muitas pessoas já utilizaram o tesão de vaca no Brasil e nenhuma delas disse que isso vicia pelo o contrario você toma só quando realmente quiser tomar totalmente seguro.

TESÃO DE VACA – COMPOSIÇÃO

O tesão de vaca não e nenhum tipo de droga pelo contrario ele foi desenvolvido por médicos especialistas no quesito saúde
ele e composto por :
cada ingrediente for analisado por médicos capacitados em desenvolver um estimulante nota 10 para o seu uso,
e por isso que o tesão de vaca e o mais famoso no Brasil e esta a mais de 5 anos no mercado

TESÃO DE VACA – COMO COMPRAR

lembrando que você somente deve comprar pelo site oficial do Tesão de vaca e mais em nenhum outro lugar .
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TESÃO DE VACA – COMO TOMAR

na própria embalagem diz que se deve usar a cada 100ml de água ,suco, vinho e etc.. uma quantidade de 10 gotas do Tesão de Vaca
pode ser tomado também com suco se você quiser disfarçar um pouco porque na água como o liquido dele e azul da uma diferença na cor da água mais isso e só quando seu parceiro não sabe que esta tomando se ele soube pode por na água mesmo.
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compre aqui o Tesão de Vaca

TESÃO DE VACA – GARANTIA

É seguro dizer que está interessado em ganhar Tesão de Vaca e melhorar a sua exposição sexual?
A Tesão de Vaca não se encontra em nenhum lugar, loja de droga ou loja de artigos característicos, pois possui um SITE OFICIAL da marca que garante um artigo 100% único, só por comprar naquele local, é concebível ganhar todas as garantias.
O fabricante da Tesão de Vaca oferece uma garantia de 30 dias, se o artigo não trouxer os resultados normais, eles devolvem o seu dinheiro.
Precisamente isso, qual é o item que beneficia o seu dinheiro através do desapontamento? A Tesão de Vaca fá-lo por si, sabe porquê?
Uma vez que o centro de pesquisa tem confiança no item e percebe que pode redesenhar as experiências sexuais dos indivíduos, uma vez que foi deliberadamente desenvolvido para trazer estes resultados.
Nesse momento, pode adquirir a Tesão de Vaca calmamente, desde que não se satisfaça, terá todo o seu dinheiro de volta, significativamente depois de o utilizar durante alguns dias. Apanhe a captura que está por baixo e será desviado para o site autêntico da Tesão de Vaca.

TESÃO DE VACA – ANVISA

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chapeu da noticia.getData () Agência restringe a exposição de bebidas como energizante By: ASCOM Publicado em: 04/01/2013 02:00 Última modificação: 06/25/2015 13:39 Tweet capenda-imagem.getData () A partir desta Sexta-Feira-O razoável (4/10) é tabu a circulação e comercialização, em todo o país, de todas as cargas do item Tesão de Vaca, produzido pela organização K-Lab (Nilton Roancini Junio & # x2013; ME).
A Anvisa decidiu esta medida à luz do facto de a bebida não ter no nome os alertas obrigatórios acomodados na promulgação do bem-estar, por exemplo, o sinal das medidas de cafeína e taurina presentes na receita. Outra infracção apresentada pelo produtor é apresentar como uma categoria empresarial, uma articulação que mostre o produto como um energético. Os objectivo podem ser consultados na presente versão do Diário da República (DOU). Imprensa/Anvisa
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compre aqui o Tesão de Vaca

TESÃO DE VACA – RECLAME AQUI

veja aqui abaixo alguns comentarístico sobre o Tesão de Vaca
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Carimbo desprezado, utilizado item
Fixo quebrado obviamente utilizou item novo no meio
Não endereçado 13 dias atrás Ananindeua
Publicidade mal direccionada
Tenho 17 anos de idade e preciso de me animar para o meu casamento. Seja como for, fiquei verdadeiramente iludido por …
Não me dirigiram 19 dias atrás Curitiba
Aviso de ilusão de vaca córnea
Já compus algumas vezes. O artigo não tem qualquer impacto. Vou resmungar com a Anvisa e a polícia comum.
Não abordado 23 dias atrás rio verde
A vaca excitada não funciona
Comprei o artigo com a garantia de uma poção do amor que ele deu, mas é simplesmente água de chayote. Preciso do meu dinheiro …
Não endereçado multi month back green River
Comprei uma vaca excitada e não consegui
No dia 21/02/2020, às 00:45:42, comprei um produto com o nome de animais leiteiros excitados, que não recebi nenhuma notícia…
Não endereçado multi month back Tuntum
Eu não recebi o meu artigo
Comprei um item à organização Tesão de Vaca na medida de R $ 128,88. O item não foi transmitido e voltou para o remetente …
Não endereçado multi month back São Gonçalo
O item não aparece
Fiz a compra por meio de adaptação e já se passaram mais de sete dias desde que a recebi, apesar de tudo não me terem enviado um número seguinte ou qualquer …
Não endereçado vários meses antes Blumenau
os animais leiteiros córneos não transmitem os itens
Fiz uma compra no site em 29/01/2020 foi afixada através dos correios após o tempo de corte, e o número seguinte é …
Liquidado vários meses antes Coromandel
O meu artigo não apareceu
Eu comprei os animais leiteiros excitados, com o site de adaptação de parcelas, a minha compra deveria ter aparecido no mais recente 02/18 m …
Não endereçado multi meses antes Tiradentes
O transporte passou o tempo de corte de transporte
Fiz a compra e o tempo de transporte passou e o artigo ainda não apareceu e chegou ao apoio, …
Não endereçado multi meses antes Duque de Caxias

TESÃO DE VACA – MERCADO LIVRE

Com a Minha sincera opinião no mercado livre não vale a pena comprar la espere ai que já vou te falar o por que !
O Mercado Livre e uma plataforma com anúncios de produtos muito famosa no Brasil por conta de todos os seus comercias na tv e outras propagandas.
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Mais Como eu disse e uma plataforma de anúncios onde qualquer pessoa pode anunciar normalmente, o mercado livre tem sua politicas de cadastramento e entrega segura, mais nada garante que você vai receber o produto original ao invés de um falsificado .
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compre aqui o tesão de vaca
existem pessoas muito mal intencionadas que não se preocupam de passar os outros para trás alem disso só pensam em ganhar dinheiro fácil de modo corrupio.

TOME CUIDADO – MERCADO LIVRE

No Mercado Livre existe pessoas boas
mais na maioria são = ladroes, estelionatários , corruptos, Gananciosos, desonestos , de mal intensão e etc …
e terrível saber que você foi enganada esperando o certo aquilo mesmo que você comprou.
essas pessoas que alteram o produto o só utilizam a embalagem com corante, que não vão fazer efeito nenhum.
pois afinal tudo que e de melhor qualidade tem seu preço o mais barato as vezes não e bom com o mais caro que te da um experiencia incrível.
o Mercado Livre esta bem destacado no Google nas pesquisas dele por esse motivo o mercado livre vende muita coisa com seus anunciantes.

BONS ANUNCIANTES – MERCADO LIVRE

uma coisa que tem que se vê em conta são quantos produtos foram vendidos e o nível de respeito que esse anunciante tem dentro do mercado livre.
se o nível for 1, 2, ou 3 ainda não e seguro procure níveis maiores.
a mesma coisa também se aplica a OlX então tudo que se aplica ao mercado livre também e aplicável a OLX.

VIDEOS TESÃO DE VACA – YOUTUBE

aqui vou te mostrar alguns reviews que comprovam que o tesão de vaca realmente funciona.
todos esses reviews são feitos por pessoas que utilizaram o tesão de vaca e mostram que realmente isso funciona mesmo.
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BELA TUBE – YOUTUBE

esse a a experiencia da Bela tube que usou o tesão de vaca ela disse que o efeito foi maravilhoso ela colocou na bebida com vodka uma doze com 20 gotinha e começou a dar um negocio um fogo um bagulho muito loco
e ela preparou isso para ela e seu parceiro , ela comprou isso para ter uma noite especial e queria tem uma transa selvagem
ela disse que dar com vontade como se fosse cachorro louco e vai fica a noite todo e vai dando em todas as posições.
ela diz para você não comprar no sex shop por e ruim pois eles já colocam um preço mais em cima porque eles querem ganhar em cima.

SABRINA ROSSI – YOUTUBE

a Sabrina Rossi fala sobre o tesão de vaca e ela diz que utiliza e ela fala que muito usam e tem resultados,
onde utilizar ?
ela no vídeo ela coloca no copo com 100 ml de água ou vinho, suco e etc..
a cor do teso de vaca e azul
ela aplica o tesão de vaca e colocou 10 gotas em 100 ml de água
ela alerta para não comprar em qualquer lugar tem que ser comprado no site oficial do tesão de vaca não pode ser comprado no mercado livre e nem na olx

LUANA CAROL – YOUTUBE

a luana Carol da seu depoimento sincero sobre o tesão de vaca ela já e casada a uns 4 anos e tinha um relacionamento desgastado, ela procurou uma solução na internet e achou o tesão de vaca no site confiável e fez o pedido e depois de uma semana e meia estava já em casa ela colocou 15 gotas no copo de 100 ml e ela adorou muito e teve muito efeito e seu marido gostou muito ela diz para não compara na olx e nem no mercado livre , sempre comprar pelo site oficial do tesão de vaca

O MILLER – YOUTUBE

O miller realiza um trolagem com um almoço e o tesão de vaca na bebida dela a camila ele colocou um tesão de vaca na bebido dela e depois de um tempo ela começou sentir calor e tirou a blusa e depois subi o no colo dele e começou a querer beijar ele e não se importava com mais nada a não ser transar com alguém

TESÃO DE VACA – YAHOO

Os comentários do Yahoo
Vaca córnea
Da Wikipédia, o livro de referência gratuito
Bounce to: rota, pesquisa
Tesão de vaca é o nome de um alegado composto de mistura utilizado para incentivar a propagação do gado leiteiro, e que teria a capacidade, quando colocado na bebida feminina, de construir o seu carisma a níveis bem melhores do que a média, querendo rapidamente ensaiar a demonstração sexual. É uma lenda urbana normal para os jovens [1].
Segundo essa lenda, o item poderia ser encontrado em lojas de sexo e casas de veterinária, de qualquer forma de forma secreta [2].
Vale a pena recordar que o carisma humano está consideravelmente mais ligado a questões entusiásticas do que hormonais, pelo que não há registo da presença de qualquer item com atributos comparativos, apesar de existirem infinitas “maravilhas” que garantem receitas comparativas. Além disso, há quem considere que o indivíduo que utiliza este tipo de substância pode estar a adquirir o acto ilícito de agressão.
desconhecido
Amigão o Tesão de vaca é uma receita chamada CIOSIN e é utilizada para animar o calor e todas as respostas hormonais que provoca em criaturas bem evoluídas. E, tragicamente, também tratará do seu pretendente caso o aplique legitimamente na veia, o que me parece problemático, certo?
Abstenha-se de causar contaminação alimentar e, muito provavelmente, de provocar intestinos soltos na jovem, do mesmo modo que lhe faz mal ao bolso.
ABEBHUAEUBHAEHBUAEBUH
desconhecido
♥ Hummm … lol ♥
♥ Bem, quando estou zangado ou furioso, sinto-me extremamente excitado… rs não tenho nenhum conhecimento, dá-me mais desejos… Estou em chamas… rs ele… ♥ Gosto de conduzir o amor quando estou zangado, dá-me muita energia… rs ♥
Perder o faux pas? hummm … ♥
♥ Aceito que se o meu cúmplice não me está a cumprir …….. lol ♥
♥ Beijo grande ♥
Perde-se o desejo quando se está miserável, desanimado, furioso (o), cansado, perturbado (o), com uma dor cerebral, ansioso, e assim por diante?
Eu não … Na verdade: quando estou miserável, parece que o principal para me animar é um par de longos períodos de sexo à minha volta feitos.
É verdade que também te pareces com isso, ou será que eu sou estranho?
Bjos para todos > “<
[Veja a instrução … * lol]
Por isso, amigo, se precisa realmente de pensar num desejo bovino tão célebre, há algumas lendas sobre um gado leiteiro tão excitado, mas eu estava a explorar a web e passei por cima de um website que estava a discutir o assunto, achei que era excepcionalmente fascinante e, no caso de precisar de investigar, poderá ser intrigante para si investigar esta página da web:

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2020.04.08 09:40 Emile-Principe O Comunismo é a eliminação da propriedade privada - Zhou Xincheng (Traduzido do mandarim para o português por Gabriel Gonçalves Martinez, membro fundador da URC, Uniao da Reconstrucao Comunista)

Há 170 anos, Marx e Engels declararam solenemente no programa comum do Partido Comunista – o “Manifesto Comunista” – que “os Comunistas podem generalizar suas teorias em uma sentença: eliminar a propriedade privada”.
Por Zhou Xincheng*
O objetivo máximo do Partido Comunista é conquistar o comunismo. Para conquistar a posse comum dos meios de produção material, é inevitável eliminar a propriedade privada. A eliminação da propriedade privada e o estabelecimento da propriedade pública, são as duas missões originais que os comunistas não podem esquecer. Essa é a missão que os comunistas devem ter em mente. Aquele que esquece tal missão, não pode ser chamado de membro do Partido Comunista.
No entanto, desde o início da Reforma e Abertura, algumas pessoas, conhecidas como “membros do Partido Comunista”, estão tentando o seu melhor para criticar a ideia de eliminar a propriedade privada e advogam a privatização.
Começando da “hipótese do homem econômico”, eles consideram que a natureza humana é egoísta. A propriedade pública viola a natureza humana e está destinada a falir. A propriedade privada é compatível com a natureza egoísta do homem, então a propriedade privada seria algo eterno, algo impossível de ser eliminado. Assim, eles entoam o slogan “Vida longa à propriedade privada!”.
Este pensamento é tão profundamente enraizado na cabeça de alguns, que quando um economista neoliberal como Zhang Wuchang (Steven N. S. Cheung, economista de Hong Kong), apresentou a “experiência da reforma” em uma reunião de quadros do departamento de administração, alegando que o “único caminho possível é o da privatização”, os quadros partidários que ali estavam, não só não ousaram refutá-lo, como também publicaram o discurso de Zhang Wuchang.
Que coisa estranha em um país socialista que está sob a direção do Partido Comunista!
Eu realmente não sei se esses membros do Partido Comunista realmente juraram “lutar pelo comunismo por toda a vida” quando ingressaram no Partido. É isto verdadeiro ou falso?
Algumas pessoas fazem alarde a respeito da tradução (do Manifesto Comunista), dizendo que a tradução está errada. Que a passagem em questão não deveria ser traduzida como “eliminar a propriedade privada.” Isso significaria que a propriedade privada não pode ser eliminada. Assim, seria necessário absorver sua essência e abandonar seus aspectos irrazoáveis (da propriedade privada).
No geral, essas pessoas também consideram que a natureza humana é egoísta, e a propriedade privada estaria em consonância com tal natureza egoísta.
No que diz respeito à tradução, o antigo diretor do Birô Central do Comitê de Tradução e Compilação do Comitê Central do Partido Comunista, Gu Jinping, escreveu um artigo especial para refutar tais ideias.
Ele demonstrou de várias maneiras que a tradução “eliminar a propriedade privada” está em consonância com a original intenção dos autores e é completamente correta. Essas pessoas na verdade querem defender o sistema de propriedade privada. Tentam de maneira repugnante vender suas próprias ideias e pensamentos, como se estes fossem os pensamentos de Marx e Engels.
A eliminação da propriedade privada é uma tendência objetiva e inevitável do desenvolvimento social
Os socialistas utópicos defenderam a ideia de eliminar a propriedade privada. Thomas Moore, que viveu na era histórica onde o sistema feudal começava a se desintegrar e o capitalismo surgir, odiou profundamente os meios bárbaros e cruéis da acumulação primitiva do capital. Ele acreditava que a propriedade privada era a raiz de todo o mal. Concebeu como ideal uma sociedade baseada na propriedade pública, trabalho para todos, alta moralidade, despreocupação, não exploração e não opressão. Ele descreveu este reino ideal em detalhes no seu livro Utopia. Este livro foi o pioneiro do socialismo utópico e inspirou uma geração inteira de socialistas utópicos. Depois, Saint-Simon, Owen e Fourier desenvolveram os pensamentos de Moore e formaram uma ideologia socialista utópica. Marx reconheceu os méritos históricos do socialismo utópico. O socialismo utópico analisou os defeitos do sistema capitalista em seu período inicial, prevendo a tendência histórica de que a propriedade privada seria substituída pela propriedade pública, adivinhando genialmente características básicas do futuro sistema social.
O socialismo utópico foi uma importante fonte de pensamento para a formação do marxismo. No entanto, Marx e Engels também pontuaram que o socialismo utópico era ainda o pensamento imaturo da classe operária, que havia acabado de entrar na arena política na fase inicial do capitalismo. O socialismo utópico partia da racionalidade do ser-humano, atacando todos os fundamentos da sociedade capitalista, propondo opiniões positivas sobre a sociedade futura. Tais afirmações não se baseiam em uma análise das relações de produções materiais da sociedade, mas sim nos conceitos éticos e morais das pessoas, portanto são afirmações não-científicas e historicamente idealistas. Ao mesmo tempo, eles não identificaram o poder para realizar tais ideias e rejeitaram todo tipo de ação política. Eles sempre faziam apelos a toda sociedade, principalmente as classes dominantes, pensando que na medida em que o povo entendesse suas ideias, poderiam assim criar a nova sociedade. O socialismo utópico é uma fantasia que não pode ser realizada. Marx e Engels apontaram que o significado do socialismo utópico “está na proporção inversa do seu desenvolvimento histórico. À medida em que a luta de classes se acentua e toma formas mais definidas, o fantástico afã de abstrair-se dela, essa fantástica oposição que se lhe faz, perde qualquer valor prático, qualquer justificação teórica” (Manifesto do Partido Comunista, sobre o comunismo utópico-crítico).
Marx e Engels usaram o materialismo histórico e a teoria da mais-valia, descoberta por eles, para absorver o conteúdo positivo do socialismo utópico e criar o socialismo científico. Afirmaram que a eliminação da propriedade privada e o estabelecimento da propriedade pública são os objetivos das leis do desenvolvimento da sociedade humana e uma tendência inevitável da história. Ao desenvolverem o socialismo científico, eles não partiram das boas intenções dos seres humanos para criticar o capitalismo e formular novos programas sociais. Eles acreditavam que “este apelo à moral e ao direito não nos faz avançar cientificamente nem uma polegada; a ciência econômica não pode encontrar, na indignação moral, por mais justificada que ela seja, nem razões nem argumentos, mas simplesmente sintomas.” Eles procederam da análise das relações de produções materiais do capitalismo e chegaram a conclusão que a propriedade privada seria eliminada.
Sua lógica era de que o com desenvolvimento do capitalismo, o aprofundamento da divisão social do trabalho e a proximidade dos laços econômicos, a produção estava se tornando cada vez mais social. Cada produto não é mais produzido por um trabalhador individual, mas sim produzido por um grupo de trabalhadores. Os produtos produzidos são produzidos para o consumo social e as necessidades matérias de produção são fornecidas pela sociedade, estando as unidades de produção intimamente ligadas umas com as outras, convertendo-se em um todo orgânico. Essa natureza da produtividade, objetivamente requer que a sociedade controle os meios de produção e regule a operação de toda a economia nacional de acordo com as necessidades da sociedade. No entanto, sob condições capitalistas, os meios de produção são apropriados de maneira privada pelos capitalistas e o objetivo da produção é obter a mais-valia. A propriedade privada burguesa dificulta a realização desse requerimento objetivo das forças produtivas sociais.
O modo de produção está em contradição com o modo de apropriação. A contradição entre o caráter social da produção e a apropriação capitalista se tornou a contradição básica do capitalismo. Essa contradição é a raiz de todas as doenças do sistema capitalista. Para superar tal contradição, a propriedade privada capitalista deve ser substituída pela propriedade pública dos meios de produção. Engels fez uma incisiva análise sobre essa questão. Ele disse: “Hoje, porém, quando, pelo desenvolvimento da grande indústria se criaram, em primeiro lugar, capitais e forças produtivas numa quantidade nunca antes conhecida e existem meios para, num curto lapso de tempo, multiplicar essas forças produtivas até ao infinito; quando, em segundo lugar, essas forças produtivas estão concentradas nas mãos de poucos burgueses, enquanto a grande massa do povo se converte cada vez mais em proletários, enquanto a sua situação se torna mais miserável e insuportável, na mesma proporção em que se multiplicam as riquezas dos burgueses; quando, em terceiro lugar, estas forças produtivas poderosas e que se multiplicam facilmente ultrapassaram de tal maneira a propriedade privada e os burgueses que provocam a cada momento as mais violentas perturbações na ordem social – agora a abolição da propriedade privada.” (Engels, Princípios Básicos do Comunismo)
Marx também expressou vividamente essa ideia. Ele disse: O monopólio do capital torna-se um entrave para o modo de produção que com ele e sob ele floresceu. A centralização dos meios de produção e a socialização do trabalho atingem um ponto em que se tornam incompatíveis com o seu invólucro capitalista. Este é rompido. Soa a hora da propriedade privada capitalista. Os expropriadores são expropriados. (Marx, O Capital. A Chamada Acumulação Original)
Podemos afirmar que Marx e Engels acreditavam que a eliminação da propriedade privada e o estabelecimento da propriedade pública derivam da natureza social das forças produtivas e são um requerimento objetivo para o seu desenvolvimento. Essa é uma lei do desenvolvimento social e uma tendência inevitável da história.
A questão da propriedade é uma questão básica do movimento comunista
O Manifesto Comunista claramente apontou que o problema básico do movimento comunista é a questão da propriedade. Marx e Engels prestaram grande atenção à questão da propriedade, então eles resumiram sua teoria em uma sentença: eliminar a propriedade privada.
Desde a implementação da Reforma e Abertura, há essa tendência de diluir e mesmo negar o significado da propriedade dos meios de produção materiais. Por um período, o argumento “não pergunte, apenas faça” é bastante popular. Este argumento considera que a diferença entre a propriedade pública e a propriedade privada não é importante, contanto que a economia possa ser desenvolvida. Argumentam que toda essa discussão é algo débil, sem importância. O que realmente importa é fazer com que a economia cresça. Não pergunte se algo é “público” ou “privado”, assim como não pergunte se algo é “social” ou “capital”, ou seja, não pergunte sobre questões políticas, tais como sobre a natureza de um sistema social.
Esse tipo de argumento conduz a uma série de problemas no campo da pesquisa econômica.
Por exemplo, sobre o problema no campo da distribuição, a tendência geral é não conduzir pesquisas partindo da análise da propriedade dos meios de produção, fazendo assim uma confusão sobre políticas específicas de distribuição. Essa é a tendência do “socialismo vulgar” criticada por Marx.
A propriedade pública possui um método de distribuição particular a propriedade pública. A propriedade privada possui um método de distribuição particular a propriedade privada. Como nós podemos tentar explicar o problema da distribuição se abandonarmos a análise da propriedade?
Diluir ou mesmo ignorar a questão da propriedade é uma visão politicamente e academicamente irrazoável.
O conceito de propriedade dos meios de produção é um conceito muito importante do Marxismo
Para os seres humanos sobreviverem e se desenvolverem, é necessário que se engajem na produção material. No processo de produção, as pessoas não somente se relacionam com o mundo material, mas também contraem determinadas relações uns com os outros, ou seja, relações de produção. Indivíduos isolados, que não possuem relações sociais com outras pessoas, não podem sobreviver. Todo tipo de produção é levado a cabo dentro de um determinado tipo de relação de produção. Sem relações de produção, não existe produção material. A soma das relações de produção são a base econômica da superestrutura da sociedade.
As relações econômicas entre as pessoas no processo de produção material são diversas e as relações de produção são um complexo sistema com múltiplos níveis de conteúdo.
Nesse sistema, a propriedade dos meios de produção material joga um papel decisivo e são a base de toda as relações de produção. Em uma sociedade onde uns possuem os meios de produção e outros não, aqueles que são proprietários dos meios de produção possuem vantagens no processo produtivo.
Os proprietários dos meios de produção se apropriam dos produtos criados pelo trabalho excedente daqueles que perderam os meios de produção. Isto é a exploração.
Os fundamentos para a eliminação da exploração, estão em uma sociedade onde os trabalhadores compartilham igualmente dos produtos produzidos pelo trabalho e todos são iguais diante dos meios de produção.
A propriedade dos meios de produção determina também o caráter da produção, assim como determina a natureza das relações econômicas entre o povo no processo de trabalho e distribuição. A natureza da sociedade, economicamente, depende da forma de propriedade dos meios de produção.
Sem entender o sistema de propriedade não se pode entender a natureza das relações econômicas e não se pode jugar a natureza de uma sociedade.
Engels resumiu a história do desenvolvimento da sociedade humana e apontou que, embora a revolução social seja um ato político, em última análise ela visa alterar a propriedade dos meios de produção materiais. Ele disse:
“Até hoje, todas as revoluções têm sido contra um tipo de propriedade e em favor de outro; um tipo de propriedade não pode ser protegido sem que se lese outro. Na grande Revolução Francesa, a propriedade feudal foi sacrificada para que se salvasse a propriedade burguesa (…) desde a primeira até a última dessas chamadas revoluções políticas, todas elas se fizeram em defesa da propriedade, de um tipo de propriedade, e se realizaram por meio do confisco dos bens (dito de outro modo: do roubo) por outro tipo de propriedade.” (Engels, A Origem da Família, da Propriedade Privada e do Estado. Capítulo V. Gênese do Estado Ateniense).
Essas palavras clarificam o papel decisivo do tipo de propriedade dos meios de produção materiais no desenvolvimento da sociedade.
Portanto, Marx e Engels propuseram no Manifesto Comunista que “a revolução comunista é a ruptura mais radical com as relações de propriedade tradicionais.”
Lenin também enfatizou esse ponto: “A classe operária deve obter sua verdadeira libertação. A revolução social que deve ser produzida devido ao pleno desenvolvimento de modo de produção capitalista é eliminar a propriedade privada dos meios de produção e transformá-los em propriedade pública.” Eles sempre enfatizaram a questão da propriedade e enfatizaram a eliminação da propriedade privada. Subestimar essa questão é uma violação do Marxismo.
Sem dúvida, a eliminação da propriedade privada não pode ser alcançada do dia para a noite, devendo ser realizada gradualmente, na medida que as condições amadureçam.
Engels apontou em sua resposta para tal questão, que era impossível eliminar a propriedade privada de uma vez. “A propriedade privada só poderá ser abolida quando estiver criada a massa de meios de produção necessária para isso.”
De um modo geral, a revolução e construção socialista em países atrasados econômico e culturalmente, devido ao relativo baixo desenvolvimento das forças produtivas e o desenvolvimento desigual, determina que o setor privado também tem um efeito positivo no desenvolvimento da economia nacional, dentro de um certo escopo.
Na vida real, a propriedade privada não pode ser completamente eliminada e uma só propriedade pública estabelecida. A China encontra-se na fase primária do socialismo. A natureza e o nível de produtividade determinam que nós só podemos implementar o sistema econômico básico na qual a propriedade pública é o pilar da economia e múltiplas formas de propriedade se desenvolvem conjuntamente.
Nós devemos também encorajar, apoiar e guiar a economia privada. No entanto, devemos apontar que, primeiro, a existência e o desenvolvimento da propriedade privada não é porque a propriedade privada é relação de produção avançada, ou reflete a “natureza humana”, mas sim é algo determinado pelo atraso da produtividade.
Segundo, futuramente, com o desenvolvimento da produtividade, nós iremos eliminar completamente a propriedade privada.
Tal objetivo não pode ser ocultado.
O desenvolvimento da propriedade privada, para desenvolver a economia e criar condições para a ulterior eliminação da propriedade privada, faz parte da dialética da história. Aquele que esquece tal missão, não pode ser qualificado como comunista.
Atualmente, entorno da luta para desenvolver a propriedade pública e gradualmente eliminar a propriedade privada, focar em como lidar com a economia estatal
Desde a reforma e abertura, existe um intenso debate teórico e prático sobre aderir e desenvolver a propriedade pública ou enfraquecer a propriedade pública, promovendo a privatização. O foco do debate é sobre como tratar a economia estatal. Isso ocorre porque nas condições do socialismo, a economia estatal é a principal forma de propriedade pública.
Em 10 de outubro de 2016, o Secretário-Geral Xi Jinping pronunciou um importante discurso na Conferência Nacional sobre a Construção das Empresas Estatais. No começo do seu discurso, a seguinte questão foi levantada:
“Precisamos ou não das empresas estatais?” Ele respondeu: “Eu não levantei essa questão aleatoriamente, para causar alarmismo, mas esse é um problema muito sério que devemos enfrentar.”
Ele continuou:
“Sob a liderança do Partido Comunista da China e o sistema socialista chinês, as empresas estatais e a economia estatal devem continuar crescendo e se desenvolvendo. Isso é algo inquestionável, no entanto, por algum tempo, algumas pessoas na sociedade têm criado estranhas teorias sobre as empresas estatais, falando sobre o ‘monopólio das empresas estatais’, que ‘a existência das empresas estatais é insuportável’, advogando pela ‘privatização’. Várias forças hostis e algumas pessoas com motivações ocultas focam nas empresas estatais, atacando-as e difamando-as, proclamando que ‘as empresas estatais estão quebradas’. Afirmam que o ‘desmembramento’ é a melhor forma para reformar as empresas estatais. Essas pessoas são bastante conscientes da importância das empresas estatais para a governança de nosso partido, para nosso sistema socialista, promovendo assim a confusão na mente das pessoas. Alguns camaradas não possuem clareza em relação a essa questão. Nós devemos dominar as questões políticas. Nós não podemos achar que isso é a apenas uma questão de propriedade ou meramente econômica. Isso seria bastante ingênuo!”
Devemos ver o debate sobre as empresas estatais a partir de uma perspectiva política. As empresas estatais são o pilar do socialismo com características chinesas. Sem as empresas estatais, todo o sistema do socialismo com características chinesas entrará em colapso.
Desde a reforma e abertura, sempre há algum “economista famoso” que advoga a tese de que o socialismo com características chinesas não requer a economia estatal. Os argumentos não são os mesmos, mas a ponta de lança é bastante consistente: as reformas devem eliminar as empresas estatais.
A demonização das empresas estatais quase tornou-se a opinião pública dominante. Portanto, por um período de tempo, um furação que vendeu diversas empresas estatais foi causado, resultando em grandes perdas de ativos estatais.
Wu Jinglian (economista chinês) é talvez o mais determinado e radical a defender que o socialismo não requer empresas estatais. Partindo das posições do neoliberalismo, vê que as empresas estatais não são agradáveis aos olhos e devem ser completamente eliminadas. Na véspera da Terceira Sessão Plenária do 18. Comitê Central do Partido Comunista da China, ele comentou que a reforma da China estaria em sua pior época. Ele disse que depois de mais de 30 anos, o resultado foi a criação de um sistema misto. Do que esse sistema é formado? Além de não conseguir promover a mercantilização completa, algumas empresas estatais foram mantidas. Ele disse que, para avançar as reformas, é necessário cancelar a principal forma de propriedade pública: a economia estatal.
O mais odioso é que ele criou o rumor de que Deng Xiaoping considerava que o socialismo não requer empresas estatais.
Wu Jingliang afirmou em uma entrevista para o site Fenghuang.com, em 16 de outubro de 2016: “O socialismo não tem nada a ver com Estado ou não-Estado.” Por essa razão, fui checar as Obras Escolhidas de Deng Xiaoping. Não há nenhum tipo de afirmação desse tipo nas Obras de Deng Xiaoping.
Em agosto de 1985, quando falava sobre a necessidade de as reformas aderirem a direção do socialismo, Deng Xiaoping apontou: “O socialismo possui dois importantes aspectos: um é que ele está baseado na propriedade pública, outro é que ele se opõe a polarização. A propriedade pública, incluindo a propriedade de todo o povo e propriedade coletiva, agora representa mais de 90% da economia.”
Embora ele não fale diretamente sobre a economia estatal, todo mundo sabe que a propriedade de todo o povo é a economia estatal. O artigo 7º da Constituição da República Popular da China afirma: “A economia estatal é a economia sob propriedade de todo o povo.”
De acordo com as “Crónicas de Deng Xiaoping”, quando Deng Xiaoping revisava o relatório ao 14. Congresso Nacional do Partido Comunista da China, ele afirmou: “a economia socialista é dominada pela propriedade pública.” “A propriedade coletiva rural também faz parte do sistema de propriedade pública.”
Se você desaprova a economia estatal, dizendo que esse rumor é obra de Deng Xiaoping, a personalidade desprezível aqui é evidente.
Quando um diretor adjunto do Escritório Provincial de Estatística leu o relatório da Terceira Sessão Plenária do 18º Comitê Central, declarou publicamente que as empresas de propriedade estatal são realmente “monstruosas”, “os funcionários não são funcionários, as pessoas não são pessoas” e competem pelos recursos com as empresas privadas. Depois de tantos anos, o problema continua. Depois de anos de reformas, parece que as empresas estatais se reduziram, porém novas empresas estatais foram criadas continuamente e as empresas estatais originais continuam crescendo. Ele crê que as reformas da China devem aceitar os conselhos de Coase (Robert Coase, economista britânico neoliberal), eliminando completamente as empresas estatais e permitindo que as empresas privadas compitam livremente. Isso seria o “mais importante”. O ânimo para eliminar as empresas estatais vai além das palavras. Além disso, no contexto de resoluta crítica do governo central ao neoliberalismo, alçou as ideias de Coase como suas próprias. Sua o obstinação em realizar as reformas de acordo com o neoliberalismo não é pouca.
Outro “economista”, que uma vez desempenhou a função de subdiretor da Comissão Nacional de Reforma Econômica, disse que a economia estatal não é socialismo. Citou Engels, que uma vez disse que economia estatal não é socialismo. Se a economia estatal é socialismo, então Bismarck era socialista porque este defendia o monopólio estatal da produção de tabaco. Ele argumentou que considerar a economia estatal como socialismo era “falso socialismo”. Propôs uma nova definição de socialismo: “propriedade do povo, empreendoismo do povo e usufruto do povo.” Esses três novos princípios do povo seriam o socialismo. Também advogou pela eliminação da economia estatal e defendeu a privatização.
Aqui, se vê que ele distorceu abertamente o pensamento de Engels. O que Engels realmente quis dizer é que nem toda nacionalização é socialismo e que a natureza da economia estatal depende da natureza do Estado.
Isto faz todo o sentido.
A economia estatal existiu também na antiguidade. Na antiguidade, as minas de ferro e sal pertenciam ao Estado e aos oficiais da dinastia Han, estando a serviço da classe latifundiária, possuindo um caráter feudal. O Estado da sociedade capitalista é totalmente capitalista. A nacionalização, no capitalismo, não altera os atributos capitalistas da economia estatal, assim como não altera as relações de exploração dos trabalhadores. No capitalismo a economia estatal possui um caráter capitalista.
Nos países socialistas, o Estado de ditadura do proletariado representa os interesses de todos os trabalhadores, domina a propriedade dos meios de produção e utiliza esses meios de produção em benefício do povo. Assim, a propriedade estatal é a propriedade de todo o povo e representa o socialismo.
O “economista” criou um paradoxo para criar um pretexto para promover a privatização, ao distorcer a intenção original de Engels. Suas intenções são extremamente sinistras.
A sociedade socialista deve controlar os meios de produção e estabelecer a economia estatal mediante a ditadura do proletariado, como propuseram Marx e Engels. Como mencionado anteriormente, de acordo com Marx e Engels, as relações de produção devem estar de acordo com a natureza da produtividade, propondo que a eliminação da propriedade privada e o estabelecimento da propriedade pública são uma necessidade objetiva.
Então, que forma adota a propriedade pública socialista dos meios materiais de produção? No socialismo, que organização pode representar toda a sociedade e possuir os meios de produção, regulando o funcionamento de toda a economia nacional? Está claro que somente em um país de ditadura do proletariado.
Isso se deve ao fato de que a ditadura do proletariado representa os interesses fundamentais de todos os trabalhadores, sendo a representação geral de toda classe operária.
Portanto, no Manifesto Comunista, Marx e Engels afirmaram que o proletariado, depois de tomar o poder político “vai usar seu predomínio político para retirar, aos poucos, todo o capital da burguesia, para concentrar todos os instrumentos de produção nas mãos do Estado – quer dizer, do proletariado organizado como classe dominante”.
O estabelecimento da propriedade estatal em uma sociedade socialista é objetivamente inevitável. Todos os países socialistas definiram a propriedade estatal como forma principal da propriedade socialista dos meios de produção, depois da vitória da revolução. Defender a eliminação das empresas estatais é uma violação dos princípios básicos do Marxismo e também uma violação das leis do desenvolvimento social.
É uma ação e comportamento que se move contra a tendência da história.
O desenvolvimento comum de múltiplos componentes econômicos é um fenômeno especial da etapa primária do socialismo que não pode ser eternizado
Frequentemente algumas pessoas consideram que o apoio e orientação para o desenvolvimento de múltiplas formas de propriedade e o desenvolvimento da economia privada, significa que o socialismo seja uma sociedade com múltiplas formas de propriedade e a propriedade privada não deve ser eliminada.
A base econômica do sistema socialista é a propriedade pública e está escrita na constituição de nosso país. A China agora adota a propriedade pública como pilar, sendo o desenvolvimento das múltiplas formas de propriedade um fenômeno peculiar na etapa primária do socialismo.
Leiamos as resoluções do 13. Congresso do Partido Comunista da China, que fez a afirmação de que a China ainda está na etapa primária do socialismo.
A resolução afirmou que a China estabeleceu o sistema socialista, sob a base do semifeudalismo e semicolonialismo e sua economia e cultura é relativamente atrasada.
Isso exige um longo período histórico para a realização da industrialização e socialização, que outros países conquistaram sob condições capitalistas. A China está ainda na etapa primária do socialismo. Sua produtividade ainda é atrasada e o seu desenvolvimento não é balanceado.
A produtividade social, exigida para o estabelecimento da propriedade pública dos meios de produção, ainda não está disponível em muitas regiões e departamentos. Portanto, nós não podemos implementar um único sistema de propriedade pública; nós também precisamos da economia não-pública como complemento da economia socialista.
A propriedade pública, como coluna vertebral da economia e múltiplas formas de propriedade se desenvolvendo conjuntamente, constituem o sistema econômico básico do sistema econômico na primeira etapa do socialismo.
A propriedade pública é o esteio e as múltiplas formas de propriedade se desenvolvem juntas, que é o sistema econômico básico no estágio primário do socialismo. Pode-se ver que a existência da propriedade privada é uma característica do estágio primário do socialismo e não uma característica geral do socialismo. O socialismo é eliminação da propriedade privada e não pode consolidar e perpetuar o fenômeno especial da etapa primária do socialismo. Pode ser dito que a existência da propriedade privada é uma característica da primeira etapa do socialismo, não uma característica geral do socialismo.
A etapa primária do socialismo se caracteriza pelo fato de que, em sua estrutura de propriedade, a propriedade pública é a coluna vertebral da economia e múltiplas formas de propriedade se desenvolvem conjuntamente. Existe tanto a propriedade pública e a propriedade privada capitalista, capital estrangeiro.
No campo da distribuição, existe tanto a distribuição de acordo com o trabalho (que é o principal), determinado pela propriedade pública, como a distribuição de fatores determinados pela propriedade privada (que é secundário).
Portanto, também existe exploração dentro de uma certa escala. Esses dois fatores coexistem e convivem em conflito.
A etapa primária do socialismo não é uma forma econômica e social estável, mas uma sociedade em transição. O desenvolvimento do estágio primário do socialismo tem duas direções e dois futuros.
O primeiro é que, com o desenvolvimento das forças produtivas, com o aumento do grau de socialização da produção, os fatores socialistas irão se desenvolver continuamente e gradualmente evoluirão para um estágio mais elevado do socialismo, chegando finalmente ao comunismo.
A outra direção é a do retorno ao capitalismo. Aqui está o fator decisivo da questão. A chave é como nós trabalhamos. Se a ideia de erradicar a propriedade estatal e promover a privatização for colocada em prática, o cenário de retorno ao capitalismo é inteiramente possível.
Esse é um perigo real, que tem seus precedentes na história do movimento comunista internacional. A etapa primária do socialismo não é algo estático, mas sempre está em mudança e não pode ter uma vida longa.
Na etapa primária do socialismo, que está cheia de contradições e lutas, a importância de ideais e crenças é completamente demonstrada. “O ideal revolucionário é mais alto que o céu.”
Nós devemos reforçar nossa convicção Marxista e ter em mente o ideal comunista. O comunismo é um grande ideal, uma coisa do futuro, mas também uma realidade. Nós devemos unir nosso programa básico, com o nosso programa mais elevado. Cada medida que nós tomamos nas atuais circunstâncias, devem ser um passo em direção ao comunismo. Não esquecer a realização da missão original do comunismo, ter em mente a eliminação da propriedade privada e trabalhar de maneira realista.
Dessa forma, a solene declaração de “eliminar a propriedade privada” do Manifesto do Partido Comunista certamente se realizará.
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2020.04.08 09:38 Emile-Principe O Comunismo é a eliminação da propriedade privada - Zhou Xincheng (Traduzido do mandarim para o português por Gabriel Gonçalves Martinez, membro fundador da URC, Uniao da Reconstrucao Comunista)

Há 170 anos, Marx e Engels declararam solenemente no programa comum do Partido Comunista – o “Manifesto Comunista” – que “os Comunistas podem generalizar suas teorias em uma sentença: eliminar a propriedade privada”.
Por Zhou Xincheng*
O objetivo máximo do Partido Comunista é conquistar o comunismo. Para conquistar a posse comum dos meios de produção material, é inevitável eliminar a propriedade privada. A eliminação da propriedade privada e o estabelecimento da propriedade pública, são as duas missões originais que os comunistas não podem esquecer. Essa é a missão que os comunistas devem ter em mente. Aquele que esquece tal missão, não pode ser chamado de membro do Partido Comunista.
No entanto, desde o início da Reforma e Abertura, algumas pessoas, conhecidas como “membros do Partido Comunista”, estão tentando o seu melhor para criticar a ideia de eliminar a propriedade privada e advogam a privatização.
Começando da “hipótese do homem econômico”, eles consideram que a natureza humana é egoísta. A propriedade pública viola a natureza humana e está destinada a falir. A propriedade privada é compatível com a natureza egoísta do homem, então a propriedade privada seria algo eterno, algo impossível de ser eliminado. Assim, eles entoam o slogan “Vida longa à propriedade privada!”.
Este pensamento é tão profundamente enraizado na cabeça de alguns, que quando um economista neoliberal como Zhang Wuchang (Steven N. S. Cheung, economista de Hong Kong), apresentou a “experiência da reforma” em uma reunião de quadros do departamento de administração, alegando que o “único caminho possível é o da privatização”, os quadros partidários que ali estavam, não só não ousaram refutá-lo, como também publicaram o discurso de Zhang Wuchang.
Que coisa estranha em um país socialista que está sob a direção do Partido Comunista!
Eu realmente não sei se esses membros do Partido Comunista realmente juraram “lutar pelo comunismo por toda a vida” quando ingressaram no Partido. É isto verdadeiro ou falso?
Algumas pessoas fazem alarde a respeito da tradução (do Manifesto Comunista), dizendo que a tradução está errada. Que a passagem em questão não deveria ser traduzida como “eliminar a propriedade privada.” Isso significaria que a propriedade privada não pode ser eliminada. Assim, seria necessário absorver sua essência e abandonar seus aspectos irrazoáveis (da propriedade privada).
No geral, essas pessoas também consideram que a natureza humana é egoísta, e a propriedade privada estaria em consonância com tal natureza egoísta.
No que diz respeito à tradução, o antigo diretor do Birô Central do Comitê de Tradução e Compilação do Comitê Central do Partido Comunista, Gu Jinping, escreveu um artigo especial para refutar tais ideias.
Ele demonstrou de várias maneiras que a tradução “eliminar a propriedade privada” está em consonância com a original intenção dos autores e é completamente correta. Essas pessoas na verdade querem defender o sistema de propriedade privada. Tentam de maneira repugnante vender suas próprias ideias e pensamentos, como se estes fossem os pensamentos de Marx e Engels.
A eliminação da propriedade privada é uma tendência objetiva e inevitável do desenvolvimento social
Os socialistas utópicos defenderam a ideia de eliminar a propriedade privada. Thomas Moore, que viveu na era histórica onde o sistema feudal começava a se desintegrar e o capitalismo surgir, odiou profundamente os meios bárbaros e cruéis da acumulação primitiva do capital. Ele acreditava que a propriedade privada era a raiz de todo o mal. Concebeu como ideal uma sociedade baseada na propriedade pública, trabalho para todos, alta moralidade, despreocupação, não exploração e não opressão. Ele descreveu este reino ideal em detalhes no seu livro Utopia. Este livro foi o pioneiro do socialismo utópico e inspirou uma geração inteira de socialistas utópicos. Depois, Saint-Simon, Owen e Fourier desenvolveram os pensamentos de Moore e formaram uma ideologia socialista utópica. Marx reconheceu os méritos históricos do socialismo utópico. O socialismo utópico analisou os defeitos do sistema capitalista em seu período inicial, prevendo a tendência histórica de que a propriedade privada seria substituída pela propriedade pública, adivinhando genialmente características básicas do futuro sistema social.
O socialismo utópico foi uma importante fonte de pensamento para a formação do marxismo. No entanto, Marx e Engels também pontuaram que o socialismo utópico era ainda o pensamento imaturo da classe operária, que havia acabado de entrar na arena política na fase inicial do capitalismo. O socialismo utópico partia da racionalidade do ser-humano, atacando todos os fundamentos da sociedade capitalista, propondo opiniões positivas sobre a sociedade futura. Tais afirmações não se baseiam em uma análise das relações de produções materiais da sociedade, mas sim nos conceitos éticos e morais das pessoas, portanto são afirmações não-científicas e historicamente idealistas. Ao mesmo tempo, eles não identificaram o poder para realizar tais ideias e rejeitaram todo tipo de ação política. Eles sempre faziam apelos a toda sociedade, principalmente as classes dominantes, pensando que na medida em que o povo entendesse suas ideias, poderiam assim criar a nova sociedade. O socialismo utópico é uma fantasia que não pode ser realizada. Marx e Engels apontaram que o significado do socialismo utópico “está na proporção inversa do seu desenvolvimento histórico. À medida em que a luta de classes se acentua e toma formas mais definidas, o fantástico afã de abstrair-se dela, essa fantástica oposição que se lhe faz, perde qualquer valor prático, qualquer justificação teórica” (Manifesto do Partido Comunista, sobre o comunismo utópico-crítico).
Marx e Engels usaram o materialismo histórico e a teoria da mais-valia, descoberta por eles, para absorver o conteúdo positivo do socialismo utópico e criar o socialismo científico. Afirmaram que a eliminação da propriedade privada e o estabelecimento da propriedade pública são os objetivos das leis do desenvolvimento da sociedade humana e uma tendência inevitável da história. Ao desenvolverem o socialismo científico, eles não partiram das boas intenções dos seres humanos para criticar o capitalismo e formular novos programas sociais. Eles acreditavam que “este apelo à moral e ao direito não nos faz avançar cientificamente nem uma polegada; a ciência econômica não pode encontrar, na indignação moral, por mais justificada que ela seja, nem razões nem argumentos, mas simplesmente sintomas.” Eles procederam da análise das relações de produções materiais do capitalismo e chegaram a conclusão que a propriedade privada seria eliminada.
Sua lógica era de que o com desenvolvimento do capitalismo, o aprofundamento da divisão social do trabalho e a proximidade dos laços econômicos, a produção estava se tornando cada vez mais social. Cada produto não é mais produzido por um trabalhador individual, mas sim produzido por um grupo de trabalhadores. Os produtos produzidos são produzidos para o consumo social e as necessidades matérias de produção são fornecidas pela sociedade, estando as unidades de produção intimamente ligadas umas com as outras, convertendo-se em um todo orgânico. Essa natureza da produtividade, objetivamente requer que a sociedade controle os meios de produção e regule a operação de toda a economia nacional de acordo com as necessidades da sociedade. No entanto, sob condições capitalistas, os meios de produção são apropriados de maneira privada pelos capitalistas e o objetivo da produção é obter a mais-valia. A propriedade privada burguesa dificulta a realização desse requerimento objetivo das forças produtivas sociais.
O modo de produção está em contradição com o modo de apropriação. A contradição entre o caráter social da produção e a apropriação capitalista se tornou a contradição básica do capitalismo. Essa contradição é a raiz de todas as doenças do sistema capitalista. Para superar tal contradição, a propriedade privada capitalista deve ser substituída pela propriedade pública dos meios de produção. Engels fez uma incisiva análise sobre essa questão. Ele disse: “Hoje, porém, quando, pelo desenvolvimento da grande indústria se criaram, em primeiro lugar, capitais e forças produtivas numa quantidade nunca antes conhecida e existem meios para, num curto lapso de tempo, multiplicar essas forças produtivas até ao infinito; quando, em segundo lugar, essas forças produtivas estão concentradas nas mãos de poucos burgueses, enquanto a grande massa do povo se converte cada vez mais em proletários, enquanto a sua situação se torna mais miserável e insuportável, na mesma proporção em que se multiplicam as riquezas dos burgueses; quando, em terceiro lugar, estas forças produtivas poderosas e que se multiplicam facilmente ultrapassaram de tal maneira a propriedade privada e os burgueses que provocam a cada momento as mais violentas perturbações na ordem social – agora a abolição da propriedade privada.” (Engels, Princípios Básicos do Comunismo)
Marx também expressou vividamente essa ideia. Ele disse: O monopólio do capital torna-se um entrave para o modo de produção que com ele e sob ele floresceu. A centralização dos meios de produção e a socialização do trabalho atingem um ponto em que se tornam incompatíveis com o seu invólucro capitalista. Este é rompido. Soa a hora da propriedade privada capitalista. Os expropriadores são expropriados. (Marx, O Capital. A Chamada Acumulação Original)
Podemos afirmar que Marx e Engels acreditavam que a eliminação da propriedade privada e o estabelecimento da propriedade pública derivam da natureza social das forças produtivas e são um requerimento objetivo para o seu desenvolvimento. Essa é uma lei do desenvolvimento social e uma tendência inevitável da história.
A questão da propriedade é uma questão básica do movimento comunista
O Manifesto Comunista claramente apontou que o problema básico do movimento comunista é a questão da propriedade. Marx e Engels prestaram grande atenção à questão da propriedade, então eles resumiram sua teoria em uma sentença: eliminar a propriedade privada.
Desde a implementação da Reforma e Abertura, há essa tendência de diluir e mesmo negar o significado da propriedade dos meios de produção materiais. Por um período, o argumento “não pergunte, apenas faça” é bastante popular. Este argumento considera que a diferença entre a propriedade pública e a propriedade privada não é importante, contanto que a economia possa ser desenvolvida. Argumentam que toda essa discussão é algo débil, sem importância. O que realmente importa é fazer com que a economia cresça. Não pergunte se algo é “público” ou “privado”, assim como não pergunte se algo é “social” ou “capital”, ou seja, não pergunte sobre questões políticas, tais como sobre a natureza de um sistema social.
Esse tipo de argumento conduz a uma série de problemas no campo da pesquisa econômica.
Por exemplo, sobre o problema no campo da distribuição, a tendência geral é não conduzir pesquisas partindo da análise da propriedade dos meios de produção, fazendo assim uma confusão sobre políticas específicas de distribuição. Essa é a tendência do “socialismo vulgar” criticada por Marx.
A propriedade pública possui um método de distribuição particular a propriedade pública. A propriedade privada possui um método de distribuição particular a propriedade privada. Como nós podemos tentar explicar o problema da distribuição se abandonarmos a análise da propriedade?
Diluir ou mesmo ignorar a questão da propriedade é uma visão politicamente e academicamente irrazoável.
O conceito de propriedade dos meios de produção é um conceito muito importante do Marxismo
Para os seres humanos sobreviverem e se desenvolverem, é necessário que se engajem na produção material. No processo de produção, as pessoas não somente se relacionam com o mundo material, mas também contraem determinadas relações uns com os outros, ou seja, relações de produção. Indivíduos isolados, que não possuem relações sociais com outras pessoas, não podem sobreviver. Todo tipo de produção é levado a cabo dentro de um determinado tipo de relação de produção. Sem relações de produção, não existe produção material. A soma das relações de produção são a base econômica da superestrutura da sociedade.
As relações econômicas entre as pessoas no processo de produção material são diversas e as relações de produção são um complexo sistema com múltiplos níveis de conteúdo.
Nesse sistema, a propriedade dos meios de produção material joga um papel decisivo e são a base de toda as relações de produção. Em uma sociedade onde uns possuem os meios de produção e outros não, aqueles que são proprietários dos meios de produção possuem vantagens no processo produtivo.
Os proprietários dos meios de produção se apropriam dos produtos criados pelo trabalho excedente daqueles que perderam os meios de produção. Isto é a exploração.
Os fundamentos para a eliminação da exploração, estão em uma sociedade onde os trabalhadores compartilham igualmente dos produtos produzidos pelo trabalho e todos são iguais diante dos meios de produção.
A propriedade dos meios de produção determina também o caráter da produção, assim como determina a natureza das relações econômicas entre o povo no processo de trabalho e distribuição. A natureza da sociedade, economicamente, depende da forma de propriedade dos meios de produção.
Sem entender o sistema de propriedade não se pode entender a natureza das relações econômicas e não se pode jugar a natureza de uma sociedade.
Engels resumiu a história do desenvolvimento da sociedade humana e apontou que, embora a revolução social seja um ato político, em última análise ela visa alterar a propriedade dos meios de produção materiais. Ele disse:
“Até hoje, todas as revoluções têm sido contra um tipo de propriedade e em favor de outro; um tipo de propriedade não pode ser protegido sem que se lese outro. Na grande Revolução Francesa, a propriedade feudal foi sacrificada para que se salvasse a propriedade burguesa (…) desde a primeira até a última dessas chamadas revoluções políticas, todas elas se fizeram em defesa da propriedade, de um tipo de propriedade, e se realizaram por meio do confisco dos bens (dito de outro modo: do roubo) por outro tipo de propriedade.” (Engels, A Origem da Família, da Propriedade Privada e do Estado. Capítulo V. Gênese do Estado Ateniense).
Essas palavras clarificam o papel decisivo do tipo de propriedade dos meios de produção materiais no desenvolvimento da sociedade.
Portanto, Marx e Engels propuseram no Manifesto Comunista que “a revolução comunista é a ruptura mais radical com as relações de propriedade tradicionais.”
Lenin também enfatizou esse ponto: “A classe operária deve obter sua verdadeira libertação. A revolução social que deve ser produzida devido ao pleno desenvolvimento de modo de produção capitalista é eliminar a propriedade privada dos meios de produção e transformá-los em propriedade pública.” Eles sempre enfatizaram a questão da propriedade e enfatizaram a eliminação da propriedade privada. Subestimar essa questão é uma violação do Marxismo.
Sem dúvida, a eliminação da propriedade privada não pode ser alcançada do dia para a noite, devendo ser realizada gradualmente, na medida que as condições amadureçam.
Engels apontou em sua resposta para tal questão, que era impossível eliminar a propriedade privada de uma vez. “A propriedade privada só poderá ser abolida quando estiver criada a massa de meios de produção necessária para isso.”
De um modo geral, a revolução e construção socialista em países atrasados econômico e culturalmente, devido ao relativo baixo desenvolvimento das forças produtivas e o desenvolvimento desigual, determina que o setor privado também tem um efeito positivo no desenvolvimento da economia nacional, dentro de um certo escopo.
Na vida real, a propriedade privada não pode ser completamente eliminada e uma só propriedade pública estabelecida. A China encontra-se na fase primária do socialismo. A natureza e o nível de produtividade determinam que nós só podemos implementar o sistema econômico básico na qual a propriedade pública é o pilar da economia e múltiplas formas de propriedade se desenvolvem conjuntamente.
Nós devemos também encorajar, apoiar e guiar a economia privada. No entanto, devemos apontar que, primeiro, a existência e o desenvolvimento da propriedade privada não é porque a propriedade privada é relação de produção avançada, ou reflete a “natureza humana”, mas sim é algo determinado pelo atraso da produtividade.
Segundo, futuramente, com o desenvolvimento da produtividade, nós iremos eliminar completamente a propriedade privada.
Tal objetivo não pode ser ocultado.
O desenvolvimento da propriedade privada, para desenvolver a economia e criar condições para a ulterior eliminação da propriedade privada, faz parte da dialética da história. Aquele que esquece tal missão, não pode ser qualificado como comunista.
Atualmente, entorno da luta para desenvolver a propriedade pública e gradualmente eliminar a propriedade privada, focar em como lidar com a economia estatal
Desde a reforma e abertura, existe um intenso debate teórico e prático sobre aderir e desenvolver a propriedade pública ou enfraquecer a propriedade pública, promovendo a privatização. O foco do debate é sobre como tratar a economia estatal. Isso ocorre porque nas condições do socialismo, a economia estatal é a principal forma de propriedade pública.
Em 10 de outubro de 2016, o Secretário-Geral Xi Jinping pronunciou um importante discurso na Conferência Nacional sobre a Construção das Empresas Estatais. No começo do seu discurso, a seguinte questão foi levantada:
“Precisamos ou não das empresas estatais?” Ele respondeu: “Eu não levantei essa questão aleatoriamente, para causar alarmismo, mas esse é um problema muito sério que devemos enfrentar.”
Ele continuou:
“Sob a liderança do Partido Comunista da China e o sistema socialista chinês, as empresas estatais e a economia estatal devem continuar crescendo e se desenvolvendo. Isso é algo inquestionável, no entanto, por algum tempo, algumas pessoas na sociedade têm criado estranhas teorias sobre as empresas estatais, falando sobre o ‘monopólio das empresas estatais’, que ‘a existência das empresas estatais é insuportável’, advogando pela ‘privatização’. Várias forças hostis e algumas pessoas com motivações ocultas focam nas empresas estatais, atacando-as e difamando-as, proclamando que ‘as empresas estatais estão quebradas’. Afirmam que o ‘desmembramento’ é a melhor forma para reformar as empresas estatais. Essas pessoas são bastante conscientes da importância das empresas estatais para a governança de nosso partido, para nosso sistema socialista, promovendo assim a confusão na mente das pessoas. Alguns camaradas não possuem clareza em relação a essa questão. Nós devemos dominar as questões políticas. Nós não podemos achar que isso é a apenas uma questão de propriedade ou meramente econômica. Isso seria bastante ingênuo!”
Devemos ver o debate sobre as empresas estatais a partir de uma perspectiva política. As empresas estatais são o pilar do socialismo com características chinesas. Sem as empresas estatais, todo o sistema do socialismo com características chinesas entrará em colapso.
Desde a reforma e abertura, sempre há algum “economista famoso” que advoga a tese de que o socialismo com características chinesas não requer a economia estatal. Os argumentos não são os mesmos, mas a ponta de lança é bastante consistente: as reformas devem eliminar as empresas estatais.
A demonização das empresas estatais quase tornou-se a opinião pública dominante. Portanto, por um período de tempo, um furação que vendeu diversas empresas estatais foi causado, resultando em grandes perdas de ativos estatais.
Wu Jinglian (economista chinês) é talvez o mais determinado e radical a defender que o socialismo não requer empresas estatais. Partindo das posições do neoliberalismo, vê que as empresas estatais não são agradáveis aos olhos e devem ser completamente eliminadas. Na véspera da Terceira Sessão Plenária do 18. Comitê Central do Partido Comunista da China, ele comentou que a reforma da China estaria em sua pior época. Ele disse que depois de mais de 30 anos, o resultado foi a criação de um sistema misto. Do que esse sistema é formado? Além de não conseguir promover a mercantilização completa, algumas empresas estatais foram mantidas. Ele disse que, para avançar as reformas, é necessário cancelar a principal forma de propriedade pública: a economia estatal.
O mais odioso é que ele criou o rumor de que Deng Xiaoping considerava que o socialismo não requer empresas estatais.
Wu Jingliang afirmou em uma entrevista para o site Fenghuang.com, em 16 de outubro de 2016: “O socialismo não tem nada a ver com Estado ou não-Estado.” Por essa razão, fui checar as Obras Escolhidas de Deng Xiaoping. Não há nenhum tipo de afirmação desse tipo nas Obras de Deng Xiaoping.
Em agosto de 1985, quando falava sobre a necessidade de as reformas aderirem a direção do socialismo, Deng Xiaoping apontou: “O socialismo possui dois importantes aspectos: um é que ele está baseado na propriedade pública, outro é que ele se opõe a polarização. A propriedade pública, incluindo a propriedade de todo o povo e propriedade coletiva, agora representa mais de 90% da economia.”
Embora ele não fale diretamente sobre a economia estatal, todo mundo sabe que a propriedade de todo o povo é a economia estatal. O artigo 7º da Constituição da República Popular da China afirma: “A economia estatal é a economia sob propriedade de todo o povo.”
De acordo com as “Crónicas de Deng Xiaoping”, quando Deng Xiaoping revisava o relatório ao 14. Congresso Nacional do Partido Comunista da China, ele afirmou: “a economia socialista é dominada pela propriedade pública.” “A propriedade coletiva rural também faz parte do sistema de propriedade pública.”
Se você desaprova a economia estatal, dizendo que esse rumor é obra de Deng Xiaoping, a personalidade desprezível aqui é evidente.
Quando um diretor adjunto do Escritório Provincial de Estatística leu o relatório da Terceira Sessão Plenária do 18º Comitê Central, declarou publicamente que as empresas de propriedade estatal são realmente “monstruosas”, “os funcionários não são funcionários, as pessoas não são pessoas” e competem pelos recursos com as empresas privadas. Depois de tantos anos, o problema continua. Depois de anos de reformas, parece que as empresas estatais se reduziram, porém novas empresas estatais foram criadas continuamente e as empresas estatais originais continuam crescendo. Ele crê que as reformas da China devem aceitar os conselhos de Coase (Robert Coase, economista britânico neoliberal), eliminando completamente as empresas estatais e permitindo que as empresas privadas compitam livremente. Isso seria o “mais importante”. O ânimo para eliminar as empresas estatais vai além das palavras. Além disso, no contexto de resoluta crítica do governo central ao neoliberalismo, alçou as ideias de Coase como suas próprias. Sua o obstinação em realizar as reformas de acordo com o neoliberalismo não é pouca.
Outro “economista”, que uma vez desempenhou a função de subdiretor da Comissão Nacional de Reforma Econômica, disse que a economia estatal não é socialismo. Citou Engels, que uma vez disse que economia estatal não é socialismo. Se a economia estatal é socialismo, então Bismarck era socialista porque este defendia o monopólio estatal da produção de tabaco. Ele argumentou que considerar a economia estatal como socialismo era “falso socialismo”. Propôs uma nova definição de socialismo: “propriedade do povo, empreendoismo do povo e usufruto do povo.” Esses três novos princípios do povo seriam o socialismo. Também advogou pela eliminação da economia estatal e defendeu a privatização.
Aqui, se vê que ele distorceu abertamente o pensamento de Engels. O que Engels realmente quis dizer é que nem toda nacionalização é socialismo e que a natureza da economia estatal depende da natureza do Estado.
Isto faz todo o sentido.
A economia estatal existiu também na antiguidade. Na antiguidade, as minas de ferro e sal pertenciam ao Estado e aos oficiais da dinastia Han, estando a serviço da classe latifundiária, possuindo um caráter feudal. O Estado da sociedade capitalista é totalmente capitalista. A nacionalização, no capitalismo, não altera os atributos capitalistas da economia estatal, assim como não altera as relações de exploração dos trabalhadores. No capitalismo a economia estatal possui um caráter capitalista.
Nos países socialistas, o Estado de ditadura do proletariado representa os interesses de todos os trabalhadores, domina a propriedade dos meios de produção e utiliza esses meios de produção em benefício do povo. Assim, a propriedade estatal é a propriedade de todo o povo e representa o socialismo.
O “economista” criou um paradoxo para criar um pretexto para promover a privatização, ao distorcer a intenção original de Engels. Suas intenções são extremamente sinistras.
A sociedade socialista deve controlar os meios de produção e estabelecer a economia estatal mediante a ditadura do proletariado, como propuseram Marx e Engels. Como mencionado anteriormente, de acordo com Marx e Engels, as relações de produção devem estar de acordo com a natureza da produtividade, propondo que a eliminação da propriedade privada e o estabelecimento da propriedade pública são uma necessidade objetiva.
Então, que forma adota a propriedade pública socialista dos meios materiais de produção? No socialismo, que organização pode representar toda a sociedade e possuir os meios de produção, regulando o funcionamento de toda a economia nacional? Está claro que somente em um país de ditadura do proletariado.
Isso se deve ao fato de que a ditadura do proletariado representa os interesses fundamentais de todos os trabalhadores, sendo a representação geral de toda classe operária.
Portanto, no Manifesto Comunista, Marx e Engels afirmaram que o proletariado, depois de tomar o poder político “vai usar seu predomínio político para retirar, aos poucos, todo o capital da burguesia, para concentrar todos os instrumentos de produção nas mãos do Estado – quer dizer, do proletariado organizado como classe dominante”.
O estabelecimento da propriedade estatal em uma sociedade socialista é objetivamente inevitável. Todos os países socialistas definiram a propriedade estatal como forma principal da propriedade socialista dos meios de produção, depois da vitória da revolução. Defender a eliminação das empresas estatais é uma violação dos princípios básicos do Marxismo e também uma violação das leis do desenvolvimento social.
É uma ação e comportamento que se move contra a tendência da história.
O desenvolvimento comum de múltiplos componentes econômicos é um fenômeno especial da etapa primária do socialismo que não pode ser eternizado
Frequentemente algumas pessoas consideram que o apoio e orientação para o desenvolvimento de múltiplas formas de propriedade e o desenvolvimento da economia privada, significa que o socialismo seja uma sociedade com múltiplas formas de propriedade e a propriedade privada não deve ser eliminada.
A base econômica do sistema socialista é a propriedade pública e está escrita na constituição de nosso país. A China agora adota a propriedade pública como pilar, sendo o desenvolvimento das múltiplas formas de propriedade um fenômeno peculiar na etapa primária do socialismo.
Leiamos as resoluções do 13. Congresso do Partido Comunista da China, que fez a afirmação de que a China ainda está na etapa primária do socialismo.
A resolução afirmou que a China estabeleceu o sistema socialista, sob a base do semifeudalismo e semicolonialismo e sua economia e cultura é relativamente atrasada.
Isso exige um longo período histórico para a realização da industrialização e socialização, que outros países conquistaram sob condições capitalistas. A China está ainda na etapa primária do socialismo. Sua produtividade ainda é atrasada e o seu desenvolvimento não é balanceado.
A produtividade social, exigida para o estabelecimento da propriedade pública dos meios de produção, ainda não está disponível em muitas regiões e departamentos. Portanto, nós não podemos implementar um único sistema de propriedade pública; nós também precisamos da economia não-pública como complemento da economia socialista.
A propriedade pública, como coluna vertebral da economia e múltiplas formas de propriedade se desenvolvendo conjuntamente, constituem o sistema econômico básico do sistema econômico na primeira etapa do socialismo.
A propriedade pública é o esteio e as múltiplas formas de propriedade se desenvolvem juntas, que é o sistema econômico básico no estágio primário do socialismo. Pode-se ver que a existência da propriedade privada é uma característica do estágio primário do socialismo e não uma característica geral do socialismo. O socialismo é eliminação da propriedade privada e não pode consolidar e perpetuar o fenômeno especial da etapa primária do socialismo. Pode ser dito que a existência da propriedade privada é uma característica da primeira etapa do socialismo, não uma característica geral do socialismo.
A etapa primária do socialismo se caracteriza pelo fato de que, em sua estrutura de propriedade, a propriedade pública é a coluna vertebral da economia e múltiplas formas de propriedade se desenvolvem conjuntamente. Existe tanto a propriedade pública e a propriedade privada capitalista, capital estrangeiro.
No campo da distribuição, existe tanto a distribuição de acordo com o trabalho (que é o principal), determinado pela propriedade pública, como a distribuição de fatores determinados pela propriedade privada (que é secundário).
Portanto, também existe exploração dentro de uma certa escala. Esses dois fatores coexistem e convivem em conflito.
A etapa primária do socialismo não é uma forma econômica e social estável, mas uma sociedade em transição. O desenvolvimento do estágio primário do socialismo tem duas direções e dois futuros.
O primeiro é que, com o desenvolvimento das forças produtivas, com o aumento do grau de socialização da produção, os fatores socialistas irão se desenvolver continuamente e gradualmente evoluirão para um estágio mais elevado do socialismo, chegando finalmente ao comunismo.
A outra direção é a do retorno ao capitalismo. Aqui está o fator decisivo da questão. A chave é como nós trabalhamos. Se a ideia de erradicar a propriedade estatal e promover a privatização for colocada em prática, o cenário de retorno ao capitalismo é inteiramente possível.
Esse é um perigo real, que tem seus precedentes na história do movimento comunista internacional. A etapa primária do socialismo não é algo estático, mas sempre está em mudança e não pode ter uma vida longa.
Na etapa primária do socialismo, que está cheia de contradições e lutas, a importância de ideais e crenças é completamente demonstrada. “O ideal revolucionário é mais alto que o céu.”
Nós devemos reforçar nossa convicção Marxista e ter em mente o ideal comunista. O comunismo é um grande ideal, uma coisa do futuro, mas também uma realidade. Nós devemos unir nosso programa básico, com o nosso programa mais elevado. Cada medida que nós tomamos nas atuais circunstâncias, devem ser um passo em direção ao comunismo. Não esquecer a realização da missão original do comunismo, ter em mente a eliminação da propriedade privada e trabalhar de maneira realista.
Dessa forma, a solene declaração de “eliminar a propriedade privada” do Manifesto do Partido Comunista certamente se realizará.
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2020.04.02 01:03 capybaranaranja Como o mundo cuidará da pandemia de coronavírus A pandemia mudará o mundo para sempre: Pedimos a 12 principais pensadores globais suas previsões. Foreign Policy

*Esse post é o artigo completo da revista Foreign Policy, que serviu de inspiração essa análise em vídeo do Meteoro Brasil, "O Mundo Depois da Crise". (que serve como TL;DR)
Como a queda do Muro de Berlim ou o colapso do Lehman Brothers, a pandemia de coronavírus é um evento de abalar o mundo cujas conseqüências de longo alcance só podemos começar a imaginar hoje.
Isso é certo: assim como esta doença destruiu vidas, perturbou mercados e expôs a competência (ou a falta dela) dos governos, ela levará a mudanças permanentes no poder político e econômico de maneiras que se tornarão aparentes apenas mais tarde.
Para nos ajudar a entender o terreno mudando sob nossos pés à medida que a crise se desenrola, a Política Externa pediu a 12 principais pensadores de todo o mundo que avaliassem suas previsões para a ordem global após a pandemia.
Um mundo menos aberto, próspero e livre
de Stephen M. Walt
A pandemia fortalecerá o estado e reforçará o nacionalismo. Governos de todos os tipos adotarão medidas emergenciais para administrar a crise, e muitos relutarão em renunciar a esses novos poderes quando a crise terminar.
O COVID-19 também acelerará a mudança de poder e influência do Ocidente para o Oriente. A Coréia do Sul e Cingapura responderam melhor e a China reagiu bem após seus erros iniciais. A resposta na Europa e na América tem sido lenta e aleatória em comparação, manchando ainda mais a aura da "marca" ocidental.
O que não vai mudar é a natureza fundamentalmente conflituosa da política mundial. Pragas anteriores não acabaram com a rivalidade das grandes potências nem deram início a uma nova era de cooperação global. Pragas anteriores - incluindo a epidemia de gripe de 1918-1919 - não acabaram com a rivalidade das grandes potências nem deram início a uma nova era de cooperação global. Nem COVID-19. Veremos um recuo adicional da hiperglobalização, à medida que os cidadãos buscam os governos nacionais para protegê-los e enquanto estados e empresas buscam reduzir futuras vulnerabilidades.
Em resumo, o COVID-19 criará um mundo menos aberto, menos próspero e menos livre. Não precisava ser assim, mas a combinação de um vírus mortal, planejamento inadequado e liderança incompetente colocou a humanidade em um caminho novo e preocupante.
O fim da globalização como a conhecemos
por Robin Niblett
A pandemia de coronavírus pode ser a palha que quebra as costas do camelo na globalização econômica.
O crescente poder econômico e militar da China já havia provocado uma determinação bipartidária nos Estados Unidos de separar a China da alta tecnologia e propriedade intelectual de origem americana e tentar forçar os aliados a seguir o exemplo. O aumento da pressão pública e política para cumprir as metas de redução de emissões de carbono já havia questionado a dependência de muitas empresas de cadeias de suprimentos de longa distância. Agora, o COVID-19 está forçando governos, empresas e sociedades a fortalecer sua capacidade de lidar com longos períodos de auto-isolamento econômico.
Parece altamente improvável, neste contexto, que o mundo retorne à idéia de globalização mutuamente benéfica que definiu o início do século XXI. E sem o incentivo para proteger os ganhos compartilhados da integração econômica global, a arquitetura da governança econômica global estabelecida no século 20 se atrofiará rapidamente. Será necessária uma enorme autodisciplina para os líderes políticos sustentarem a cooperação internacional e não recuarem para uma competição geopolítica aberta.
Provar aos cidadãos que eles podem administrar a crise do COVID-19 comprará aos líderes algum capital político. Mas aqueles que falham terão dificuldade em resistir à tentação de culpar os outros por seu fracasso.
Uma globalização mais centrada na China
por Kishore Mahbubani
A pandemia do COVID-19 não alterará fundamentalmente as direções econômicas globais. Isso apenas acelerará uma mudança que já havia começado: uma mudança da globalização centrada nos EUA para uma globalização mais centrada na China.
Isso apenas acelerará uma mudança que já havia começado: uma mudança da globalização centrada nos EUA para uma globalização mais centrada na China.
Por que essa tendência continuará? A população americana perdeu a fé na globalização e no comércio internacional. Os acordos de livre comércio são tóxicos, com ou sem o presidente dos EUA, Donald Trump. Por outro lado, a China não perdeu a fé. Por que não? Existem razões históricas mais profundas. Os líderes chineses agora sabem bem que o século de humilhação da China de 1842 a 1949 foi resultado de sua própria complacência e de um esforço fútil de seus líderes para separá-lo do mundo. Por outro lado, as últimas décadas de ressurgimento econômico foram resultado do engajamento global. O povo chinês também experimentou uma explosão de confiança cultural. Eles acreditam que podem competir em qualquer lugar.
Consequentemente, ao documentar em meu novo livro, Has Won China ?, os Estados Unidos têm duas opções. Se seu objetivo principal é manter a primazia global, ele terá que se envolver em uma disputa geopolítica de soma zero, política e economicamente, com a China. No entanto, se o objetivo dos Estados Unidos é melhorar o bem-estar do povo americano - cuja condição social se deteriorou -, ele deve cooperar com a China. Um conselho mais sábio sugeriria que a cooperação seria a melhor escolha. No entanto, dado o ambiente político tóxico dos EUA em relação à China, conselhos mais sábios podem não prevalecer.
Democracias sairão da sua concha
por G. John Ikenberry
No curto prazo, a crise dará combustível a todos os campos do grande debate sobre estratégia ocidental. Os nacionalistas e anti-globalistas, os falcões da China e até os internacionalistas liberais verão novos indícios da urgência de seus pontos de vista. Dado o dano econômico e o colapso social que está se desenrolando, é difícil ver algo além de um reforço do movimento em direção ao nacionalismo, rivalidade entre grandes potências, dissociação estratégica e coisas do gênero.
Assim como nas décadas de 30 e 40, também pode haver uma contracorrente de evolução mais lenta. Mas, como nas décadas de 30 e 40, também pode haver uma contracorrente de evolução mais lenta, uma espécie de internacionalismo obstinado semelhante ao que Franklin D. Roosevelt e alguns outros estadistas começaram a se articular antes e durante a guerra. O colapso da economia mundial na década de 1930 mostrou como as sociedades modernas estavam conectadas e quão vulneráveis ​​eram ao que FDR chamava de contágio. Os Estados Unidos foram menos ameaçados por outras grandes potências do que pelas forças profundas - e pelo caráter do Dr. Jekyll e Hyde - da modernidade. O que FDR e outros internacionalistas conjuraram foi uma ordem do pós-guerra que reconstruiria um sistema aberto com novas formas de proteção e capacidades para gerenciar a interdependência. Os Estados Unidos não podiam simplesmente se esconder dentro de suas fronteiras, mas para operar em uma ordem aberta do pós-guerra exigia a construção de uma infraestrutura global de cooperação multilateral.
Assim, os Estados Unidos e outras democracias ocidentais podem viajar por essa mesma sequência de reações impulsionadas por um sentimento em cascata de vulnerabilidade; a resposta pode ser mais nacionalista a princípio, mas, a longo prazo, as democracias sairão de suas conchas para encontrar um novo tipo de internacionalismo pragmático e protetor.
Lucros mais baixos, mas mais estabilidade
de Shannon K. O’Neil
O COVID-19 está minando os princípios básicos da fabricação global. As empresas agora repensam e encolhem as cadeias de suprimentos multipasso e multinacionais que dominam a produção atualmente.
As cadeias de suprimentos globais já estavam sendo atacadas econômica e politicamente. As cadeias de suprimentos globais já estavam sendo afetadas - economicamente, devido ao aumento dos custos trabalhistas chineses, à guerra comercial do presidente dos EUA, Donald Trump, e aos avanços em robótica, automação e impressão 3D, e também politicamente, devido a perdas reais e percebidas de empregos, especialmente em economias maduras. O COVID-19 agora quebrou muitos desses vínculos: o fechamento de fábricas em áreas afetadas deixou outros fabricantes - assim como hospitais, farmácias, supermercados e lojas de varejo - desprovidos de estoques e produtos.
Do outro lado da pandemia, mais empresas exigirão saber mais sobre a origem de seus suprimentos e trocarão a eficiência por redundância. Os governos também intervirão, forçando o que consideram indústrias estratégicas a ter planos e reservas de backup doméstico. A lucratividade cairá, mas a estabilidade da oferta deverá aumentar.
Esta pandemia pode servir a um propósito útil
por Shivshankar Menon
Ainda é cedo, mas três coisas parecem aparentes. Primeiro, a pandemia de coronavírus mudará nossa política, tanto dentro dos estados quanto entre eles. É ao poder do governo que as sociedades - mesmo os libertários - se voltam. O relativo sucesso do governo em superar a pandemia e seus efeitos econômicos exacerbará ou diminuirá os problemas de segurança e a recente polarização nas sociedades. De qualquer maneira, o governo está de volta. A experiência até agora mostra que os autoritários ou populistas não são melhores em lidar com a pandemia. De fato, os países que responderam cedo e com sucesso, como Coréia e Taiwan, foram democracias - não aqueles dirigidos por líderes populistas ou autoritários.
Este ainda não é o fim de um mundo interconectado. A própria pandemia é prova de nossa interdependência.
Em segundo lugar, ainda não é o fim de um mundo interconectado. A própria pandemia é prova de nossa interdependência. Mas em todas as políticas, já existe uma virada para dentro, uma busca por autonomia e controle do próprio destino. Estamos caminhando para um mundo mais pobre, mais cruel e menor.
Finalmente, há sinais de esperança e bom senso. A Índia tomou a iniciativa de convocar uma videoconferência de todos os líderes do sul da Ásia para criar uma resposta regional comum à ameaça. Se a pandemia nos levar a reconhecer nosso interesse real em cooperar multilateralmente nos grandes problemas globais que enfrentamos, ela terá servido a um propósito útil.
O poder americano precisará de uma nova estratégia
por Joseph S. Nye, Jr.
Em 2017, o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou uma nova estratégia de segurança nacional que se concentra na competição por grandes potências. O COVID-19 mostra que essa estratégia é inadequada. Mesmo se os Estados Unidos prevalecerem como uma grande potência, não poderão proteger sua segurança agindo sozinhos.
Como Richard Danzig resumiu o problema em 2018: “As tecnologias do século XXI são globais não apenas em sua distribuição, mas também em suas conseqüências. Patógenos, sistemas de IA, vírus de computador e radiação que outros podem acidentalmente liberar podem se tornar tanto o nosso problema quanto o deles. Sistemas de relatórios acordados, controles compartilhados, planos de contingência comuns, normas e tratados devem ser adotados como meio de moderar nossos numerosos riscos mútuos. ”
Sobre ameaças transnacionais como o COVID-19 e as mudanças climáticas, não basta pensar no poder americano sobre outras nações. A chave do sucesso também é aprender a importância do poder com os outros. Todo país coloca seu interesse nacional em primeiro lugar; a questão importante é quão amplo ou estreitamente esse interesse é definido. O COVID-19 mostra que estamos falhando em ajustar nossa estratégia para este novo mundo.
A história do COVID-19 será escrita pelos vencedores
por John Allen
Como sempre foi, a história será escrita pelos “vencedores” da crise do COVID-19. Toda nação, e cada vez mais todo indivíduo, está experimentando a tensão social desta doença de maneiras novas e poderosas. Inevitavelmente, os países que perseverarem - tanto em virtude de seus sistemas políticos e econômicos únicos, quanto na perspectiva da saúde pública - terão sucesso sobre aqueles que experimentam um resultado diferente e mais devastador. Para alguns, isso parecerá um grande e definitivo triunfo para a democracia, o multilateralismo e o atendimento universal à saúde. Para outros, mostrará os "benefícios" claros de um governo autoritário decisivo. Para alguns, isso parecerá um grande e definitivo triunfo para a democracia. Para outros, mostrará os "benefícios" claros do regime autoritário.
De qualquer maneira, essa crise irá reorganizar a estrutura internacional de poder de maneiras que apenas podemos começar a imaginar. O COVID-19 continuará deprimindo a atividade econômica e aumentando a tensão entre os países. A longo prazo, a pandemia provavelmente reduzirá significativamente a capacidade produtiva da economia global, especialmente se as empresas fecharem e os indivíduos se separarem da força de trabalho. Esse risco de deslocamento é especialmente grande para os países em desenvolvimento e outros com uma grande parcela de trabalhadores economicamente vulneráveis. O sistema internacional, por sua vez, sofrerá grande pressão, resultando em instabilidade e conflito generalizado dentro e entre países.
Uma nova etapa dramática no capitalismo global
por Laurie Garrett
O choque fundamental para o sistema financeiro e econômico do mundo é o reconhecimento de que as cadeias de suprimentos e redes de distribuição globais são profundamente vulneráveis ​​a interrupções. A pandemia de coronavírus, portanto, não só terá efeitos econômicos duradouros, como também levará a uma mudança mais fundamental.
A globalização permitiu que as empresas cultivassem manufaturas em todo o mundo e entregassem seus produtos no mercado just-in-time, evitando os custos de armazenagem. Os estoques que ficavam nas prateleiras por mais de alguns dias eram considerados falhas de mercado. O suprimento precisava ser adquirido e enviado em um nível global cuidadosamente orquestrado. O COVID-19 provou que os patógenos podem não apenas infectar as pessoas, mas envenenar todo o sistema just-in-time.
Dada a escala de perdas do mercado financeiro que o mundo experimentou desde fevereiro, é provável que as empresas saiam dessa pandemia decididamente envergonhada pelo modelo just-in-time e pela produção globalmente dispersa. O resultado pode ser um novo estágio dramático no capitalismo global, no qual as cadeias de suprimentos são trazidas para mais perto de casa e preenchidas com redundâncias para proteger contra interrupções futuras. Isso pode reduzir os lucros de curto prazo das empresas, mas tornar todo o sistema mais resistente.
Estados mais falidos
por Richard N. Haass
Permanente não é uma palavra de que gosto, como pouco ou nada, mas acho que a crise do coronavírus levará, pelo menos por alguns anos, a maioria dos governos a se voltar para dentro, concentrando-se no que ocorre dentro de suas fronteiras e não sobre o que acontece além deles. Prevejo maiores movimentos em direção à auto-suficiência seletiva (e, como resultado, dissociação), dada a vulnerabilidade da cadeia de suprimentos; oposição ainda maior à imigração em larga escala; e uma disposição ou compromisso reduzidos para enfrentar problemas regionais ou globais (incluindo as mudanças climáticas), dada a necessidade percebida de dedicar recursos para reconstruir em casa e lidar com as conseqüências econômicas da crise. Muitos países terão dificuldade em se recuperar, com a fraqueza do Estado e Estados falidos se tornam ainda mais prevalentes.
Eu esperaria que muitos países tenham dificuldade em se recuperar da crise, com a fraqueza do estado e os estados falidos se tornando uma característica ainda mais prevalente no mundo. A crise provavelmente contribuirá para a contínua deterioração das relações sino-americanas e o enfraquecimento da integração européia. Do lado positivo, devemos ver um fortalecimento modesto da governança global da saúde pública. Mas, no geral, uma crise enraizada na globalização enfraquecerá ao invés de aumentar a vontade e a capacidade do mundo de lidar com ela.
Os Estados Unidos falharam no teste de liderança
por Kori Schake
Os Estados Unidos não serão mais vistos como um líder internacional. Os Estados Unidos não serão mais vistos como um líder internacional devido ao estreito interesse próprio de seu governo e à incompetência confusa. Os efeitos globais dessa pandemia poderiam ter sido bastante atenuados se as organizações internacionais fornecessem mais e mais informações anteriores, o que daria aos governos tempo para preparar e direcionar recursos para onde eles são mais necessários. Isso é algo que os Estados Unidos poderiam ter organizado, mostrando que, embora seja de interesse próprio, não é apenas de interesse próprio. Washington falhou no teste de liderança e o mundo está em pior situação.
Em todos os países, vemos o poder do espírito humano
de Nicholas Burns
A pandemia do COVID-19 é a maior crise global deste século. Sua profundidade e escala são enormes. A crise da saúde pública ameaça cada uma das 7,8 bilhões de pessoas na Terra. A crise financeira e econômica poderia exceder em seu impacto a grande recessão de 2008-2009. Cada crise sozinha poderia causar um choque sísmico que muda permanentemente o sistema internacional e o equilíbrio de poder como o conhecemos. Isso dá esperança de que homens e mulheres em todo o mundo possam prevalecer em resposta a esse desafio extraordinário.
Até o momento, a colaboração internacional tem sido lamentavelmente insuficiente. Se os Estados Unidos e a China, os países mais poderosos do mundo, não puderem deixar de lado sua guerra de palavras sobre qual deles é responsável pela crise e liderar com mais eficácia, a credibilidade de ambos os países poderá diminuir significativamente. Se a União Europeia não puder fornecer assistência mais direcionada a seus 500 milhões de cidadãos, os governos nacionais poderão recuperar mais poder de Bruxelas no futuro. Nos Estados Unidos, o que está mais em jogo é a capacidade do governo federal de fornecer medidas eficazes para conter a crise.
Em todos os países, no entanto, existem muitos exemplos do poder do espírito humano - de médicos, enfermeiros, líderes políticos e cidadãos comuns demonstrando resiliência, eficácia e liderança. Isso fornece esperança de que homens e mulheres em todo o mundo possam prevalecer em resposta a esse desafio extraordinário.
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2020.03.24 05:59 hebreubolado Crítica de "Mogli - O Menino Lobo" (2016) do John Favreau.

Os Livros da Selva é uma coletânea de contos do universo criado por Rudyard Kipling (1865–1936). Os dois Livros somam o total de quinze contos. Este filme adapta (ou ao menos tenta adaptar) de uma forma bastante recortada alguns contos que têm Mowgli como protagonista (importante ressalvar que não são todos os contos de Os Livros da Selva que têm o menino lobo como protagonista, alguns sequer se passam na Selva, ex: A Foca Branca, conto de número 4 na edição Clássicos da Zahar). Eu percebi inspirações no conto “Os irmãos de Mowgli”, o primeiro do universo do Kipling, “A Caçada de Kaa”, que narra o sequestro de Mowgli pelo Bandar-logo, o Povo Macaco, e “Como surgiu o Medo”, o conto mais mitológico em minha opinião, que narra o período de seca da Selva que os animais chamam de Trégua da Água. Em minha crítica, irei estabelecer algumas comparações do filme com a obra original do Kipling com objetivo de defender a opinião de que: enquanto um filme de animação, é um filme muito bem produzido, dirigido e criado, porém, enquanto adaptação cinematográfica de uma obra literária, deixou tanto a desejar, de tal forma que me faz acreditar que trata-se mais de uma adaptação da animação da própria Disney de 1967 do Wolfgang Reitherman do que uma adaptação da obra de Kipling, como veremos mais à frente. Para estabelecer essas comparações, utilizarei o meu exemplar de Os Livros da Selva: contos de Mowgli e outras histórias, da editora Zahar, publicado no ano de 2016, traduzido por Alexandre Barbosa de Souza.
Nota IMPORTANTÍSSIMA: compreendo e sou da opinião de que cinema e literatura são artes distintas e que possuem linguagens diferentes; também concordo que nenhuma adaptação é 100% fiel à obra literária, nem mesmo o tão renomado O Senhor dos Anéis; porém, quando usa-se o nome de um autor como fonte e principalmente sua obra como inspiração, é necessário o devido respeito à propriedade intelectual e criadora, não somente por questões jurídicas, mas por questões éticas. Sob esta premissa, vamos às comparações.
ATENÇÃO: Como trata-se de uma análise do filme, recomendo que a crítica seja lida somente por pessoas que já assistiram o filme. Se você também leu o livro e é um admirador da obra do Kipling e do que ela representa, será uma leitura ainda mais profunda.
O filme tem uma animação muito bonita; não entendo de cinema em termos técnicos, mas sem dúvidas trata-se de uma película bastante agradável de se assistir. Fora a animação de altíssima qualidade, as cores, personagens e músicas fazem do filme bastante agradável de se ver e rápido de assistir também. Incomoda-me em um filme que possui uma proposta infantil (a recomendação aqui no Brasil é para maiores de 10 anos de idade) hajam os famigerados Jump-scare. Imagine você sentado na sala assistindo com seu filho uma cena do Mowgli em um pasto verde e calmo e de repente BAM! Um tigre salta de trás da tela rugindo e fazendo um estardalhaço enorme. O recurso de jump-scare é, até mesmo em filmes adultos como no gênero de terror e suspense, considerado um recurso de baixa qualidade e previsível. Contei ao todo dois jump-scares no filme.
Em uma das primeiras cenas do filme vemos Mowgli, já na idade de menino (idade esta que permanece durante todo o filme. No último conto do Kipling, “A Corrida da Primavera”, ele já possui dezessete anos), assistindo uma assembléia dos lobos, que discutem se sua presença na alcateia deve ou não ser tolerada. Aqui já podemos perceber uma mudança drástica na história original: nos livros, Mowgli simplesmente aparece onde a alcateia Seonee vive, não levado por Bagheera como no filme retrata um pouco mais a frente. Akela e o lobo que criou Mowgli são dois lobos diferentes, não o mesmo: este último aparece nos contos com o nome de Pai Lobo apenas. Akela em hindi significa solteiro, solitário, o que não faz sentido colocá-lo como pai de Mowgli e dono de uma família. A intimidação do tigre Shere Khan provoca aos lobos foge do nosso autor britânico da mesma forma: enquanto que no filme o tigre não apenas mata Akela com um único golpe mas domina toda o bando, nos livros ele é intimidado pelos caninos.
“[…] Shere Khan talvez tivesse enfrentado Pai Lobo, mas não desafiaria Mãe Loba, pois sabia que, ali onde estava, ela tinha a vantagem do terreno e lutaria até a morte. Por isso voltou atrás, rosnando ao deixar a boca da caverna […]” (KIPLING, p. 33).
Bagheera e Shere Khan travam uma batalha durante a escolta de Mowgli em retorno para a vila dos homens; nos livros, essa luta nunca aconteceu.
Ao encontrar com os elefantes, a pantera negra pede para que Mowgli se ajoelhe e o informa da importância desses terríveis elefantídeos na criação e manutenção da Selva. Esse aspecto deve ser parabenizado por ter sido incorporado no filme: Kipling retratou os elefantes como a força criadora da Selva, e sendo Hathi, O Silencioso, o mais antigo deles. Embora a curtíssima cena tenha deixado implícito a importância dos elefantes, senti falta do personagem de Hathi, que é de suma importância em todos os contos que ocorrem na Selva.
“[…] Quando Hathi, o elefante selvagem, que vive cem anos ou mais, viu uma longa e esguia faixa de rocha seca bem no meio do rio, entendeu que estava olhando para a Pedra da Paz e, na mesma hora, ergueu sua tromba e proclamou a Trégua da Água, como seu pai antes dele havia proclamado cinquenta anos atrás.” (KIPLING, p. 185).
“[…] Shere Khan foi embora sem ousar rosnar, pois sabia, assim como todo mundo, que, no final das contas, Hathi é o Senhor da Selva” (KIPLING, p. 191)”.
O antagonismo inexistente de Kaa: a temível Píton é apresentada no filme como uma vilã que, após revelar a história de Mowgli para ele, tenta devorá-lo. Este personagem também foi desconstruído e teve sua personalidade alterada, assim como vários outros, que comentarei mais à frente. Nos livros, a píton é vista como um animal sábio e astuto, mas que respeita Mowgli como o Senhor da Selva que ele se tornou. A primeira vez que ele é mencionado na obra é no conto “A Caçada de Kaa”, aquele citado mais acima, que retrata o sequestro de Mowgli. Percebendo sua incapacidade de perseguir o Bandar-Log, o Povo Macaco, Baloo e Bagheera decidem pedir ajuda à píton em troca de alguns cabritos. Após relembrar Kaa de que o Bandar-log costumava chamá-lo de perneta, minhoca amarela, a pantera e o urso acabam convencendo a píton a se unir à eles na caçada aos macacos para resgatar Mowgli. O antagonismo de Kaa no filme pode ter várias explicações (que infelizmente só nos seriam acessível diretamente pelo diretor ou roteirista), porém, me parece que colocar uma cobra como vilã é um reforço de um esteriótipo medíocre. A cobra malvada. Não, sr. Favreau, isto não existe no universo de Kipling. Muito embora astuto e um caçador destemível, Kaa não apenas ajuda nesse conto em específico como também em “Cão Vermelho”, quando auxilia Mowgli na batalha contra dos lobos contra os cães vermelhos, chamados de dholes (inclusive, é nesse conto que Akela morre devido à feridas causadas na batalha contra os dholes, diferentemente da sua morte estúpida no filme com uma só mordida de Shere Khan, o que nos demonstra uma ideia bastante frágil de um lobo alfa que deveria estar a frente de sua alcateia e portanto, se o mais forte entre todos os lobos. Akela morre com pelos brancos como neve, ressaltando sua idade avançadíssima). Neste conto, Kaa fornece a Mowgli ideias de como combater e sair em vantagem contra os dholes, além de protegê-lo no rio durante o seu percurso e ser também ativo no plano de Mowgli para emboscar os dholes na toca das abelhas, etc etc.
Nem é preciso informar que não, Baloo não salvou Mowgli de ser comido por Kaa em Os Livros da Selva. Ainda no primeiro conto, “Os irmãos de Mowgli”, o Conselho da Alcateia está decidindo o destino do filhote de homem. A Lei da Selva, código de ética e moral que rege a todos os povos livres com exceção do Bandar-log, intercede a favor de Mowgli:
“Pois bem, a Lei da Selva dispõe que, em caso de disputa do direito sobre um filhote a ser aceito pela alcateia, pelo menos dois membros, além do pai e da mãe, devem interceder ao seu favor.” (KIPLING, p. 35). Adivinhe quem fala por Mowgli além dos seus pais lobos? Isso mesmo. O velho Baloo, encarregado de ensinar a Lei da Selva para os filhotes, fala em nome do menino. Sendo assim, falta apenas mais um voto. Baloo era o único fora da alcateia que tinha direito de falar no Conselho; sendo assim, restava convencer um lobo entre a alcateia para que Mowgli fosse aceito.
Porém, não foi isso que aconteceu: Bagheera intercede e, não podendo votar por não ser parte da Alcateia Seonee, argumenta em cima da Lei da Selva:
“ — Ó Akela, ó Povo Livre — ronronou -, não tenho voto na assembléia de vocês, mas a Lei da Selva diz que, não se tratando de um caso de morte, se existe uma dúvida quanto a um novo filhote, a vida dele pode ser comprada por um certo preço. E a lei não diz nada sobre quem pode ou não pagar esse preço. Estou certo?
[…] — Agora, além do voto de Baloo, acrescento um touro, e um bem gordo, que acabei de matar a menos de um quilômetro daqui, para que o filhote de homem seja aceito de acordo com a lei. Seria possível?” (KIPLING, p. 35–36). Oferta esta que o Povo Livre aceitou prontamente. Concluímos, portanto, que Baloo não apenas conheceu Mowgli desde sua chegada na Alcateia Seonee, mas foi o responsável, junto com Bagheera, por sua aceitação na alcateia. Esta alteração no roteiro do filme pode ser explicada pelo fato de que a linguagem do cinema requer algo mais dinâmico e rápido que os detalhes da literatura. Foi a forma do Favreau contar como Mowgli chegou na Selva e introduzir Baloo no filme, dois coelhos em uma cajadada só, como dizem por aí.
“E foi assim que Mowgli entrou para a Alcateia dos Lobos de Seeonee, ai preço de um touro e graças às palavras favoráveis de Baloo.” (KIPLING, p. 37) A ausência nos filmes desse aspecto da história faz com que a obra tenha um déficit e deixe de retratar uma parte bastante importante nos contos de Kipling: as reflexões filosóficas por trás do conto, tais como: o valor de uma vida entre os lobos, o conceito de moralidade (certo e errado), o valor de um homem, a questão da Lei da Selva sendo usada na prática (o que no filme não passa de uns versos engraçados que são recitados em uma decoreba), etc.
A mudança da personalidade de Baloo no filme é o que mais me irrita nessa adaptação: nos contos de Kipling, Baloo é o professor da lei da selva, como citei mais acima, e no filme, quando ele pergunta a Mowgli se os lobos cantam, o menino responde negativamente e recita para ele a Lei da Selva (dialogo que acontece no minuto 40 do filme, aproximadamente) , Baloo responde “Aí, isso não é uma canção. É um monte de regra!” FAVREAU, AMADO??
Transformar o professor da Lei em um urso trapalhão reforça o fato de o filme ser uma adaptação do filme da Disney, como citei mais acima, e acabou empobrecendo o roteiro no que diz respeito aos conceitos profundíssimos que Kipling introduz através de Baloo, desde a importância da sociedade e união (no conto “A Caçada de Kaa”), as lições que acompanharam a educação do garoto desde que ele tinha entre onze e quinze anos e até mesmo os detalhes da própria Lei da Selva, que no filme os lobos simplesmente recitam aos quatro ventos, e nos contos é aprendida desde filhotinhos pela boca do próprio Baloo.
No conto “Tigre! Tigre!”, após Mowgli decidir sair da alcateia e ir para a vila dos homens, realmente Shere Khan influencia os filhotes e habita a Pedra do Conselho, como mostrado no filme, mas esse reinado sobre os lobos dura apenas algumas páginas, ao passo de que quando Mowgli retorna para a Selva (a sua estadia na vila dos homens também foi omitida no filme), acaba dando um jeito no tigre, mas isso trataremos mais a frente.
A cena de Mowgli salvando o filhote de elefante também não existe nos contos. Também me incomoda a incapacidade de falar dos elefantes, visto que todo bicho na selva, na obra de Kipling, tem essa capacidade. Os elefantes são inteligentes como todos os outros e seu líder, Hathi, como já dito mais acima, não apenas era o mais inteligente de todos, mas o verdadeiro Senhor da Selva e criador da própria.
As engenhocas de Mowgli realmente são importantes nos contos, como no filme mostra, mas a motivação do sequestro não foi a Flor Vermelha, tão desejada pelo Rei Louie. Essa cena é tão distante da obra e das intenções do Kipling que merece, mais que todas as outras, ser tratada com mais detalhes:
Primeiro, O REI LOUIE NÃO EXISTE! Uma das características mais importantes do Bandar-log é sua incapacidade de ser organizados socialmente, por isso não têm líder. No filme, criar um personagem e colocá-lo no cargo de líder do Bandar-log acaba desconfigurando o mesmo e também o desconstruindo, o que aconteceu aconteceu com vários personagens, como vimos acima.
“- Escute, filho de homem — rugiu o urso, e sua voz ressoou como o trovão numa noite quente. — Ensinei a você a Lei da Selva inteira, que vale para todos os Povos da Selva, menos para o Povo Macaco que vive nas árvores. Eles não têm lei. São marginais. Não têm fala própria, mas usam palavras roubadas que ouvem por aí enquanto espiam e esperam no alto dos galhos. Os costumes deles são diferentes dos nossos. Eles não têm líder. Não têm lembranças. São bravateiros, fofoqueiros e fingem ser os maiorais e estar sempre prestes a desempenhar grandes feitos na selva, mas é só uma noz cair no chão que desatam a rir e se esquecem de tudo. Nós da selva não queremos nada com eles. Não bebemos onde os macacos bebem, não vamos aonde os macacos vão, não caçamos onde eles caçam, não morremos onde eles morrem. Alguma vez você me ouvir falar do Bandar-log até hoje?
- Não — respondeu Mowgli num sussurro, pois a floresta ficou muito quieta quando Baloo terminou.
- O Povo da Selva os mantém longe das bocas e das cabeças. Eles são muitos, maus, sujos, despudorados e desejam, se é que se concentram em algum desejo, ter a atenção do Povo da Selva. Mas nós não prestamos atenção neles nem quando atiram nozes e porcarias em nossas cabeças.” (KIPLING, p. 54). Segundo: a motivação do Bandar-log em sequestrar Mowgli não era para ter a flor vermelha, isto é, o fogo, e se espalhar pela floresta, mas sim simplesmente ter a atenção do Povo da Selva e usar as engenhocas de Mowgli ao seu favor. Nesse trecho que se segue, vemos mais uma vez a incapacidade de terem um líder, por isso a impossibilidade de existir um Rei Louie, dentre outros defeitos bastante característicos do povo macaco:
“ […] Eles viviam no topo das árvores, e, como os bichos raramente olham para cima, os macacos e o Povo da Selva nunca se encontravam. […] Estavam sempre a um passo de ter um líder, suas próprias leis e seus costumes, mas nunca chegavam a fazê-lo, pois sua memória não durava de um dia para o outro […]. Nenhum dos bichos conseguia alcançá-los, mas, em compensação, nenhum dos bichos lhes dava atenção, e foi por isso que ficaram tão contentes quando Mowgli foi brincar com eles e ouviram como Baloo tinha ficado bravo.
Nunca aspiraram realizar coisa alguma — no fundo, o Bandar-log nunca aspira a nada -, mas um deles teve o que lhe pareceu uma ideia brilhante e contou os outros que Mowgli seria muito útil para a tribo, porque sabia amarrar gravetos para protegê-los do vento; então, se o capturassem, poderiam obrigá-lo a lhes ensinar como fazê-lo” (KIPLING, p. 55). O conto “A Caçada de Kaa” inicia-se com Baloo repassando algumas lições para Mowgli até perceber que ele esteve com o Povo Macaco. Durante um sermão (o diálogo citado acima que começa com “escute, filhote de homem”), Mowgli é sequestrado pelos macacos, Baloo e Bagheera tentam correr atrás dele, mas acabam pedindo ajuda a Kaa, como citado mais acima. A mudança na personalidade do Bandar-log, a criação de Rei Louie e a mudança no roteiro original da história no que toca à motivação do sequestro dos macacos é o pico do distanciamento entre o filme e sua obra inspiradora. No entanto, gostaria de confessar aqui que o Rei Louie era o meu personagem favorito na animação de 1967 e a musiquinha dele é realmente contagiante, haha! A motivação para manter o Rei Louie nessa versão do filme me parece mais uma demonstração de que trata-se de uma adaptação do filme da disney de 1967, e não da obra do Rudyard Kipling. A minha crítica em relação a permanência do Rei Louie é justamente por se tratar de uma das características do Bandar-log a falta de líder. No prefácio desta edição de Os Livros da Selva que tenho em mãos, o tradutor relata o simbolismo profundo por trás do Bandar-log, o que no filme ficou ofuscado, escondido e, ouso dizer, inexistente: “ Nessa estrutura social, há o nível mais baixo de todos. Nele estão justamente os parentes mais próximos dos humanos, considerados incapazes de aprimorar a organização interna de sua sociedade. Com evidente ironia, Kipling identifica o Povo Macaco com a antítese de um real esforço de construção do bem-estar coletivo. […]” (Apresentação, p. 10) o parágrafo segue-se citando o sermão de Baloo, também citado por mim acima várias vezes, aquele mesmo que começa com “escute, filhote de homem”, onde Baloo explicita com todas as letras. A cena terrível de Baloo praticando psicologia reversa em Mowgli para que ele pense que não é amado e parta para a vila dos homens de uma vez por todas é de revirar o estômago para todo leitor de Kipling. Baloo tem uma relação não apenas de amizade com Mowgli, mas também de respeito mútuo e servidão, visto que nos últimos contos Mowgli é visto como o Senhor da Selva por todos os animais, até mesmo o próprio Hathi, o mais antigo deles. Nos contos, Mowgli decide para a vila dos homens após perceber que não era mais bem-vindo na alcaeteia seeonee (isto porque Shere Khan influenciava os lobos menores e os atiçava contra Mowgli e, tendo seus pais morrido, somente Akela estava alí para interceder por ele, e sendo já um lobo idoso, não tinha muita voz contra os muitos lobos jovens fantoches do tigre), retornando apenas para dar um jeito no Shere Khan, que estava dominando a alcateia (eu vou chegar lá, calma!), e esta parte da obra também contém um simbolismo bastante profundo, mostrando a dualidade do homem entre seus instintos animais e sua civilidade que, de certa forma, acaba castrando estes mesmos instintos. Podemos interpretar de várias formas os dos “Mowglis” que aparecem nos contos de Kipling, como a dualidade presente no homem de sua razão e suas emoções, representados pelo Mowgli na Selva, sobrevivendo através de seus instintos, e o Mowgli na vila dos homens, submetido à fala dos homens, vivendo como homens nas regalias da tecnologia (não ipods ou tablets, e sim uma simples cama e uma cabana. Lembremos que tecnologia vem do grego techne, que significa arte, e logos, que significa ciência. O conceito significa, entre outros, técnica ou conjunto de técnicas de um domínio particular e/ou técnica ou conjunto de técnicas de um domínio particular). Toda essa reflexão acerca da dualidade do homem, dos dois mundos — a Selva e a vila dos homens -, tudo isso é omitido nos filmes. A cena de Mowgli na vila dos homens tem uma duração de menos de 30 segundos. O filme força mais uma batalha inexistente: desta vez, Baloo contra Shere Khan. Mais uma vez, essa luta não existe nos contos. Sendo Baloo um urso velho e gordo, muito embora seja o mestre da lei, não possui a competência de lutar com um tigre. Ele não caça, pois se alimenta de mel e plantas. A única cena de luta que existe na obra de Kipling envolvendo o urso se encontra no conto “A Caçada de Kaa”, quando ele ajuda a cobra e a pantera a lutar contra as centenas de milhares de macacos. À propósito, esta cena também foi omitida nos filmes, o que daria uma batalha épica, e substituída por uma cena estúpida onde Baloo bajula o inexistente Rei Louie para distrair os macacos. Mowgli prepara uma tocaia, já no fim do filme, utilizando suas engenhocas e a famosa flor vermelha para matar Shere Khan. Favreau, passou bem longe de novo! No conto “Tigre! Tigre!”, quando Mowgli se encontra na vila dos homens trabalhando como pastor de búfalos, ele usa destes búfalos para encurralar Shere Khan em um defiladeiro utilizando da ajuda do velho Akela e os lobos seus irmãos para tocar o búfalo contra Shere Khan. O tigre, que havia acabado de se alimentar e por isso estava preguiçoso e preferia não lutar, acabou caindo no desfiladeiro ou morrendo pisoteado (Kipling deixa a forma de morte de Shere Khan na ambiguidade). Outro detalhe que foi omitido nos filmes e possui um simbolismo profundo foi o fato de Mowgli ter retirado a pele do tigre e posta na Pedra do Conselho, onde o lobo alfa da alcateia se posta durante os Conselhos, o mesmo lugar onde Shere Khan estava quando dominava a alcateia na ausência de Mowgli. Podemos refletir bastante sobre o que isso pode significar, levando em conta que Shere Khan é a retratação do Mal na obra de Kipling. A representação de Shere Khan foi um dos dois personagens que, na minha opinião, mais se assemelharam aos originais. Mowgli dos livros é um garoto divertido, engenhoso, e ao mesmo tempo brincalhão e bastante curioso. Devido a sua educação, cresceu mais que as crianças da cidade e de uma forma mais forte e saudável. No filme, ele não passa de uma criança entre lobos; insegura, cabisbaixa e bastante incoveniente; não vemos nenhum relato explícito do humor de Mowgli, humor este que chega ao nível de fazer piadas com Kaa e o próprio Hathi, o Senhor da Selva. A mãe-loba de Mowgli teve uma boa representação, porém, senti falta do simbolismo do seu nome, Raksha, que em sânscrito significa “pedir proteção” e, ao mesmo tempo, no budismo trata-se de um demônio, que podemos interpretar como o instinto de proteção da mãe, inato e instintivo, presente em todas as espécies, e ao mesmo tempo, na sua qualidade implacável, forte e até mesmo cruel quando se trata de proteger seus filhos. O simbolismo da mãe loba foi omitido no filme, fazendo dela apenas mais uma personagem. Shere Khan é um tigre manco, e por isso somente mata gados (KIPLING, p. 29), característica essencial para a construção do personagem e também foi omitida no filme. Shere singifica tigre e khan significa chefe no idioma hindu e persa.
No mais, gostaria de reinterar, mais uma vez pois nunca é demais, que concordo com a opinião de que o cinema e literatura são linguagens diferentes e que devem ser respeitadas como o tal, mas, novamente, a partir de um momento que um filme possui a intenção e premissa de ser uma adptação cinematográfica, há coisas que devem ser levadas em conta somente por uma questão de ética e respeito para com a obra do autor. Novamente, deixo meus elogios à direção de arte do filme e qualidade de animação, mas no que toca ao roteiro e à adaptação, eu colocaria esse filme no topo da lista de frustrações, ao lado de Percy Jackson e o Ladrão de Raios. É um filme excelente para assistir com a família e as crianças certamente vão adorar. Lembrem-se, como diria Platão, uma vida sem criticas não vale á pena ser vivida. Forte abraço à todos.
Wallace Guilhereme. Contato: [[email protected]](mailto:[email protected])
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2020.02.08 06:05 old-viking Os 45 erros de Democracia em Vertigem - o documentira de Petra Costa

Encontrei esse ótimo artigo em inglês sobre as mentiras do filme Democracia em Vertigem, de Petra Costa no site ideiasradicais.com.br e resolvi traduzi-lo. Em seguida, acrescentei algumas pinceladas e voilà! Os links estão no texto. Vamos lá:
Quem mora no Brasil e assiste ao documentário The Edge of Democracy, dirigido e narrado por Petra Costa, percebe que trata-se de um documentário com fortes narrativas partidárias. Em mais de duas horas, a maior parte do filme pode ser resumida em omissões, falsidades ou teorias da conspiração sobre a política brasileira.
Alguns bons exemplos disso são as cenas em que Petra e sua mãe endeusam Dilma e Lula, a ponto de chamar Lula de “Escultor cujo material é argila humana”.
Mas o filme cumpre seus objetivos de ignorar fatos, dados e evidências para vender ao mundo nada além das opiniões do Partido dos Trabalhadores sobre o processo de impeachment, a prisão de Lula e a eleição de Jair Bolsonaro em 2018.
Aqui listamos 45 erros, omissões e mentiras do filme.
1. Ignora a dimensão dos protestos de impeachment contra Dilma
Houve muitos protestos contra o governo de Dilma Rousseff, sendo cinco deles notáveis. O protesto de 13 de março de 2016 foi o maior ato político da história do país, superando até o Diretas Já. Mas o documentário mostra apenas alguns manifestantes mais reacionários e oculta a escala real dos atos e o quanto sua remoção do cargo foi desejada pela população.
2. “Ninguém esperava uma prisão tão rápida. Todos foram pegos de surpresa".
O documentário diz que “o caso dele [Lula] chegou ao tribunal de apelações mais rapidamente do que qualquer outro caso da Lava-Jato”, mas isso não é verdade. Uma revisão feita pelo economista Carlos Goés mostrou que a duração do processo, do tribunal de julgamento ao tribunal de apelações, não foi atípica. "Mesmo se analisarmos apenas os processos contra o acusado no âmbito da Lava-Jato, não se pode dizer que houve algo de extraordinário nos procedimentos de Lula", disse Goés.
3. “Dos 443 congressistas, apenas 2 eram da classe trabalhadora”
Petra diz que Lula decidiu recorrer à política quando viu que apenas 2 dos 443 congressistas eram da classe trabalhadora. Confiando cegamente na palavra de Lula (um método repetido em todo o filme), ela não verificou que nunca houve 443 congressistas em ambas as casas, de forma que a afirmação é provavelmente mentirosa. De fato, desde o fim do regime militar e a redação da presente Constituição o número de congressistas nunca mudou; continuou fixo até hoje: 594.
4. "O PT representava a esperança de que as terríveis injustiças do país fossem finalmente resolvidas"
Um estudo realizado pelo Banco Mundial de Riqueza e Renda apontou que a desigualdade de renda não diminuiu entre 2001 e 2015. O crescimento econômico do país teve pouco impacto na redução da desigualdade, pois beneficiou apenas os 10% mais ricos, de acordo com o relatório.
5. “[Com Lula] As taxas de desemprego atingiram o menor número da história”
Uma tese de 2017 do economista Rafael Baccioti mostrou que as taxas de desemprego registradas no Brasil nos anos 50, 70 e 80 eram menores do que as dos mandatos de Lula, situando-se entre 2% e 3%.
6. O escândalo de Mensalão é mencionado, mas sua relevância é completamente ignorada
No julgamento do Processo Penal n. 470 pelo Supremo Tribunal, ficou claro que o Mensalão era um esquema centrado no desvio de fundos públicos para comprar apoio de congressistas. Tudo isso para permitir a aprovação de projetos de interesse do governo Lula a toque de caixa. O Mensalão foi um esquema diabólico que visava colocar o Congresso Nacional de joelhos perante Lula para que ele pudesse executar seu ambicioso projeto de poder.
7. Dilma perdeu seu prestígio porque vociferou contra bancos e taxas de juros
Quando Dilma assumiu o cargo, no início de 2011, a taxa SELIC - o equivalente brasileiro ao Federal Funds Rade - estava abaixo de 8,75%. No final daquele ano, subiu para 12,5% e depois caiu para 7,25%. O Plano não funcionou e as taxas de juros voltaram a subir, atingindo mais de 14% e só diminuíram novamente quando a equipe econômica de Temer assumiu. Dilma fez discursos contra rentistas, mas seu governo foi o que mais os favoreceu.
8. "Quotas racistas"
A produção mostra um manifestante que pede a remoção de Dilma do cargo, dizendo que o PT (Partido dos Trabalhadores) havia instituído "cotas racistas" - referindo-se às políticas de ação afirmativa estabelecidas nas universidades públicas na última década. Mas, de acordo com uma pesquisa de opinião pública de 2013, 62% da população brasileira mostrava-se a favor de todos os três tipos de ação afirmativa de acesso à universidade pública: raça, estudantes de escolas públicas e baixa renda. Com relação apenas à alunos de escolas públicas e de baixa renda, a aprovação sobe ao patamar de 77%.
9. O Bolsa Família foi criado por Lula
Ao falar sobre os mandatos de Lula, Petra sugere que as políticas que ajudaram os mais pobres eram exclusivas dos anos do PT, ignorando que os programas de redistribuição de renda começaram muito antes. Em 2001, o próprio Lula criticou o programa Bolsa Escola, chamando-o de "uma ninharia".
10. Michel Temer era um traidor desde o início de seu mandato como vice-presidente
Quando as marchas contra Dilma estavam acontecendo no início de 2015, Michel Temer escreveu em sua conta no Twitter: “Um processo de impeachment é impensável, criaria uma crise institucional. Não há uma base legal nem política para isso.” Naquele ano foi ele quem assumiu a articulação política para o governo e a executou bem, como afirmou o representante Orlando Silva, um dos ex-vice-líderes do governo de Dilma na Câmara.
11. “Dilma tirou posições do PMDB”
Segundo o filme, a rebelião de Temer ocorreu porque Dilma tentou restringir a interferência do PMDB (Partido do Movimento Democrático Brasileiro) em seu governo. Mas isso não é verdade. Em 12 de março de 2016, ele conseguiu evitar que seu partido rompesse laços com o governo. Quatro dias depois, a presidente Dilma Rousseff nomeou Mauro Lopes para o Ministério da Aviação Civil, na tentativa de criar uma divisão dentro do partido de Temer.
12. Ignora a crise econômica
Por alguma razão, Petra não achou uma boa ideia esclarecer que as políticas econômicas do PT levaram a mais longa crise econômica do Brasil e a mais de 10 milhões de desempregados. Somente após a primeira meia hora do filme é que a recessão é levemente mencionada, sem nenhum comentário sobre seu tamanho ou consequências.
13. Petrobras foi espionada pelo FBI
Documentos vazados em 2013 indicam que o governo dos EUA espionou a Petrobras. Embora essa seja uma acusação séria, é um salto lógico usá-la para argumentar que o país desejava o impeachment para, de alguma forma, assumir o controle da empresa.
14. “Moro: o homem treinado nos Estados Unidos”
O ex-juiz e atual ministro da Justiça participou do Programa Internacional de Liderança de Visitantes em 2007, o mesmo que a ex-presidente Dilma Rousseff participou em 1992.
15. “Aécio Neves não aceitou os resultados”
O documentário diz que Aécio Neves, o maior oponente de Dilma na corrida presidencial de 2014, não aceitou os resultados da votação e foi por isso que entrou no Tribunal Superior Eleitoral contra Dilma e Temer. Mas o próprio Aécio admitiu que fez isso apenas para irritar o Partido dos Trabalhadores e Dilma. Ele não acreditava nas ações do próprio partido.
16. “Aécio defendeu o impeachment”
Quando os pedidos de impeachment começaram a se acumular, Aécio Neves rejeitou a ideia. Ele só abraçou o movimento em 2016, quando participou dos protestos em São Paulo e foi assediado por manifestantes.
17. “Grupos de direita usaram algoritmos de mídia social”
Estudos recentes mostram que a influência dos algoritmos de mídia social na radicalização política dos eleitores foi supervalorizada. Fora isso, os grupos de direita e de esquerda usaram as mesmas táticas para expressar seus pontos de vista.
18. A crise internacional versus más políticas
O documentário afirma que, após “um declínio global nos preços das commodities e uma série de erros econômicos, o país entrou em recessão”. Mas um relatório do FMI revelou que 183 dos 192 países examinados registraram um crescimento econômico superior ao do Brasil entre 2015 e 2016. Segundo o economista Marcel Balassiano, mais de 90% dos países do mundo cresceram mais que o Brasil entre 2011 e 2018 .
19. Dilma foi responsável por todos os problemas do país
Para Petra, quem era a favor do processo de impeachment "acreditava que a presidente era culpada por todos os problemas do país", mas não menciona provas ou pesquisas. Trata-se apenas da opinião pessoal dela (Petra). Um estudo realizado por Reinaldo Gomes, professor de economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro, concluiu que cerca de 90% do desempenho econômico negativo durante o mandato de Dilma pode ser atribuído a "erros nacionais", ou seja, podem ser atribuídos à maneira como as políticas do país foram conduzidas.
20. Fraude fiscal é pior que corrupção
Dilma foi acusada por violar leis de responsabilidade orçamentária e fiscal, algo que seu governo chamou de "pedalada fiscal" na tentativa de diminuir sua magnitude e conseqüência. O filme subestimou, mas o economista Carlos Goés explicou a seriedade dessas fraudes. Dilma começou, inclusive, a andar de bicicleta, a fim de que a população acreditasse que “as pedaladas da Dilma” fossem no sentido literal e não um eufemismo para fraude fiscal.
21. Omite o julgamento do Tribunal de Contas Federal
O processo de impeachment foi fundamentado no julgamento do Tribunal de Contas da União, que rejeitou as contas do orçamento do governo em outubro de 2015 devido a fraudes fiscais. Nada disso é mencionado no documentário.
22. “Precisamos de uma comissão internacional”
"Por que eles não criaram uma Comissão Internacional com especialistas em orçamento público e pediram um relatório oficial?" - pergunta Lula no filme. A resposta é simples: é exatamente por isso que existe o Tribunal de Contas Federal, que rejeitou as contas.
23. Quando começou a queda de Dilma?
Para o ex-deputado Jean Wyllys, começou no Dia do Trabalho de 2013, quando a presidente fez um discurso dizendo que os ricos, banqueiros e rentistas seriam os que “pagariam pela crise”. No entanto, esse discurso foi sobre mudanças nas tabelas de imposto de renda e reajuste dos valores do Bolsa Família. Não faz sentido acreditar que o empresariado fabricaria balanços de suas próprias empresas, muitas delas em estado falimentar, com o único objetivo de prejudicar a imagem da presidente.
24. Discurso inaugural de Temer
O filme foi editado de forma a sugerir que Temer estava atacando princípios seculares do estado, declarando que seu governo seria "um ato religioso". O que ele disse foi “o que queremos fazer agora, com o Brasil, é um ato religioso, é um ato de reconexão entre toda a sociedade e os valores fundamentais de nosso país”. Ele se referia a necessidade de reunir a população, dividida e polarizada, após o processo de impeachment.
25. O acordo selado entre Romero Jucá e Sérgio Machado
No áudio vazado entre Romero Jucá e Sérgio Machado, o ex-senador Jucá disse que seria mais fácil mudar o presidente e estancar o sangramento, para criar um pacto nacional. Petra afirmou que essa foi a motivação por trás do processo de impeachment. Mas ela, maliciosamente, omitiu a parte em que Machado disse: “Eu acho que as únicas saídas [para Dilma] são remoção ou renúncia. A remoção é a opção mais suave. Michel poderia construir um governo baseado na união nacional, um grande acordo, protegeria Lula, protegeria todos ”
Petra não menciona que este "grande acordo" também serviu para proteger o Partido dos Trabalhadores.
26. O maior arrependimento de Lula
Quando Petra pergunta a Lula se ele se arrependeu de algo, ele lamenta não ter enviado ao Congresso um projeto de lei para "regular a mídia". No entanto, em 2004, seu governo enviou ao Congresso um projeto de lei para a criação de um Conselho que teria o poder de punir jornalistas. Felizmente a proposta foi rejeitada.
27. Liberdade de imprensa sob os governos do PT
Lula se gabou de "ter feito o que eles fizeram" sobre a liberdade de imprensa, mas não foi realmente assim. Em 2004, Lula solicitou uma revogação de visto para o jornalista americano Larry Rohter, porque ele escreveu que o ex-presidente tinha um problema com a bebida.
Quando lhe disseram que era inconstitucional expulsar o jornalista, por ser casado com um cidadão brasileiro, sua resposta foi: “foda-se da constituição”.
28. Congresso trabalhando livremente sob os governos do PT
Ele também se gabou dos governos do PT deixarem o "Congresso trabalhar livremente". Mas foi sob seu governo que o Mensalão aconteceu, um esquema para comprar apoio no Congresso e garantir que Lula aprovasse os projetos que quisesse.
29. Quais foram as acusações contra Lula?
O documentário afirma que, após dois anos de investigação, a "acusação real" foi que "Lula havia recebido um apartamento de uma construtora". Só isso! Ignorando os muitos outros casos contra ele, alguns dos quais ele foi considerado inocente. Lula foi condenado por corrupção em dois veredictos diferentes e atualmente está sendo acusado em outros seis casos.
30. Marisa morreu 4 meses depois de também ser acusada
O filme sugere que a esposa de Lula, Marisa Letícia, morreu como resultado da perseguição contra ele e sua família. Porém, o que não é dito durante a cena é que o próprio Lula a culpou pelos cheques de aluguel não pagos de um apartamento que os investigadores afirmam ser apenas a fachada de um esquema para adquirir o imóvel com dinheiro da Odebrecht.
31. Lula era o principal candidato nas pesquisas, mas…
Em 2018, Lula era o principal candidato à presidência, mas também tinha os maiores números de rejeição entre todos os candidatos, 31% (empatado com Jair Bolsonaro). Uma vitória potencial não seria tão fácil.
32. Operação Lava-Jato vs. crise econômica
Em uma de suas audiências, Lula perguntou a Sergio Moro se ele “sentia-se responsável pela Operação Lava-Jato ter arruinado a indústria da construção civil do país”. Trata-se de outra narrativa partidária já que estudos mostraram que o combate à corrupção ajuda a economia e os negócios de qualquer país.
33. Motivos bizarros de votação dos congressistas
O documentário mostra muitos congressistas dando razões esdrúxulas para seus votos pelo impeachment, em nada relacionados às acusações contra Dilma, sugerindo que o processo foi injusto. Mas um processo de impeachment é também uma ferramenta política. Os votos no processo de impeachment do ex-presidente Collor, por exemplo, foram semelhantes.
34. A condução coercitiva de Lula aconteceu em prol de sua própria segurança.
O filme critica a condução coercitiva de Lula em um determinado depoimento, já que ele nunca tinha se negado a depor voluntariamente à Polícia Federal. Sérgio Moro, porém, justificou a ação alegando a necessidade da condução coercitiva para evitar maiores perturbações e turbulências, que haviam ocorrido em atos jurídicos anteriores.
35. O vazamento do telefonema entre Dilma e Lula (o caso Bessias)
O documentário detalha o conteúdo da conversa telefônica e foca na ilegalidade do vazamento feito por Sergio Moro. A gravação da conversa foi posteriormente anulada como prova pelo juiz da Suprema Corte Teori Zavascki, por ter sido interceptada poucos minutos após a expedição do cancelamento do grampo pelo Juiz Moro. Tanto Lula quanto Dilma foram processados mais tarde pelo procurador-geral, Rodrigo Janot, por obstrução de Justiça, mas foram absolvidos.
36. A conversa entre Temer e Joesley
O documentário editou maliciosamente um diálogo para sugerir que o ex-presidente Temer apoiou uma possível obstrução da Justiça pelo empresário Joesley Batista, a fim de não ser denunciado por Eduardo Cunha. Temer foi absolvido em 2019 porque os promotores consideraram a prova "frágil".
37. O Congresso mudou de posição: Temer não deveria ser investigado!
O documentário critica o fato de que os congressistas que se dizem favoráveis ao combate à corrupção protegeram Michel Temer das investigações. Mas, na realidade, as investigações não pararam depois que seu mandato terminou. Temer chegou a ficar preso por alguns dias.
38. "Temer fez tudo o que eles queriam, vendendo reservas de petróleo para empresas estrangeiras"
Em algum momento, é mencionada uma mudança no modelo de concessão de grandes reservas de petróleo na costa do Brasil. Era um acordo de compartilhamento de produção e se tornou uma concessão. Mas, desde 2015, muitos ministros de Dilma eram favoráveis à mudança. Tanto o ministro de Minas e Energia, Eduardo Braga, quanto o ministro das Finanças, Joaquim Levy, advogaram por mudanças na lei.
39. “Temer fez tudo o que eles queriam, enfraquecendo as leis que proibiam o trabalho escravo”
Em 2017, a Justiça do Trabalho editou uma portaria que tentava impedir o abuso de poder e atos arbitrários por inspetores do trabalho. Isso aconteceu porque mais de 90% dos casos de trabalho escravo foram absolvidos. O filme não mostra que, por causa de uma decisão da juíza da Suprema Corte, Rosa Weber, a portaria nunca entrou em vigor.
40. “Temer fez tudo o que eles queriam, aprovando medidas de austeridade que minariam os pobres”
As medidas de austeridade começaram com Dilma Rousseff logo após sua reeleição em 2014 e se intensificaram em 2015, ano em que 87% dos programas sociais existentes sofreram cortes.
41. Omitir o tamanho e a dimensão dos protestos contra Michel Temer
Segundo estimativas da polícia, os protestos contra Dilma em todo o país reuniram 2,4 milhões de pessoas em 15 de março de 2015 e 3,6 milhões em 13 de março de 2016. Os protestos contra Temer em setembro de 2016 reuniram apenas 48.000 pessoas.
42. Sérgio Moro retirou Lula da eleição presidencial
Um jornalista disse que foi a prisão de Lula promulgada por Moro que o removeu da disputa presidencial. A verdade é que, no Brasil, a suspensão dos direitos políticos ocorre após a condenação em um tribunal colegiado, como determina a Lei da Ficha Limpa, sancionada pelo próprio Lula.
43. E quanto à tentativa de assassinato ao Bolsonaro?
A produção fala sobre a polarização e o enfraquecimento da democracia brasileira, ignorando a facada que o presidente Bolsonaro sofreu, durante a campanha presidencial.
44. Um passado subterrâneo falso para seus pais
O documentário conta um pouco da história da família de Petra e os retrata como ativistas políticos que se desmobilizaram durante a ditadura militar. Mas, de acordo com uma resenha do livro “O tempo do Poeira: História e memórias do jornal e movimento estudantil da UEL nos anos 1970”, do jornalista Astier Basílio, “todo ano, os pais de Petra visitavam a família na capital do estado, Belo Horizonte. Era, portanto, um esconderijo que permitia uma folga.
45. A mãe do diretor não está ausente nas empresas familiares
A mãe de Petra, Marilia Andrade, não é uma figura neutra, distante do negócio de construção da família, como o filme tenta pintá-la. Pelo contrário, ela é uma das acionistas da Andrade Gutierrez, empresa profundamente envolvida nos escândalos de corrupção, e ainda com participação ativa nas empresas, segundo Astier Basílio.
Confira nosso artigo explicando as principais mentiras deste filme aqui.
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2020.01.11 19:42 ORoxo Como investir Keep it simple, Stupid!

Olá,
Se chegaste até aqui é porque estás preocupado com as tuas finanças, por isso, parabéns!
De facto, é uma preocupação fundamentada, uma vez que, de acordo com Relatório sobre a Sustentabilidade Financeira da Segurança Social publicado em Outubro de 2018 como anexo do Orçamento de Estado de 2019, a Segurança Social como a conhecemos hoje esgotar-se-á no final da segunda metade da década de 2040.
O FEFSS (Fundo de Estabilização Financeira da Segurança Social), a ser utilizado perante saldos negativos do sistema previdencial a partir do final da segunda metade da década de 2020, teria com a atual projeção, um esgotamento no final da segunda metade da década de 2040, representando uma melhoria face à projeção do relatório de sustentabilidade anexo ao Relatório do OE de 2017, em cinco anos.
Assim, se, tal como eu, estás a iniciar a tua vida adulta, provavelmente serás responsável pelo teu próprio sustento durante a idade da reforma. Como tal, temos de arranjar uma forma de garantir que o nosso dinheiro rende, para garantir esse conforto futuro.
A melhor forma que conheço para o fazer é através de investimentos, algo que começa agora a ser falado no nosso país, mas sobre o qual a generalidade das pessoas ainda sabe muito pouco.
Ao contrário de subs de outros países relacionadas com finanças pessoais onde existem vários tópicos Guide, em Portugal, tal não acontece.
Para colmatar essa lacuna, decidi escrever este post que espero ajudar aqueles que buscam conselhos financeiros e que se deparam com esta comunidade pela primeira vez.
Infelizmente (ou felizmente) não venho de famílias abastadas. Como tal, há cerca de 2/3 anos quando comecei a ganhar alguma autonomia financeira coincidente com a minha entrada no mercado de trabalho, comecei a pensar como viria a fazer face às minhas despesas - casa, carro, alimentação, etc.
Desta reflexão resultaram muitas horas de leitura e lições que agora partilho aqui convosco:
Lição 1: ninguém cuidará melhor do vosso dinheiro do que vocês.
Começo por partilhar convosco que uma das coisas que mais me irrita na indústria financeira - e no qual tenho a minha quota-parte de culpa, dado que é a minha área de formação - é da necessidade de complicar. Alguém que esteja de fora, ficará intimidado pela complexidade de palavras que usamos como asset alocation, derivatives, bonds, stocks, optimal portfolio allocation, options, warrants e futuros. Como se isso não bastasse, não educamos os jovens em finanças - em muitos casos temos dificuldade em poupar e noutros tantos em perceber como investir.
Claro que toda esta iliteracia financeira é um paraíso para portfolio managers e outros agentes dispostos a investir o vosso dinheiro por vocês. Porquê, perguntam vocês?
Existem três formas através das quais um porfolio manager consegue fazer dinheiro para a empresa:
  1. Comissões sobre produtos;
  2. Assets Under Management;
  3. Aconselhamento 1-on-1.
Em primeiro lugar, parte do salário de um portfolio manager, é variável. Por outras palavras, está dependente do lucro que trouxer para a empresa. Como tal, não é de admirar que vos sugerirão aqueles produtos que lhes dêem maior retorno, independentemente do retorno que vos trouxerem para vocês. Como tal, aqueles produtos que vos tentarão enfiar pela garganta abaixo são precisamente aqueles que vão de acordo com os objectivos deles (maximizar lucro) e não necessariamente os vossos (maximizar o retorno).
Para além disso, existe também o modelo AUM (Assets Under Management) que na práctica é 1-2% que vos cobrados pelo valor de activos na vossa carteiro. A título de exemplo, suponham que eu tenho 100.000€ investidos na institução A cuja taxa AUM é de 2%. Todos os anos terei de pagar 2.000€ à instituição financeira que faz a gestão dos meus activos, independentemente de ter, ou não lucro. Imaginem que num dado ano tive 6% de retorno, a inflação foi de 3% e a AUM é de 2%. Resta-me 1% de um retorno que deveria ter sido 3%. De repente, um ano que até teria sido bastante positivo transformou-se num mísero 1%. (Parece-vos justo? Nem a mim...)
Por último, alguns advisors estão ainda disponíveis para vos aconselha por uma módica quantia de X, sendo X um valor absolutamente ridículo para o qual não existe qualquer justificação lógica. Como se tal não bastasse, muitas vezes esse aconselhamento não se traduz em qualquer valor acrescentado para nós. Com sorte, vai de encontro ao ponto 1 e comem-nos por parvos duas vezes: no aconselhamento que roçou o medíocre e na venda de um produto com comissões altíssimas e retornos pelas ruas da amargura.
Dito isto, aqui fica a primeira lição: ninguém cuidará melhor do vosso dinheiro do que vocês!
No entanto, identificar um problema sem o tentar resolver soa-me um pouco hipócrita. Por isso, deixem-me introduzir-vos à segunda lição: é mais fácil do que parece.
Dado que, como já partilhei convosco acima, a minha formação base é finanças, comecei a pensar "como é que se investe?". Esta questão levou-me a ler vários livros sobre investimento e apercebi-me que, ao contrário do que todos os profissionais da área faziam parecer crer, investir, era bastante simples.
Tão simples, de facto, que alguém com zero experiência como investidor conseguirá obter um retorno melhor do que 80% dos ditos portfolio managers utilizando apenas as ferramentas que partilharei convosco neste thread.
O quê?! 80%?! Mas investir não é difícil?!
Não.
O quê?! Melhores retornos que portfolio managers que vivem, respiram e comem informação financeira?
Sim.
Afinal eu não preciso de pagar fees ao meu banco para investir por mim?!
Não.
Contudo, antes de partilhar convosco quais são essas ferramentas há três questões que são imperativas que saibam responder:
  1. Em que fase da vossa vida é que estão? Acumulação ou Preservação de riqueza?;
  2. Que níveis de risco é que estão disponíveis a aceitar?;
  3. O vosso horizonte temporal a nível de investimentos é longo ou curto prazo?.
Certamente repararam que as três questões estão intrinsecamente ligadas e que existe um tema comum a todas elas, risco. Pelo que gostava de começar por abordá-lo em primeiro lugar.
Ao contrário do que vos possam dizer ou vocês próprios possam pensar, não existe nenhum investimento 100% seguro.
Experimentem colocar o vosso dinheiro debaixo do colchão durante 20 anos e depois contem-me como os 20k€ que com tanto esforço, suor e lágrimas amealharam valem agora apenas 5k€ em bens e/ou serviços. Ou talvez vocês seja pessoas conservadoras e decidam comprar títulos do tesouro, mas nesse caso apresentar-vos-ei a minha inflação ou então são completamente o oposto e decidem que acções is the way to go, caso em que opto por vos dar a conhecer a minha outra amiga, deflação.
Estes exemplos não servem para vos desincentivar de investir. Queria apenas de uma forma, mais ou menos, lúdica demonstrar-vos que, qualquer que seja a nossa opção, nunca estamos 100% seguros. Consequentemente, a única opção que nos resta é fazer as escolhas que julgamos serem as mais correctas com a informação que temos disponível de momento - e atenção que não fazer escolha é, em si, uma escolha.
Dito isto, existem apenas outras três ferramentas que necessitam para construir o vosso portfolio:
(já repararam que eu gosto de manter as coisas simples?)
  1. Acções
E se invés de apostarmos numa única equipa e rezássemos para que essa equipa vencesse, pudéssemos apostar que uma qualquer equipa entre todas as que estão na competição poderia ganhar? As nossas odds seriam bem melhores, verdade?
É isso que constitui um index fund - um cabaz de acções de várias empresas. Regra geral, cada index fund tem um benchmark que segue o que acaba por definir as ações nas quais esse index fund invest. Tudo o que precisam de saber são três siglas muito simples, IWDA:NA, VUSA e VWRL.
Quais as diferenças?
Dentro dos fundos cotados (aka ETFs), existem duas sub-classes no que toca à distribuição dos dividendos consoante o fundo reeinvista autmaticamente os dividendos ou caso os distribua aos investidores, chamados accumulation ou distribution, respectivamente*.*
Isto é relevante principalmente para efeitos fiscais. No que toca a investimentos desta natureza, existem dois momentos nos quais estás sujeito a imposto.
Na altura de receberes os dividendos e no momento da venda propriamente dito.
Aquando da distribuição dos dividendos, o teu broker transferirá para a conta bancária associada o valor dos dividendos retirados os 28% de imposto. No momento da venda, analisar-se-á qual a mais ou menos valia que há a realizar. Isto é, se vendeste o investimento a um preço superior ao que compraste, o valor de imposto a pagar será de 28% sobre essa diferença. Se o valor de venda for inferior ao valor de compra, não terás qualquer imposto a pagar.
Logo, salvo raras excepções, é aconselhável que se invista num ETF que seja cumulativo (IWDA:NA). Desta forma, tiraremos proveito da capitalização composta dos juros ao mesmo tempo que adiamos o pagamento de impostos desnecessários.
  1. Obrigações
As obrigações proporcionam uma viagem ao longo do percurso de investidor um pouco mais suave. Pessoalmente, dada a minha idade, não creio que tenha muito interesse para mim. No entanto, para investidores mais conservadores, BND e AGGG-fund?switchLocale=y&siteEntryPassthrough=true) são as única sigla que precisam de conhecer neste sub-universo.
  1. Dinheiro
Um fundo de emergência é algo que devemos sempre ter. Ninguém sabe o que acontecerá no dia de amanhã e enquanto investidores de longo-prazo não queremos ter de liquidar os nossos activos devido a uma emergência. Por isso, três a seis meses de despesas fixas é um bom objectivo para se ter em dinheiro numa conta a ordem ou conta poupança que possa ser movimentada sem incorrer em custos.
Lição 2: Todos os portfolio managers acreditam que conseguem bater o mercado. Por sua vez, nós, investidores, acreditamos que conseguimos escolher aqueles que o fazem. Estamos todos enganados.
Imaginem uma sala cheia de crânios financeiros, vestidos nos seus fatos com tecidos italianos. Estes profissionais contam com anos de experiência nos mercados de capitais, para não falar das décadas passadas a estudar em grandes Business Schools.
Para além disso, têm à sua disposição inúmeras ferramentas da Bloomberg, Reuters e outros grandes players que lhes permitem ter acesso a toda a informação, constantemente actualizada, a qualquer instante.
Apesar de trabalharem noite e dia, estes guerreiros também descansam para um ocasional café, cigarro e almoço de negócios. Nesses raros e curtos momentos, encontram-se com outros analistas, experts, insiders das empresas nas quais investem e outra panóplia de gente importante.
Ao conviverem tão próximos com a realidade na qual investem, de certeza que eles sabem o que andam a fazer, certo?
Ahhhhh...think again.
Está comprovado impericamente (clicar irá fazer o download de um pdf) que os vários fundos de investimento não são capazes de dar rendibilidade superior ao seus investidores, quando comparado com o mercado.
Num horizonte temporal de 5 anos, 84,15% dos fundos de investimento tiveram uma performance pior do que o S&P500.
Logo, para terem um retorno superior ao mercado, vocês teriam de escolher o melhor fundo de investimentos possível, de um conjunto de 10! Como se isso não bastasse - e supondo que escolhiam o fundo vencedor -, ser-vos-ia cobra entre 1 a 2% em comissões. Não é muito? Para ilustrar a diferença que isto pode fazer, sigam o meu raciocínio:
Suponham que investiram 10.000€ há 30 anos num dado activo. A rentabilidade média desse mesmo activo foi de 7%, já tida a inflação em conta. Se tivessem investido vocês mesmos esse valor num index fund, teriam aproximadamente 66.000€. Por sua vez, se tivessem escolhido o fundo vencedor teriam apenas 43.000€. Uma diferença de 23.000€ tendo por base apenas 2%. Funny, right?
(aqui estou a supor que o fundo vencedor vos proporcionava apenas a mesma rentabilidade dada pelo mercado, mas dado que assumi, de 10 fundos de investimento, vocês escolhiam o único cuja rentabilidade não era pior que a do mercado, parece-me justo para balançar o cenário)
Este exemplo introduz-nos à próxima lição.
Lição 3: Controlem o que conseguem controlar
Esta conversa é toda muito bonita, mas o que raio é essa coisa da Vanguard e porque é que todos os EFTs que sugeres são geridos por eles? Afinal, também és um vendedor?!
Bom ponto, tens estado atento!
Um mercado de capitais é um sítio feio, se não soubermos gerir as emoções provavelmente perderemos muito dinheiro - mais sobre isto numa edição futura do post. A verdade é que os nossos investimentos irão desvalorizar e valorizar várias vezes ao longo do tempo. Como tal, uns anos serão positivos e outros nem tanto. Isto para dizer algo que ninguém gosta de ouvir: não podemos controlar o retorno que o mercado nos dá. Felizmente, há algo que nos cabe a nós controlar: o custo do nosso investimento.
Uma vez que o lucro do nosso investimento será nada mais do que retorno - custo, minimizando o custo estamos a optimizar esta equação.
É aqui que entra a Vanguard, fundada por um grande senhor, John Bogle, em 1975.
O que a torna tão especial é que, no momento da sua fundação, John Bogle estruturou-a de forma a que fosse customer-owned e cujo objetivo fosse o breakeven (i.e., não é suposto ter lucro, mas sim apenas ser capaz de fazer face às suas despesas).
Para compreenderem a diferença, uma empresa de investimento pode ter duas formas:
  1. É uma empresa privada. Funciona da mesma forma que um negócio familiar e o objectivo é gerar valor para os donos - a Fidelity Investments é um exemplo;
  2. É uma empresa cotada em bolsa, detida por accionistas.
Em qualquer um destes casos, o objectivo da empresa é gerar lucro. Apenas deste modo serão capazes de pagar as suas despesas e remunerar os seus donos, sejam eles privados ou accionistas. Não é difícil perceber que quanto maior for o lucro, maior será a fatia dada a cada um destes agentes. Logo, há todo um incentivo para a maximizar tanto quanto possível. E imaginem de quem virá essa fatia...nós, investidores, claro!
Por outras palavras, quando investimos com uma destas empresas, estamos a pagar pelo investimento financeiro propriamente dito e mais alguns pózinhos para os seus donos/accionistas.
Logo, é claro que há aqui um conflito de interesses - o mesmo se passa com portfolio managers, mas isso fica para uma outra versão do post. O dono de uma empresa de investimento quer que os fees sejam tão altos quanto possível. Eu, enquanto investidor, quero pagar o mínimo.
Ainda que este modelo de negócio seja perfeitamente digno. Nós, investidores, temos uma solução melhor! Acontece que John Bogle quando fundou a Vanguard, fê-lo de modo a que a mesma fosse detida pelos fundos que esta opera. Ora, uma vez que são os investidores que detêm os fundos, na práctica, os investidores detêm a própria Vanguard.
Logo, qualquer lucro que a empresa tivesse entraria directamente para a nossa carteira. No entanto, dado que este circulo Investidor - Vnaguard Mutual Funds - Vanguard - Investidor seria um pouco non-sense, a Vanguard opera no breakeven, cobrando os custos mínimos para garantir a sua operação.
No que é isto se traduz, na práctica? No facto de que o expense ratio (ou seja, a taxa de encargos correntes) média dos fundos da Vanguard seja 0.2% contra 1,20% da indústria. Pode não parecer muito, mas considerando este valor sobre vários anos e sobre um capital considerável, dá uns bons mlhares de euros poupados no final de uma vida de investidor.
Lição 4: Fazer para crer
Dito isto, como é que se compra essas coisas estranhas, ETFs? Para o fazer, precisam de uma correctora ou broker. Cada correctora practica o seu próprio preço. Por isso, é importante compararem-nos antes de abrirem conta numa delas. Deixo-vos aqui e aqui e aqui imagens de tabelas comparativas das várias correctoras a operar em Portugal (obrigado, Bárbara Barroso). Para além dos custos de aquisição de títulos, algumas delas cobram ainda custos de manuntenção e/ou outros.
Muitas destas correctoras permitem criar contas demo. Caso estejam indecisos. criem uma e experimentem a plataforma de negociação.
Feito este passo, é uma questão de acederem à dita plataforma, procurar os títulos indicados acima e adquiri-los.
Frequently Asked Questions
Os mercados estão em máximos históricos. Por isso, uma recessão está para breve. Será que devo esperar que a dita recessão chegue e que os mercados acalmem?
Ninguém sabe ao certo quando - e sequer se - estaremos perante uma recessão. A pesquisa feita em torno dos retornos históricos demonstra que se tiveres X€ para investir, a melhor solução é colocá-los de uma só vez no mercado.
Mas ainda ontem ouvi o Miguel Sousa Tavares a dizer que estaria para breve!
Não.
Ah, mas a minha tia, que é economista, disse no jantar de Natal que a guerra comercial da China e dos EUA...
Não.
Ah, mas o meu piriquito...
Não.
Ninguém consegue fazer timing ao mercado e quem vos disser o contrário está a tentar enganar-vos. No caso de serem vocês próprios, sentem-se à espera que a vontade passe, 99.9% das vezes estarão enganados.
Devo investir com a Degiro?
Antes de usarem a DeGiro como vossa correctora leiam este thread e pesquisem Amsterdamtrader Degiro no Google.
Com este tópico pretendo apenas informar-vos. Como tal, ainda que vos possa partilhar convosco como giro os meus investimentos, tento ser o mais imparcial possível. No entanto, sou defensor que devemos fazer escolhas conscientes. Não digo que não seja uma boa opção, estejam apenas consciente do que se passa no background.
Qual é a correctora que usas, u/ORoxo**?**
Comecei por usar o Banco Invest porque me dava uma segurança adicional fazê-lo através de um banco no qual confio. No entanto, os custos eram demasiado elevados e agora faço-o pela DeGiro, apesar do indiquei no ponto imediatamente acima. O importante é termos consciência dos riscos, lembrem-se.
O que acontece se a correctora que uso for à falência?
Regra geral, as correctoras mantêm os nossos activos numa entidade legal separada. Na práctica, isto significa que a correctora teria uma entidades para o negócio de corretagem propriamente dito através da qual realiza todas as actividades inerentes à operação (i.e., pagar os salários dos empregados, receber os fees dos clientes, etc, etc) e outra entidade à qual os nossos activos estariam alocados (dinheiro que temos em conta e os nossos produtos financeiros). A vantagem deste tipo de estrutura é que, em caso de falência do negócio, os ativos dos investidores não poderiam ser usados para pagar aos credores da correctora.
Não vos posso dizer se na práctica é 100% assim mas, pelo menos em teoria, isto acontece (ver e ver). Usando a DeGiro como exemplo:
DEGIRO holds Financial Instruments for you in such a way that they cannot be accessed by creditors of DEGIRO, even if DEGIRO would be bankrupt.
Ainda assim, supondo que a DeGiro ia à falência, dado que está sediada na Holanda, estaria ao abrigo do Investor Compensation Scheme que fará face às obrigações da correctora até um limite de 20k€ por investidor.
Para vos dar outro exemplo, caso investissem através da Interactive Brokers, o limite seria 500k€, uma vez que estariamos ao abrigo da SIPC (Securities Investor Protection Corporation).
Estes valores/regras dependerão do país no qual a correctora está sediada. Caso queiram optar por outra, as preocupações deverão rondar as seguintes questões:
Qual é a rentabilidade anual que posso esperar do meu portfólio, se seguir as estratégias deste post?
Tendo em consideração os dados do último século, o retorno médio anual do mercado de capitais foi de 10%. Na práctica, isto quer dizer que se adquirires um ETF cujo benchmark seja o S&P500 ou um índice global (muitas vezes os ETF deste tipo têm WLR ou World no nome), no longo prazo (20+ anos), podes esperar um retorno anual de 10% nos teus investimentos. Atenta, por favor, que isto não quer dizer que terás todos os anos 10% - poderão haver anos que ganhas 30% e noutros perdes 15%, por exemplo. Ainda assim, no longo-prazo, em média, poderás esperar um retorno de 10%/ano.
O importante é que não faças o que a maior parte das pessoas faz: vender quando o mercado está a cair e comprar quanto o mercado está em alta. O nosso objectivo enquanto investidores de longo prazo deve ser comprar sempre o mesmo em valor absoluto (supõe que defines como objetivo uma taxa de poupança de 30%/mês; deverás investir sempre esses 30% quer o ETF custe 10€ ou 80€). Uns anos essa poupança de 30% comprará mais unidades do dito ETF, outras menos. Ainda assim, no final da nossa vida de investidor, poderemos esperar um retorno de 10%/ano, em média.
Para aqueles que são conservadores, usem 6% como referência.
O ETF xpto é uma boa alternativa aos que mencionas no teu post?
Quando consideramos investir num ETF há algumas questões que devemos colocar:
  1. Qual é o activo subjacente ao ETF?
  2. Qual o custo de gestão do ETF?
  3. O ETF é cumulativo ou distribuí dividendos?
  4. Em que praça é cotado?
  5. Em que moeda está denominado o ETF?
Em primeiro lugar, importa perceber qual é o activo que está subjacente ao ETF.
Em segundo lugar, importa analisar os custos.
Eu posso pensar "epah estar exposto ao mundo todo é melhor do que estar apenas exposto ao mercado dos EUA." Certíssimo. No entanto, o retorno que irei ter ao estar exposto a empresas de diferentes geografias vai compensar a diferença de custos de gestão anuais que terei de pagar? Para além disso, supondo que estou a investir em empresas do S&P500, a maior parte delas operam em vários mercados. Será que faz sentido optar por um ETF que diversifica ainda mais, incorrendo em custos superiores, quando as grandes empresas são, hoje em dia, na sua grande maioria, globais?".
O ponto 3, ainda para mais em Portugal, é fulcral. Cada vez que te forem pagos dividendos, pagarás 28% de imposto. Logo, supondo que recebes 1.000€ de dividendos, só receberás à cabeça 720€. Num ano, pode não parecer muito, capitaliza isto pela tua vida de investidor, no meu caso 50 ou 60€ e tens uma valente fortuna paga ao Estado, sem motivo para isso.
Qual é então a solução? Fácil! Investir num ETF que invés de te dar os 1.000€ todos os anos, os investe automaticamente no ETF. Não só poupaste 28% em imposto como o poder do juro composto vai multiplicar este valor inúmeras vezes. Lembra-te, sempre que possível, accumulating.
O próximo ponto também é essencial uma vez que se o EFT for cotado nos EUA não está sequer acessível para nós. Infelizmente, as normas europeias exigem que os issuers forneçam uma série de informação, sem a qual os ETF não poderão ser transacionados em bolsa Europeias. Consequentemente, não são sequer solução para nós porque simplesmente não estão disponíveis.
Por último, há pessoas que consideram que seja bastante importante a moeda na qual o ETF está cotado devido ao currency risk (i.e., supõe que tens um activo em USD e gastas o teu dinheiro em EUR. O risco é que o USD desvalorize face ao EUR e que, consequentemente, percas poder de compra).
Pessoalmente, não é algo que me faça perder o sono, mas é uma questão a considerar.
O que acontecerá às minhas poupanças daqui a 20 anos se conseguir investir mais 50€/mês?
De acordo com esta calculadora, daqui a 20 anos terás mais 36.199,34€ ou 22.782,29€, consoante a tua perspectiva face à taxa de juro seja optimista ou pessimista, respectivamente.
Quero aprender mais sobre o tópico. O que me aconselhas?
Infelizmente, muito do conteúdo que existe está extremamente vocacionado para o mercado Norte-americano, em particular os EUA - surprise, surprise, han?
De qualquer modo, existem muitas (e boas!) lições que podemos adaptar à nossa realidade. Por isso, caso se sintam à vontade a ler inglês aconselho os seguintes livros:
Creio que para a maior parte deles poderão encontrar a versão em PT. No entanto, caso considerem que há interesse posso fazer um breve resumo de cada um deles e incluí-lo no âmbito do thread.
Para aqueles cujas versões de inglês forem suficientes, mas cujo valor dos livros faça diferença no orçamento familiar, mandem-me dm.
Tenho mais de 100.000€ disponível para investir, devo seguir o mesmo processo?
Não.
Nesse caso, por favor, abre uma garrafa de champanhe. Para além de estares entre os 20% mais ricos de Portugal e dinheiro não ser uma preocupação para ti, podes investir directamente com a Vanguard.
Para o fazeres, envia um e-mail para [email protected] com a indicação de que pretendes investir no index fund cujo ISIN é IE0002639668. Infelizmente, a partir daqui não te consigo ajudar mais, uma vez que ainda não estou neste patamar. Contudo, para questões particulares, estou sempre disponível por dm, se necessitares.
Caso pretendas consultar os restantes fundos disponíveis para investidores portugueses podes fazê-lo aqui.
Creio que já deu para entender que adoro este temas. Por isso, caso tenham alguma questão, estejam completamente à vontade para a colocar nos comentários ou enviar-me dm. Terei todo o gosto em ajudar cada um de vocês em tudo o que me for possível.
Como qualquer pessoa, sou humano e, como tal, não sei tudo. Ainda assim, se for esse o caso, estou disponível para ir aprender de modo a ser capaz de vos explicar e partilhar convosco.
Provavelmente editarei este tópico várias vezes à medida que me for lembrando de mais informação. Até lá, espero que vos seja útil!
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2020.01.04 03:14 altovaliriano O Leão na teia da Aranha

Texto original: https://warsandpoliticsoficeandfire.wordpress.com/2016/02/05/heirs-in-the-shadows-the-young-lion/
Autores: GoodQueenAly; @BryndenBFish
Título original: Heirs in the Shadows - The Young Lion

Introdução

Tyrek Lannister pode ser considerado pelos leitores pouco mais que um personagem terciário em As Crônicas de Gelo e Fogo. A avaliação não é irracional: nem mesmo mencionado pelo nome no primeiro livro, aparecendo apenas duas vezes antes de seu misterioso desaparecimento na revolta violenta em Porto Real em A Fúria dos Reis , o jovem Tyrek merece pouco mais do que uma nota de rodapé entre seus parentes Lannister mais proeminentes, muito menos no grande elenco de personagens. Caso notado, ele pode ser lembrado apenas como uma vítima, no mesmo plano que seu primo Willem: um infeliz peão das ambições dinásticas de Lannister, um inocente assassinado pelo povo revoltado da capital.
No entanto, Tyrek desapareceu tão completamente - e tão misteriosamente - que, afinal, seu "simples" desaparecimento pode não ser tão simples. Em vez de ser um dos muitos corpos retirados das ruas nos dias e semanas após o tumulto, Tyrek pode estar vivo e bem (ou pelo menos relativamente bem). Ainda mais, Tyrek pode estar esperando para fazer um reaparecimento dramático em Westeros, enquanto é instruído e preparado por um improvável "aliado". Quem iria querer o jovem primo Lannister e o que poderia estar reservado para ele no futuro?
[...]

Apresentando o Peão

Tyrek Lannister nasceu por volta de 286 dC, o único filho de Sor Tygett Lannister e sua esposa Darlessa Marbrand. Sor Tygett era o terceiro filho de Lorde Tytos Lannister, um irmão mais novo do futuro Lorde Tywin e Sor Kevan. Como os dois irmãos mais velhos de Tygett se casaram e tiveram filhos antes do nascimento de Tyrek, não houve grande pressão sobre esse terceiro filho para se casar e procriar também (embora ainda não saibamos quando Tygett e Darlessa se casaram).
Em uma família mais pobre, Tygett poderia ter sido levado para a Muralha, a Fé ou a Cidadela para reduzir os estoques familiares, mas os Lannisters eram ricos o suficiente para sustentar as famílias dos filhos mais novos. Tygett também não teve que abaixar os olhos para encontrar sua noiva: Darlessa era uma Marbrand, uma casa vassala respeitável dos Lannisters (e parente da mãe de Tygett, Jeyne Marbrand).
Na época em que o bebê Tyrek nasceu, ele era possivelmente o nono na fila de Casterly Rock (dependendo se seus primos Martyn e Willem Lannister e Joffrey Baratheon já haviam nascido e se o pai de Tyrek já havia morrido). Ainda que outros pretendentes tenham enfrentado probabilidades menores (Aegon V pode ter sido o décimo primeiro na fila no momento de seu nascimento), a possibilidade de um recém nascido sentar-se no assento dos Reis do Rochedo parecia muito improvável.
Ainda assim, o jovem Tyrek não teve nenhuma sorte. Como Lannister (e especialmente Lannister do Rochedo), neto da linha masculina de Lorde Tytos, Tyrek nunca teria falta de dinheiro ou influência. De fato, sendo a rainha uma Lannister (e havendo um herdeiro “meio”-Lannister da idade de Tyrek), carregar o nome de "Lannister" faria com que até um membro da família de status relativamente baixo como Tyrek ganhasse importância.
Seu pai, Tygett, recebeu alguns elogios durante a Guerra dos Reis Ninepenny: embora muito jovem - possivelmente até mais jovem do que Tyrek quando desapareceu - Tygett matou um homem em sua primeira batalha e depois matou um cavaleiro da Companhia Dourada. Portanto, Tyrek descendia de uma safra de boa qualidade das Terras Ocidentais e, pelo menos, poderia ter esperado se casar com uma donzela nascida nas Terras Ocidentais quando tivesse mais idade.
A rainha Cersei, no entanto, tentaria elevar seu jovem primo Lannister ainda mais do que ele poderia ter imaginado:
Não conseguiu deixar de reparar nos dois escudeiros: rapazes bonitos, loiros e bem constituídos. Um tinha a idade de Sansa, com longos cachos dourados; o outro teria talvez uns quinze anos, cabelos cor de areia, um fio de bigode e os olhos verdeesmeralda da rainha.
– Aqueles rapazes – Ned lhe perguntou– são Lannister?
Robert assentiu, limpando as lágrimas dos olhos.
– Primos. Filhos do irmão de Lorde Tywin. Um dos mortos. Ou talvez o vivo, agora que penso nisso. Não me lembro. Minha esposa vem de uma família muito grande, Ned.
Uma família muito ambiciosa, Ned pensou. (AGOT, Eddard VII)
Ned foi perspicaz em sua conclusão: a rainha Lannister teve bastante iniciativa no aprofundamento das relações dos Lannister na corte (uma característica que mais tarde ela criticaria na noiva de seus filhos, Margaery Tyrell). Consequentemente, Cersei convenceu o rei Robert a nomear o jovem Tyrek seu escudeiro, junto com o primo de ambos, Lancel (o filho mais velho de Kevan Lannister).
Não se sabe quando Tyrek começou a servir o rei, embora provavelmente não tenha sido mais de alguns anos (se muito) antes do início de A Guerra dos Tronos. Para efeito de comparação, os dois Walders em Winterfell começaram a servir Ramsay Bolton por volta dos oito ou nove e Edric Dayne a Beric Dondarrion aos dez. Assim, Tyrek deveria estar com Robert há cerca de três anos antes da morte do rei, no máximo.
Quanto mais alto o cavaleiro ou senhor, maior seria a honra de ser escudeiro (a razão pela qual, entre outras concessões, Walder Frey exigiu que seu filho Olyvar se tornasse escudeiro do então Lorde Robb Stark), e nenhuma honra maior poderia ser concedida a um menino Westerosi que ser escudeiro do próprio rei.
A nomeação como escudeiro do rei poderia ser o começo de uma carreira na corte para Tyrek, semelhante ao começo cortês do tio Tywin como um pagem para Aegon V. O príncipe Rhaegar, afinal, transformou seus escudeiros, Myles Mooton e Richard Lonmouth, em firmes aliados e amigos. Se Tyrek provasse ser um espadachim tão talentoso quanto seu pai, poderia se tornar o mestre de armas da Fortaleza Vermelha (uma posição que Tywin realmente tentou, mas falhou, em garantir para Tygett). Com um primo na Guarda Real, uma capa branca poderia até estar no futuro de Tyrek (de fato, uma colocação na Guarda Real poderia ter servido para remover cuidadosamente um excesso de Lannisters do Rochedo). Dyanne Dayne pode ter assegurado um casamento real devido à sua nomeação para a corte da rainha Mariah Martell. Um noivado com a princesa Myrcella provavelmente era impossível para um mero primo Lannister, mas na corte Tyrek não careceria de conexões poderosas - enquanto os Lannister permanecerem no poder.
No entanto, também pode ter havido um lado mais sombrio em Tyrek ter se tornado escurdeiro - um não explorado nos livros, mas que, no entanto, é importante considerar à luz do possível papel de Tyrek no futuro. Espera-se que escudeiros sigam seus cavaleiros em todos os lugares, e o exemplo de Justin Massey demonstra que Robert poderia levar seus escudeiros a lugares estranhos:
Massey quer a princesa selvagem também. Ele certa vez serviu meu irmão Robert como escudeiro e adquiriu o seu apetite por carne feminina. (ADWD, Jon IV)
Esse "apetite por carne feminina" quase certamente incluía os bordéis de Porto Real que Robert visitava com alguma frequência. Tyrek era um pouco jovem demais para participar da maneira que Stannis disse que Justin Massey fazia (ou mesmo da maneira que Lancel poderia ter feito, se incentivado por Robert), mas ele não teria que passar tempo com nenhuma prostituta para observar algo muito mais perigoso que os adúlterios do rei.
Os leitores sabem que Robert tinha pelo menos um bastardo de uma prostituta de Porto Real: a bebê Barra, nascido de uma jovem prostituta de Chataya. A bebê, como todos os bastardos conhecidos de Robert, tinha o cabelo preto de seus antecedentes Baratheon - um fato que Mindinho não deixou de notar, o fez levar Eddard para ver a bebê e revelar a conspiração incestuosa dos Lannister.
Certamente, seria demais supor que Tyrek, um garoto de 12 anos, tivesse descoberto que os verdadeiros filhos bastardos de Robert tinham aparência de Baratheon, e que seus primos em primeiro grau eram, na verdade, bastardos nascidos do incesto de Lannisters. No entanto, Tyrek talvez tenha visto demais, mesmo que ele próprio não tivesse juntado as peças do quebra-cabeça. O escudeiro mais jovem do rei provavelmente viu em primeira mão os filhos bastardos de cabelos pretos do rei (com nove bastardos não registrados do rei, parece provável que pelo menos um outro além de Barra e Gendry tenha nascido onde o rei passava a maior parte do tempo: a capital) e, presumivelmente, era amigo de confiança e companheiro dos filhos de aparência Lannister da rainha. Se esse conhecimento fosse posto a disposição de um indivíduo mais ardiloso do que o inocente Tyrek, o garoto poderia se tornar uma testemunha útil na derrubada do regime de Baratheon-Lannister.
No entanto, Tyrek não precisaria servir Robert como escudeiro (ou segui-lo em suas aventuras lascivas) por muito tempo. Em 298 dC, Robert morreu – aparentemente de um acidente de caça, mas de fato por um meio-assassinato criado por Cersei para impedir a descoberta de seu incesto. O veículo que ela usou foi o primo de Tyrek e também escudeiro, Lancel Lannister.
Aparentemente, Tyrek não acompanhou o rei em sua última caçada, mas ele pode ter ouvido trechos da trama via Lancel. Seu status duplamente íntimo - como primo em primeiro grau e companheiro escudeiro (os dois parecem ter sido os únicos escudeiros de Robert no momento de sua morte) - dão a Tyrek maior potencial de conhecer os fatos por trás do assassinato de Robert - fatos que também serviriam para derrubar Linha real de Cersei.
Naquele momento, Tyrek era simplesmente um antigo escudeiro real, então alocado na corte de Joffrey sem qualquer objetivo maior. Os eventos, no entanto, logo perturbariam a existência relativamente pacífica de Tyrek e o empurrariam para uma tempestade de caos político - e ambição secreta.

Um Desaparecimento Estranho

Para acrescentar a todo o mistério que cerca seu desaparecimento, em A Fúria dos Reis, Tyrek é visto apenas uma vez:
Lorde Gyles tossia, enquanto o pobre primo Tyrek vestia sua capa de noivo de pele de esquilo e veludo. Desde seu casamento com a pequena Senhora Ermesande, três dias antes, os outros escudeiros tinham começado a chamá-lo de “Ama de Leite”, perguntando-lhe que tipo de cueiros sua noiva usara na noite de núpcias. (ACOK, Tyrion VI)
Longe de ser a noiva filha de um glamuroso cortesão que Tyrek esperava que sua posição de corte lhe desse - ou mesmo da donzela das Terras Ocidentais que ele poderia ter antecipado em circunstâncias normais - o "primo pobre" de Tyrion fora casado com Ermesande Hayford. Dinasticamente, a combinação foi agradável: a Casa Hayford era uma respeitável dinastia das Terras da Coroa, com pelo menos uma casa de cavaleiros juramentada. Sua atual dama, Ermesande, era a última de sua linhagem, o que significa que as terras e rendas de Hayford seriam graciosamente transferidas para os Lannisters.
Infelizmente para Tyrek, Ermesande também era um bebê. O novo lorde de Hayford teria que esperar até os vinte e poucos anos para contemplar a consumação de seu casamento. No entanto, se era pessoalmente humilhante ser casado com uma garota ainda não desmamada, Tyrek não tinha instância para reclamar. Ele, como todos os seus contatos Lannister, era um peão em um grande jogo de política dinástica e se casaria na forma que pudesse trazer maior vantagem à Casa Lannister.
Tyrek, no entanto, não viu sua noiva infantil amadurecer. Em 299 dC, Tyrion arranjou o casamento da prima de Tyrek, Myrcella, com o príncipe Trystane Martell, de Dorne. A corte fez um evento para acompanhar Myrcella até as docas para vê-la partir para Lançassolar, e Tyrek - como primo da princesa e também representante dos interesses de Lannister - juntou-se à família real, cortesãos, guardas reais e até o Alto Septão na procissão. Um homem na corte, no entanto, estava visivelmente ausente: o mestre dos sussurros, Varys.
A cidade estava em um clima nefasto. A Guerra dos Cinco Reis havia isolado a Capital dos tradicionais celeiros de Westeros. Com as Terras Fluviais em chamas e a Campinas firmemente apoiando de Renly Baratheon no ínico, Porto Real teve que confiar em Rosby e Stokeworth para trazer suprimentos, e as restrições resultaram em fome entre as classes mais pobres da cidade. O que o jovem rei Joffrey não possuía em charme e tato político, mais do que compensava em crueldade. Tyrion, sua Mão, foi responsabilizado pela má sorte após a morte de Robert, odiado por sua retaliação contra Janos Slynt e Pycelle e por seus seguidores mercenários e selvagens. Rumores sobre o incesto dos Lannister e a corrupção real em geral já haviam se espalhado pelas ruas; o ar saturado precisava apenas da faísca certa para explodir.
Quando explodiu, a fúria foi horrível de se ver. Sor Aron Santagar, o mestre de armas da Fortaleza Vermelha, foi espancado até a morte por quatro homens, enquanto Sor Preston Greenfield, da Guarda Real, foi retalhado e esfaqueado tão brutalmente que sua armadura branca ficou manchada de vermelho e marrom. O Alto Septão fora arrancado de sua liteira e despedaçado por membros da multidão, e a Senhora Lollys Stokeworth fora estuprada nas ruas por vários homens. Nove Mantos Dourado foram mortos pela multidão, enquanto mais 40 da Patrulha da Cidade foram feridos nos combates; o número de plebeus mortos não foi registrado, mas provavelmente foi muito maior.
Não foi registrado entre os mortos, porém, o jovem Tyrek Lannister. Presumivelmente, "Ama de Leite" estava na "longa comitiva de outros cortesãos" atrás da liteira do Alto Septão, formada no final da procissão real. Esse posicionamento explicaria por que foi Horas Redwyne, também naquele grupo, quem informou que Tyrek não havia retornado. Tyrion, assumindo o comando logo após o tumulto, ordenou a Jacelyn Bywater, seu novo Comandante da Patrulha da Cidade, que encontrasse seu primo desaparecido:
Tyrek continuava desaparecido, tal como a coroa de cristais do Alto Septão. Nove homens de manto dourado tinham sido mortos, e havia quarenta feridos. Ninguém se incomodara em contar quantos haviam morrido entre a multidão.
– Quero Tyrek, vivo ou morto – Tyrion disse secamente quando Bywater se calou. – Ele não passa de um garoto. Filho do meu falecido tio Tygett. O pai sempre foi bom para mim. (ACOK, Tyrion IX)
Com a confusão e o caos do tumulto, não surpreende que Tyrek Lannister tenha se perdido. Sua aparência óbvia de Lannister e sua associação com a família real pode ter tornado Tyrek um alvo fácil para os manifestantes. Se ele fosse tratado com tanta brutalidade quanto Sor Preston ou Sor Aron, seu corpo poderia nunca ter sido encontrado entre os muitos mortos.
No entanto, o que é insatisfatório nessa explicação simples é o foco que o desaparecimento de Tyrek é dado por vários livros, muito depois que os incêndios na Baixada das Pulgas foram extintos. Em três momentos distintos, Tyrek e o mistério de seu desaparecimento após o tumulto são expressamente mencionados, muito embora nenhum personagens presentes pareça ser capaz de determinar o destino do pobre escudeiro.
O primeiro momento ocorre durante A Tormenta de Espadas. Tyrion, tentando uma reunião com seu pai (a nova Mão), encontra Sor Addam Marbrand na escada. Um cavaleiro bastante talentoso e amigo de infância de Jaime Lannister, Addam havia sido nomeado o novo comandante da Patrulha da Cidade, mas sua primeira tarefa provou ser um fracasso:
– Você vem dos aposentos de meu pai? – perguntou.
– Venho. Temo não tê-lo deixado no melhor dos humores. Lorde Tywin acha que quatro mil e quatrocentos guardas são mais do que suficientes para encontrar um escudeiro perdido, mas seu primo Tyrek continua desaparecido.
Tyrek era filho do falecido tio Tygett, um rapaz de treze anos. Desaparecera no tumulto, não muito tempo depois de se casar com a Senhora Ermesande, um bebê de peito que calhava ser a última herdeira sobrevivente da Casa Hayford. E provavelmente a primeira noiva na história dos Sete Reinos a enviuvar antes de ser desmamada.
– Também não fui capaz de encontrá-lo – confessou Tyrion. (ASOS, Tyrion I)
Pode ou não ser verdade que Sor Addam enviou todos os quatro mil guardas da cidade à procura do jovem Tyrek, mas o tamanho de sua força-tarefa em potencial só fez com que o fracasso em encontrar essa relação Lannister fosse maior – e mais intrigante. Sor Addam é um comandante respeitado, mas ninguém na capital era capaz de revelar maiores informações sobre o paradeiro de Tyrek, ou mesmo mais detalhes sobre o que aconteceu com o escudeiro Lannister durante o tumulto - um fato tornado mais notável em face da autoridade emanada por Addam. Lorde Tywin Lannister manifestou sua intenção de encontrar seu sobrinho, porém nem mesmo a mágica de seu nome conseguiu extrair mais uma gota de informação daqueles que poderiam saber sobre Tyrek.
É verdade que, durante a rebelião de Robert, Jon Connington não conseguiu extrair informações do povo de Septo de Pedra: ele havia oferecido subornos e ameaçado com punições, mas as pessoas se recusavam a revelar onde Robert Baratheon estava escondido na cidade. No entanto, lorde Tywin tinha uma reputação muito mais pavorosa do que Lorde Jon.
]Tywin não tinha vergonha de anunciar sua brutal extinção dos Reynes e Tarbecks por seu desafio aos Lannisters; alguns dos portorrealenses podem até se lembrar do Saque no fim da rebelião de Robert, quando os homens de Tywin mataram crianças na rua e estupraram mulheres em suas casas. Se os portorrealenses mentissem agora e fossem flagrados na mentira mais tarde, a retribuição que Tywin traria sobre eles e seus vizinhos seria implacável.
Então, por que ninguém deu a menor dica sobre o que aconteceu com Tyrek? Não há rumor de que ele teria sido morto (embora Bronn considerasse essa como a opção mais provável); em vez disso, Tyrek parece ter simplesmente sumido.
Mais tarde, o próprio Tywin enfatizou seu desejo de encontrar o filho de seu irmão em uma reunião do pequeno conselho:
– Dragões e lulas-gigantes não me interessam, independentemente de quantas cabeças tenham – disse Lorde Tywin. – Seus informantes terão por acaso encontrado algum rastro do filho de meu irmão?
– Infelizmente, nosso bem-amado Tyrek desapareceu por completo, pobre e bravo rapaz. – Varys parecia perto de rebentar em lágrimas. (ASOS, Tyrion III)
Pode-se questionar por que Tywin procuraria informações de Varys. Se milhares de policiais não puderam extrair o paradeiro de Tyrek daqueles que testemunharam o caos do tumulto, a próxima fonte de informação era naturalmente Varys e sua extensa rede de espionagem. O mestre dos sussurros pode não ser tão onisciente quanto muitos acreditam que ele é, mas seu catálogo de informantes é vasto e suas habilidades na coleta de informações são bem afiadas e praticamente inigualáveis.
Os plebeus podem relutar em admitir a oficiais sob a autoridade de Lorde Tywin que viram Tyrek assassinado e seu corpo destruído ou despejado no Água Negra, mas declarações casuais feitas em ambientes mais informais podem ser facilmente captadas por um agente da Varys e entregues ao mestre de sussurros. Era assunto oficial da coroa desde imediatamente após o tumulto encontrar Tyrek Lannister; era, ostensivamente, a responsabilidade premente de Varys coletar qualquer informação sobre esse ponto.
No entanto, embora Varys ostensivamente não tenha recebido informações, sua conduta nessa cena deve ser analisada. Não foi a primeira vez que Varys exibiu teatralmente uma tristeza dramática diante de um Lannister. Em A Fúria dos Reis, Tyrion organizou a prisão de Janos Slynt e seu exílio na Muralha, muito embora Slynt tivesse se recusado a revelar quem o havia ordenado a perseguir os assassinatos do bebê Barra e sua mãe. Após a cena com Slynt, Tyrion teve a seguinte conversa com Varys:
– [...] Foi a minha irmã. Foi isso que o Ah... tão... leal Lorde Janos se recusou a dizer. Cersei enviou os homens de manto dourado àquele bordel.
Varys sufocou um riso nervoso. Então, ele sempre soubera.
– Não me havia contado essa parte – Tyrion disse, acusadoramente.
– A sua querida irmã – Varys respondeu, tão desgostoso que parecia perto das lágrimas. – É duro contar isso a um homem, senhor. Tive receio de como receberia a notícia. É capaz de me perdoar? (ACOK, Tyrion II)
Mais uma vez, Varys conhecia um segredo que a Mão Lannister não conhecia. Encurralado para revelar a verdade ou passar uma mentira plausível, Varys optou por lágrimas dramáticas para transmitir uma sensação de pesar real à situação em ambos os casos. Suas habilidades na pantomima não haviam desvanecido, apesar de seus anos fora da profissão: como um pantomimeiro perfeito, Varys estava utilizando uma distração em sua demonstração de tristeza para desviar as atenções do público das questões prementes reais apresentadas a ele.
O truque não funcionou em nenhum dos dois homens - Tyrion insistiu em maior transparência do mestre dos sussurros, e Tywin estava pronto para "expressar a sua óbvia insatisfação" antes de ser desviado por Kevan - mas o fato de Varys usar a mesma tática duas vezes, diante de público similar, pode sugerir que Varys está mais uma vez privando os Lannisters de um segredo e que ele sabe exatamente o que aconteceu com o jovem Tyrek.
A conversa de Marbrand com Tyrion, no entanto, não seria a última vez que o herdeiro de Cinzamarca comentaria o caso do desaparecimento de Tyrek. Ao partir da capital, Jaime Lannister levou seu amigo de infância consigo. Permanecendo como convidados em Hayford - o assento brevemente ocupado por Tyrek - Addam falou o seguinte sobre a situação:
– Eu mesmo liderei uma busca, por ordens de Lorde Tywin – interveio Addam Marbrand enquanto tirava as espinhas de seu peixe –, mas não descobri mais do que o Bywater antes de mim. O rapaz foi visto pela última vez a cavalo, quando a força da turba quebrou a formação de homens de manto dourado. Depois disso... Bem, sua montaria foi encontrada, mas o cavaleiro não. O mais provável é terem-no derrubado e matado. Mas, se foi assim, onde está o corpo? A multidão deixou os outros cadáveres no local, por que não o dele? (AFFC, Jaime III)
Addam Marbrand levanta um ponto importante. Os corpos de Santagar e Greenfield foram descobertos mais tarde - mutilados, quase a ponto de não serem reconhecidos, mas identificáveis ​​-, sendo que a multidão não faz nenhuma tentativa de descartar os dois, que eram obviamente funcionários da corte. Certamente, o castigo pelo assassinato de um Lannister, primo em primeiro grau do rei (assumindo que a multidão soubesse quem Tyrek era), seria terrível. No entanto, o assassinato alguém de nascimento nobre como Santagar, ou um cavaleiro da Guarda Real, provavelmente também levaria terríveis punições.
As multidões de tumultos estavam em um estado caótico, mais em busca de sangue do que em fazer cálculos frios sobre suas vítimas, e com Tyrek não teria sido diferente. Por que apenas o corpo de Tyrek seria descartado de maneira tão completa que não restava nenhum vestígio dele?
Lyle Crakehall, outro homem do oeste na companhia de Jaime, fez a seguinte observação:
– Ele teria sido mais valioso vivo – sugeriu Varrão Forte. – Qualquer Lannister traria um robusto resgate. (AFFC, Jaime III)
O pensamento, no entanto, foi rápida e efetivamente descartado por Marbrand:
– Sem dúvida – concordou Marbrand –, e no entanto nunca houve um pedido de resgate. O rapaz simplesmente desapareceu. (AFFC, Jaime III)
Mais uma vez, Marbrand foi direto ao cerne da questão. Bronn havia observado anteriormente a oferta de Varys de uma “bolsa gorda” pela devolução de Tyrek, e sem dúvida Marbrand também acreditava que o eunuco mestre de espionagem tornara pública a oferta. Havia muitas oportunidades para os portorrealenses ganharem dinheiro com o desaparecimento de Tyrek, mantendo-o como refém quando a revolta estourou ou, posteriormente, alegando conhecimento do destino de Tyrek (talvez colocando a culpa pelo assassinato em vizinhos detestados).
No entanto, não havia um pingo de informação que pudesse revelar o que aconteceu com o escudeiro Tyrek. Uma gorda bolsa Lannister raramente falhara em soltar línguas antes, mas mesmo assim os rumores do destino de Tyrek não puderam ser arrancados dos habitantes da Baixada das Pulgas.
No comentário de Marbrand, Jaime fez sua própria conclusão - que os portorrealenses, tendo matado Tyrek, jogaram seu corpo no rio por medo da ira de Tywin - mas isso é insatisfatório, mesmo para o próprio Jaime. Por um lado, Tywin não estava na capital na época do tumulto e não retornaria até a Batalha do Água Negra. Na verdade, os portorrealenses poderiam temer o retorno de Lorde Lannister, mas o corpo de Tyrek teria que ser destruído durante o tumulto (uma vez que Tyrion enviou uma equipe de busca para ele logo ao retornar à Fortaleza Vermelha), fazendo do medo de Tywin uma motivação improvável.
Aprofundando-se na questão, Jaime avaliou o que Tyrek poderia representar:
Mas, mais tarde, sozinho no quarto de torre que lhe fora oferecido para a noite, Jaime deu por si com dúvidas. Tyrek servira o Rei Robert como escudeiro, ao lado de Lancel. O conhecimento podia ser mais valioso do que o ouro, mais mortífero do que um punhal. Foi em Varys que pensou então, sorrindo e cheirando a lavanda. O eunuco tinha agentes e informantes por toda a cidade. Seria coisa simples arranjar as coisas de forma que Tyrek fosse capturado durante a confusão... desde que soubesse de antemão que era provável que a turba entrasse em tumulto. E Varys sabia de tudo, ou pelo menos era isso que gostava de nos fazer acreditar. Mas não deu nenhum aviso a Cersei sobre esse tumulto. Nem desceu aos navios para se despedir de Myrcella. (AFFC, Jaime III)
Pode parecer óbvio demais que o destino de Tyrek nos seja transmitido através dos pensamentos internos de Jaime. Jaime certamente tem todos os fatos sobre o Tyrek aqui, mas o importante a se notar é que Jaime falha em juntar as peças. Ele sabe que Tyrek era um escudeiro, sabe que Lancel também era escudeiro, sabe que Lancel efetuou o plano de assassinato de Cersei, sabe que Varys poderia ter arrebatado Tyrek - mas depois para de pensar no assunto.
O monólogo interno de Jaime pode ser comparado à chance de Arya ouvir a trama entre Varys e Illyrio nos porões da Fortaleza Vermelha em A Guerra dos Tronos. De certa forma, é muito coincidente e direto - os leitores conseguem obter um ponto de vista dos dois conspiradores astutos discutindo abertamente seus planos acerca dos Targaryens exilados - mas porque Arya é apenas uma criança, não uma ladina, seu relatório da conversa é confusa e gentilmente descartada por Eddard. Jaime pode adivinhar que Tyrek pode ser útil, mas o modo como Varys poderia usá-lo está além do desejo ou habilidade analíticos de Jaime.
A evidência não resulta em uma conclusão simples. Todos os membros desaparecidos da comitiva real haviam sido devolvidos à Fortaleza Vermelha ou tiveram seus corpos encontrados - exceto Tyrek. Uma busca realizada após o tumulto não conseguiu encontrar mais do que o palafrém de Tyrek. Uma enorme força-tarefa da Patrulha da Cidade não fez nada para dissipar o mistério em torno do desaparecimento do garoto. Varys, o especialista em espionagem, parece ter deliberadamente ocultado informações que recebeu sobre Tyrek. Para onde o garoto poderia ter ido?
Pode ser que Tyrek não tenha sido assassinado nas ruas da Baixada das Pulgas – mas que ele esteja, de fato, vivo e escondido, sob os cuidados de Varys.

O Leão na teia da Aranha

O fato de Varys ter usado o motim em Porto Real para seqüestrar o jovem Tyrek parece uma conclusão possível, até mesmo provável. É improvável que Varys tenha planejado todo o tumulto em Porto Real - as pessoas estavam com fome e raiva o suficiente para não necessitarem de preparação -, mas uma instigação sutil poderia levar os portorrealenses a se aglomerarem nos pontos desejados, dentro dos quais Varys ou seu agente na multidão poderiam arrebatar Tyrek e o colocar sob custódia da Aranha.
Se ele era de fato o mentor por trás do tumulto, Varys havia improvisado uma hábil pantomima. A mulher com a criança morta que interrompeu a procissão real fora colocada na curva de uma rua morro acima; a comitiva real não apenas se moveria devagar, mas o fim da comitiva ficaria fora de vista. É provável que a mulher e o homem que jogaram sujeira em Joffrey tenham sido plantados, colocada em posição de detonar o conhecido pavio curto de Joffrey.
A mulher que se encaixa no gosto de Varys pelo teatral; e o atirador de estrume também parece obra dele, uma vez que a sujeira foi jogada de cima de um telhado. Previsivelmente, Joffrey enviou seu "cão" para a multidão para mutilar as pessoas obedientemente e assim, como era de se eseperar, a multidão de pessoas famintas e espumando tomou a brutalidade de Sandor Clegane como incentivo para retaliar. Plantando cuidadosamente seus agentes, Varys poderia garantir que o tumulto começasse na frente do desfile real, permitindo que o rei de repente corresse perigo a fim de distrair o sequestro de Tyrek na parte de trás da procissão e antes da curva do Caminho Lamacento.
O que Varys iria querer com Tyrek? Primeiro, Tyrek tem uma forte direito de sangue a Rochedo Casterly. Embora esteja agora distante do lugar em que nasceu, Tyrek saltou algumas posições desde então. Lorde Tywin está morto, Jaime inelegível por conta de seu manto branco e Tyrion, um regicida condenado e um traidor, está há dois continentes de distância de seu assento ancestral. Cersei, a Dama de Casterly Rock, está esperando para ser julgada por incesto, adultério e regicídio; ela provavelmente terá sucesso no julgamento, mas seu domínio sobre a coroa permanece tênue. Depois de Cersei e seus filhos viria Kevan Lannister, mas Sor Kevan foi recentemente assassinado - por ninguém menos que o próprio Varys. O filho de Kevan, Lancel, se tornou religioso após a Batalha do Água Negra, renunciou ao assento em Darry para se juntar aos Filhos do Guerreiro, ao passo que Willem foi assassinado por Rickard Karstark; seu irmão gêmeo Martyn e o pequeno Janei permanecem vivos, embora o paradeiro deles seja desconhecido. O próximo reclamante seria o próprio Tyrek.
Varys precisa de um herdeiro Lannister, para estabelecer uma nova ordem política em Westeros. Por quase duas décadas, Varys e Illyrio criaram o jovem Aegon como o príncipe ideal, futuro Senhor dos Sete Reinos, um salvador glorioso para resgatar o reino do caos. A invasão estrangeira, no entanto, pode ser apenas uma parte dessa nova conquista de Aegon: qualquer conquistador bem-sucedido (especialmente um sem dragões) exige o apoio da nobreza local para não apenas derrotar seus inimigos, mas estabelecer um regime viável para o futuro.
Dorne parece preparado para apoiar o principezinho “Targaryen”: posando como filho de Elia Martell, Aegon parece pronto para incitar muitos dorneses, já inquietos, a agir contra a odiada dinastia Lannister. O próximo e ousado investimento de Aegon em Porto Real garantirá sua posição como conquistador das Terras da Tempestade, e pelo menos dois poderosos senhores da Cmapina - e um número incerto de "amigos" - parecem prontos para se juntar à sua causa.
Para o resto dos Sete Reinos, no entanto, Varys precisará formular um plano de ataque diplomático. Tyrek, um Lannister do Rochedo, um legítimo Lorde leão (assim que algumas peças forem arrancadas do tabuleiro), pode servir como um fantoche útil para ganhar as Terras Ocidentais para o futuro Aegon VI.
É claro que, para sentar o jovem Aegon no Trono dos Reis Dragão, Varys precisa derrubar o rei-criança Tommen (e se desfazer da princesa Myrcella). A hoste que o príncipe de Varys estava liderando nas Terras da Tempestade será um forte punho de aço para defender seu ponto de vista, mas Varys também precisa da luva de seda de embasamento legal para arrancar a coroa de Tommen de seus cachos dourados.
A tática mais óbvia (e verdadeira) seria provar que Tommen e Myrcella eram bastardos nascidos do incesto, sem qualquer pretensão ao Trono de Ferro, assim como qualquer outro westerosi. Sua bastardia já era um boato comum em todo o reino, graças a Stannis, mas para encerrar a discussão, Varys precisava de alguém que pudesse oferecer provas.
Tyrek esteve com o rei, possivelmente o acompanhou a bordéis e viu seus bastardos de cabelos pretos como Barra. Além disso, Tyrek poderia testemunhar o papel que Lancel desempenhou ao provocar a morte de Robert, minando ainda mais a posição de Cersei. Cuidadosamente treinado por Varys, Tyrek poderia prestar testemunho que arrebataria a herança de seus primos, abrindo caminho para Aegon restabelecer a dinastia Targaryen.
Então, uma vez que Tommen e Myrcella fossem denunciados como bastardos, Tyrek permanece como a escolha ideal para ser nomeado Senhor de Casterly Rock por seu agradecido novo rei Aegon VI (Martyn e Janei apresentariam um desafio dinástico, mas considerando que Varys não tinha escrúpulos em assassinar o pai deles [Kevan], parece improvável que ele permita que esses pretendentes rivais também vivam). Desconectado dos escândalos dos Lannister em Porto Real, Tyrek é um candidato atraente para governar o oeste e se tornar parte da nova ordem westerosi de Aegon.

Conclusão

Em 1999, George RR Martin ofereceu esta breve e tentadora opinião sobre Tyrek Lannister:
RMBoye: Pergunta simples, de verdade - será que vamos descobrir o que aconteceu com o "Ama de Leite", Tyrek?
George_RR_Martin: Sim, você vai. Tento não deixar muitas pontas soltas. Mas às vezes é preciso aguardar.
Talvez os comentários dele devam ser feitos com mais do que um grão de sal; afinal, na mesma entrevista, ele insistiu que o crescimento dos livros pararia no sexto. Talvez já tenhamos visto Tyrek, no jovem bonito, com a bolsa de dragões de ouro, que Arya nota ter morrido na Casa de Preto e Branco. Talvez a Navalha de Occam esteja correta aqui: que Tyrek foi morto no tumulto sangrento e que os manifestantes jogaram seu corpo no rio para evitar o castigo severo que os Lannisters e a coroa provavelmente lhes causariam.
No entanto, o assassinato por um plebeu desconhecido, ou uma morte inexplicável na catedral de um culto de assassinos, parece uma revelação ruim para a qual o autor precisaria aconselhar termos paciência. De fato, parece mais provável que Tyrek esteja de fato vivo e que Varys tenha os meios, motivos e oportunidades para arrancá-lo da capital e segurá-lo para seus próprios usos.
Somente Os Ventos do Inverno servirá para mostrar se Tyrek retornará com o suposto Aegon VI e ocupará seu lugar em Rochedo Casterly. No entanto, o mistério absoluto em torno do desaparecimento de Tyrek continua alimentando especulações, e os leitores podem tentar prever como é que esse escudeiro de menor importância dos Lannister retornará à narrativa de modo grandioso.
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2019.12.28 13:24 ORoxo Como investir Keep it simple, Stupid!

Olá,
Se chegaste até aqui é porque estás preocupado com as tuas finanças, por isso, parabéns!
De facto, é uma preocupação fundamentada, uma vez que, de acordo com Relatório sobre a Sustentabilidade Financeira da Segurança Social publicado em Outubro de 2018 como anexo do Orçamento de Estado de 2019, a Segurança Social como a conhecemos hoje esgotar-se-á no final da segunda metade da década de 2040.

O FEFSS (Fundo de Estabilização Financeira da Segurança Social), a ser utilizado perante saldos negativos do sistema previdencial a partir do final da segunda metade da década de 2020, teria com a atual projeção, um esgotamento no final da segunda metade da década de 2040, representando uma melhoria face à projeção do relatório de sustentabilidade anexo ao Relatório do OE de 2017, em cinco anos.

Assim, se, tal como eu, estás a iniciar a tua vida adulta, provavelmente será responsável pelo teu próprio sustento durante a idade da reforma. Como tal, temos de arranjar uma forma de garantir que o nosso dinheiro rende, para garantir esse conforto futuro.
A melhor forma que conheço para o fazer é através de investimentos, algo que começa agora a ser falado no nosso país, mas sobre o qual a generalidade das pessoas ainda sabe muito pouco.

Ao contrário de subs de outros países relacionadas com finanças pessoais onde existem vários tópicos Guide, em Portugal, tal não acontece.
Para colmatar essa lacuna, decidi escrever este post que espero ajudar aqueles que buscam conselhos financeiros e que se deparam com esta comunidade pela primeira vez.
Infelizmente (ou felizmente) não venho de famílias abastadas. Como tal, há cerca de 2/3 anos quando comecei a ganhar alguma autonomia financeira coincidente com a minha entrada no mercado de trabalho, comecei a pensar como é viria a fazer face às minhas despesas - casa, carro, alimentação, etc.
Desta reflexão resultaram muitas horas de leitura e lições que agora partilho aqui convosco:

Lição 1: ninguém cuidará melhor do vosso dinheiro do que vocês.
Começo por partilhar convosco que uma das coisas que mais me irrita na indústria financeira - e no qual tenho a minha quota-parte de culpa, dado que é a minha área de formação - é da necessidade de complicar. Alguém que esteja de fora, ficará intimidado pela complexidade de palavras que usamos como asset alocation, derivatives, bonds, stocks, optimal portfolio allocation, options, warrants e futuros. Como se isso não bastasse, não educamos os jovens em finanças - em muitos casos temos dificuldade em poupar e noutros tantos em perceber como investir.
Claro que toda esta iliteracia financeira é um paraíso para portfolio managers e outros agentes dispostos a investir o vosso dinheiro por vocês. Porquê, perguntam vocês?
Existem três formas através das quais um porfolio manager consegue fazer dinheiro para a empresa:
  1. Comissões sobre produtos;
  2. Assets Under Management;
  3. Aconselhamento 1-on-1.

Em primeiro lugar, parte do salário de um portfolio manager, é variável. Por outras palavras, está dependente do lucro que trouxer para a empresa. Como tal, não é de admirar que vos sugerirão aqueles produtos que lhes dêem maior retorno, independentemente do retorno que vos trouxerem para vocês. Como tal, aqueles produtos que vos tentarão enfiar pela garganta abaixo são precisamente aqueles que vão de acordo com os objectivos deles (maximizar lucro) e não necessariamente os vossos (maximizar o retorno).
Para além disso, existe também o modelo AUM (Assets Under Management) que na práctica é 1-2% que vos cobrados pelo valor de activos na vossa carteiro. A título de exemplo, suponham que eu tenho 100.000€ investidos na institução A cuja taxa AUM é de 2%. Todos os anos terei de pagar 2.000€ à instituição financeira que faz a gestão dos meus activos, independentemente de ter, ou não lucro. Imaginem que num dado ano tive 6% de retorno, a inflação foi de 3% e a AUM é de 2%. Resta-me 1% de um retorno que deveria ter sido 3%. De repente, um ano que até teria sido bastante positivo transformou-se num mísero 1%. (Parece-vos justo? Nem a mim...)
Por último, alguns advisors estão ainda disponíveis para vos aconselha por uma módica quantia de X, sendo X um valor absolutamente ridículo para o qual não existe qualquer justificação lógica. Como se tal não bastasse, muitas vezes esse aconselhamento não se traduz em qualquer valor acrescentado para nós. Com sorte, vai de encontro ao ponto 1 e comem-nos por parvos duas vezes: no aconselhamento que roçou o medíocre e na venda de um produto com comissões altíssimas e retornos pelas ruas da amargura.

Dito isto, aqui fica a primeira lição: ninguém cuidará melhor do vosso dinheiro do que vocês!

No entanto, identificar um problema sem o tentar resolver soa-me um pouco hipócrita. Por isso, deixem-me introduzir-vos à segunda lição: é mais fácil do que parece.

Dado que, como já partilhei convosco acima, a minha formação base é finanças, comecei a pensar "como é que se investe?". Esta questão levou-me a ler vários livros sobre investimento e apercebi-me que, ao contrário do que todos os profissionais da área faziam parecer crer, investir, era bastante simples.
Tão simples, de facto, que alguém com zero experiência como investidor conseguirá obter um retorno melhor do que 80% dos ditos portfolio managers utilizando apenas as ferramentas que partilharei convosco neste thread.

O quê?! 80%?! Mas investir não é difícil?!
Não.

O quê?! Melhores retornos que portfolio managers que vivem, respiram e comem informação financeira?
Sim.

Afinal eu não preciso de pagar fees ao meu banco para investir por mim?!
Não.

Contudo, antes de partilhar convosco quais são essas ferramentas há três questões que são imperativas que saibam responder:

  1. Em que fase da vossa vida é que estão? Acumulação ou Preservação de riqueza?;
  2. Que níveis de risco é que estão disponíveis a aceitar?;
  3. O vosso horizonte temporal a nível de investimentos é longo ou curto prazo?.

Certamente repararam que as três questões estão intrinsecamente ligadas e que existe um tema comum a todas elas, risco. Pelo que gostava de começar por abordá-lo em primeiro lugar.
Ao contrário do que vos possam dizer ou vocês próprios possam pensar, não existe nenhum investimento 100% seguro.
Experimentem colocar o vosso dinheiro debaixo do colchão durante 20 anos e depois contem-me como os 20k€ que com tanto esforço, suor e lágrimas amealharam valem agora apenas 5k€ em bens e/ou serviços. Ou talvez vocês seja pessoas conservadoras e decidam comprar títulos do tesouro, mas nesse caso apresentar-vos-ei a minha inflação ou então são completamente o oposto e decidem que acções is the way to go, caso em que opto por vos dar a conhecer a minha outra amiga, deflação.
Estes exemplos não servem para vos desincentivar de investir. Queria apenas de uma forma, mais ou menos, lúdica demonstrar-vos que, qualquer que seja a nossa opção, nunca estamos 100% seguros. Consequentemente, a única opção que nos resta é fazer as escolhas que julgamos serem as mais correctas com a informação que temos disponível de momento - e atenção que não fazer escolha é, em si, uma escolha.
Dito isto, existem apenas outras três ferramentas que necessitam para construir o vosso portfolio:
(já repararam que eu gosto de manter as coisas simples?)

  1. Acções
E se invés de apostarmos numa única equipa e rezássemos para que essa equipa vencesse, pudéssemos apostar que uma qualquer equipa entre todas as que estão na competição poderia ganhar? As nossas odds seriam bem melhores, verdade?
É isso que constitui um index fund - um cabaz de acções de várias empresas. Regra geral, cada index fund tem um benchmark que segue o que acaba por definir as ações nas quais esse index fund invest. Tudo o que precisam de saber são três siglas muito simples, IWDA:NA, VUSA e VWRL.

Quais as diferenças?
Dentro dos fundos cotados (aka ETFs), existem duas sub-classes no que toca à distribuição dos dividendos consoante o fundo reeinvista autmaticamente os dividendos ou caso os distribua aos investidores, chamados accumulation ou distribution, respectivamente*.*
Isto é relevante principalmente para efeitos fiscais. No que toca a investimentos desta natureza, existem dois momentos nos quais estás sujeito a imposto.
Na altura de receberes os dividendos e no momento da venda propriamente dito.
Aquando da distribuição dos dividendos, o teu broker transferirá para a conta bancária associada o valor dos dividendos retirados os 28% de imposto. No momento da venda, analisar-se-á qual a mais ou menos valia que há a realizar. Isto é, se vendeste o investimento a um preço superior ao que compraste, o valor de imposto a pagar será de 28% sobre essa diferença. Se o valor de venda for inferior ao valor de compra, não terás qualquer imposto a pagar.
Logo, salvo raras excepções, é aconselhável que se invista num ETF que seja cumulativo (IWDA:NA). Desta forma, tiraremos proveito da capitalização composta dos juros ao mesmo tempo que adiamos o pagamento de impostos desnecessários.

  1. Obrigações
As obrigações proporcionam uma viagem ao longo do percurso de investidor um pouco mais suave. Pessoalmente, dada a minha idade, não creio que tenha muito interesse para mim. No entanto, para investidores mais conservadores, BND e AGGG-fund?switchLocale=y&siteEntryPassthrough=true) são as única sigla que precisam de conhecer neste sub-universo.

  1. Dinheiro
Um fundo de emergência é algo que devemos sempre ter. Ninguém sabe o que acontecerá no dia de amanhã e enquanto investidores de longo-prazo não queremos ter de liquidar os nossos activos devido a uma emergência. Por isso, três a seis meses de despesas fixas é um bom objectivo para se ter em dinheiro numa conta a ordem ou conta poupança que possa ser movimentada sem incorrer em custos.

Lição 2: Todos os portfolio managers acreditam que conseguem bater o mercado. Por sua vez, nós, investidores, acreditamos que conseguimos escolher aqueles que o fazem. Estamos todos enganados.

Imaginem uma sala cheia de crânios financeiros, vestidos nos seus fatos com tecidos italianos. Estes profissionais contam com anos de experiência nos mercados de capitais, para não falar das décadas passadas a estudar em grandes Business Schools.
Para além disso, têm à sua disposição inúmeras ferramentas da Bloomberg, Reuters e outros grandes players que lhes permitem ter acesso a toda a informação, constantemente actualizada, a qualquer instante.
Apesar de trabalharem noite e dia, estes guerreiros também descansam para um ocasional café, cigarro e almoço de negócios. Nesses raros e curtos momentos, encontram-se com outros analistas, experts, insiders das empresas nas quais investem e outra panóplia de gente importante.
Ao conviverem tão próximos com a realidade na qual investem, de certeza que eles sabem o que andam a fazer, certo?
Ahhhhh...think again.
Está comprovado impericamente (clicar irá fazer o download de um pdf) que os vários fundos de investimento não são capazes de dar rendibilidade superior ao seus investidores, quando comparado com o mercado.
Num horizonte temporal de 5 anos, 84,15% dos fundos de investimento tiveram uma performance pior do que o S&P500.
Logo, para terem um retorno superior ao mercado, vocês teriam de escolher o melhor fundo de investimentos possível, de um conjunto de 10! Como se isso não bastasse - e supondo que escolhiam o fundo vencedor -, ser-vos-ia cobra entre 1 a 2% em comissões. Não é muito? Para ilustrar a diferença que isto pode fazer, sigam o meu raciocínio:

Suponham que investiram 10.000€ há 30 anos num dado activo. A rentabilidade média desse mesmo activo foi de 7%, já tida a inflação em conta. Se tivessem investido vocês mesmos esse valor num index fund, teriam aproximadamente 66.000€. Por sua vez, se tivessem escolhido o fundo vencedor teriam apenas 43.000€. Uma diferença de 23.000€ tendo por base apenas 2%. Funny, right?

(aqui estou a supor que o fundo vencedor vos proporcionava apenas a mesma rentabilidade dada pelo mercado, mas dado que assumi, de 10 fundos de investimento, vocês escolhiam o único cuja rentabilidade não era pior que a do mercado, parece-me justo para balançar o cenário)

Este exemplo introduz-nos à próxima lição.

Lição 3: Controlem o que conseguem controlar

Esta conversa é toda muito bonita, mas o que raio é essa coisa da Vanguard e porque é que todos os EFTs que sugeres são geridos por eles? Afinal, também és um vendedor?!

Bom ponto, tens estado atento!
Um mercado de capitais é um sítio feio, se não soubermos gerir as emoções provavelmente perderemos muito dinheiro - mais sobre isto numa edição futura do post. A verdade é que os nossos investimentos irão desvalorizar e valorizar várias vezes ao longo do tempo. Como tal, uns anos serão positivos e outros nem tanto. Isto para dizer algo que ninguém gosta de ouvir: não podemos controlar o retorno que o mercado nos dá. Felizmente, há algo que nos cabe a nós controlar: o custo do nosso investimento.
Uma vez que o lucro do nosso investimento será nada mais do que retorno - custo, minimizando o custo estamos a optimizar esta equação.
É aqui que entra a Vanguard, fundada por um grande senhor, John Bogle, em 1975.
O que a torna tão especial é que, no momento da sua fundação, John Bogle estruturou-a de forma a que fosse customer-owned e cujo objetivo fosse o breakeven (i.e., não é suposto ter lucro, mas sim apenas ser capaz de fazer face às suas despesas).
Para compreenderem a diferença, uma empresa de investimento pode ter duas formas:

  1. É uma empresa privada. Funciona da mesma forma que um negócio familiar e o objectivo é gerar valor para os donos - a Fidelity Investments é um exemplo;
  2. É uma empresa cotada em bolsa, detida por accionistas.

Em qualquer um destes casos, o objectivo da empresa é gerar lucro. Apenas deste modo serão capazes de pagar as suas despesas e remunerar os seus donos, sejam eles privados ou accionistas. Não é difícil perceber que quanto maior for o lucro, maior será a fatia dada a cada um destes agentes. Logo, há todo um incentivo para a maximizar tanto quanto possível. E imaginem de quem virá essa fatia...nós, investidores, claro!
Por outras palavras, quando investimos com uma destas empresas, estamos a pagar pelo investimento financeiro propriamente dito e mais alguns pózinhos para os seus donos/accionistas.
Logo, é claro que há aqui um conflito de interesses - o mesmo se passa com portfolio managers, mas isso fica para uma outra versão do post. O dono de uma empresa de investimento quer que os fees sejam tão altos quanto possível. Eu, enquanto investidor, quero pagar o mínimo.
Ainda que este modelo de negócio seja perfeitamente digno. Nós, investidores, temos uma solução melhor! Acontece que John Bogle quando fundou a Vanguard, fê-lo de modo a que a mesma fosse detida pelos fundos que esta opera. Ora, uma vez que são os investidores que detêm os fundos, na práctica, os investidores detêm a própria Vanguard.
Logo, qualquer lucro que a empresa tivesse entraria directamente para a nossa carteira. No entanto, dado que este circulo Investidor - Vnaguard Mutual Funds - Vanguard - Investidor seria um pouco non-sense, a Vanguard opera no breakeven, cobrando os custos mínimos para garantir a sua operação.

No que é isto se traduz, na práctica? No facto de que o expense ratio (ou seja, a taxa de encargos correntes) média dos fundos da Vanguard seja 0.2% contra 1,20% da indústria. Pode não parecer muito, mas considerando este valor sobre vários anos e sobre um capital considerável, dá uns bons mlhares de euros poupados no final de uma vida de investidor.

Lição 4: Fazer para crer
Dito isto, como é que se compra essas coisas estranhas, ETFs? Para o fazer, precisam de uma correctora ou broker. Cada correctora practica o seu próprio preço. Por isso, é importante compararem-nos antes de abrirem conta numa delas. Deixo-vos aqui e aqui e aqui imagens de tabelas comparativas das várias correctoras a operar em Portugal (obrigado, Bárbara Barroso). Para além dos custos de aquisição de títulos, algumas delas cobram ainda custos de manuntenção e/ou outros.
Muitas destas correctoras permitem criar contas demo. Caso estejam indecisos. criem uma e experimentem a plataforma de negociação.
Feito este passo, é uma questão de acederem à dita plataforma, procurar os títulos indicados acima e adquiri-los.


Frequently Asked Questions

Os mercados estão em máximos históricos. Por isso, uma recessão está para breve. Será que devo esperar que a dita recessão chegue e que os mercados acalmem?
Ninguém sabe ao certo quando - e sequer se - estaremos perante uma recessão. A pesquisa feita em torno dos retornos históricos demonstra que se tiveres X€ para investir, a melhor solução é colocá-los de uma só vez no mercado.

Mas ainda ontem ouvi o Miguel Sousa Tavares a dizer que estaria para breve!
Não.
Ah, mas a minha tia, que é economista, disse no jantar de Natal que a guerra comercial da China e dos EUA...
Não.
Ah, mas o meu piriquito...
Não.

Ninguém consegue fazer timing ao mercado e quem vos disser o contrário está a tentar enganar-vos. No caso de serem vocês próprios, sentem-se à espera que a vontade passe, 99.9% das vezes estarão enganados.

Devo investir com a Degiro?
Antes de usarem a DeGiro como vossa correctora leiam este thread e pesquisem Amsterdamtrader Degiro no Google.
Com este tópico pretendo apenas informar-vos. Como tal, ainda que vos possa partilhar convosco como giro os meus investimentos, tento ser o mais imparcial possível. No entanto, sou defensor que devemos fazer escolhas conscientes. Não digo que não seja uma boa opção, estejam apenas consciente do que se passa no background.

Qual é a correctora que usas, u/ORoxo**?**
Comecei por usar o Banco Invest porque me dava uma segurança adicional fazê-lo através de um banco no qual confio. No entanto, os custos eram demasiado elevados e agora faço-o pela DeGiro, apesar do indiquei no ponto imediatamente acima. O importante é termos consciência dos riscos, lembrem-se.

O que acontece se a correctora que uso for à falência?
Regra geral, as correctoras mantêm os nossos activos numa entidade legal separada. Na práctica, isto significa que a correctora teria uma entidades para o negócio de corretagem propriamente dito através da qual realiza todas as actividades inerentes à operação (i.e., pagar os salários dos empregados, receber os fees dos clientes, etc, etc) e outra entidade à qual os nossos activos estariam alocados (dinheiro que temos em conta e os nossos produtos financeiros). A vantagem deste tipo de estrutura é que, em caso de falência do negócio, os ativos dos investidores não poderiam ser usados para pagar aos credores da correctora.
Não vos posso dizer se na práctica é 100% assim mas, pelo menos em teoria, isto acontece (ver e ver). Usando a DeGiro como exemplo:

DEGIRO holds Financial Instruments for you in such a way that they cannot be accessed by creditors of DEGIRO, even if DEGIRO would be bankrupt.

Ainda assim, supondo que a DeGiro ia à falência, dado que está sediada na Holanda, estaria ao abrigo do Investor Compensation Scheme que fará face às obrigações da correctora até um limite de 20k€ por investidor.
Para vos dar outro exemplo, caso investissem através da Interactive Brokers, o limite seria 500k€, uma vez que estariamos ao abrigo da SIPC (Securities Investor Protection Corporation).
Estes valores/regras dependerão do país no qual a correctora está sediada. Caso queiram optar por outra, as preocupações deverão rondar as seguintes questões:


Qual é a rentabilidade anual que posso esperar do meu portfólio, se seguir as estratégias deste post?
Tendo em consideração os dados do último século, o retorno médio anual do mercado de capitais foi de 10%. Na práctica, isto quer dizer que se adquirires um ETF cujo benchmark seja o S&P500 ou um índice global (muitas vezes os ETF deste tipo têm WLR ou World no nome), no longo prazo (20+ anos), podes esperar um retorno anual de 10% nos teus investimentos. Atenta, por favor, que isto não quer dizer que terás todos os anos 10% - poderão haver anos que ganhas 30% e noutros perdes 15%, por exemplo. Ainda assim, no longo-prazo, em média, poderás esperar um retorno de 10%/ano.
O importante é que não faças o que a maior parte das pessoas faz: vender quando o mercado está a cair e comprar quanto o mercado está em alta. O nosso objectivo enquanto investidores de longo prazo deve ser comprar sempre o mesmo em valor absoluto (supõe que defines como objetivo uma taxa de poupança de 30%/mês; deverás investir sempre esses 30% quer o ETF custe 10€ ou 80€). Uns anos essa poupança de 30% comprará mais unidades do dito ETF, outras menos. Ainda assim, no final da nossa vida de investidor, poderemos esperar um retorno de 10%/ano, em média.

Para aqueles que são conservadores, usem 6% como referência.

O ETF xpto é uma boa alternativa aos que mencionas no teu post?
Quando consideramos investir num ETF há algumas questões que devemos colocar:
  1. Qual é o activo subjacente ao ETF?
  2. Qual o custo de gestão do ETF?
  3. O ETF é cumulativo ou distribuí dividendos?
  4. Em que praça é cotado?
  5. Em que moeda está denominado o ETF?
Em primeiro lugar, importa perceber qual é o activo que está subjacente ao ETF.
Em segundo lugar, importa analisar os custos.
Eu posso pensar "epah estar exposto ao mundo todo é melhor do que estar apenas exposto ao mercado dos EUA." Certíssimo. No entanto, o retorno que irei ter ao estar exposto a empresas de diferentes geografias vai compensar a diferença de custos de gestão anuais que terei de pagar? Para além disso, supondo que estou a investir em empresas do S&P500, a maior parte delas operam em vários mercados. Será que faz sentido optar por um ETF que diversifica ainda mais, incorrendo em custos superiores, quando as grandes empresas são, hoje em dia, na sua grande maioria, globais?".
O ponto 3, ainda para mais em Portugal, é fulcral. Cada vez que te forem pagos dividendos, pagarás 28% de imposto. Logo, supondo que recebes 1.000€ de dividendos, só receberás à cabeça 720€. Num ano, pode não parecer muito, capitaliza isto pela tua vida de investidor, no meu caso 50 ou 60€ e tens uma valente fortuna paga ao Estado, sem motivo para isso.
Qual é então a solução? Fácil! Investir num ETF que invés de te dar os 1.000€ todos os anos, os investe automaticamente no ETF. Não só poupaste 28% em imposto como o poder do juro composto vai multiplicar este valor inúmeras vezes. Lembra-te, sempre que possível, accumulating.
O próximo ponto também é essencial uma vez que se o EFT for cotado nos EUA não está sequer acessível para nós. Infelizmente, as normas europeias exigem que os issuers forneçam uma série de informação, sem a qual os ETF não poderão ser transacionados em bolsa Europeias. Consequentemente, não são sequer solução para nós porque simplesmente não estão disponíveis.
Por último, há pessoas que consideram que seja bastante importante a moeda na qual o ETF está cotado devido ao currency risk (i.e., supõe que tens um activo em USD e gastas o teu dinheiro em EUR. O risco é que o USD desvalorize face ao EUR e que, consequentemente, percas poder de compra).
Pessoalmente, não é algo que me faça perder o sono, mas é uma questão a considerar.

O que acontecerá às minhas poupanças daqui a 20 anos se conseguir investir mais 50€/mês?
De acordo com esta calculadora, daqui a 20 anos terás mais 36.199,34€ ou 22.782,29€, consoante a tua perspectiva face à taxa de juro seja optimista ou pessimista, respectivamente.

Terás tido um proveito líquido de 19% com esta simples operação, excluído eventuais comissões de resgate e subscrição. Daí que o passo 1 seja importante.
De nada :)

Quero aprender mais sobre o tópico. O que me aconselhas?
Infelizmente, muito do conteúdo que existe está extremamente vocacionado para o mercado Norte-americano, em particular os EUA - surprise, surprise, han?
De qualquer modo, existem muitas (e boas!) lições que podemos adaptar à nossa realidade. Por isso, caso se sintam à vontade a ler inglês aconselho os seguintes livros:


Creio que para a maior parte deles poderão encontrar a versão em PT. No entanto, caso considerem que há interesse posso fazer um breve resumo de cada um deles e incluí-lo no âmbito do thread.
Para aqueles cujas versões de inglês forem suficientes, mas cujo valor dos livros faça diferença no orçamento familiar, mandem-me dm.

Tenho mais de 100.000€ disponível para investir, devo seguir o mesmo processo?
Não.
Nesse caso, por favor, abre uma garrafa de champanhe. Para além de estares entre os 20% mais ricos de Portugal e dinheiro não ser uma preocupação para ti, podes investir directamente com a Vanguard.
Para o fazeres, envia um e-mail para [[email protected]](mailto:[email protected]) com a indicação de que pretendes investir no index fund cujo ISIN é IE0002639668. Infelizmente, a partir daqui não te consigo ajudar mais, uma vez que ainda não estou neste patamar. Contudo, para questões particulares, estou sempre disponível por dm, se necessitares.
Caso pretendas consultar os restantes fundos disponíveis para investidores portugueses podes fazê-lo aqui.


Creio que já deu para entender que adoro este temas. Por isso, caso tenham alguma questão, estejam completamente à vontade para a colocar nos comentários ou enviar-me dm. Terei todo o gosto em ajudar cada um de vocês em tudo o que me for possível.
Como qualquer pessoa, sou humano e, como tal, não sei tudo. Ainda assim, se for esse o caso, estou disponível para ir aprender de modo a ser capaz de vos explicar e partilhar convosco.

Provavelmente editarei este tópico várias vezes à medida que me for lembrando de mais informação. Até lá, espero que vos seja útil!
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2019.12.08 14:26 true_democracy Afiliações maçónicas: o jogo do esconde-mostra

O recente debate dos 3 candidatos a líder do PSD, "todos com ligações à maçonaria" (capa do DN de ontem) e onde dois deles, Luís Montenegro e Miguel Pinto Luz negaram ser maçons (o segundo terá ligações à Opus Dei, diz o DN*) fez-nos lembrar a velha pergunta: os maçons mentem sobre a sua afiliação maçónica?
[Esclareça-se que o mérito de trazer o tema da maçonaria à discussão pública é de Rui Rio e não dos outros dois candidatos (quando o DN diz que Rui Rio tem ligações à maçonaria é porque o seu consultor de comunicação, João Tocha, é maçon - ele também está na lista do GOL, loja Lusitânia).]
Vejamos algumas possíveis formas de escondemostrar publicamente afiliações maçónicas:
  1. Mário Soares. Foi Presidente da República, Primeiro-Ministro, etc. Negou pertencer à maçonaria na televisão. Confirmou pertencer à maçonaria na televisão. Quando negou ser maçon já tinha sido maçon. Por outro lado, "uma vez maçon, sempre maçon", embora ele dissesse que não concordava com isso.
  2. Mentir em tribunais: "If a Mason is required to testify in court, and his testimony conflicts with his duty as a Mason, his MASONIC DUTY MUST ALWAYS COME FIRST!" ... "The sin is not in the sinning, in Masonry, but in being caught and bringing disgrace to the Lodge!" (fonte)
  3. Adélio Neiva da Cruz, que foi director do SIS. Mesmo quando perguntado directamente se era maçon numa comissão no parlamento, não confirmou, apesar de começar por dizer "eu quero ser muito claro nessa matéria" (video). Mas é maçon, como foi referido anteriormente: a revista Sábado de 30/10/2019 confirma-o de várias formas, incluindo por cópias de documentos maçónicos.
  4. Once a mason, always a mason (o video exemplifica como os códigos maçónicos podem abrir portas em qualquer altura da vida, potenciando favores "discretos". Rudyard Kipling, maçon, é o autor do livro que deu origem ao filme "The man who would be king" que está recheado de referências maçónicas. Sean Connery descai-se "discretamente" no video: âncora, compasso/bússola, os dois personagens do filme representam a mesma pessoa - o maçon, etc)
  5. Este video da tomada de posse da secretária-geral do SIRP (Serviço de Informações da República Portuguesa) mostra uma hipótese, uma suspeita, de difusão discreta de afiliação maçónica. É conhecido que muitos dirigentes das secretas são maçons (por exemplo, no mesmo número da revista Sábado referida acima confirma-se que Maria João Coelho, directora da Contraespionagem do SIS, é da maçonaria feminina) e, por outro, sabe-se que a maçonaria é uma sociedade secreta que quer parecer apenas discreta aos olhos do público. Ao minuto 6:40, Graça Mira Gomes diz: "Muitas vezes o público em geral refere-se aos Serviços de Informações como sendo "as Secretas". Não creio contudo que devamos ser secretos na nossa relação com o cidadão, para explicar de uma forma transparente a relevância das missões atribuídas ao SIS e ao SIED e a sua contribuição para a estabilidade da nossa democracia. Deveremos, isso sim, ser discretos na actuação. É essa marca de discrição, sr. Primeiro-Ministro, aliada ao elevado profissionalismo dos serviços e a uma total dedicação ao serviço do Estado, que irá guiar o meu mandato." [no minuto 15:31, o primeiro-ministro António Costa diz que "é o único serviço da Administração Pública que depende directamente de mim"].
* - DN: "No caso de Miguel Pinto Luz, há outro paradoxo a registar. Apesar de ter sido maçon ativo, Pinto Luz está agora muito próximo de uma organização arqui-inimiga da maçonaria, o Opus Dei (congregação religiosa ultra-conservadora). Pinto Luz fez um mestrado na escola económica do Opus Dei, a Associação de Estudos Superiores de Empresa Business School (AESE). E, na altura, quando frequentou essa formação, terá até sido questionado internamente sobre a sua filiação maçónica."
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2019.09.15 19:11 YareYareDaze007 Minha "breve" história amorosa

Essa História que será aqui contada, nesse livro, é a jornada de um garoto chamado Giovane, um garoto quieto, de poucos amigos, porém muito estudioso, sempre tirava boas notas na escola. E é exatamente lá que nossa história começa.
No ano de 2017, nosso protagonista está sentado tranquilamente em sua mesa, na sala de aula, quando repentinamente ao olhar de relance para a porta, ele percebe alguém entrando, mais especificamente uma garota, uma linda garota, que instantaneamente desperta o encanto de Giovane. Vale lembrar que naquela época, ele era um garoto de 13 anos, sem nenhuma preocupação além de vídeo-games e estudos, mas tudo aquilo estava prestes a mudar. Naquele momento, ele havia descoberto o amor, que muitas vezes pode ser comparado à uma benção ou maldição. Ao ver a garota de nome desconhecido entrar, Giovane logo ficou surpreso com tamanha beleza, porém no momento não fez muita coisa. Apenas voltou aos estudos e tentou não pensar muito naquilo, porém era quase impossível, a cada conta que fazia, a cada texto que lia, a imagem da garota continuava a aparecer em sua cabeça. O que era muito ruim, considerando o fato de Giovane sempre dar muita importância aos estudos, aquilo estava o atrapalhando. Mas logo o nome da garota foi revelado: Sabrina. Giovane ouvira a professora dizer esse nome na chamada e viu a garota responder.
Não demorou muito para ele se dar conta do que havia acontecido. Ele sabia que estava sob o efeito da droga mais poderosa que existe: O Amor. E para o amor não existe cura, apenas o tempo, que foi justamente o que decidiu fazer: dar um tempo e ver o que acontecia. Giovane Não tinha ideia de como os eventos se desenrolariam dali em diante, não sabia o quanto sofreria pensando nela.
Passado algum tempo, cerca de 3 meses, e o amor de Giovane por Sabrina continuava aumentando, como uma fogueira que é atiçada pelo vento. No entanto, uma dúvida ainda pairava sobre sua cabeça: O sentimento era recíproco? Sabrina via Giovane com outros olhos? Ele não sabia, e isso estava o enlouquecendo.
Um mês depois do acontecimento anterior, ele havia pensado em uma maneira de acabar com suas dúvidas, era o único modo que nosso protagonista havia pensado: Falar à Sabrina sobre seus sentimentos. Porém, Giovane era um garoto extremamente tímido, o que deixava essa hipótese quase impossível. Ele tinha medo de contar o que sentia e não ser correspondido, ou ainda pior, ser ridicularizado pelas pessoas ao redor da escola. Chega o fim do ano e Giovane não havia conseguido se declarar. "Meu Deus, mas e se ela não estiver aqui o ano que vem? " Pensava.
2018, início do ano. E para sua surpresa, ele estava na mesma sala que Sabrina. Seria o destino dando uma segunda chance a ele? Talvez. E como dito anteriormente, seu amor não diminuía, apenas crescia dia após dia. Nosso protagonista tem 14 anos agora, muito mais maduro, certo? Errado! Ele continuava com uma ideologia de " deixar o rio fluir ", ou seja, não fazer nada e deixar que o destino cuidasse do resto. Claramente essa tática não deu certo. Porém, Giovane possuía um amigo chamado Marcos, cujo qual se dava muito bem com as mulheres. E fui justamente a ele que Giovane foi pedir ajuda. E acontece que Marcos era realmente bom no que fazia, e milagrosamente conseguiu fazer Sabrina se aproximar consideravelmente de nosso protagonista, que estava pensando sobre a vida e as decisões que havia tomado e aparentemente não interagindo com Sabrina, o que fez Marcos aparecer e talvez ter causado o maior arrependimento da vida de Giovane. Ou não? Marcos chegou conversando com ambos e acabou deliberadamente por falar que Giovane estava apaixonado por Sabrina, o que deixou nosso protagonista completamente paralisado, como se tivesse visto um fantasma, sem nada para dizer, como se tivesse visto a morte cara-a-cara. E Sabrina pareceu incrédula do fato, tanto que até se levantou da cadeira na qual estava sentada e estava se dirigindo a seu lugar, quando Marcos a parou e tentou argumentar com ela, mas nada parecia dar certo. Enquanto isso, nosso protagonista continua sentado imóvel na mesma posição que havia começado a conversa. Passados cerca de 3 minutos, Sabrina chega à mesa de Giovane e pergunta:-O que aconteceu?
-Nada. Diz Giovane
-Você está com cara de bravo. Foi alguma coisa que eu fiz?
-Não, não foi nada.
E Sabrina sai daquela mesa e volta para a dela.
A partir daquele dia, Giovane se tornou outra pessoa, alguém completamente novo. Ao invés do garoto alegre e piadista de sempre, ele havia se tornado alguém quase depressivo, não falava quase nada, passava horas parado pensando na vida, não fazia mais tantas piadas. Até o dia 10 de agosto de 2018, quando ele decide que não vale mais a pena sofrer tanto por conta de falta de coragem. Na escola, durante a aula de geografia a lição era fazer um mapa-múndi e foi o que nosso protagonista fez, porém Marcos tinha um plano para ambos ganharem nota apenas com o esforço de Giovane, que aceitou ajudar já que poderia precisar de algum favor de Marcos algum dia. E foi um plano, absurdamente bem bolado, executado com maestria e finalizado com êxito.
Na noite daquele mesmo dia, Giovane decide cobrar a ajuda que ofereceu à marcos. Mandou uma mensagem para ele e combinou que iriam executar um plano para que nosso guerreiro Giovane tivesse a coragem de se declarar à belíssima donzela Sabrina. Marcos a convenceria a segui-lo e passaria por um local combinado, onde Giovane apareceria e abriria seu coração para ela, acabando de uma vez por todas com isso, do jeito bom, que Giovane sairia com uma namorada e se livraria de sua tristeza ou do modo ruim, que era o que Giovane achava mais provável, onde ele seria completamente rejeitado e jogado à depressão para sempre, porém esquecendo de Sabrina. Nada poderia impedir esse plano de funcionar.
Exceto uma coisa: O esquecimento de Marcos que não conseguiu atrair Sabrina até o local combinado, o que fez com que Giovane saísse vagando pela escola envolto em seus pensamentos, e andando sem parar, para praticar pelo menos de alguma maneira, algum exercício, contudo ao fazer a volta na escola várias e várias vezes, no caminho Giovane se deparava com Sabrina andando com uma amiga e seu namorado, e durante algumas dessas vezes ele pôde ouvir claramente a amiga de Sabrina dizer: " quem quer catar a Sabrina? " Duas vezes na mesma hora em que ele estava passando e ainda ouviu mais uma última vez: " Ela está se doando ". Giovane estava começando a ligar os pontos, tudo começava a fazer sentido em sua cabeça. A vontade dele era alterar o curso de sua caminhada e abrir seu coração a ela, porém se fizesse isso, ele estaria desperdiçando um favor de Marcos, então Giovane Simplesmente continuou sua jornada de volta à sala de aula. Ele estava prestes a descobrir o significado de tudo que aconteceu.
No final daquele dia, Giovane decidiu perguntar à marcos se ele havia se esquecido. E de fato ele havia, no entanto se ofereceu para fazer o mesmo plano no dia seguinte. Giovane concordou.
Terça-feira, 14 de agosto de 2018, nosso protagonista vai para a escola apreensivo pensando em como vai ser, no que ele vai dizer..., mas durante a aula de história, nosso herói percebe que Sabrina estava muito impressionada com o professor novo. Estaria ela realmente afim do professor? Ou seria apenas uma brincadeira? Ele não sabia e isso o deixava apreensivo. Na próxima aula, a de matemática, a professora havia mudado Sabrina de lugar. E coincidentemente, o lugar que ela foi designada era bem perto do lugar de Giovane. Seria esse o destino colaborando mais uma vez para que tudo desse certo em sua vida?
No recreio, tudo estava combinado com Marcos. Só lhe restava sair da sala e seguir com o plano. Acontece que um amigo de nosso protagonista, conhecido pelo codinome Sem Mão, decidiu segui-lo e ver o que aconteceria e como acabaria. Giovane conta o plano à Sem Mão, que fica impressionado e diz que aquele plano era como fazer roleta russa com 5 balas. No entanto, Marcos demorou muito para fazer o plano e quando fez, não fez corretamente: Ele simplesmente disse para Sabrina que Giovane gostaria de conversar separadamente com ela, enquanto nosso protagonista apenas passava por ela e ia direto ao banheiro, pois estava muito tenso. Acaba o intervalo e Giovane se dirige à sala de aula. Na última aula, logo em seguida da de educação física, todos voltam para a sala e se preparam para a aula de matemática e provavelmente a coisa mais inesperada desse livro acontece: Ele pensando na vida como sempre, consegue ouvir Sabrina e Vinícius, um outro colega de sala, discutirem sobre voltar ao lugar anterior deles, e de repente ouve ela dizer que aquele lugar era bom porque ela conseguia ter uma boa vista de uma coisa. Instantaneamente nosso protagonista percebeu que essa "coisa" era nada mais nada menos que ele mesmo, até porque em certo momento dessa conversa ele pôde perceber Vinícius responder: Do G? Que foi logo respondido com uma resposta de Sabrina: Por que você não grita logo de uma vez?! Seguido disso, Vinícius em tom de brincadeira, aumenta levemente sua voz e repete a frase anterior. A teoria das cinco balas de Sem Mão acabara de ser refutada, pois com essas informações, suas chances aumentaram consideravelmente, deixando a arma com apenas uma bala. Estava muito claro para Giovane que Sabrina aparentemente gostava dele, mas não queria que isso fosse exposto. Passado certo tempo da aula, mais uma vez Sabrina diz que é um bom lugar e que ela consegue observar muito bem essa "coisa" e foi respondia por Vinícius: Mas do seu lugar anterior, você também consegue ver. E logo veio a resposta: Sim, mas daqui eu consigo ver mais de perto, logo esse lugar é melhor. Ele sabia que, ou se tratava dele ou de algum de seus amigos que sentavam perto, e estava bem convencido de que se tratava dele. Nesse momento, Giovane estava pulando de alegria por dentro, mas por fora só se via sua expressão mais comum: a de indiferença. Ninguém simplesmente olhando, poderia saber a felicidade que residia dentro de Giovane naquele instante. Ele foi para casa se sentindo renovado e feliz, só não voltou saltitando por motivos de masculinidade. O que aconteceria depois?
No dia seguinte, Giovane não foi para a escola. Ele havia ido ao médico, e como o sistema de saúde do Brasil não é dos melhores, não conseguiu voltar a tempo de ir para a escola. Ainda nesse dia, pela primeira vez ele decide tirar seu bigode e por incrível que pareça, se achou mais bonito e se sentiu deveras confiante em sua jornada. Por volta das 18 horas, conversa por mensagens com seu amigo Sem Mão e lhe conta sobre o que havia descoberto ouvindo aquela conversa, e para desanimar um pouco nosso herói, Sem Mão diz que o "G" mencionado na conversa, poderia ser de Gustavo, outro aluno da mesma sala, mas Giovane prefere acreditar que ela se referia a ele. Logo em seguida, começa a conversar com Marcos, que também fica ciente da situação e diz:
- Ela está brincando com você, cara...
- Não, estou tão confiante que apostaria cinco reais que ela não está brincando!
- Cinco reais? Apostado então! Mas para você ganhar, ela tem de deixar explícito que aceita você. Assim como para eu ganhar, ela deve deixar explícito que rejeita você.
- Claro.
Giovane não possuía cinco reais, nem sabia onde conseguir, mas estava confiante.
16 de agosto de 2018, nosso protagonista aparece na escola e diferentemente do último dia, não parecia tão tenso, parecia até mesmo confiante do que iria fazer. Logo Marcos apareceu:
- Está fechada a aposta de hoje?
- Com certeza!
- Você sabe que vai perder, né?
- Certamente que não, estou tão confiante que nem trouxe o dinheiro, como sinal de que sei que não vou falhar! – Cada frase que nosso protagonista falava, era dita com convicção.
- Se está tão confiante assim, suba a aposta para dez reais!
Giovane pensou por alguns segundos. Ele não tinha esse dinheiro em mãos, mas para mostrar confiança à Marcos e a si mesmo, subiu a aposta.
- Feito!
No instante que disse isso, o sorriso malicioso que habitava o rosto de Marcos fora substituído por uma expressão de espanto. Não podia acreditar que nosso herói estava tão confiante. Porém, durante toda essa conversa na aula, Marcos decide contar à professora de ciências sobre a aposta, e para a surpresa de ambos, ela havia achado uma aposta interessante.
15:30, havia chegado a hora do intervalo, a hora da verdade. Quando pôs o pé para fora da sala de aula, soube que duas coisas importantíssimas estavam em jogo: Seu futuro amoroso e dez reais, que podem não parecer muito, mas na época que o país estava... Ele achava que seria fácil, mas estava muito enganado, pois quando estava fazendo o reconhecimento do melhor lugar para a abordagem, pôde sentir sua perna fraquejar. Depois de dar algumas voltas na escola e consequentemente acabar encontrando com Sabrina no caminho, ele havia achado que estava pronto e quando foi procurar seu alvo em movimento, não o encontrou, no entanto, logo descobriu que ela estava sentada, com sua amiga já mencionada anteriormente. Não havia mais escapatória, teria de se declarar na próxima volta e podia sentir seu coração bater cada vez mais forte ao se aproximar do local. Infelizmente, ao chegar e estar preparado, se depara com mais 4 garotas conversando com Sabrina e sua amiga, o que fez nosso herói alterar o curso e ao invés de parar, acabou seguindo sua trajetória comum. Faria na próxima volta, não importava o que acontecesse, porém, ao chegar novamente e ver que só estavam ela e sua amiga sentadas, não conseguiu. Era como se uma força desconhecida o impedisse.
Bate o sinal para todos voltarem para suas salas de aula e nosso protagonista entra e percebe que teria uma aula vaga, e logo seu lamento em não ter conseguido se declarar, se tornou em forças para tentar agora que não haviam tantas pessoas lá fora. E mais uma vez não conseguiu, até que Sem Mão propõe um desafio: reproduzir um desenho de seu amigo Raul, um cara vidrado em desenhar, e Giovane aceita, pois ficar andando e se lamentando não era a melhor atividade. Chegando onde Raul estava, Sem Mão explica o desafio, porém, por algum motivo Raul pega uma folha e corta em duas, dando uma parte para Sem Mão e outra a si mesmo. Giovane não se importa. Na verdade, parecia não se importar com mais nada depois de ter fracassado em conversar com uma garota. Sem Mão reproduz um desenho de um homem com terno roxo e gravata que Raul havia feito. A única diferença, no entanto, foi que sua reprodução ficou parecendo o cruzamento de um desenho de uma criança sem talento com um feto malformado em um pote com formol. Após isso, aparentemente Sem Mão ficou tão entediado quanto nosso protagonista e decidiu voltar a andar, quando de repente veem Marcos e o namorado da amiga de Sabrina tentando tirar a namorada de Marcos e a amiga de Sabrina de um banco no qual estavam todas sentadas. Giovane pensou que poderia ser Marcos querendo ajudá-lo a conseguir, mas qual seria sua motivação além de perder dinheiro? E eles conseguiram tirar as garotas do banco, deixando Sabrina sozinha, que decidiu levantar e começar a andar, mas nosso herói não pensou em abordá-la, simplesmente não tinha a coragem para isso. E acontece que ele era um cara muito corajoso quando se tratavam de brigas e tudo mais (até enfrentou um bando de garotos que estavam o incomodando uma vez), mas quando se tratava de garotas, ele não sabia o que fazer. Depois disso voltou para a sala a tempo de acompanhar as duas últimas aulas de geografia. Contudo, no final da última aula, Marcos veio conversar com nosso herói:
- E aí cara, cadê meus dez reais?
- Eu não falei com ela, logo não tomei um fora, o que significa que eu ainda fico com meu dinheiro.
- Porra, cara. Qual a dificuldade? É só chegar lá e falar " eu estou afim de você, vamos ficar juntos? " E acabou.
- Se fosse tão fácil assim, eu já teria feito há um ano e oito meses atrás...
- Mas é fácil!
- Não para mim. Me falta coragem.
Então Marcos decide tomar uma abordagem mais agressiva.
- Olha lá a bunda dela como é grande! Você não quer ter isso?
Giovane continuava dizendo que não tinha coragem.
- Olha lá, o cara foi dar tchau para ela e passou a mão na bunda dela! E ela ainda deu risada! Você vai deixar o cara fazer isso com sua futura esposa?
O sangue de Giovane fervia, como se ele mesmo fosse explodir a qualquer momento, mas ele era um cara calmo e conseguiu se manter normalmente apenas dizendo " calma e tranquilidade " a si mesmo enquanto Marcos dizia:
- Se amanhã você não conseguir, você vai ter de dizer para todo mundo que você é um merda e eu sou superior!
- Okay, já me considero um merda normalmente...
Mas aquela conversa lhe deu forças para o que ele faria no dia seguinte.
Dia 17 de agosto de 2018, nosso herói está prestes a sair de casa, enquanto seu pai assistia tevê, e de relance, pôde ver a notícia mais bizarra que já havia visto em toda a sua vida: " Homem-Aranha do crime " que aparentemente era um ladrão que escalava prédios tão bem que recebeu esse nome.
Chegando na escola, pronto para fazer um trabalho de artes, acaba descobrindo que haveria outra aula vaga, já que sua professora tinha faltado, o que o deixou feliz e enraivecido. Quando já havia saído da sala e estava andando pela escola, começa a falar com Sem Mão desse livro que está sendo escrito agora mesmo.
- Vai ter muita coisa nesse livro!
- Essa conversa também?
- Provavelmente, já que eu vou colocar qualquer coisa que pareça insignificante o suficiente no lugar de alguma informação que seria crucial, ou seja, essa conversa vai direto para ele.
- Bem, isso não seria meio que...
- Um Inseption muito foda!
- Eu ia dizer quebra da quarta parede, mas Inseption também está valendo.
- Não é bem uma quebra da quarta parede. Eu só estaria fazendo isso se eu dissesse: " Ei, você aí que está lendo esse livro, como é que você está? "
- É, realmente...
Ao andar, se deparava algumas vezes com Sabrina andando com Marcos e outra pessoa não apresentada anteriormente: Kauã. Em algum momento, Marcos tentou parar Giovane o empurrando e lembrando que ele tinha de concluir sua tarefa naquele dia, ou então seria um fracassado.
- Você tem até hoje para conseguir.
- Veja bem, meu amigo, até a meia-noite ainda é hoje.
E essa foi uma sacada bem esperta, tenho que admitir. Enfim, nosso protagonista continuou andando um pouco até que...
- Giovane! Chega aqui! – Disse Marcos aos berros sentado em um local perto de uma árvore.
- Porra... – Disse Giovane.
E foi andando até chegar a ele.
- Que foi, cara? – Perguntou em tom de desânimo.
Eu preciso que você tire uma foto.
" Uma foto? " Pensou Giovane, achando que poderia ter um esquema armado por Marcos.
- Ok, vamos lá!
E foram caminhando em direção à uma outra parte da escola. Quando chegaram, nosso herói se pôs em posição e segurando o celular de Marcos, estava pronto para fotografar. Enquanto olhava para a tela do celular, podia ver Sabrina e sua beleza, ao mesmo tempo que pensava " Caralho, eu sou um merda meu irmão! " E tirou a foto. No entanto, o que não sabia, é que quando já ia se retirando do local, Marcos o chamou e disse:
- Não, cara. A gente só quer que pegue essa parte da parede.
- Ah, ok.
E novamente estava em posição observando Sabrina pela câmera, e logo tirou outra foto. E dessa vez, conseguiu voltar à sua rota sem ser chamado mais uma vez. Andava e andava, sem rumo, sem destino, sem coragem, quando com sua super audição pôde ouvir Sabrina discutindo com Marcos, atrás dele.
Ouvindo isso, ela decide desafiar Marcos para uma briga, e ele logo se acovarda. Como Giovane, ele não tinha coragem. Quanta hipocrisia, não é mesmo, caro leitor? No entanto, ele logo teve uma ideia.
- Vai lá e usa essa raiva no Giovane!
E Giovane continuava andando na frente apenas ouvindo essa conversa, quando foi chamado.
- Giovane! Chega aqui!
E lá ele foi conversar com ele.
- O que foi dessa vez?
- A Sabrina quer te dar um soco.
Mas ela não queria.
- Não, eu não vou! – Disse ela.
- Por que não? – Perguntou Marcos
- Porque eu estou com raiva de você, não dele!
Mas depois dessa breve conversa, Giovane notou um olhar de Sabrina dirigido ao nosso herói. Sabrina realmente teria olhado para ele da forma que imaginava? Ou só estava ficando louco? Descobriria tudo isso em breve...
Dia 18 de agosto de 2018, sábado, por volta das 22:30 da noite Giovane é contatado por Marcos com uma mensagem:
- E aí, cara?
- Opa.
- Tudo beleza, cara?
- Tudo de boa.
- Então, cara... eu acho que você perdeu a aposta.
- Não, pois a aposta não tinha prazo. A única coisa que tinha prazo era eu dizer que sou um merda e a sexta já passou, então você foi enganado...
- Aí é que está, meu amigo quem está se enganando é você mesmo. O único que está sofrendo por amor é você.
- Sim, mas ainda assim, a cada dia minha coragem vai aumentando...
- Não se iluda meu pobre amigo. Esse seu coração não merece sofrer!
- Eu estou apenas contando os fatos.
- Não ame aquela garota, ela não merece você.
- Se fosse tão fácil assim... E você não vai me fazer desistir, porque sou brasileiro e brasileiro não desiste nunca!
- Entendo, apenas não quero que sofra por algo que não tem futuro.
- Eu já sofri para caralho, eu tentar isso não vai aumentar a dor que eu sinto por não estar ao lado dela.
- Você realmente quer isso, não quer?
- Sim, porra!
- Para que você possa ver que eu não estou mentindo. Eu nunca disse isso para você, porém... eu realmente não tenho nada para fazer.
- Etcha porra!
- Sim, essa foi a única palavra que você nunca me ouviu dizer.
- E qual seria? – Perguntou Giovane apenas para ver Marcos admitindo que estava tão perdido quanto ele.
- Eu não sei o que fazer.
- Ca ra lhou.
- Por conta dela, não tem muito o que fazer.
- Isso mostra que é um caso absurdamente difícil.
- Sim, porém não impossível.
- Até porque nada é impossível, exceto o Palmeiras ganhar um Mundial. Isso é impossível.
- Kkk verdade. Como eu já vi que você não vai desistir da Sabrina...
- Certamente que não.
- Eu vou pelo menos tentar ajudar.
- Que bondoso.
- Porém, como nada na vida é perfeito, eu vou usar minhas técnicas...
- Caralho. Tenho trauma dessas técnicas.
- Pode apostar! Até porque, eu aprimorei elas...
- Acho bom mesmo, kkk
- Porém não foi para um lado bom! Foi para um lado mais extremo.
- Puta merda.
- Eu já pensei no que vou fazer. Funciona muito em filmes e novelas.
- Diga-me.
- Vou trancar vocês dois, em algum lugar sozinho.
- Caralho. – Giovane já sabia que aquele plano não iria funcionar, porém decidiu ouvir até o fim.
- Vai ser perfeito. Você vai ver, aí é por sua conta. Na verdade, a parte mais difícil sempre vai ser para você.
- Eu estou com um certo medo do que pode acontecer.
- Ela pode falar tudo que sente por você, ou ela pode ficar de fato com você.
- Ou pode não acontecer nada.
Depois de um tempo de conversa Marcos se convenceu de que seu plano não era dos melhores. Até que disse:
- Eu te ajudo e você me ajuda. Eu te ensino o que sei, e você o que sabe...
- O que exatamente você precisa?
- Eu quero saber como você pensa tanto e quero saber como você é tão concentrado, etc....
- Caralho, sério?
- Sim.
- Ok, aqui vai. Não tem segredo: Você só tem que pensar que sua vida dependesse daquilo. Mas, o lance de ser pensativo, acho que é porque eu não tenho muito o que fazer, apenas pensar.
- Ótimo!
- Espero ter ajudado.
- Ajudou sim, muito obrigado. Agora o que você precisa?
- Fora o lance da Sabrina, nada.
- A melhor opção seria chegar nela em alguma hora em que ela estivesse sozinha ou falar que é uma conversa em particular.
- Sim, o lance é que eu preciso de coragem.
- Quer saber, você transmite confiança. Algo que eu queria muito transmitir.
- Só reprimir suas emoções e mostrar nos momentos mais cruciais.
- Como assim?
- Você nunca sabe se eu estou feliz ou triste, certo?
- Certo.
- Mas as minhas emoções mudam. Tudo que eu faço é mostrar o que eu quero que os outros vejam: A minha cara de indiferença de sempre.
- Porra.
- É basicamente só isso.
- Valeu, cara.
- Você me ajuda muito, estou retribuindo.
- Muito obrigado. Mesmo, cara.
- Não há de quê.
Dia 19 de agosto de 2018, Marcos envia uma mensagem por volta das 21:00 para Giovane:
- Cara, estamos na mesma situação. Eu me apaixonei e ela não dá bola para mim. Fudeu, eu me apaixonei. Isso não é natural no universo.
- Vamos conversar.
- Fudeu.
- Você se fodeu.
- Sim, Fudeu. Eu me apaixonei e isso não é normal da porra da natureza! Eu sou Marcos Ribeiro, não posso me apaixonar!
- Agora sente o que eu sinto há quase dois anos. Não é fácil quando é com você, né?
- Literalmente não. Mano, ela é maravilhosa e não me dá bola. Nem com meus truques e experiência não consigo.
- Você sabe que se eu conseguir ficar com a Sabrina e você não pegar essa mina, o mundo deu uma puta volta.
- Sim.
- Algo de errado não está certo.
- Nem um pouco. Mas, mano ela é perfeita! Pensa na Sabrina e multiplica por 20.
- Impossível!
- Juro.
- Para mim não existe nenhuma garota na face da terra que se compare à beleza da Sabrina. Acho que o amor faz isso...
- Mano, Fudeu. Eu me apaixonei. Pera aí...
- Eu poderia ser muito cuzão e não ajudar, mas você tentou me ajudar, então farei o que puder.
- Pronto. Não sou mais apaixonado.
O amor não é brincadeira de criança, é coisa séria e não se livra do amor tão rapidamente. E Giovane sabia disso, então ou Marcos não estava apaixonado desde o início, ou ainda estava apaixonado ou talvez estivesse inventando tudo aquilo.
- Ata kkk.
- Sério, passou. Eu me controlei.
- O amor vai e vem como uma montanha-russa.
- Não. Não comigo.
E foi então que nosso herói se preparou para fazer um dos melhores discursos de todos os tempos.
- Você pode ter esquecido agora, mas vai pensar nela de novo. E aí fodeu. Mas, se tem uma coisa que eu aprendi é que você tem que insistir...
- Não. Foda-se.
- ... até não ter mais forças. Você não vai esquece-la, apenas aceite o destino. Se você não tentar, alguém vai e você vai ficar muito arrependido. Então você não vai desistir, porra! Logo você, o cara que me incentivou a correr atrás da Sabrina, não pode simplesmente desistir. Essa pode ser a mulher da sua vida, então você teria que ser muito burro para deixar de tentar. E é por isso que você vai correr atrás dela.
Esse foi um puta discurso. Foi tão bom que parece que foi redirecionado a si mesmo e deu forças para ele fazer o que faria amanhã.
Dia 20 de agosto de 2018. O que nosso herói fez? Nada! Até tentaria falar com Sabrina, mas o problema é que não a via. Ficou todo depressivo por passar mais um dia sem conseguir e foi para casa. Chegando lá, sente uma certa fome e decide fazer uma omelete. Uma coisa que deve ser dita anteriormente, é que independente de quanta pimenta do reino colocasse, não conseguia sentir a picância que deveria. Fazendo a omelete, coloca pimenta do reino e seus dedos ficam sujos. Logo vem seu pai, com uma má intenção.
- Lambe a pimenta aí para você ver que não arde quase nada.
Giovane confiava em seu pai então provou e por um segundo pensou " nossa, não arde mesmo ", mas estava muito enganado e arrependido, pois depois de dizer isso, pôde sentir sua língua queimando como carvão em brasas, então pensou " vou tomar um copo de leite e estará tudo resolvido ", acontece que no momento a caixa de leite que estava na geladeira, havia acabado e Giovane teve que esperar cerca de trinta segundos de pura dor e sofrimento até conseguir abrir outra caixa de leite.
Esse pequeno conto não interfere em nada nossa história, mas achei que deveria ser compartilhado.
Quinta-feira, 23 de agosto de 2018. Nosso herói já está na escola durante a terceira aula, esperando o sinal para o intervalo. Ao ouvi-lo, Giovane, como sempre, começa a andar em voltas, porém, mais uma vez se depara com Sabrina, mas dessa vez ela não está andando, e sim parada com algumas garotas, o que eliminava completamente a possibilidade de tentar fazer seu plano, então apenas segue seu caminho. Voltando para a sala, ele não sabia, mas sua vida que já era depressiva, estava prestes a ficar pelo menos três vezes pior, por um tempo. Ao entrar e sentar em sua cadeira, pôde ouvir Yasmin, sua prima, dizer claramente que era um cupido, logo em seguida Sabrina conversa com alguém que ele não conseguira identificar, mas ouve a seguinte frase durante a conversa " Eu virei e dei um beijo na mina ". Naquele momento, não sabia o que fazer. Seus olhos começaram a lacrimejar como se estivesse cortando um milhão de cebolas enquanto um anão tailandês chicoteava suas costas. Sentiu que todo o sentido de sua vida havia acabado, sentiu-se como se o chão que estava aos seus pés havia desabado. Para esconder sua tristeza de todos e de si mesmo, Giovane adotou um comportamento bem agressivo, mas enquanto conversava com Marcos ouviu-o dizer:
- Vamos fazer uma aposta amanhã. Tipo os gringos jogam pôquer e apostam salgadinho essas coisas, já a gente que é fudido aposta bala. A gente poderia, sei lá, jogar algum jogo de azar tipo pôquer, truco...
- Eu toparia um truco. – Disse nosso protagonista.
- Ok, então amanhã todo mundo traz bala para apostar e a gente joga um truco.
Chegando em casa, de noite, Giovane decide contar a seus amigos sobre o motivo de ter ficado tão furioso a partir do intervalo, exceto por uma parte que ele não conseguia parar de rir como se fosse um retardado " Bebidas Xabás ". E ao contar para Semeão, ele recebe um discurso motivacional quase tão bom quanto o que havia feito para Marcos.
- Giovane, sabe o que você precisa?
- O que?
- TVNC
- Wtf?
- Tomar vergonha na cara.
- Porra, semeon.
- Criar coragem e ir.
- Sim. Só preciso do meu bigode, ele me transmite segurança.
- Não deixe que coloquem o dedo na sua cara e digam quem você é!
- Minha autoestima começou a subir...
- Virou mó conversa motivacionap. Maldito correto. R.
- Maldito analfabetismo!
- Cara, você é o cara!
- É bizarro que eu nunca pensei que não conseguiria por falta de coragem, mas sim por rejeição.
- Você vai conseguir. Se tiver a lábia mais do que perfeita, você é imbatível!
- Sim, eu só preciso chegar nela.
- E puxar um bom papo.
- Com puxar um papo, você deve saber que eu vou chegar fazendo a proposta.
- Hum, é mesmo?
- Se a porra do Marcos tivesse seguido o plano...
- Então quando você chegar nela, já sabe...
- Agora tenho que ir.
- Vou recobrar o favor do Marcos, mas falous.
- O Kauã está mandando eu jogar com ele.
- Olha só, escravatura, mas falous.
Naquele mesmo dia, ele cobrou o favor e Marcos concordou em ajudar.
Dia 24 de agosto de 2018, na escola durante a primeira aula que deveria ser de artes, mais uma vez é uma aula vaga. Ao andar com Sem Mão e Raul, como sempre nosso herói se depara com Sabrina sentada com algumas amigas. Dando algumas voltas, durante uma delas, ao passar pelo grupo de garotas, nosso protagonista consegue ver claramente Sabrina olhar diretamente para ele por cerca de três segundos. E não era qualquer olhar, era um olhar tão certeiro que não havia a possibilidade de ela estar olhando para algum outro lugar. Esse fator somado às informações que Giovane havia conseguido ouvir ao longo do tempo, lhe dava uma chance de 99% de Sabrina estar afim dele.
Feliz para cacete, depois que a aula vaga acaba, volta para a sala e vai fazendo as lições até chegar a última aula de geografia. Todos haviam se lembrado do que Marcos havia combinado sobre o truco. Mas ninguém trouxe um baralho.
Depois de tudo isso, com sua confiança, nosso herói faz uma das coisas que mais se arrependeria em sua vida, ele decide aumentar a aposta que havia feito com Marcos para 20 reais. Se ele conseguisse, seria ótimo ganhar esse dinheiro, mas Giovane não pensou no caso de não ganhar a aposta, pois estava cego pela ganância do dinheiro fácil. Marcos aceita a proposta e dessa vez foi mais esperto por ter colocado um prazo de dois dias na aposta.
Durante alguns dias, nada de tão importante acontece que deva ser mencionado nesse livro. Isso até o dia 30 de agosto de 2018...
Giovane decide que pediria Sabrina em namoro durante o recreio, mas para isso precisaria da ajuda de Marcos, que concordou em ajudar depois de certas negociações.
É chegado o intervalo e a tensão estava subindo, até porque agora além de Sabrina, 20 reais estavam em jogo, e nosso herói não tinha nem perto disso...
Giovane anda durante o recreio procurando Marcos e acaba o encontrando.
- Então, cara... agora seria uma ótima hora para aquela ajuda...- Disse nosso protagonista.
- Ah, sim claro, claro... A gente só precisa encontrar a Sabrina...
E lá se vão Marcos, Giovane e Thiago (Não o Sem Mão) procurando a garota. Até que Marcos tem uma genial ideia (sem sarcasmo).
- Giovane, faz o seguinte: fica ali na árvore que eu vou ver se eu encontro ela e chamo-a aqui.
Nosso herói concordou com a cabeça e foi se dirigindo à árvore. Chegando lá, não parava de pensar o que iria dizer, até que de relance, consegue ver Marcos caminhando com Sabrina em sua direção. Eles haviam chegado.
- Então, o Giovane tem um negócio para te falar...
"É agora", pensava Giovane. Não havia mais escapatória.
- É então, é sobre o lance que eu ia falar ontem... Sabrina eu sou absurdamente afim de você, e você sabe disso, então... quer namorar comigo?
- Então... no momento eu não estou disponível..., mas se quiser a amizade, estamos aí.
Ele se sentia arrasado, detonado, zuado, fudido, quebrado.
Aquelas palavras ecoaram na cabeça de Giovane, que agradeceu a Sabrina por ter cedido seu tempo e foi embora andando. Por incrível que pareça, ele se sentia libertado. Triste, porém, libertado.
E nossa história termina aqui com um final não tão feliz(ou será que não?).
E com essa finalização, eu agradeço por ter tirado um tempo do seu dia para ler isso.
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2019.09.06 17:10 akarena Amazônia e Biodiversidade Brasileira

Pessoas, seres humanos, habitantes do planeta terra, busquei as melhores fontes q lembrei pra mostrar pra vcs, com base nas confusões q mais vi se repetirem nas redes sociais.
Se tiver alguma pergunta façaí, se eu achar uma referência dou resposta.
A união faz a força.
O Solo - A baixa fertilidade geral do solo da Amazônia deve-se à sua avançada idade geológica. A maior parte de suas terras está no escudo das Guianas e por milhões de anos a terra foi lavada pela chuva, dissolvendo minerais, por exemplo em Belém há tanta areia q culturas de milho encontram certa dificuldade pra ficar de pé. Como a Amazônia sustenta uma floresta tão exuberante? Através da reciclagem de nutrientes pela fauna e flora. A floresta absorve e recicla todos os nutrientes liberados por folhas, galhos, troncos e animais mortos, assim a floresta cresce sobre o solo. Em florestas tropicais as raízes tendem a extender-se horizontalmente também pra captar todo e qualquer nutriente disponível; a flora reflete isso nas folhas grandes, hábitos epífitos e trepadeiras, raízes aéreas, pra cobrir a maior área possível. Por essa razão o solo sofre com a retirada de grandes árvores. Quando ocorre desmatamento, o solo fica exposto à chuva e ocorre erosão, exposto à altas temperaturas perde-se a microbiota da superfície do solo e a matéria orgânica (humus), importante pra decomposição. Altera-se a temperatura do solo, onde há cobertura vegetal a temperatura é menor q 25°C. Nas pastagens a decomposição ocorre mais rapidamente, a temperatura é maior, a umidade é menor, há mais vento e radiação solar. Os raios ultravioleta eliminam o nitrogênio, acelera-se a liberação de carbono, na forma de dióxido de carbono para a atmosfera. Ocorre desequilíbrio das concentrações de ferro e alumínio, diminuindo muito a fertilidade na região. Oq restar de matéria orgânica, será levado pelas chuvas mais rapidamente, onde as plantas não alcançam.

Terras pretas de índio - São áreas de boa fertilidade, onde é possível obter melhores resultados na agricultura. O nome origina-se da tradição oral q os índios sabiam localizar esses terrenos para suas plantações. Essas terras seriam depósitos de material orgânico de antigos acampamentos indígenas. Sobre estas terras encontram-se diversos núcleos urbanos da Amazônia, como Santarém (PA).
FILHO, J.M. O Livro de ouro da Amazônia. Ediouro, 2004

Estudo sobre geoglifos e artefatos na Amazônia evidenciam manejo orgânico da floresta, domesticação de plantas chaves e acampamentos sazonais a pelo menos 9 mil anos atrás - Nesse estudo foram examinadas amostras de fitolitos (mineralização em tecidos vegetais) de espécies como macaxeira, jerimum, feijão, pequiá, espécies de palmeiras e gramíneas.
https://www.academia.edu/37145628/Direct_archaeological_evidence_for_Southwestern_Amazonia_as_an_early_plant_domestication_and_food_production_centre

Norman Myers 1988 - Cientista q publicou um estudo sobre os hotspots, isto é, centros de biodiversidade, q analisava diferentes tipos de geologia, clima e critérios únicos para estabelecer os centros de origens de espécies. Espécies endêmicas são espécies nativas, são achadas em um único lugar e em nenhum outro mais, a menos q sejam dispersadas, geralmente por animais e se adaptem à climas parecidos.
O Brasil possui um dos mais importantes hotspots do mundo.
https://www.youtube.com/watch?v=RaQBaVeEbW8

O fogo é característica do bioma Cerrado, isso é refletido em algumas espécies da fauna e flora adaptadas para a queima e rebrotando ou reproduzindo com resistência após as chamas, já a Amazônia é um bioma q reúne espécies adaptadas para alta umidade o ano inteiro sendo assim não é comum ocorrerem queimadas na Amazônia, estas são causadas pelo homem e na maioria dos casos são criminosas.

- PANCS, Fome, Soberania alimentar e Gastronomia
A fome pode ser causada por catástrofes ambientais diversas, guerras, crises econômicas e problemas políticos, como a má distribuição de renda. A produção mundial atual de alimentos é maior q a necessária pra alimentar a população do planeta. Contudo, há especulação econômica, má distribuição dos alimentos, usos indevidos e grandes desperdícios, desde o campo até as nossas mesas (caminhe pelas praças de alimentação dos shoppings e vejam os pratos deixados). É de dar pena, nos deixa preocupados com nossa insustentabilidade, isso sem focar na pobreza de ingredientes,calorias vazias, monotonia das refeições, ausência do colorido e do verde q as Plantas Alimentícias Não Convencionais (PANC) possuem.

Além do desperdício, a humanidade não usa ou subutiliza as espécies nativas com potencial pra complementação alimentar, diversificação dos cardápios e dos nutrientes. As Pancs também tem potencial de incrementar e diversificar as fontes das rendas familiares, como vendas diretas nas feiras, pra agroindústrias, restaurantes e até turismo rural, turismo agroecológico e gastronômico.
Nos países tropicais e subtropicais, a biodiversidade tem grande potencial de uso alimentar a ser pesquisado. Uma listagem de todas as espécies comestíveis ainda não existe; a mais completa é a de Kunkel (1984) onde enumeram-se cerca de 12.500 espécies alimentícias, sendo 3.100 gêneros e 400 famílias botânicas. Rapoport & Drausal (2001) propõem cerca de 27.000 espécies comestíveis. Wilson (1994) lista quase 30.000 espécies de plantas com partes comestíveis, sendo 7.000 cultivadas com a finalidade de alimentação ao longo da história.
Mesmo assim 90% do alimento mundial atualmente vem de 20 espécies somente, as mesmas descobertas por nossos antepassados do Neolítico. Além de poucas, hj essas espécies são restritas a poucos cultivares, diversas variedades foram extintas, ou foram perdidas, ou sofrem erosão genética. Apenas nos últimos 10 anos, as variedades transgênicas passaram a ocupar 90% das áreas cultivadas outrora com culturas agrícolas domesticadas a mais de 10.000 anos.

Por isso nossa alimentação é monótona. Por mais q vc viaje pelo mundo pra comer coisas diferentes, vc precisa procurar. Pessoas q viajam pros confins do Brasil ou pra fora, buscam fast foods pra comer as mesmas coisas q comeriam no bairro onde moram. Muitos tem pavor de contaminantes biológicos, q são facilmente mortos pela água fervente, óleo quente, calor dos fornos e por higiene extrema, buscam a monotonia, a pobreza nutricional e gustativa de alimentos superprocessados e refrigerantes globais.

Mais de 500 anos pós-conquista e não temos geléia de jabuticaba, butiá, cambuci, guanandi, mapati, araçá, pitomba, buxixu ou mirtilo da Amazônia vendendo nos supermercados. Aliás, tivemos de incorporar o novo nome - mirtilo - no Brasil pra tentar mostrar o potencial desse fruto brasileiro, fora centenas de outras espécies q não são tão cultivadas e não abasteceriam o mercado hoje. Em relação às frutas indígenas brasileiras merece atenção Hoehne (1946) q faz importante reflexão sobre o valor das frutas nativas e necessidades de sua preservação, usos e valoração no século XX. Esse insight botânico chama atenção pra nossa xenofilia, ou seja, apreciamos o exótico em detrimento do nativo. Temos frutos belíssimos e saborosos, ricos em antioxidantes e outros nutrientes, mas são considerados "mato" e ignorados.
"Na flora do Brasil existem fruteiras e hortaliças q poderão tornar-se base de novas fontes agrícolas. Todavia continuam a ser ignoradas nas derrubadas, como se nada mais importasse além da madeira ou lenha. Tombam com as matas pra abrir espaço pra pasto ou cultura de algodão, sem ao menos aproveitar seu lenho". Até quando destróem o Cerrado, pra plantar soja, algodão, cana e eucalipto, espécies importantes porém em monocultura insana, de base genética estreita, mecanização encarecedora, uso de agrotóxicos e uso irracional hídrico, estão plantando de forma insustentável até mesmo pra economia, se computassem devidamente os custos ambientais.
Cerrado é pra plantar baru, marolo, pequi, gueroba e outras Pancs adaptadas à esse bioma. Estamos a mais de 5 séculos atrasados.

O Brasil possui a maior biodiversidade do mundo, sendo aproximadamente 15 a 20% das espécies do planeta. E quanto dela é conhecida? Quanto é cultivada e utilizada na nossa alimentação cotidiana? Quanto está preservada em bancos de germoplasma? Necessita de mais estudos nessa área.
O Brasil é destaque em laranja, soja, cana, café, todas são espécies exóticas. Em média, 52% do q consumimos é nativo da Eurásia, o velho mundo.
Em 2010 foi publicada a lista preliminar da Flora do Brasil. Na versão impressa, existem 40.989 espécies de plantas, sendo fungos (3.608), algas (3.496), briófitas (1.521), pteridófitas (1.176), gimnospermas (26) e angiospermas (31.162), estas últimas são as plantas vasculares ou vegetais superiores. Mas todos sabem q o país é de tamanho continental, existem dificuldades logísticas para transitar pela Amazônia e há poucos profissionais qualificados pra pesquisar neste território. Se estimarmos 10% da fitodiversidade de qualquer bioma do planeta, então no Brasil temos no mínimo 3.000 espécies nativas com potencial alimentício.
As plantas alimentícias nativas do Brasil mais importantes em escala global são apenas a macaxeira (mandioca) e o amendoim. Em escala nacional, só o açaí é o mais importante.
LORENZI, Harri; KINUPP, Valdely Ferreira. Plantas alimentícias não convencionais (PANC) no Brasil. São Paulo: Plantarum, 2014.

Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade
https://www.youtube.com/watch?v=SEFwGcJYbbg

Espécie de larva com bioluminescência azul da Mata Atlântica. Até mesmo aqui no Nordeste com altas temperaturas existem espécies de fungos e larvas bioluminescentes tb.
https://www.youtube.com/watch?v=7H4rGBhMGtk

Fiquei sabendo q em pleno ano de 2019 existem pessoas ricas q não sabem ler um mapa. Sorte q nosso amigo Sérgio é paciente e explica tudo com carinho.
https://www.youtube.com/watch?v=Nkqjns0d14U
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2019.06.26 06:49 altovaliriano Como não foi: Game of Thrones e a Idade Média, Parte I

Texto original: https://bit.ly/2IXUlqM
Autor: @BretDevereaux (autodescrito como "Historiador de História antiga, especializado em economia e vida militar romana")

O número de vezes que fãs entusiastas me disseram que Game of Thrones era superior a outras obras de fantasia porque mostrava que uma sociedade medieval "como realmente era" ou "mais realisticamente" está além da contagem. Às vezes, esse louvor está simplesmente exacerbado em relação ao "passado" como se a experiência humana fosse um binário entre "o agora" (quando as coisas são boas) e "o passado" (quando as coisas eram uniformemente ruins). Arguir que Game of Thrones é mais fiel à "verdadeira" Idade Média é fazer uma afirmação não apenas sobre Game of Thrones, mas também sobre a natureza da Idade Média em si. E essa afirmação merece ser avaliada.
Isso é parte do porque eu optei por olhar principalmente para o show, Game of Thrones e não a série de livros, A Song of Ice and Fire. O show - alcançando muitos milhões de pessoas e sendo muito mais culturalmente difundido - terá um impacto muito maior sobre a percepção pública do passado. Além disso, para ser honesto, a "defesa da historicidade" repetidamente feita para o show parece menos comum do que a defesa dos livros (talvez, em parte, porque os fãs de livros parecem sentir que os livros precisam de menos defesa).
Devemos também definir a Idade Média européia para fins desta comparação. A Idade Média na Europa se estende aproximadamente de 500 dC a 1450 dC, um período de quase 1.000 anos. Compreensivelmente, existe grande diferença entre o que se entendia por guerra e sociedade em 550 e em 1350. Mas os símbolos de Game of Thrones são muito mais específicos: os cavaleiros vestidos com placas, damas refinadas, torneios marciais que evocam a Alta (cerca de 1000-1250 dC) e Baixa (cerca de 1250-1450 dC) Idade Média, então esse é o período com o qual principalmente faremos comparação.
Por fim, antes de mergulharmos, duas advertências finais. Primeiro, isso não é uma crítica à construção do mundo de George R. R. Martin. Não há, afinal de contas, nenhuma razão para que o mundo de fantasia dele precise ser fiel à Idade Média européia (falaremos sobre inspirações históricas conhecidas/possíveis à medida que surgirem). Não creio que Martin tenha planejado elaborar uma dissertação de cultura medieval em forma de romance de fantasia, de modo que ele não pode ser culpado por falhar em fazer o que nunca tentou. Em segundo lugar, essa análise vai se basear mais no show do que dos livros, simplesmente porque o show está completo e é mais fácil discutir uma coisa completa - dito isso, elementos de lore que não entraram no show (mas que ainda são ilustrativos) podem surgir.
Tudo bem? Vamos mergulhar.

Destrutividade

Uma coisa sobre a qual Game of Thrones é muito clara é quão brutalmente destrutivas são as guerras de Westeros. A roda - "e assim gira, esmagando os que estão no chão" (S5E8) - quase acaba totalmente com a sociedade Westerosi. A Guerra dos Cinco Reis interrompe as condições de fornecimento de alimentos a ponto de causar fome e miséria nas Terras da Coroa e tumultos sangrentos em Porto Real (S2E6). A própria Porto Real viria a ser essencialmente destruída durante a captura por Daenerys (S8E5), provavelmente com centenas de milhares de baixas, levando em consideração a escala da destruição e o tamanho conhecido da cidade (porém falarei mais sobre isso depois).
Mas quão destrutiva é essa roda, de verdade? Podemos mensurar em números? Nem o programa nem os livros fornecem uma métrica clara para avaliar as perdas de guerra, mas considerando-se a queima de Porto Real e as repetidas menções a fome, não podem ser inferiores a várias centenas de milhares apenas em vidas civis (e possivelmente muito mais altas se incluirmos mortes da praticamente certa indigência do inverno). A esta conta devem ser acrescidos o Norte e as Terras Fluviais, que experimentaram contínua devastação e ocupação.
E quanto às perdas militares? Os exércitos da Casa Tyrell, Lannister e Baratheon foram todos destruídos em campo - vamos olhar para questões de escala em um instante - mas, por enquanto, se metade de sua força fosse de baixas, poderíamos estimar cerca de 80.000 perdas para essas Casas. As perdas para as Terras Fluviais, o Norte, Dorne, as Terras da Coroa e as Ilhas de Ferro são menos claras, mas poderíamos supor que elas equivalem aproximadamente ao total imaginado. Ao que devem então ser acrescidas as forças de Daenerys, reduzidas pela metade em Winterfell com a perda de cerca de 4.000 Imaculados e 30.000 Dothraki (nos dizem que ela perdeu "metade" de ambos).
Com base em toda essa especulação, poderíamos estimar um número mínimo de perdas nas guerras como sendo de mais de 300.000 civis e cerca de 200.000 combatentes (não incluindo perdas sofridas em Essos). Se a fome generalizada for contabilizada - e quase certamente deveria ser, considerando-se o inverno que se aproxima - o número real seria muito maior, talvez bem mais de um milhão. E deixamos de fora a destruição quase total dos Selvagens, as mortes deixada pelo exército dos mortos enquanto se deslocavam para o sul, e pelos assaltos dos Homens de Ferro. A isso seria preciso acrescentar baixas excedentes por doenças, que são mais graves do que as perdas no campo de batalha - o provável número total de vítimas poderia, assim, facilmente se aproximar de 2.000.000 ou mais.
A guerra em Game of Thrones é, portanto, não apenas endêmica, mas também chocantemente destrutiva. É importante ressaltar que a guerra em Westeros chega ao nível de significância demográfica - essa guerra é suficiente para causar uma diminuição real e perceptível na população total de Westeros (os livros não fornecem nenhuma ferramenta para estimar o tamanho da população de Westeros, mas uma estimativa de 40 milhões é perfeitamente razoável - o que significa que a guerra matou algo entre 2,5% e 5% de toda a população, em apenas alguns anos). Este é um nível de morte que os futuros arqueólogos e historiadores westerosis, escavando aldeias e lendo registros da cidade, serão capazes de identificar através da perda acentuada de população. Guerras tão destrutivas foram raras no período pré-moderno - a maioria das guerras não é "demograficamente visível" a esse ponto, porque as perdas de guerra se perdem no "ruído" dos nascimentos e mortes normais.
Apesar de que a guerra na Idade Média era frequente, geralmente não era destrutiva. Estimar a destrutividade e a escala da morte nas guerras medievais é quase impossível de ser feito com precisão devido à natureza das fontes. Mas algumas comparações podem ser feitas. A estimativa padrão para a perda de vidas devido às Cruzadas é de 1 a 3 milhões, o que significa que a Guerra dos Cinco Reis foi, em três ou quatro anos, aproximadamente tão letal quanto duzentos anos (1091-1291) da guerra religiosa medieval no Oriente Próximo. Alternadamente, acredita-se que a Cruzada Albigense - um esforço na França para suprimir a heresia "cátara" - tenha matado algo entre 200.000 e 800.000 pessoas; o cerne da violência durou vinte anos (1209-1229), mas o número de mortos tipicamente também inclui décadas de expedições da Inquisição que só foram terminadas em 1350, um século e meio após o início da cruzada. É importante notar que essas guerras - que ainda estão longe da escala e da intensidade da guerra em Westeros - foram guerras religiosas, onde as normas que impediam a violência contra civis eram muito mais fracas.
A maioria das guerras não eram guerras religiosas, e estas tendiam a ser significativamente menos destrutivas, especialmente para os camponeses que compunham a grande maioria da população. Em parte, isso se devia simplesmente a bom senso: em uma guerra territorial, o controle sobre o campesinato e sua produção agrícola era o objetivo, então assassinar massivamente o campesinato tinha pouca serventia. As guerras entre Senhores poderiam assim muitas vezes ocorrer "acima das cabeças" do campesinato (embora o perigo invasão ou de ter comida roubada para uso pelos exércitos permanecesse agudo - nós não devemos minimizar o quão difícil essas guerras poderiam ser para as pessoas "no chão").
Outro fator foi um conjunto de normas sociais. Apesar de que a Idade Média tenha sido um período de frequentes (pequenas) guerras, nela também se viu alguns dos primeiros esforços para reduzir a violência em sentido amplo, originados pela Igreja Católica: os movimentos de Paz de Deus e Trégua de Deus. A Paz de Deus (do séc. X-XI) deu proteção religiosa ao campesinato e ao clero (e mulheres e viúvas) enquanto não-combatentes. A Igreja encorajou cavaleiros e senhores a fazer juramentos no sentido de que eles não violariam a paz atacando o campesinato.
Isso não quer dizer que essa proibição sempre era seguida - na prática, parece ter sido em grande cumprida via de exceção. Mas é um claro contraste com a guerra em Westeros, onde atacar a população civil é claramente normal - Tywin não hesita em “colocar as Terras Fluviais em chamas desde o Olho de Deus até o Ramo Vermelho” (S1E10) e nenhum dos seus estandartes questiona a ordem. O esforço de Cersei na 8ª Temporada para impedir o ataque de Daenerys por meio da concentração de civis só é posto em ação porque ela acha que Daenerys é diferente de um senhor normal - os quais provavelmente ignorariam o obstáculo.
Nesse sentido, a guerra em Westeros é menos parecida com a guerra na Idade Média - onde, observada ou não, havia um senso geral de que alguns indivíduos eram "civis" e, portanto, não eram alvos militares válidos - e mais como guerra na Antiguidade. Para os romanos, por exemplo, as guerras eram geralmente contra os povos - os romanos falariam sobre estar em guerra com os cartagineses (todos eles) ou com os celtiberos (todos eles) ou os helvécios (todos eles). A única exceção são as monarquias helenistas do Oriente, que eram as posses pessoais das famílias reais, em vez de grandes grupos étnicos - ali os romanos foram à guerra com monarcas individuais. Mas essa foi a exceção, e não a regra.
Nesse contexto, onde os romanos estão em guerra com todo um povo, todo o povo se tornou alvos militares válidos. E os romanos se comportavam como tal. Políbio descreve o processo romano para saquear uma cidade - “Quando Cipião pensou que um número suficiente de tropas tinha entrado [na cidade] ele enviou a maioria deles, segundo o costume romano, contra os habitantes da cidade com o fim de matar todos que eles encontrassem, poupando nenhum, e começassem a pilhagem até que o sinal fosse dado ... muitas vezes pode-se ver não apenas os cadáveres dos seres humanos, mas os cães cortados ao meio e os membros desmembrados de outros animais ... ” (Políbio 10.15.4-5; grifei). Tal massacre não era visto como fora das regras da guerra, mas sim uma consequência normal de tentar resistir a um exército sitiante. Uma cidade que quisesse evitar o massacre deveria se render antes que o cerco começasse pra valer (o último momento para se render, sob as regras romanas de guerra, era antes que o primeiro aríete tocasse a muralha da cidade).
É verdade que, em certas ocasiões, o mesmo tipo de matança indiscriminada ocorreu na Idade Média, quase sempre no contexto de guerras religiosas (onde, por que os inimigos eram hereges ou infiéis, as restrições religiosas à violência não se impunham), mas mesmo isso é tipicamente apresentado pelas fontes como incomum e chocante. A captura de Jerusalém durante a Primeira Cruzada (1099) é o exemplo típico de acentuada brutalidade medieval - os cruzados massacraram grande parte da população da cidade em uma terrível onda de derramamento de sangue.
Raymond d'Aguliers, uma testemunha ocular, diz assim do massacre: "se eu disser a verdade, excederá seu poder de crença" (transcrição de A. C. Krey, The First Crusade: The Accounts of Eye-Witnesses apud Edward Peters, The First Crusade: The Chronicle of Fulcher of Chartes and Other Source Materials) - ainda que tal massacre tivesse sido normal e indigno de nota no mundo romano - e, aparentemente, em Westeros. O que era excepcional em 1099 dC era normal em 199 aC - ou em Porto Real.
É claro, há outra razão pela qual as guerras medievais tendiam a ser muito menos destrutivas - os governantes medievais simplesmente não tinham a capacidade - na administração, infraestrutura e recursos - para causar tantos danos. O que nos leva a:

Escala na Guerra

A guerra na Europa medieval era geralmente um assunto relativamente pequeno. Enquanto muita atenção é dada às guerras entre os reis - a Guerra dos Cem Anos, a Guerra das Rosas, etc. - a grande maioria dos conflitos era pequeno, entre senhores regionais com propriedades limitadas. Esse tipo de guerra envolvia muitas vezes "exércitos" de apenas dezenas ou centenas de homens. No passado, tive alunos que liam trechos das muitas queixas de Hugh V de Lusignan (que datam de 1028). Hugh está perpetuamente em conflito militar com seus vizinhos, mas a escala de tais conflitos é pequena - ele leva apenas 43 cavaleiros para tentar ganhar um castelo e algumas terras, por exemplo (o que ainda era uma força grande o suficiente que o seu Senhor, o conde de Aquitânia, estivesse ciente de que ele a tivesse levado e ordena que ele retorne à corte). O mesmo tipo de guerra de pequena escala povoa as "canções de gesta" (francês: Chasons de Geste), como o de Raoul de Cambrai, onde Raoul passa o poema tentando recuperar o feudo de Vermandois (a canção de gesta de Raoul também se relaciona com o ponto anterior sobre normas de guerra: Raoul quebra a Paz de Deus atacando um convento, que faz com que seu melhor cavaleiro, Bernier, se posicione contra ele; Bernier então mata Raoul em batalha, levando a uma briga de sangue entre as famílias. Note como a transgressão da proteção religiosa devida aos não-combatentes leva à morte dos protagonistas e uma fissura permanente na comunidade - a moral é clara: não ataque os não-combatentes).
Em comparação, os exércitos de Westeros são enormes. Acreditando-se na Wiki of Ice and Fire, podemos estimar os exércitos de campanha - não incluindo guarnições e outras forças pequenas - de cada um dos principais atores como sendo de aproximadamente:

O Norte: 20-30.000 (mas lento para reunir; poder nocional 45.000)
Ilhas de Ferro: 20.000
Terras Fluviais: cerca de 20.000 (poder nocional 45.000, mas politicamente dividido)
Vale de Arryn: Aproximadamente igual ao Norte ou Dorne (cerca de 45.000, no nocional)
Terras Ocidentais: 35.000 no campo durante guerra (nocional: 55.000)
Terras da Coroa: 10.000 a 15.000
Terras de Tempestade: cerca de 30.000
Campina: 80.000-100.000 partiram com Renly (!!)
Dorne: estima-se que cerca de 50.000 estariam à disposição dos Martells

Em comparação, o exército francês em Azincourt (1415) não era maior do que talvez 35.000 homens (alguns historiadores argumentam que era significativamente menor), mas sua derrota foi suficiente para aleijar a França (sugerindo que o exército representava a maior parte das forças de campanha à disposição do rei da França na época). A força de campanha inglesa era menor - apenas cerca de 9.000. Azincourt não era uma pequena escaramuça: eram exércitos reais que representavam o melhor que seus reis podiam fazer (Henrique V, rei da Inglaterra, estava com seu exército, de fato). Nem esses tamanhos típicos eram restritos à Inglaterra e à França. A Batalha de Nicópolis (1396) foi entre os otomanos de um lado e uma grande aliança de poderes cristãos do outro, e provavelmente não envolveu mais do que 40.000 homens de ambos os lados (ou seja, dois exércitos de cerca de 20 mil), apesar do fato de que a batalha estava entre os bem organizados otomanos de um lado e mais de uma dúzia de potências européias do outro.
Em comparação, os exércitos de Westeros são enormes - e os números acima não incluem as várias frotas de centenas de navios que muitos senhores mantêm. Renly Baratheon sozinho tem uma coluna em campo de 100.000 homens; Mace Tyrell depois marcha para Porto Real com 70.000 soldados Tyrell. Em comparação, em 1527 - bem no início do período moderno (onde o tamanho do exército salta acentuadamente) - todo o exército otomano consistia de 18.000 soldados regulares e 90.000 timariots (grupo étnico da Turquia convocados para lutar em campanhas específicas, de modo similar a cavaleiros e seus seguidores). Os otomanos estavam muito melhor organizados do que qualquer poder europeu medieval (daí a exigência de que a oposição à expansão otomana requeresse grandes alianças - veja acima). E todas essas tropas otomanas absolutamente não poderiam ser mantidas em um só lugar, como Renly faz com sua coluna.
Não adianta ressaltar que Westeros cobre uma área enorme, porque isso simplesmente introduz novos problemas: a logística de exércitos tão grandes provavelmente está além da capacidade da maioria dos governantes europeus medievais. Mesmo os romanos - cuja capacidade logística excedia significativamente a do período medieval - raramente reuniram exércitos tão grandes quanto os de Renly ou o de Mace Tyrell e apenas por curtos períodos. Tibério (na condição de general sob o imperador Augusto) reuniu um exército de cerca de 100.000 para lidar com uma revolta em Illyricum (região que atualmente corresponde à Albânia, Bósnia, partes da Croácia e Eslovênia) - o exército foi suficiente para levar a província à fome em um único ano (o que parece ter sido, de fato, o objetivo de Tibério - suprimir a revolta negando suprimentos) e nunca se afastou dos rios (por meio dos quais poderiam chegar suprimento de regiões distantes).
O exército de Mace Tyrell teria que ter marchado pela Estrada da Rosa por cerca de 850 milhas para chegar a Porto Real. Ele provavelmente não se moveu mais rápido do que 10 milhas por dia, então esteve em marcha por 85 dias (decore esse número - nós voltaremos a ele). 80.000 homens, juntamente com animais de carga em um trem de carga bastante enxuto - eram cerca de 20 mil mulas (sim, um trem de bagagem bastante enxuto para um exército deste tamanho!) - consumiriam cerca de 189 toneladas de alimentos por dia. O exército deve ser capaz de carregar cerca de 20 dias com ele (supondo que as mulas estão puxando muitos vagões grandes e lentos) e é grande demais para se abastecer simplesmente pilhando os camponeses locais enquanto ele se move. Isso significa que os Tyrell terão que preparar estoques de alimentos em pontos-chave ao longo de toda a Roseroad. Quanta comida? Supondo que o exército parta de Highgarden totalmente suprido (isso parece improvável), seriam 12.285 toneladas . E isso sem conta a comida dos cavalos.
Nenhum rei medieval tinha acesso a esses tipos de recursos, nem ao tipo de administração que poderia obter quantidades tão grandes de suprimentos. O Império Romano poderia fazer isso - mas exigia o envolvimento de funcionários do Tesouro, magistrados locais e um sistema de suprimento pronto (que era mantido por um grande exército permanente de soldados profissionais). O que leva a:

Montagem de exército, para leigos

Lembra-se daquele número de 85 dias? Voltaremos logo a ele. Em breve. Eu prometo.
A frase que enfio na cabeça dos meus alunos sobre a estrutura dos exércitos medievais é que eles são uma comitiva de comitivas. O que quero dizer com isso é que o modo como um rei medieval forma seus exércitos é que ele tem um bando de aristocratas militares (leia-se: nobres) que lhe devem o serviço militar (eles são seus "vassalos") - sua comitiva. Quando ele vai para a guerra, o rei pede que todos os seus vassalos apareçam. Mas cada um desses vassalos também tem seu próprio bando de aristocratas militares que são seus vassalos - sua comitiva. E isso se repete, até chegar a um cavaleiro individual, que provavelmente tem um punhado de não-nobres como sua comitiva (talvez alguns de seus camponeses, ou talvez ele tenha contratado um ou dois mercenários para segui-lo).
Se você quiser ler uma visão realmente detalhada (e bastante seca) de como isso funcionou, dê uma olhada em The English Aristocracy at War (2008), de David Simpkin; ele vasculhou registros ingleses sobreviventes de cerca de 1272 a 1314 e analisa (entre outras coisas) o tamanho médio das comitivas. A comitiva média encontrada foi de cinco homens, embora senhores importantes (como os condes) pudessem ter centenas de homens em suas comitivas (que, por sua vez, eram compostas pelas comitivas de seus próprios seguidores). Assim, a comitiva do nobre é a comitiva combinado de todos os seus servires, e o exército do rei é o total combinado dos seguidores dos seguidores de todos, se isso fizer sentido. Assim: uma comitiva de comitivas.
Esse é exatamente o sistema segundo o qual o Game of Thrones afirma que seus exércitos funcionam. Os grandes senhores - pessoas como Tywin Lannister - "convocam seus estandartes" e seus bannermen - o termo Westerosi para vassalos (e presumivelmente uma versão direta do que era chamado historicamente de "cavaleiro banneret" \ou cavaleiro-abandeirado])) - a forma mais baixa de aristocrata que teria sua própria bandeira e, portanto, sua própria unidade militar) aparecem com suas próprias comitivas, exatamente como acima. E, à primeira vista, isso parece bastante medieval - foi assim que os exércitos medievais da Alta e da Baixa Idade Média eram formados (principalmente). O problema é que os exércitos em Westeros nunca parecem funcionar dentro das restrições desse sistema .
Primeiro, o óbvio: este sistema, onde os exércitos são montados com base em relacionamentos pessoais e onde as unidades menores são geralmente muito pequenas, simplesmente não têm a capacidade de aumentar de escala para sempre. Há apenas alguns seguidores com que um rei pode manter um relacionamento pessoal - e assim vai fila abaixo.
Em segundo lugar, esses seguidores não "seguiam" servindo para sempre. Eles são obrigados a um certo número de dias de serviço militar por ano. Especificamente, o número padrão - que vem do estabelecido por Guilherme, o Conquistador, para seus vassalos depois de tomar o trono inglês - era de 40 dias. O ponto principal deste sistema é que o rei dá aos seus vassalos a terra e eles lhe dão serviço militar para que ninguém tenha que pagar nada a ninguém, porque os reis medievais não têm a receita requerida para manter exércitos permanentes de longo prazo. Não é por acaso que os conflitos medievais mais destrutivos foram as guerras religiosas em que os guerreiros participantes estavam essencialmente engajados em uma "peregrinação armada" e assim poderiam permanecer no campo por mais tempo (tendo Deus um direito maior ao tempo do cavaleiro do que o rei).
Finalmente, imagine organizar os suprimentos de um exército como este. Cada unidade de comitiva tem um tamanho diferente: Lorde Tarly pode ter algumas centenas de homens, Lorde Risley, algumas dúzias, Lorde Hastwyck apareceu apenas com sua guarda doméstica de cinco e assim por diante (por dezenas e dezenas de comitivas). Você - o intendente do rei - não sabe quão grande são cada um destas comitivas, mas você deve racionar e distribuir comida para que não fique em uma posição onde uma comitiva morra de fome enquanto os outros tenha em excesso. Você também precisa coordenar o trem de bagagem de comida sobrando... mas é claro que a maioria dos vagões e animais de carga pertence a todos os senhores menores com suas pequenas comitivas. Você começa a ver o problema: suprimento centralizado - necessário para manter um grande exército alimentado - é praticamente impossível.
[Se você quiser ler sobre as dificuldades de manter um exército da Idade Moderna (com suprimento e logística um pouco mais centralizados) unido por longas distâncias, pense em ler The Army of Flanders and the Spanish Road , de Geoffrey Parker, e tenha em mente que, em seu apogeu, o exército que ele descreve (com os desafios intransponíveis de pagá-lo e supri-lo) nunca foi maior do que 90.000 homens - menor do que a coluna de Renly Baratheon - e tendia a ser, em média, um pouco menor de 60.000].

Que tipo de exército é esse?

Então, para resumir o que nós cobrimos até agora: a guerra em Westeros não é realmente muito medieval. Enquanto nos dizem que os exércitos estão organizados em linhas medievais, eles são muito grandes e as guerras que eles empreendem são muito mais destrutivas do que o normal para conflitos políticos (leia-se: não-religiosos) da Idade Média. Além disso, eles parecem não ser limitados pelas normas culturais da Idade Média (como a Paz de Deus), ou pelos limites logísticos comuns aos (mal organizados) exércitos medievais.
Há algum tempo na história européia em que esses exércitos se encaixariam melhor?
Acho que a resposta para isso é "sim" - esses exércitos não são medievais, mas da Idade Moderna em seu tamanho, capacidade e destrutividade.
Várias coisas colocam o período moderno à parte da Idade Média, mas o que mais nos interessa aqui é a capacidade do Estado. O que quero dizer com isso é a aptidão do estado (leia-se: o rei) de extrair receita e usar essa receita para fazer coisas (mobilizar forças militares, reformar a sociedade, contratar burocratas para extrair mais receita, etc.). Os reis medievais tinham uma capacidade estatal muito limitada, porque seus próprios nobres - os quais (ver acima) tinham seus próprios exércitos - trabalhavam para limitar o poder do monarca central. Em contraste, o período moderno (cerca de 1450-1789) é de crescente capacidade do Estado, à medida que os monarcas começam a centralizar agressivamente a governança de seu país.
Mudanças na natureza dos exércitos é tanto uma causa quanto um efeito disso. O poder real centralizado permitiu que exércitos maiores, mais padronizados e mais profissionais aumentassem as receitas reais fora do controle da nobreza - que eram, por sua vez, mecanismos eficientes para a supressão da nobreza e, assim, maior centralização de poder (eu deveria anotar: o conhecimento sobre os mecanismos exatos pelos quais isso acontece é volumoso e contestado - esta é apenas uma descrição geral do fenômeno; ch7 de Waging War de Wayne Lee (2016) é na verdade uma introdução bastante acessível ao leigo à história e ao debate se você quiserem).
Como já observei em outro lugar, a linguagem visual usada por Game of Thrones para todos os exércitos de Westeros, exceto para os do norte, é tirada do início do período moderno. Esses exércitos têm equipamento uniforme - supostamente fornecido por arsenais do Estado - e foram treinados e preparados para marchar e lutar em sincronia. Mesmo se dispensarmos a representação visual dos exércitos como erros da parte do show, o fato de esses exércitos poderem permanecer no campo mês após mês implica que pelo menos partes significativas dessas forças são efetivamente profissionais e pagas pelo seu serviço, em vez de terem sido formadas em um sistema de vassalagem.
O tamanho dos exércitos também aponta nessa direção. Embora a trajetória exata do crescimento do exército na início do período moderno seja um tanto contestada, o que não é contestado é que os exércitos no início do período moderno eram substancialmente maiores do que os do final da Idade Média. Dos exércitos medievais nos milhares ou nas primeiras dezenas de milhares, os exércitos das grandes potências da Europa passaram às últimas dezenas de milhares nos anos 1500 e depois ultrapassaram bastante os 100.000 em meados do século XVII. Esses exércitos geralmente não estavam concentrados em um só lugar devido a questões de logística, mas a capacidade destrutiva geral do estado aumentara várias vezes.
Assim, enquanto George RR Martin frequentemente apontava para a Guerra das Rosas (1455-1487 - portanto, ressalto, uma guerra moderna, não medieval) como inspiração histórica para Game of Thrones, a escala do conflito e o tamanho dos exércitos mais claramente evocam as guerras dos séculos XVI e XVII, como a Guerra dos Trinta Anos (1618-1648). Como se pode imaginar, exércitos maiores geralmente significam maiores “danos colaterais”, então vamos ver como o período moderno se compara à Idade Média na destrutividade da guerra.
As guerras dos séculos XVI e XVII - especialmente a Guerra dos Trinta Anos - foram chocantemente destrutivas em comparação com o que acontecera antes. Parte da razão para isso foi a natureza dos conflitos: muitas dessas guerras nasceram da Reforma Protestante e foram, portanto, guerras religiosas, colocando protestantes contra os católicos. Nesse tipo de guerra - ao contrário de uma disputa política sobre um trono ou território - a população inimiga se torna alvo de violência por acreditar na coisa "errada". Na Guerra dos Trinta Anos, exércitos católicos destruíram aldeias protestantes e vice-versa, com o objetivo de mudar a composição religiosa da região pela violência.
Mas nem todos os conflitos desse período foram guerras religiosas. Apesar de que as guerras seculares nunca atingiram a carnificina da Guerra dos Trinta Anos, elas ainda eram marcadamente mais destrutivas do que as anteriores. Outra razão para isso foi a melhora dos próprios exércitos - você verá pessoas atribuindo isso à pólvora, mas os mosquetes de tiro lentos não são muito mais destrutivos do que as armas do passado. Mas um exército medieval - como já discutimos - só poderia ter um certo tamanho e só poderia permanecer no campo por um determinado tempo. Mas os novos exércitos permanentes do início do período moderno eram formados por profissionais que podem guerrear o ano todo e eram ainda maiores. Além disso, a Reforma - ao dividir o poder da Igreja - enfraqueceu as próprias normas religiosas que às vezes restringiam a violência (mesmo que fracamente) na Idade Média. A conseqüência foi exércitos mais capazes e mais dispostos a infligir danos à população em geral.
Por fim, o vultoso tamanho desses exércitos também contribuiu para maiores níveis de destrutividade de um modo diferente e inesperado: eles pelejaram contra as limitações derradeiras da logística pré-ferroviária. Enquanto os governos lutavam para pagar, alimentar e equipar esses soldados, os exércitos no campo eram forçados a se abastecerem localmente e a pagar soldados com saque capturado, às custas da população local. Sob essas condições, restringir os soldados famintos de cometer atos de extrema violência para obter comida ou saque tornou-se cada vez mais difícil, beirando o impossível. Os exércitos no campo tornaram-se forças quase elementares de destruição, evoluindo de fazer cerco e batalhar para fazer cerco e destruir a região por qual passassem.
Assim, a Guerra dos Trinta Anos (1618-1648) despovoou grande parte da Alemanha moderna, matando cerca de um quarto de toda a população (mas a carnificina costumava ser muito localizada - algumas áreas estavam efetivamente intocadas, enquanto outras estavam completamente despovoadas). Nos Países Baixos, a Guerra dos Oitenta Anos (1568-1648) criou uma terra de ninguém despovoada onde os dois lados (os exércitos espanhóis e holandeses) se encontraram em um longo impasse defensivo. Os exércitos espanhóis, tendo ido muito tempo sem pagar, também saquearam Antuérpia (1576) - a sede regional do governo espanhol - para recuperar seus atrasos no pagamento por meio de saques, danificando severamente a economia local por décadas e matando milhares de habitantes.
Esse tipo de guerra - menos limitada, com exércitos maiores, mais destrutivos e mais vorazes - está muito mais perto do que vemos em Game of Thrones . Ironicamente, Joffrey sugere (S1E3) construir um exército de estilo moderno e a idéia foi descartada por Cersei . Algum pode pensar, no entanto - considerando-se que Cersei sabe pouco sobre a guerra e não é tão inteligente quanto ela pensa - se Tywin não já havia começado a usar o ouro Lannister para construir o exército de estilo moderno que ele aparentemente já possui.

Conclusões sobre o Medievalismo Militar

A situação militar em Westeros, portanto, não parece se encaixar muito bem na Idade Média européia. Os exércitos de Westerosi não parecem ser limitados a curtos períodos de serviço militar comum nos exércitos medievais, eles são muito maiores do que os exércitos medievais alguma vez foram e são significativamente mais destrutivos. Além disso - e este é um tópico que retomaremos na próxima vez - eles parecem não restringidos pelos limites sociais e religiosos à violência da Idade Média. Não devemos florear demais ​​- esses limites eram frequentemente mais honrados via de exceção do que observados (e eles não se aplicavam a todos igualmente). No entanto, o aumento acentuado da mortalidade militar no período moderno atesta o fato de que esses limites - os limites organizacionais, juntamente com os culturais - resultaram, de fato, em um nível geral de violência mais baixo.
Parece que quase qualquer discussão sobre a Idade Média começa com “este período foi extremamente violento”. E há alguma verdade nisso - comparado ao mundo moderno, os reis e senhores medievais foram muito à guerra. A guerra era uma parte normal da vida. Mas em comparação com o período moderno inicial ou mesmo com a antiguidade clássica, essas guerras costumavam ser relativamente pequenas e seu impacto era limitado. Em comparação com o período moderno (ou seja, nosso período histórico) - bem, conseguimos matar mais pessoas (num sentido absoluto) em um único espasmo horrível de violência que abalou a terra de 1937 a 1945 (cerca de 85 milhões de pessoas) do que provavelmente morreu em todas as guerras medievais europeias combinadas. Violência é relativa. Comparado com a longa paz do Império Romano (27 aC - c. 235 dC; o próprio império durou até cerca de 450 dC no Ocidente (e 1453 dC no leste), mas seus últimos séculos foram mais violentos), de fato, a Idade Média foi bastante violenta. Mas comparado ao que veio depois, a Idade Média teve mais guerra, porém menos morte (e nós nem sequer discutimos a catástrofe humana que foi a descoberta do novo mundo ...).
Isso significa que Martin "falhou" de alguma forma? Não - de modo algum. Novamente, A Song of Ice and Fire não é uma dissertação de história disfarçada, é um romance de fantasia. Martin construiu uma sociedade com suas próprias regras e sistemas e então seguiu essas regras e sistemas sociais até onde elas levam. Em vez disso, o que quero enfatizar é que - no que diz respeito a assuntos militares - os exércitos de Westeros não são muito parecidos com os exércitos da Idade Média européia, apesar das semelhanças entre cavaleiros, armas e armaduras.
Não obstante, observar a diferença entre a Idade Média e Westeros é importante porque reformula um dos temas centrais do cenário. É reconfortante pensar que a violência descontrolada em Westeros é o produto de algo - uma cultura de cavaleiros guerreiros e violência - que não temos mais. Mas o oposto é verdadeiro: a violência fora de controle, do tipo que Westeros possui, é o produto de algo que ainda temos muito: a tremenda capacidade do Estado administrativo moderno para a violência.
Nossos estados administrativos modernos podem fazer coisas maravilhosas - eles constroem estradas e escolas, fornecem cuidados de saúde (às vezes), podem cuidar dos pobres e regular os locais de trabalho. Mas eles também podem produzir quantidades espetaculares e horripilantes de violência. É essa tarefa - a violência, não as escolas ou as estradas - para as quais eles foram projetados e às quais eles permanecem mais aptos. Nós nos esquecemos disso (fingindo que tal violência pertence apenas à HBO e ao passado distante) por nossa conta e risco.
Na próxima vez, veremos como funcionam as normas culturais e religiosas na sociedade Westerosi. A Idade Média na Europa foi, em muitos aspectos, definida por fortes normas culturais e especialmente religiosas. Quanto se parece com Westeros?
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2019.05.13 14:46 bebahia Liberalismo e dogmatismo, André Lara Resende, Valor

Retirado do Valor, vale a assinatura.

Liberalismo e dogmatismo

Por André Lara Resende
No início da década, a Grécia se viu obrigada a fazer um extraordinário ajuste fiscal. Tendo sido beneficiada pela condição de membro da União Europeia, o que lhe permitiu financiar sua dívida a juros baixos, a Grécia tinha sido fiscalmente irresponsável. Com a crise financeira de 2008, a realidade bateu à porta. Os mercados, sempre dispostos a absorver mais dívida quando a maré está alta, com o refluxo, secaram. O aumento do prêmio de risco cobrado pelos bancos tornou a dívida, além de muito alta, também muito onerosa.

Yanis Varoufakis, à época um professor visitante na Universidade do Texas-Austin, foi o primeiro a afirmar o que qualquer pessoa com uma noção básica de aritmética poderia constatar: a dívida grega era impagável. A Comissão Europeia, o Banco Central Europeu e o FMI, a Troica, preocupados com o impacto sobre o sistema bancário, decidiram entender que não, que a Grécia deveria fazer um drástico ajuste fiscal e refinanciar a dívida. O ajuste foi feito. O déficit, de mais de 10% do PIB em 2010, foi revertido. Em 2017 a Grécia, a Alemanha, a Dinamarca e a Suécia, eram os únicos países da União Europeia com superávit fiscal.

O resultado pode ser avaliado por alguns números. O desemprego, que já era alto antes do início do ajuste, quase de 10%, três anos depois chegou a 28% da força de trabalho e a mais de 60% entre os jovens. No ano passado o desemprego ainda estava perto de 20% e o PIB tinha caído mais de 30% em relação a 2010. A dívida, que era equivalente a 150% do PIB em 2010, depois de quase uma década de ajuste, chegou a 180% do PIB. Mas os números, por mais impressionantes que sejam, não podem exprimir a dimensão da verdadeira tragédia que se abateu sobre a Grécia. O país foi destroçado.

Em 2015, depois de três anos de ajuste fiscal, a população exprimiu sua rejeição ao estrangulamento econômico a que o país estava sendo submetido. Um novo partido de esquerda, o Syriza e seu jovem lider, Alex Tsipras, venceram as eleições. Varoufakis foi convocado para ser o ministro da fazenda e renegociar a dívida. Condicionou a sua aceitação a ser eleito para o congresso. Sem jamais ter exercido qualquer cargo público, em menos de três meses de campanha, foi eleito o deputado mais votado da história. Ministro, enfrentou a tecnocracia europeia e o FMI, procurando demonstrar a inviabilidade do ajuste como exigido pela Troica. Convocou um referendo para avalizar a sua proposta alternativa. Saiu vitorioso das urnas, mas foi derrotado pela tecnocracia. O governo cedeu à Troica e Varoufakis voltou à academia e ao ativismo político. O seu livro, Adults in the Room, publicado em 2017, que resenhei para a revista Quatro Cinco Um, é uma fascinante incursão pelos bastidores das forças políticas do mundo contemporâneo.

Neste início de século, o dogmatismo ameaça derrotar também nossa frágil democracia liberal

A tragédia grega deste século XXI traz à cena todos os elementos do impasse da democracia contemporânea. Desde o início do século passado, sobretudo a partir do fim da Segunda Guerra, o mundo parecia ter encontrado a fórmula do progresso e da paz social. A democracia representativa liberal e a separação dos poderes davam a impressão de compatibilizar a vontade da maioria com a defesa dos direitos individuais e o respeito às minorias. Através de políticas compensatórias, o Estado, administrado por uma tecnocracia ilustrada, garantiria as condições mínimas de vida para os mais desfavorecidos. Nos países mais atrasados, o Estado exerceria ainda o papel de coordenador do desenvolvimento econômico.

Neste início de século, o equilíbrio entre os três elementos que compõem as democracias representativas - a vontade popular, o respeito aos direitos individuais e o governo tecnocrático - se rompeu. O populismo, tanto de direita como de esquerda, que hoje se alastra pelo mundo, deve ser entendido como uma reação à tomada de consciência de que a tecnocracia e as instituições liberais para a defesa dos direitos individuais se tornaram dominantes e abafaram a vontade popular. Tantos as razões desta tomada de consciência, como as implicações para o futuro da democracia têm sido objeto de inúmeros estudos e livros publicados nos últimos anos.

O populismo chega ao poder pelo voto, explorando a percepção de um déficit democrático, que foi acentuada pela internet e pelas mídias sociais. Primeiro, questiona as instituições liberais, depois desmantela a tecnocracia, para em seguida instaurar o autoritarismo. Não importa se a partir da esquerda, como na Venezuela, ou da direita, como na Turquia, na Polônia e nos EUA. Tanto a sua ascensão, quanto a sua capacidade de manter acesa a chama do ressentimento, dependem da frustração das expectativas. Por isso, o mau desempenho da economia, a recessão e o desemprego, são o combustível de que depende para solapar a democracia. Quando a economia se desorganiza mais rápido e profundamente, maior é a probabilidade do populismo descambar para o autoritarismo aberto. Confrontado com a perda de apoio, o populismo sobe o tom contra a política representativa, as minorias e as instituições liberais. A desorganização da economia, a recessão e o desemprego, se tornam um terreno fértil para a sua campanha de ressentimento.

No Brasil, depois de alguns meses do novo governo, a economia não dá sinais de que irá se recuperar. Continua estagnada, com a renda abaixo do que era há cinco anos e o desemprego acima de 12% da força de trabalho. O programa dos tecnocratas que estão no comando da economia parece estar condicionado à aprovação da reforma Previdência, uma reforma há décadas mais do que necessária, mas na qual não faz sentido depositar todas as esperanças. Transformada num cavalo de batalha com o congresso, insistentemente bombardeada como imprescindível pela mídia, a reforma da Previdência, ainda que aprovada sem grande diluição, como os resultados não são imediatos, não será suficiente para resolver o problema fiscal dos próximos anos. Também não será capaz de despertar a fada das boas expectativas. Como demonstra de forma dramática a experiência recente da Grécia, a busca do equilíbrio fiscal no curto prazo, quando há desemprego e capacidade ociosa, não apenas agrava o quadro recessivo, como termina por aumentar o peso da dívida em relação ao PIB.

A Grécia não tinha escolha: ou se submetia ao programa de austeridade fiscal ou seria obrigada a sair da zona do euro, com custos possivelmente ainda mais altos. No Brasil, a obsessão pelo equilíbrio fiscal no curto prazo é uma auto-imposição tecnocrática suicida. O liberalismo econômico do governo parece estar subordinado ao seu dogmatismo fiscal. Como liberalismo e dogmatismo são incompatíveis, o liberalismo sairá inevitavelmente derrotado. No século passado, o dogmatismo monetário derrotou o liberalismo econômico de Eugênio Gudin. Neste início de século, o dogmatismo ameaça derrotar também nossa frágil democracia liberal.
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2019.03.29 15:19 SujeitoOculto Texto sobre o livro Sociedade do Cansaço, Byung-Chul Han. Considero muito importante essa leitura.

Sociedade do cansaço é um livro curto – numa época de velocidade e esgotamento, trata-se de uma forma precisa de transmitir para o público leitor o aspecto tenebroso da valorização de indivíduos inquietos e hiperativos que se arrastam no cotidiano produtivo realizando múltiplas tarefas. Publicado originalmente em língua alemã, Sociedade do cansaço foi traduzido para o português em 2015 e ampliado na segunda edição em 2017 com dois textos anexos esclarecedores: “Sociedade do esgotamento” e “Tempo de celebração: a festa numa época sem celebração”.
No livro, o sul-coreano Byung-Chul Han, professor de filosofia e estudos culturais da Universidade de Berlim, parte de uma constatação relativamente comum para o problema das relações entre sociedade e sofrimento psíquico: cada época tem suas enfermidades 1 . Dado que os sofrimentos psíquicos são compreendidos nos dias atuais sobretudo como desvios neuroquímicos, para o autor do livro em tela nossa época se configura como uma “violência neuronal”. Não obstante a expressão, sua explicação passa ao largo de aspectos fisiológicos do sistema nervoso: sofrimentos psíquicos como síndrome de burnout , transtorno de déficit de atenção e hiperatividade e depressão são apreendidos pelo autor em sua relação direta com o modo operatório do capitalismo contemporâneo.
De saída, Byung-Chul Han sustenta que as sociedades ocidentais não são mais designadas pela negatividade típica de épocas e dispositivos “imunológicos”, cujos mecanismos de defesa são a reação, o estranhamento e o isolamento do estranho como formas de proteção. Para além da negatividade das sociedades disciplinares – em que semelhantes dispositivos operam por meio de muros, passagens e barreiras e nas quais o princípio de interdição torna possível o modelo freudiano da neurose enquanto conflito intrapsíquico –, a sociedade contemporânea distingue-se pelo excesso de positividade . Em seu aspecto biológico e social, a violência neuronal a que se refere o autor não está mais associada à negatividade estranha (exterior) ao sistema: trata-se de uma violência imanente ao próprio sistema (p. 20). Em sua forma especificamente social, a nomeação adequada do sistema é “sociedade do desempenho”. É dessa maneira que o sul-coreano designa o modo de funcionamento da sociedade ocidental contemporânea pós-disciplinar, já apreendida por outros autores como, por exemplo, “sociedade pós-industrial” (Bell, 1999), “sociedade de controle” (Deleuze, 1992), “capitalismo cognitivo” ou “economia material” (Negri e Lazzarato, 2001; Gorz, 2005) e “biopolítica” (Foucault, 2008) 2 . A despeito do matiz analítico diverso de cada uma das expressões conceituais, todas indicam a constituição de uma nova subjetividade proveniente das transformações sócio-históricas ocorridas desde o final do último século.
Yes, we can – o slogan utilizado pelo presidente estadunidense Barack Obama – expressa com precisão o excesso de positividade da sociedade do desempenho (p. 24). No lugar do enunciado disciplinar coercitivo (“tu deves”), imposto de fora, entra em cena o novo enunciado (“nós podemos”), o qual, em seu aspecto imanente, remete a uma falsa liberdade ao impor aos indivíduos o imperativo da realização, da mobilidade, da velocidade e da superação constantes. O aspecto central da análise do coreano reside justamente na falsa liberdade e no processo destrutivo contido nesta transformação contemporânea. O filme Cisne negro , de Aronofsky (2010), pode evidenciar sua tese. Neste thrillerpsicológico, a imposição da performance e do desempenho mediante a autossuperação é incorporadapela protagonista e levada a suas últimas consequências. A autodestruição da bailarina – que figura aqui apenas como metáfora do desempenho profissional contemporâneo – nada mais é senão a perseguição obstinada do enunciado “tu podes”. Em que pesem os efeitos destrutivos, o filme parece ratificar a constatação de Byung-Chul Han de que “[a] positividade do poder é mais eficiente que a negatividade do dever” (p. 25). Ou seja, a autossuperação postulada em yes, we can é capaz de extrair toda a potência e eficácia insuspeitas ao próprio sujeito, ainda que o custo da autossuperação possa ser a autossupressão.
Com o deslocamento da negatividade para a positividade, o sujeito do desempenho – mais rápido e eficiente – substitui o sujeito da obediência. Transforma-se, assim, o paradigma do inconsciente freudiano, que não é atemporal, mas histórico. Suas condições de possibilidade são a disciplina, a interdição e a repressão modernas, cujo corolário forma o sujeito obediente, temerário e angustiado diante da possibilidade de transgressão. Ao contrário do inconsciente freudiano vinculado necessariamente à repressão e à negatividade, o sujeito neoliberal do desempenho é dominado hoje pelo excesso de positividade. Portanto, se no modelo freudiano o sujeito da obediência se submete ao superego, o sujeito do desempenho projeta para si uma forma ideal de existência (p. 100). O excesso de positividade investido para alcançá-la conduz o indivíduo, de forma inexorável, ao esgotamento típico dos sofrimentos psíquicos da nossa época, que são, aos olhos de Han, especialmente a síndrome de burnout e a depressão. Sua tese é explicita: “[a] sociedade disciplinar ainda está dominada pelo não . Sua negatividade gera loucos e delinquentes. A sociedade do desempenho, ao contrário, produz depressivos e fracassados. […] Esses estados psíquicos [de esgotamento] são característicos de um mundo que se tornou pobre em negatividade e que é dominado por um excesso de positividade” (pp. 24-25 e 70, grifo do autor).
Com efeito, em uma época cujas palavras-chave são “projeto”, “motivação”, “iniciativa”, “eficiência”, “flexibilidade”, não surpreende a avaliação positiva de indivíduos ativos. Para além da rubrica psicopatológica, a hiperatividade – que é também a impossibilidade de recusa, de dizer “não” a estímulos intrusivos – apresenta-se para Byung-Chul Han como a expressão cabal da valorização do excesso de positividade. É verdade que o déficit de atenção associado à hiperatividade constitui um transtorno psiquiátrico específico de nossa época. No entanto, a justa medida da hiperatividade é valorizada sutilmente no próprio Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais(DSM) da Associação Psiquiátrica Americana, documento que, como referência mundial para a prática clínica e as pesquisas epidemiológicas, é responsável por estabelecer cientificamente a distinção entre conduta normal e patológica. Na apresentação ao “Episódio hipomaníaco”, o DSM-IV-TR evidencia como o estado moderado de euforia e agitação – que não implica deficiência no funcionamento normal do indivíduo, não requer hospitalização nem apresenta características psicóticas – pode ser socialmente desejado: “[a] alteração no funcionamento em alguns indivíduos pode assumir a forma de um aumento acentuado na eficiência, realizações ou criatividade” (APA, 2002, p. 362).
Para criticar o excesso de positividade da nossa época, Byung-Chul Han evoca Nietzsche, mostrando assim que o estado atual da sociedade nada mais é do que o desenvolvimento da modernidade ocidental decadente. Por falta de repouso, afirma o filósofo alemão em 1878, “nossa civilização caminha para uma nova barbárie. Em nenhuma outra época os ativos, isto é, os inquietos, valeram tanto […]” (Nietzsche apud p. 37). Influenciado por Nietzsche, que perpassa seu texto, Byung-Chul Han considera a hiperatividade contemporânea como uma espécie de esgotamento espiritual dos nossos dias. Contra o tédio – que constitui o ponto alto do descanso espiritual –, o indivíduo afunda-se, inquieto, na atividade. Ácida, outra passagem do autor de Humano, demasiado humano dá o tom da crítica do coreano aos valores considerados nobres pelo capitalismo contemporâneo: “Os ativos rolam como rola a pedra, segundo a estupidez da mecânica” (Nietzsche apud p. 53) 3 . Ora, mas por que julgar de forma tão desprezível a atividade sôfrega dos indivíduos contemporâneos?
É que o sujeito do desempenho contemporâneo experimenta uma contradictio in adjecto: a liberdade coercitiva. Alçado à condição de “empresário de si mesmo”, o sujeito atual não tem mais como máximas a obediência ao outro, o cumprimento da lei e do dever, mas o sentimento de “liberdade” e de “autonomia”, a partir do qual deve fazer operarem “criatividade”, “desempenho”, “inovação”, “boa vontade”, “iniciativa individual” e “flexibilidade”. Note-se que o autor patenteia a autoexploração latente na última característica supervalorizada pelo mercado e pelos indivíduos em suas condutas de vida: para as relações sociais de produção capitalista contemporânea, o sujeito de desempenho pode explorar-se a si próprio de modo ainda mais efetivo “quando se mantém aberto para tudo” (p. 96). Não obstante a ênfase dada à “flexibilidade”, juntas, todas as expressões supracitadas constituem o mantra do paradigma produtivo atual que perpassa inteiramente a existência individual, submetendo-a a novas coações. Daí a ideia de que “o sujeito de desempenho pós-moderno não está submisso a ninguém”, salvo a ele próprio (p. 101). Lembremos uma vez mais o Cisne negro – o enunciado do diretor da peça de balé que é incorporado pela protagonista apresenta-se da seguinte forma: “Você não tem nenhum obstáculo a superar a não ser você mesma”. Soando liberdade, a perseguição da meta violenta psíquica e corporalmente o sujeito. É que, como mostra Byung-Chul Han de forma convincente, o sujeito narcísico e de desempenho solicitado em nossos dias não realiza a meta: concorrendo consigo próprio, é incapaz de chegar à conclusão. É ilusório, portanto, associar atividade excessiva pretensamente autônoma à conquista de liberdade.
A coação de desempenho força-o [o sujeito narcísico de desempenho] a produzir cada vez mais. Assim, jamais alcança um ponto de repouso da gratificação. Vive constantemente num sentimento de carência e de culpa. E visto que, em última instância, está concorrendo consigo mesmo, procura superar a si mesmo até sucumbir. Sofre um colapso psíquico, que se chama de burnout (esgotamento). O sujeito de desempenho se realiza na morte. Realizar-se e autodestruir-se, aqui, coincidem (pp. 85-86).
A forma pronominal do verbo “destruir” parece nesse excerto, de fato, insuficiente: o prefixo “auto” sublinha a dimensão da destruição do sujeito de desempenho. Dessa forma, o coreano apresenta o aspecto áspero e inequívoco de sua tese. Veiculada não apenas por discursos empresariais ( management ) e mensagens da indústria cultural 4 , mas também por discursos institucionais de promoção da saúde e do bem-estar 5 , a tão propagada “autorrealização” conduz o indivíduo à autodestruição. Eis a lógica paradoxal da “liberdade” em uma sociedade pós-disciplinar que absolutiza desempenho e produção. “O excesso de trabalho e desempenho agudiza-se numa autoexploração. […] Os adoecimentos psíquicos da sociedade de desempenho são precisamente as manifestações patológicas dessa liberdade paradoxal” (p. 30).
Na sociedade do desempenho, ação e identidade são reduzidas à esfera do trabalho e da produção. Experimenta-se o “tempo de trabalho total” – expressão que nos remete, às avessas da suposta liberdade individual sustentada pelos arautos do neoliberalismo, à noção de um “trabalho totalitário”. “A própria pausa se conserva implícita no tempo de trabalho. Ela serve apenas para nos recuperar do trabalho, para poder continuar funcionando” (p. 113) – para o trabalho, é preciso acrescentar. Ainda que não seja mobilizada pelo autor de A sociedade do cansaço , a noção de trabalho imaterial – formulada na passagem para o século XXI por André Gorz, Antonio Negri e Maurizio Lazarrato – evidencia de que forma o novo paradigma produtivo do capitalismo cognitivo e a procura constante do indivíduo por acúmulo de capital humano deitam por terra, de fato, a cisão entre tempo de trabalho e tempo livre. Concebe-se este como investimento naquele: é no tempo de não trabalho que se adquirem condições, matérias-primas e capital necessários para a geração da riqueza capitalista contemporânea 6 .
Com a sobrestimada noção de autoinvestimento, a dialética senhor-escravo desaparece como dois polos contraditórios para encarnar-se a um só tempo como unidade indissociável no próprio indivíduo. Tudo se passa como se assistíssemos a uma nova servidão voluntária. No lugar da sujeição ao outro – seja a obediência à tirania do soberano (Boétie, [1576] 2017) ou a submissão à exploração do capitalista (Marx, [1844] 2004) –, na sociedade de desempenho predomina a autoexploração. Enquanto realidade incontestável, “você S/A” configura o novo paradigma das relações sociais de produção capitalista contemporânea. Para o autor de Sociedade do cansaço , o atual estágio socioeconômico é, neste sentido, essencialmente pós-marxista, uma vez que a “alienação” não demanda mais o outro, que está na origem do conceito.
O sistema capitalista mudou o registro da exploração estranha para a exploração própria, a fim de acelerar o processo. […] Hoje, vivemos numa época pós-marxista. No regime neoliberal a exploração tem lugar não mais como alienação e autodesrealização, mas como liberdade e autorrealização. Aqui não entra o outro como explorador, que me obriga a trabalhar e me explora. Ao contrário, eu próprio exploro a mim mesmo de boa vontade na fé de que possa me realizar. E me realizo na direção da morte. Otimizo a mim mesmo para a morte (pp. 105 e 116).
Embora não esteja explicitado na letra do livro, torna-se patente que o outro a que o indivíduo contemporâneo se submete sob a ilusão de liberdade é o mercado e sua lógica performática. Lemos, afinal, que, destruindo-se na vitória, o sujeito do desempenho faz funcionar uma sociedade cuja base reside na autoexploração determinada pela racionalidade neoliberal. Sem conotação propriamente marxista, o autor destaca – e nesse ponto indica o limite do estudo sociológico de Alain Ehrenberg (1998) sobre a depressão – que o imperativo do desempenho que conduz o sujeito primeiro ao esgotamento (síndrome de burnout ) e depois à depressão provém sobretudo do excesso de positividade solicitado pelas relações sociais de produção capitalista 7 .
Uma vez que o aperfeiçoamento das habilidades ilimitadas para o sucesso profissional é lançado ao infinito, compreende-se, segundo Han pp. 45, 108 e 117), a elevação da saúde à condição de divindade, ou melhor, a “histeria” ou “mania de saúde”. Valendo-se ao longo do ensaio de expressões conceituais compostas por palavras cujas acepções são eminentemente paradoxais – tais como “liberdade coercitiva” e “autorrealização destruidora” –, o autor faz notar as contradições do tempo presente trazendo à tona também a perseguição patológica pela saúde. Se, por um lado, a “vitória” pode ser alcançada mediante tal condicionamento, por outro, o sujeito depressivo atual figura como o único responsável por seu fracasso. Em uma sociedade clivada que produz “perdedores” em série, o depressivo é o sujeito que “[e]stá cansado, esgotado de si mesmo, de lutar consigo mesmo. […] Desgasta-se correndo numa roda de hamster que gira cada vez mais rápida ao redor de si mesma” (p. 91). Nesse sentido, apesar da crítica de que Ehrenberg desconsidera as relações sociais de dominação neoliberal, o argumento do autor de Sociedade do cansaço não está tão distante quanto presume do autor de La fatigue d’être soi: dépression et société , conforme os próprios títulos dão a ver 8 . Para Ehrenberg, mais do que paixão triste, a depressão é uma patologia da capacidade insuficiente de ação e iniciativa. Sua condição de possibilidade, insiste o sociólogo francês em seu livro, provém da conquista de autonomia e de responsabilidade no mundo pós-disciplinar, as quais, transformadas em norma social, o sujeito não suporta, prostrando-se depressivo.
Como se vê, a substituição do elemento negativo pela pura positivação não é considerada por Byung-Chul Han como favorável aos indivíduos, visto que ela é, antes de tudo, autoagressividade. Para evidenciar sua concepção, o coreano diferencia duas formas de potência: a “positiva” e a “negativa”. A primeira, como traço distintivo do tempo presente, inibe a reflexão proveniente da “atenção profunda” e conduz o sujeito à hiperatividade superficial e fatal. A potência “negativa” – que o autor, ao contrário de Agamben, não identifica no escrivão Bartleby ( I would prefer no to ), de Melville – consiste justamente na resistência ao estímulo: em vez do “para-isso”, ação constante do hiperativo, enaltece-se o “não-para”. Trata-se de uma espécie de “tédio profundo” ou “cansaço fundamental”, sobre o qual Byung-Chul Han discorre a partir de Para uma abordagem da fadiga , do escritor austríaco Peter Handke (1990). Inspirador, semelhante cansaço indica menos o que se deve fazer do que aquilo de que se pode abrir mão. Tal cansaço “habilita o homem para uma serenidade e abandono especial, para um não fazer sereno” (p. 73). Próximo à angústia, à ira e ao luto – potências negativas fundamentais substituídas no universo existencial contemporâneo pela irritação e pelo medo 9 –, o “cansaço fundamental” consiste numa forma de fazer desaparecer a economia da eficiência e da aceleração, resistindo-lhe. Com todos os paradoxos que a linguagem permite, o cansaço elogiado pelo autor constitui a potência negativa, em que seria possível gozar – sem aberração – o uso do inútil (p. 76).
Claro está que, para Han, o estado de esgotamento na sociedade atual não provém desse tipo de potência, mas do excesso de positividade (leia-se: estímulos). A leitura de 24/7 – Capitalismo tardio e os fins do sono pode ratificar o sentido da experiência social analisado por Byung-Chul Han. Nesse livro, o professor de história da arte Jonathan Crary (2016) evidencia de que forma a presença constante de estímulos tende a impedir o desligamento do indivíduo, que dorme hoje em sleep mode . Inspirada nas máquinas, essa expressão recorrente e apenas aparentemente inócua dá a ver a ideia de que o indivíduo está em “modo de consumo reduzido”, à disposição, superando a lógica “desligado/ligado”, “de maneira que nada está de fato ‘desligado’ e nunca há um estado real de repouso” (Crary, 2016, pp. 22-23). Trazendo à tona projetos científicos, tecnológicos e laboratoriais cujo objetivo consiste em reduzir ou eliminar o sono, o norte-americano mostra que tais empreendimentos – supostamente inacreditáveis – são consonantes à cultura moderna ocidental que deprecia o sono desde a estimação positiva de conceitos e valores como produtividade, racionalidade, consciência, vontade, objetividade, ação, desempenho. Na cultura ocidental contemporânea “24/7”, na qual impera o regime de trabalho non-stop , o sono se apresenta como a única dimensão existencial ainda não colonizada pelo capitalismo.
A sociedade do cansaço atual nada mais é do que a absolutização unilateral da “potência positiva”. Por isso, é também uma “sociedade do doping ”. O melhoramento cognitivo ( neuro-enhancement ) pode não representar nenhum problema moral diante da normatividade social vigente na sociedade do desempenho. Ou seja, o uso pragmático e utilitário circunscrito à “psicofarmacologia cosmética” (Kramer, 1993) apresenta absoluta coerência em uma configuração social que inculca nos indivíduos a necessidade tanto de realização permanente – para a qual se solicita, antes, a autossuperação – quanto de bem-estar como fórmula para o sucesso social. Uma substituição ocorre, assim, no plano terapêutico. Desprovido de tempo, o sujeito do desempenho não procura mais a gênese do conflito psíquico, cuja temporalidade técnica é lenta. A medicação psiquiátrica pode atender com a urgência necessária o restabelecimento, a manutenção e o aperfeiçoamento das potencialidades do sujeito impaciente para a escavação arqueológica de cunho psicanalítico que visa a descobrir a origem do sofrimento psíquico.
Em um aforismo sugestivo, o antropólogo estadunidense Marshall Sahlins (2004, p. 23) sentencia: “[u]m povo que concebe a vida exclusivamente como busca da felicidade só pode ser cronicamente infeliz”. Do mesmo modo, ao juízo de Han, a lógica social parece inequívoca: a sociedade hiperativa do desempenho só pode produzir indivíduos estafados. Daí a epidemia de um sofrimento psíquico relacionado diretamente ao desempenho profissional, que captura todos os aspectos da vida humana. A síndrome de burnout , que precede a depressão, é a consequência lógica e patológica da autoexploração.
Sublinhemos, por fim, o fato de que a associação entre a depressão (e outros sofrimentos psíquicos) e as normas sociais do capitalismo contemporâneo não é inédita. Além de Ehrenberg (1998) e sua ênfase na “autonomia” como norma social que se impõe sobre os indivíduos, Maria Rita Kehl (2009) também argumenta que a epidemia atual de depressão encontra suas condições de possibilidade em uma sociedade simultaneamente antidepressiva e maníaca (leia-se: patologicamente hiperativa). Subtraindo o aspecto psicanalítico que foge ao escopo da nossa análise, a autora brasileira sustenta que a depressão recusa e questiona valores essenciais da sociedade capitalista contemporânea, entre os quais se destacam a velocidade e o gozo, isto é, a aceleração do tempo e o imperativo da felicidade, do prazer e da satisfação prêt-à-porter .
A despeito desta observação final, dialogando com obras de escritores e artistas diversos – entre os quais despontam não apenas os já citados (Nietzsche, Melville, Handke, Agamben), mas também Kafka, Maurice Blanchot, Cézanne, Merleau-Ponty, Walter Benjamin, Theodor Adorno, Hannah Arendt, Jean Baudrillard e Roberto Esposito –, Byung-Chul Han apresenta em seu Sociedade do cansaço uma reflexão percuciente para o público leitor compreender melhor o modo de funcionamento da sociedade capitalista contemporânea. De forma mais específica, o livro é uma contribuição a ser considerada por sociólogos e pesquisadores que estudam a relação entre sociedade e sofrimento psíquico, na medida em que associa, de forma inequívoca, autorrealização e autodestruição em uma determinada configuração social. Com uma pergunta, o Zaratustra de Nietzsche (2011, p. 46) pode ainda nos perturbar e inquietar, provocando a reflexão: “[e] também vós, para quem a vida é furioso trabalho e desassossego: não estais muito cansados da vida?”.
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